sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Al-Faghar (1)



Às portas do al-Gharb


Iniciamos aqui a série de artigos que nos propusemos divulgar sobre a presença da Ordem do Templo no al-Faghar muçulmano. São dados históricos do nosso acervo que transcrevemos na íntegra, descartando deles qualquer tipo de mito religioso. E fazêmo-lo, destacando um dos protagonistas da verdadeira história de Ourique, figura incontornável, que desempenhou um papel definitivo na expansão militar portuguesa do período áureo da "reconquista" cristã : Ibn Qasi.

De seu nome Abu'l-Qâsim Ahmad Ibn Al-Husayn Ibn Qasi nasceu no termo (à época) de Silves, perto de Alvor, no sítio ainda hoje chamado Mesquita, freguesia da Mexilhoeira Grande, concelho de Portimão, segundo testemunha um fragmento de texto de Ibn al-Salâ:

"... muladi (1) Abul Qasim [...] ibn Qassi natural da gariya (2) de al-Masjid (3) arrabalde de Albur no termo de Silves nascido a 22 de Rajab de 500 (4)..."


No ano da Hégira de 531 (1137) Ibn Qasi com uma centena dos seus muridin (discípulos-guerreiros) ataca a atalaia fortificada de Muntaqût (castelo de Alferce, perto da vila de Monchique) mas fracassa e muitos dos seus guerreiros são feitos prisioneiros. Ibn Qasi foge para o Norte e refugia-se com muitos dos seus seguidores em Moçab-d'har (Thomar), perto de Santarém.


Rezam as nossas crónicas (Livros de Guerra) que em 1138 o Mestre dos Templários sediados em Soure, D. Frei Guilherme Ricardo, ao tomar conhecimento que o líder Sufi se refugiara na zona, enviou-lhe dois cavaleiros do Templo (Fr. Paio Fernandes e Fr. João Álvares) para parlamentar com ele ao abrigo da amizade que unia as duas cavalarias. Foi aqui que se selou o primeiro pacto entre o movimento Muridin de Ibn Qasi e os Templários Portugueses, que previa a colaboração militar entre ambos.

Nesse mesmo ano de 1138 Ibn Qasi regressa ao ribat de ar-Rihana (Arrifana, Aljezur) e assiste ao intensificar da pressão das autoridades Almorávidas para o capturar. No início de 1139 existem já contactos entre as duas cavalarias para colocar em acção o plano para um ataque surpresa aos Almorávidas que estavam já em armas na região para o cerco final a Ibn Qasi. Abrem-se as portas do al-Gharb muçulnamo ao projecto Templário.


Formam-se dois pequenos exércitos cristãos que se predispõem a ajudar na defesa do Mestre Sufi e seus seguidores. Um, capitaneado por Afonso Monis que se desloca por terra a coberto da cumplicidade Muridin e outro, comandado pelo Mestre dos Templários que se desloca por mar e desembarca no porto fluvial do Wadi-Mihrâb (Odemira). A estes se juntam os Muridin comandados por Ibn Qasi e ambos esperam pela chegada de Afonso Monis.

A reunião das forças conjuntas de cristãos e sufis dá-se finalmente a 18 de Julho de 1139 no lugar santo de um murâbit, local que mais tarde ficará conhecido por Relíquias (cuja história iremos desenvolver mais à frente). É, não muito longe dali, no raiar do dia 25 de Julho, no campo de Panóias, que se irá dar o confronto entre Ibn Qasi (apoiado pelas tropas cristãs) e as forças Almorávidas que, não esperando a presença dos cristãos que os atacam pela retaguarda, ficam cegas pelo sol e, desorientadas, saem completamente desbaratadas no recontro.

Como agradecimento, Ibn Qasi confirma o pacto feito com o Mestre do Templo, dispondo-se a ajudar nas futuras acções militares que os cristãos efectuem do Mondego à linha do Tejo. Tal facto pôde ser comprovado no caso da tomada de Santarém e de Lisboa, conforme já narrado por nós. Revela ainda Ibn Qasi a presença de relíquias cristãs muito antigas guardadas em segredo pelos monges negros que habitam o Cabo Sagrado (Sagres).

O entusiasmo cristão pela vitória foi tal que, na presença do Mestre Sufi e dos seus Muridin, os Templários Portugueses propõem celebrar ali mesmo, junto com o restante exército portucalense, a coroação de Afonso Monis. Para tal, realizam o velho cerimonial celta de colocar aos ombros e em pé sobre um escudo circular coberto pelos estandartes ali presentes, aquele que aclamam Rei, Afonso primeiro de Portugal. Rei-Templário, no segredo Pêro Afonso Monis, e que a História conheceu como Dom Afonso Henriques.

"Que tu irmão Templário e senhor
sobre este símbolo de união te eleves nosso Rei.
Por tu Graal!  Por tu Graal!  Por tu Graal!"


(Neste evento é armado cavaleiro pelo recém-aclamado Rei, aquele que se tornaria um dos irmãos mais carismáticos da nossa Ordem; Dom Gualdim Paes)

Fr. João do Paço
cronista-mor
(que sucede a Fr. Manuel FB) 


_______________________________________________
(1)- Descendente de cristãos convertidos ao Islão originários do Andaluz
(2)- Alcaria, vila, povoado pequeno
(3)- Mesquita
(4)- 19 de Março de 1107

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Entre Tempos



Como costumamos dizer:

"Não existe tempo no caminho do Templo."

Por isso parecerá estranho a todos vós este intervalo de tempo que medeia entre as últimas publicações de Julho de 2017 e a última de Junho deste ano de 2018.

Um interregnum de um ano, portanto.

Acontece que, neste entre-tempo, temos procedido prioritariamente ao intensivo estudo, transcrição e arquivamento do material histórico já acumulado e do que nos tem chegado ultimamente vindo das nossas fontes do Norte de África (principalmente), o que nos obrigou a esta suspensão de edição no blogue dos Templários Portugueses.

Estamos agora, em melhores condições para prosseguir, retomando a prometida série de artigos sobre o Al-Faghar assim como iremos criar uma nova etiqueta a que chamaremos 'Actualização', onde serão, de facto, actualizados alguns dos artigos já publicados, mediante as novas leituras que se nos depararam ao longo deste penoso ano de silêncio.

Apresentando aqui as nossas mais humildes desculpas, rogamos a vossa compreensão, esperando que continuem connosco.

Abraço fraterno.

o irmão Principalis

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Rumo ao Paraíso




Escapo-me de ti Al-Burj (1) com a lua cheia
Deixando para trás tua forma já difusa
Durmam bem irmãs faluas... até amanhã

Vou levado na suave brisa da maré-meia
Guiado pelo chamado de minha Musa
Rumo ao cais das Fontes de Hassan

                          §

Saúdo-te ó Ar-Ra'ad (2), rio-trovão
Saúdo Burj'munt (3), tua cidadela
Suavemente adormecida à beira-rio

Simulando cansado guardião
Mas sempre atenta sentinela
Quem teu forte pulso já não sentiu?

                         §

Baixa esta noite a guarda, venho em paz
Troquei meu fiel alfanje pelo frágil alaúde
Embriagado de Lua até que chegue a manhã

Deslizando no silêncio que a hora traz
Passarei Xanar'burj (4) antes que a maré mude
Rumo ao cais das Fontes de Hassan (5)

                         §

Quero inebriar-me no teu doce perfume
Afundar-me no mar azul do teu olhar
Beber desses lábios todo o teu sorriso

Na volúpia dos teus seios acender meu lume
E no teu corpo incendiado voltar a navegar
Perdidos de amor rumo ao Paraíso

                          §

Se eu não voltar, Ar-Ra'ad
Saúda por mim as faluas de Al-Burj

al-Bideru bin al-Muni

__________________________________________________
(1) - Al-Burj, "a torre", de onde derivou Albur, a actual Alvor.
(2) - Ar-Ra'ad, hoje Arade, rio que banha Silves e tem foz em Portimão.
(3) - Burj'munt, que por má interpretação dos cruzados tomou o nome de Porcimunt, é hoje a cidade de Portimão.
(4) - Xanar'burj, a "torre de Xanar", conhecida pelos cristãos por Xanabus existiu na que é hoje Estombar (e não S. Brás de Alportel).
(5) - Fontes de Hassan serão actualmente as "fontes" de Estombar.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Tombo:LXXII


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo

29 de Julho de 1230

Carta de Convenção entre o Bispo de Viseu e a Ordem do Templo,
outorgando este à Ordem o direito de apresentar
a Igreja de Santiago de Trancoso.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Prólogo a Al-Faghar



Pegadas no tempo
(do poeta Ibn Musa)



Descalço...
desço a calçada do castelo
e sento-me lânguidamente
nas margens da al-djazira.

Espero paciente que a maré suba
e me venha banhar os pés nus
com as pequeninas ondas
que parecem querer brincar.

Fazem-me lembrar a infância
quando chapinhava nas ondas
das praias da minha aldeia natal...
Saudosa Temara!

Agora finjo que as crianças
agitam esse outro lado do mar
chegando aqui em pequenas ondas
o eco longínquo desse doce brincar.


[...]

...enquanto a maré sobe lenta
vou sentindo o vibrar do chão
à passagem dos velozes cavaleiros
do ribat de meu senhor Ibn Qasi.
Ibn Musa
1086-1168
Aljezur

sábado, 15 de julho de 2017

Os Templários no Algarve árabe


Nova série de testemunhos sobre Al-Faghar (Algarve)

 Na sequência dos recentes e lamentáveis acontecimentos ocorridos em Tomar, os quais reflectem o profundo e continuado desrespeito pela memória da Ordem do Templo - que quase nos levaram ao encerramento deste blogue em sinal de protesto - ficou decidido rumarmos a Sul onde os Templários Portugueses tiveram uma prematura e discreta presença, pontuada depois por algumas participações militares até à definitiva conquista do reino do Algarve.
Proximamente, iremos dar a conhecer numa série de publicações, nove episódios ainda inéditos, dos muitos que constam dos Livros de Guerra da Ordem portuguesa.



- Onde eram recebidas e por quem, às portas do Algarve ainda muçulmano, as delegações portuguesas da Ordem do Templo enviadas em segredo por El-Rei D. Afonso I?

- Como entregou El-Rei D. Afonso I pessoalmente e em completo sigilo na praça fortificada de Al-Burj o simbólico e enigmático presente de cavalaria ao seu aliado Ibn-Qasi e no que consistia?

- Que motivos estiveram realmente por detrás da ida ao Promontorium Sacrum para a recolha das relíquias de S. Vicente? Onde ficava o Mosteiro do Corvo e quem eram os monges que o habitavam? O que levaram realmente para Lisboa?

- Que tesouro resultante da pilhagem da primeira tomada da cidade árabe de Silves se perdeu misteriosamente a caminho do Norte da Europa levado por um protegido do flamengo bispo Nicolau?

- Que testemunho sobreviveu até hoje das cerimónias religioso-militares feitas pelos Templários Portugueses em terras mouras algarvias antes da tomada de Silves?

- Onde pára a Cruz de Portugal oferecida por S. Bernardo de Claraval aos Templários Portugueses, levada por estes e perdida na primeira tomada de Silves?

- Onde ficava o hospital de campanha dos monges-soldados Templários feridos na tomada de Silves e o seu cemitério?

- Como ajudaram os Templários Portugueses os habitantes de Silves a refugiarem-se em Monchique salvando todos os seus pertences de mais valor que nunca foram resgatados? 

- Que testemunho arquitectónico dedicado a Santa Maria Madalena deixaram os Templários Portugueses no Algarve ainda não conquistado?

terça-feira, 4 de julho de 2017

Tombo:LXXI


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


Maio de 1228

Carta de doação feita por Dona Fruilia Ermigia à Ordem do Templo da herdade de Cira com todos os seus termos e de toda a sua fazenda em Portugal e Castela.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Outra vez?


Claustro da Hospedaria do Convento de Cristo

Acaba de ser tornado público mais um grave atentado ao património Templário em Tomar.
Foi grave, muito grave o que se passou.
Esperamos que os responsáveis por mais este acto de selvajaria "cultural" sejam identificados e punidos exemplarmente.



42 bilhas de gás estiveram aqui armazenadas e foram utilizadas na alimentação da fogueira. Teria bastado o rebentamento de uma delas para que grande parte do convento e a Charola Templária tivessem sido reduzidos as escombros.









A profanação e vandalização de um lugar sagrado com um ritual satânico (não temos outra forma de o definir) de imolação pelo fogo da imagem Templária de Santa Maria (assuma Ela a forma que assumir) numa enorme fogueira alimentada por mais de quarenta botijas de gás propano industrial no centro do claustro, árvores cortadas floreiras arrancadas, pedras partidas, piso danificado, ...configuram um acto criminoso que não esqueceremos.






Não voltaremos a dizer que o convento de Cristo é património mundial classificado pela Unesco porque nem a Unesco nem o mundo quer saber dos atentados ao nosso património. Diríamos mais: nem os portugueses querem já saber da memória que lhes deixámos, tendo em conta o silêncio cúmplice da maioria dos que se dizem Templários. Sabe-se que muitos participaram como figurantes desta farsa. E tudo por ânsia de protagonismo e por dinheiro. O vil dinheiro que a todos corrompe.

Cada vez nos sentimos mais isolados. Mais esquecidos.
Os traidores demonstraram mais uma vez saber ser os amigos dos inimigos do nosso legado. Sendo assim, nossos inimigos são.
Que não mais evoquem o nome do Templo os que em nome dele tiram proveito enquanto nada fazem para o proteger, tudo fazendo para o destruir.

Será, Mestre, que teremos de voltar a executar a maldição das tuas últimas palavras? Outra vez?

terça-feira, 30 de maio de 2017

Tombo:LXX


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


Fevereiro de 1227

Carta de composição feita entre a Ordem do Templo
e o Arcebispo de Braga, de modo a este ter apenas uma procuração
das igrejas de Mogadouro e Penarroia e receber menos dízimos,
apresentando a dita Ordem os Capelães.

domingo, 14 de maio de 2017

Pontes caídas




Pobre pomba branca
que te mantêm no escuro
envolta em manto tão negro

deixando-te em grilhões presa
por detrás de grades púrpura
que encerram teu degredo


Presa mas não esquecida
que eu o corvo mais velho
fiel sombra e leal amigo

usando o tempo farei questão
de partir as grades que te retêm
para te libertar e levar comigo


Levar-te para longe da mentira
dos que dizem hoje com falsidade
serem os que vestem tuas alvas penas

tentando na vã futilidade da vida
tornar grandes as minguadas almas
soprando tal vida em vidas tão pequenas


Tu, a ponte de entre todas a eleita
podias em teus feitos ter escrito hoje
que do negro manto a alva pomba soltaste

mas deixaste somente palavras ao vento
que no seu esquecimento já o vento leva
deixando apenas na memória a justiça que negaste

Fr. Salvador
1965, Dezembro



"...a Igreja Católica deverá ser 'missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor' "

Esqueceste o 'justa' e 'libertadora'.

Que Santa Maria te perdoe, proteja e continue a guiar, Irmão Jorge.

Irmão Principalis
+++ Maio, 2017

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Tombo:LXIX


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


21 de Janeiro de 1227

Carta de doação feita por Dom Soeiro Rodrigues à Ordem do Templo,
da terça parte de todos os seus bens.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Olivença e Fr. Pantaleão



Conforme prometido anteriormente, vamos hoje falar um pouco da
mui nobre e sempre Portuguesa Terra de Olivença.
E decidimos fazê-lo seguindo as memórias de Fr. Pantaleão, guiando-nos pela sua pena.

Nascido em 1212 em Besièrs, na região costeira da Occitânia (hoje sul de França), veio em 1222 com a família - refugiada da tristemente conhecida cruzada cristã contra os cátaros - para o reino de Portugal onde se estabeleceu com os pais na comunidade de Montalvão, na região Templária da Açafa.
Em 1229 é recebido na Ordem do Templo e nesse mesmo ano é promovido a sargento-capelão.
Integrando a falange Templária Portuguesa, participa em 1230 na conquista de Badajoz aos mouros.
Em reconhecimento, Afonso IX de Leão faz doação de alguns lugares à Ordem do Templo entre eles o de Alconchel onde Fr. Pantaleão é colocado. Nesse mesmo ano de 1230, no dia de S. Jorge e com apenas 18 anos, é investido e armado Cavaleiro Português da Ordem do Templo.

Fr. Pantaleão é referido nos velhos registos como sendo "...um homem afável e bondoso e de mui bom trato que cativou a admiração e o carinho das gentes de Alconchel."
Talvez por isso tenha sido o primeiro a receber a notícia, quase a segredo, do achamento de uma imagem muito antiga num lugar perto e a Norte dali, representando Maria grávida, oculta sob as raízes de uma velha oliveira.
Relata-nos ele: "... reconheci-a de pronto como a Senhora das Esperanças a que o povo dava antigamente o nome do Ó e que havia desaparecido no tempo da última invasão moura destas terras. Estava debaixo de uma velha e carcomida oliveira envolta num burel já apodrecido e cheia de lodo. Lavei-a na fonte que está ao lado e de pronto o povo começou a falar de milagre. Logo ali lhe ergueram uma pequena ermida a que deram o nome de Nossa Senhora da Esperança, e porque o linguarejar popular tem destas coisas o lugar se ficou conhecendo por Olivança; que vem da mistura da oliveira com a esperança."

Dentre em pouco, a Ordem manda ali construir umas casas anexas à ermida para seis freires do Templo tendo como companheiro e guia espiritual Fr. Pantaleão. Pouco depois, uma guarnição Templária é destacada de Alconchel e colocada na então já denominada Olivança. Esta seria o embrião da futura Comenda Templária que a Ordem iria "prover de forte castelo e seu fossado".


Voltamos a ter notícia de Fr. Pantaleão muitos anos depois já pela pena de um dos seus discípulos numa memória das casas da Ordem nas várzeas do Liz (Carvoeira-Mafra), habitando numa ermida por ele mandada construir, situada perto da foz do rio Lizandro. Lê-se nesse registo: "...Mestre Pantaleão trouxe consigo dos lados de a'Safra a imagem antiga da Senhora do Ó e aqui a consagrou. Dizia em vida que por nostalgia da sua terra natal haveria de morrer junto do mar que amava e acompanhado de Maria que do mar também tinha vindo e do mar havia saudade [...] acabou aqui seus dias com a notável idade de 68 anos. Casas do Liz da venerável Ordem do Templo em Portugal, ano do Senhor de 1280."

Um outro registo diz-nos que devido à suspensão da Ordem e à desactivação das casas do Templo neste lugar, foi necessário esconder novamente a imagem da Senhora do Ó numa pequena gruta situada por cima da ermida e que ali esteve durante bastante tempo oculta. Diz-nos essa outra memória que: "... por lapso dos Irmãos amanuenses onde estava escrito: guardada na Lapa da S.ra [lapa da Senhora] leram Lapa da Serra e assim tomou o nome o lugar que fica acima da gruta..."

É dado assente que a imagem da Senhora do Ó (hoje sob custódia dos Templários Portugueses) traz consigo associadas a memória do nosso querido Irmão Fr. Pantaleão e a criação de pelo menos três topónimos Templários: a sempre portuguesa cidade de Olivença, o sítio da Senhora do Ó e a aldeia da Lapa da Serra.
Testemunhos de quão fascinantes, embora atribuladas, podem ser as encruzilhadas da História.

Fr. Manuel F.B.


Cronista-mór da Ordem
dos Cavaleiros Templários Portugueses
(com votos de um bom ano)

sábado, 24 de dezembro de 2016

Um Natal diferente




Neste ano de 2016, que ora finda, assistimos com alguma tristeza  ao incompreensível crescendo da desumanização e do consequente retrocesso de uma civilização que cremos e queremos nossa.

Que a indiferença pese, relativa, na consciência de cada um.

Da nossa parte, velhos e esfarrapados, solidários com quem sofre os males do mundo, cá estaremos no próximo ano para mais uma batalha surda, continuando com toda a fé a apostar na existência do lado bom de cada um.

Que tenhais umas Boas e Fraternais Festas são os votos de toda a irmandade dos Cavaleiros Templários Portugueses.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Dragão-Miguel



"Ah, meu Irmão!

Ele há coisas que não se consegue explicar ao comum dos mortais, se totalmente reveladas.
Por isso, apenas se desvela o necessário. Quando necessário.
E nisso, guardas em mim os velados segredos que a Ordem confia.
Segredos mais valiosos que a vida; que perdê-los será perder a Alma.
Por isso os escondemos na própria sombra...

Sim, é isso que tu és, pequeno Dragão.
Tu és na realidade a minha sombra.
A minha projecção humana, plena de virtude e... defeitos.
Vivo apontando minha lança à tua boca, lembrando-te em continuum a letal necessidade do sigillum.
Ciente que, se tiver que a trespassar, o segredo morrerá... connosco.

O silêncio, Irmão, diz muito mais que todas as palavras mundanas."

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Tombo:LXVIII



Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo

Outubro de 1226

Carta de doação de alguns casais feita por Fernando Gonçalves
à Ordem do Templo