quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Balada de um soldado Templário



Mestre,
esta noite nas muralhas
entre ferros e bombarda
vi um inimigo correr
a noite estava cerrada

brandi  forte minha espada
e enquanto o retalhava
um clarão iluminou
o rosto que eu matava

dei com ele a fixar-me
com seus olhos já sem vida

Mestre,
sabeis quem matei?
aquele soldado inimigo
era meu amigo Qusay

companheiro de criança
com quem tanto eu brinquei
aos soldados e fossados

hoje a luta foi real
meu amigo já se enterra
Mestre,
eu quero morrer
estou farto desta guerra

se voltar a escrever-vos
talvez o faça do céu
onde encontrarei Qusay

e brincaremos de novo
aos soldados e fossados

Mestre,
esta noite nas muralhas
sabeis quem eu matei?

aquele soldado inimigo?
era meu amigo Qusay...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Documento IV

Confirmaçaõ da Doaçaõ de Soure, que tinha feito a Rainha D. Tereza, pello Senhor Rey D. Affonso Henrriques sendo Infante, ou Princepe de Portugal em 1129.

Em nome da Santissima Trindade Padre, Filho, e Spirito Sancto, Trindade Indivisivel q nunca terá fim mas permanecerá por infinitos seculos dos seculos. Amen. Eu Illustre Infante D. Affonso Neto do grande D. Affonso de boa memoria Emparador da Hespanha, e filho do Conde D. Enrique, e da Rainha D. Tereja, e pella mizericordia de Deos Princepe dos Portuguezes; em honra de Nosso Senhor Jesu Christo, dou a vos Soldados do Templo de Salamaõ o antigo Castello que se chama Soure, o qual está cituado na estremadura em territorio de Coimbra agoas vertentes ao Mondego. Douvos, e concedo vos o tal Castello com todos os seus foros que saõ, e forem para que vós os tenhais firmemente, e todos vossos successores para sempre, e esta doaçaõ faço naõ por mando, ou persuaçaõ de alguem, mas por amor de Deos, e por remedio de minha alma e de meus Pais, e pello cordeal amor que vos tenho e porque em a vossa Irmandade e em todas vossas boas obras sou Irmão. E se algum homem assim dos estranhos como dos Propinquos quizer impedir, ou anullar esta minha Doaçaõ, o qual totalmente naõ creo se fasa, pague quatro vezes em dobro o tal Castello a vós Cavalleiros do Templo, ou a qualquer que estiver em vosso nome, e ao poder real, o que manda o livro dos Juizes. Feita a Carta de Doaçaõ, e firmeza aos treze de Março da era de Mil cento, e secenta e sete.
Eu o Infante D. Affonso com minha propria
maõ roboro esta Carta.
Os que foraõ prezentes em Guimarens.
Bernardo Bispo de Coimbra.....Conf.
Ermigio Monis..........................Conf.
Egas Monis...............................Conf.
Mendo Monis...........................Conf.
Lourenso Alferice....................Conf.
Raimundo Garcia....................Conf.
Pedro Paes.............................Conf.
Egas Gozende.........................Conf.
Payo Goterres da Sylva...........Conf.
Ermigio Venegas....................Conf.
Joaõ Rania............................Conf.
Soeiro Mendes.....................Conf.
Pedro Paes..........................Conf.
Pedro...................................Conf.
Payo....................................Conf.
Pedro Cancelario do Infante a notou.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Diálogo na noite



- Asalam aleikum, mestre Gualdim.
- A paz esteja contigo também, Ahmed.
- Entre nós haverá sempre paz, mestre. Assim está escrito nas estrelas.
- Já poucos homens olham as estrelas, irmão.
...
- Está sem dúvida uma linda noite, mestre.
- Diz-me irmão, os teus antepassados também contemplavam as estrelas?
- Como num espelho.
- Como assim!?
- Sou descendente de tribos ancestrais que habitaram as terras altas do Atlas. Os Imouharen, que significa: os livres. Também conhecidos por guerreiros azuis por usarem o tagelmust, o véu azul.
- Descendes então do povo tuaregue?
- Sim mestre. Contam os antigos que em tempos muito remotos o meu povo atravessava de África para a Península a vau, através das grandes cascatas, ainda antes do grande oceano engolir as terras médias e vinham até aqui. Muitos ficaram por cá.
- Então o sangue dos que falam tamasheq anda por aqui, misturado, desde o fundo dos tempos?
- Assim parece. O meu povo costumava tatuar as estrelas no peito. Diziam que cada uma delas representava um amigo que ficava deste lado. E como as observavam de lá, imaginavam-nas como que reflectidas num espelho para os que as olhavam no céu, daqui.
- Interessante o que me contas, Ahmed. Não te atraiem as tuas raízes?
- Nasci nesta terra, mestre. Nunca conheci outra. Como a poderia trocar? Amo cada gota de água destas fontes, cada recanto destes bosques, cada pedra, ...
- Nenhuma será tocada, prometo-te.
...
- Entrego-te o castelo esta noite, mestre. De manhã, pelo raiar do sol já todos teremos partido.
- Enganas-te Ahmed. O meu Rei e senhor pede-vos que fiqueis. Nada vos será tirado. As vossas casas, as vossas terras, a vossa fé. Este é o seu desejo e o meu também. Do fundo do coração.
- Grande alegria me dás irmão. Se é esse o teu desejo e o do teu Rei e senhor, aceito comovido em nome dos meus. Alá é grande!
...
- É impressão minha ou esta noite as estrelas estão mais brilhantes? Que te parece alcaide?
- A mim parece-me que andam por lá a escrever algo de belo...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Longroiva


Vista geral de Longroiva


O Castelo de Longroiva está situado no ponto mais alto do antigo castro de Longobriga.
No inventário dos bens do Mosteiro de Guimarães, no ano de 1059, vem relacionado este castelo. Neste período, ocorre um expressivo surto de povoamento na região, atribuído a D. Egas Gozendes, que outorga uma Carta de Foral a Longroiva em 1126, e posteriormente, a D. Fernão Mendes de Bragança (esposo da Infanta D. Sancha e, portanto, cunhado de D. Afonso Henriques), que doa estes domínios de Longroiva à Ordem do Templo em 1145, sendo Mestre Hugo Martins.

Em 1176, Mestre D. Gualdim Pais reedifica o castelo e na Torre de Menagem monta um hurdício (galeria de madeira que, no topo dos muros, permitia o ataque vertical sobre o inimigo) como denunciam os encaixes talhados nos silhares onde este se apoiava o que a torna o primeiro exemplar da arquitectura militar portuguesa a adoptar este sistema.
Ainda se pode ver a inscrição comemorativa da construção da Torre de Menagem gravada em três silhares na fachada Oeste e que dizem:

[IN E]RA MCCXII MAGISTER GALDINUS CONDUTOR PORTUGALENSIUM MILITUM TEMPLI REGNA[NT]E ALFONSO PORTUGALENSIUM REGE CUM MILITUBUS SUIS EDIFICAVIT HANC TURRIS

Tradução: "Na era de César de 1214 anos (1174), Gualdim, chefe dos cavaleiros portugueses do Templo, mandou edificar esta torre com os seus soldados, reinando Afonso Rei de Portugal".

 Este reduto Templário constituiu uma posição estratégica militar importante durante a fase transitória da reconquista e foi uma base principal para os cavaleiros da Ordem do Templo.

D. Dinis (1279-1325) concedeu foral à vila, e, em 1304, mandou fazer alguns reparos no castelo. Ainda no seu reinado, em 1319 e perante a extinção da Ordem Templária, os domínios da povoação e seu castelo foram incorporados ao patrimonio da Ordem de Cristo, sua sucessora.
Quase no extremo norte do vale mantém-se ainda um testemunho do aproveitamento agro-pecuário, que a Ordem de Cristo aqui fez, conservado no nome da "Quinta do Chão de Ordem". Os núcleos populacionais, anexos de Longroiva, nascidos de antigas vilas agrícolas romanas, ou de herdades medievais sob a protecção dos Templários, são as Quintãs, a Quinta da Relva, a Quinta da Cornalheira e a dos Gamoais.

A 25 de Outubro de 1507 dá-se a visitação de Frei João Pereira, da Ordem de Cristo, ao Comendador Frei Garcia de Melo, que executou benfeitorias no castelo, onde consta que a praça de armas havia sido quase que inteiramente tomada pelo Paço do Comendador:
"torre de dois pisos e edifício que constitue os aposentos do Comendador, de dois andares com cinco divisões em cada, com chaminés em tijolo e forro interno de madeira, a que se adossavam casa de hóspedes, cozinha com forno, celeiro e estrebaria".*
Na torre de menagem, ao centro da praça de armas, defendida por um hurdício, rasgava-se uma janela mainelada, em estilo manuelino, que chegou aos nossos dias. Em 1510 D. Manuel concede-lhe Foral Novo.

No século XVIII, uma descrição do castelo referia que com relação ao paço "novo" do comendador, as suas casas "encontravam-se já destelhadas e em ruína", a cisterna, que abastecia a guarnição, entupida, e as portas do castelo, que no passado haviam defendido o acesso, não possuíam já qualquer grade ou portão de madeira.
No último quartel do séc. XVIII, o castelo foi transformado em pedreira local, e desmanteladas as suas muralhas. Em 1855 foi extinto o Concelho de Longroiva. Nesse período, provavelmente a partir da extinção das ordens religiosas (1834), a sua praça de armas passou a ser utilizada como cemitério da vila, função que perdura até hoje.

Foi na capela da Senhora do Torrão, originariamente um pequeno templo românico, junto ao castelo, que os Templários deixaram os testemunhos mais expressivos da sua passagem, designadamente a consagração da pequena capela em honra de Santa Maria, S. Nicolau Confessor e outros santos,  uma tampa sepulcral com uma cruz de Cristo esculpida e uma espada, e uma outra cruz de Cristo no antigo Tribunal e Cadeia.


Actual estado do castelo; reconstrução moderna

Silhares da torre de menagem com inscrição

Entrada da torre com vestígios do hurdício

"Cruz" Templária inscrita na rocha
idêntica à de Castelo Novo

Poço da cisterna do castelo na praça de armas

Capela da Sra do Torrão, lateral à matriz


Tampa de sepultura


_____________________________________
* - Aqui fica uma curiosa descrição do castelo:

   "Acima um pouco da dita igreja tem a Ordem um castelo, em que tem uma torre de menagem, toda de cantaria lavrada, e de boa altura. E tem dous sobrados, igualmente madeirada e coberta de telha vã, e tem uma boa janela nova contra o ponente, com suas portas novas. E leva a dita torre pelo vão 5 varas de longo e 3 varas de largo. Tem um portal pequeno, com suas portas ainda boas. Arredor da dita torre está o aposentamento do dito comendador, ao qual entram per um portal novo de cantaria, bem obrado, com suas portas bem fechadas. E além do dito portal está um arco, outrossi de cantaria. E à entrada do dito arco está um recebimento pequeno, em que está uma cisterna. E logo à mão direita está uma sala, novamente feita com seu portal e paredes de cantaria, e tem suas portas novas. Esta sala é sobradada, e sobem a ela per uma escada de pedra com seu mainel outrossi de pedra, e tem ao norte uma boa janela de assentos, com suas portas boas e novas. Ao centro desta sala está ora feita de novo uma chaminé grande, de madeira barrada e sobre a dita escada e na dita sala estão uns almários novos de castanho. Esta sala leva de longo 8 varas e 4 e meia de largo. E leva uma casa de baixo deste tamanho. À mão direita da entrada da dita sala está uma câmara que está sobre a primeira entrada, outrosi novamente feita, bem madeirada de madeira de castanho, e telhada de telha vã. E tem uma janela de assentos com suas portas novas, contra o ponente. Leva 5 varas de longo e 4 de largo. A dita sala tem as paredes cafeladas da parte de dentro. À mão sestra da entrada da dita sala tem outra sala velha, com um portal novo de pedraria e suas portas novas, madeirada de madeira velha e coberta de telha vã, que leva 7 varas de longo e 5 de largo. E está nela uma escada de madeira, per que vão à dita torre. Debaixo desta sala vai uma logea, do tamanho dela, que ora serve de adega. Além desta sala está outra casa pequena, velha, madeirada de castanho e telhada de telha vã. E tem uma janela nova de pedraria, com seus assentos e portas, contra o levante. Esta casa leva de longo 6 varas e 3 de largo. Além desta casa está outra casa pequena, da dita maneira, que se não mediu por estar fechada. Diante da dita sala e câmara novas e no dito recebimento está uma casa sobradada, que é casa de hóspedes. As paredes de cantaria, bem obrada, igualmente madeirada e coberta de telha vã. E tem uma janela contra o ponente. Leva de longo 5 varas e 4 de largo, e é sobradada. Além desta casa vai outra casa térrea que serve de cozinha, e tem dentro um forno. Está madeirada de madeira velha, e telhada de telha vã. E leva 7 varas de longo e 4 de largo. Além desta casa está outra casa que serve de celeiro, térrea, coberta de telha vã. Leva 6 varas e meia de longo e 6 escassas de largo. Junto da dita torre constra o sul está uma casa térrea, que serve de estrebaria, com suas manjedoiras, telhada de telha vã. Leva 7 varas de longo e 5 de largo. Estas casas estão cercadas pela maior parte de muro velho, per partes derribado, que foi já em outro tempo cerca do dito castelo. E diz-se que foi já aqui convento dos cavaleiros do Templo."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

pequeno Livro


Pequeno Livro meu
onde escondo os meus pensamentos
sê gentil comigo
guarda o meu segredo.

Confio-te a minha memória
vertida nas tuas pequenas páginas
por estas mãos já trémulas
e sem a força de outrora.

Pequeno Livro peço-te
sobrevive!
Livra-te das chamas
dos que usam a intolerância como arma.

Terás de aqui estar
já muito depois de mim
muito depois dos meus ossos
se transformarem em pó.

Irás transmitir a alguém
o que a humanidade busca
desde o fundo dos tempos;
o Tesouro cobiçado.

A força titânica que move o Universo
O Segredo da Natureza
prisioneiro nas tuas páginas,
pequeno Livro.

A simplicidade das coisas
na liberdade dos Espíritos...

(legado de um velho Templário)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Redinha


Igreja Matriz de Redinha / Igreja de Nossa Senhora da Conceição


   A Vila da Redinha foi Comenda da Ordem e teve o seu primeiro Foral atribuído em 1159 pelo Mestre dos Templários portugueses D. Frei Gualdim Paes e mais tarde confirmado por D. Manuel I a 16 de Dezembro de 1513.
Junto ao monte do velho castelo, corre o rio Anços, sendo as suas margens, abundantes em vegetação, o local onde se fixaram os primeiros povoadores da freguesia e, mais tarde, os freires da Ordem de Cristo do Colégio de Coimbra, edificando uma capela com residência: a Capela de S.Lourenço. A Ordem possuía nesse local alguns lagares e outras explorações, como os moinhos; segundo os antigos forais, só os frades irmãos gozavam o direito de construir e explorar os moinhos, desde a nascente do rio até à vila de Soure.
Embora a freguesia pertencesse à Ordem de Cristo, era da apresentação da coroa e do tribunal da Mesa da Consciência, dispondo ainda de um coadjutor.
A antiga Comenda da Ordem, rendia 4.000 cruzados, sendo os seus comendadores os Condes de Castelo Melhor.
Existia em Redinha um morgadio dos Távoras, instituído por Pantaleão Ferreira de Távora, 3º neto do Conde da Feira.
A 12 de Março de 1811 houve na freguesia o chamado "Combate da Redinha", em que as tropas francesas, depois de incendiar e saquear toda a vila, escaparam por uma estreita ponte de pedra de origem românica sem que os conseguissem deter. Actualmente é um dos "ex-libris" da vila.
A Vila de Redinha situa-se na base da Serra de Sicó, num vale bastante fértil, devido principalmente à abundância de água.
O orago da freguesia é Nossa Senhora da Conceição, celebrada anualmente em Agosto.
A Igreja Matriz, de estilo manuelino, é um dos monumentos mais antigos da vila e foi restaurada no século XVIII.
A existência do Pelourinho, símbolo de poder local, confirma a autonomia administrativa e judicial que a vila teve, encontrando-se no centro da povoação, a antiga Câmara e Cadeia.
Um dos monumentos de Redinha, também de grande interesse, tanto turístico como histórico, é a Quinta de Santana, casa senhorial do século XVIII, incendiada aquando das invasões francesas e reconstituída por várias vezes; esta quinta era pertença da Ordem de Cristo.


Igreja de S. Francisco

Pelourinho

Ponte sobre o rio Anços

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O:segredo:de:S.Vicente


Poimfu F Idumru I bumparvuo Karcui iur nuosur poar fis on bomhu fe nakijse bsarviu i erri bumparvi.
Ricemfu poe ewarvai mu rofuerve fi qemamroki oni bunomafife fe qsuvu-bsarviur poe joisfitin u busqu ambussoqvu fe R Tabemve emtauo oni fekejibiu qisi poe u vsuowerren qisi i bafife seben bumparvifi.
Fi qsaneasi tey i qsevemriu fu sea dua seborifi. Erve poe miu qsebaritin fe tukvis re miu khe vsuowerren ir sekapoair.
Fay i harvusai poe u busqu dua vsiyafu qisi Karcui moni cisbi renqse ibunqimhifi qus fuar bustur.
I tesfide é poe u busqu poe vsuowesin dua sebukhafu fu benavesau fu nurveasu fu Bustu, qesvu fe Rijser e qesvembai i an fur dsifer ika emvessifur.
Ir sekapair fu rimvu bumvamoin mu kubik, mute rébokur iqúr erve ibumvebanemvu.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Contigo

Aqui estou de pé,
no lugar onde ainda me podem ver.
Nascida da fé
daqueles que já a perderam.
Do tempo em que o Tempo
me não comia as pedras.
Destinada a morrer esquecida
pelos que de mim, se deveriam lembrar.
Mas tu passaste aqui, Cavaleiro.
O teu espírito afagou-me.
A tua alma abraçou-me.
Imortalizaste-me no teu espaço, no teu tempo.
Já posso ruir em paz...
Já podes, Tempo, minhas pedras comer.
Parto contigo, Cavaleiro,
para o teu castelo de memórias.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Documento III

Doaçaõ, que fez a Rainha D. Tereza, Mãy do Senhor Rey D. Affonso o Primeiro, e he do anno de Christo de 1128.

(Segunda Carta de Doaçaõ que tras vertida em Portugues o Dr, Pedro Alvres Seco que o fez por ordem do Senhor Rey D. Sebastiaõ.)

Em nome de Deos, Eu a Rainha D. Tereja faso esta carta de testamento a Deos, e aos Soldados do Templo de Salomaõ por remedio de minha alma, e remissaõ de meus peccados do Castello que se chama Soure. Dou este Castello a Deos, e aos sobreditos Soldados do Templo, por seus termos antigos com agoas, pastos, terras cultivadas, e por cultivar, e com todos os direitos pertencentes ao dito Castello; isto he, com todas as cousas que da sobredita Villa, ou lugar por uzo, e costume me haviaõ de ser dadas; as quaes daqui por diante sejaõ dadas aos Soldados do Templo de Salomaõ: E assim eu as dou, e concedo, com quanto no dito lugar de presente se possue, e ao diante se possuir: o qual Castello está no territorio de Coimbra agoas vertentes para o Mondego. Por quanto se alguem quizer impedir ou interromper este meu feito, ou escripto seja anameta. E eu o Conde D. Fernando dou, e concedo esta doaçaõ, que a Rainha D. Tereza minha Senhora me tinha feito, a Deos, e aos Soldados do Templo. Feita a Carta de Testamento aos quatorze das Calendas de Abril da era de mil cento sessenta e seis. Nós os sobreditos com nossas maõs roboramos, e confirmamos este testamento.
Os prezentes que se acháraõ
Afonso Rey de Leaõ ............................... confirmo.
O Conde Rodrigo Galiciano ........................... conf.
Payo Soares ............................................. conf.
Egas Gozendes .......................................... conf.
Gonsalo Dias Alcaide de Coimbra ..................... conf.
Payo Suares Alcaide de Monte-Mór ................... conf.
Randulfo ....................................... testemunha.
Zalama ......................................... testemunha.
Zoleima ........................................ testemunha.
Mendo proprio Notario da Corte o escreveo.
Esta Carta foy roborada na maõ de D. Ray-
mundo Bernardes em a Cidade de Braga de
tal modo, e com tal pacto que naquelle
Castello que damos antes da nossa morte,
naõ seja recebido algum de nossos inimigos;
e se ahi entrar, seja logo lançado fóra de modo,
que nenhum mal nos venha dahi.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Documento II

Doaçaõ, que fez a Rainha D. Tereza, Mãy do Senhor Rey D. Affonso o Primeiro, e he do anno de Christo de 1128.

(Primeira de duas Cartas de Doaçaõ tras vertidas em Portugues o Dr, Pedro Alvres Seco que o fez por ordem do Senhor Rey D. Sebastiaõ.)

Em nome da Santa, e individua Trindade indivizivel, a qual nunca terá fim mas permanece por infinitos seculos dos seculos. Amen. Eu a Rainha D. Tereza Filha do grande Rey D. Afonso faso Carta de Testamento a Deos, e aos Cavaleiros do Templo por remedio de minha alma, e remissaõ de meus pecados, do Castello que se chama Soure. Dou este Castello a Deos, e aos sobreditos Cavaleiros do Templo por seus termos antigos, e novos, como se divide, e parte pello Porto de Arias, e parte pela Fonte de Monte Mouro, e pella Barreira de Covieiros, e pella serra da Azoia agoas vertentes a Carzo pello termo de Cavallar, pellas comiadas de Alcoubia, e da hi a cabesa do Farreo, e pello rosto da cabesa de Bevero, pella serra da Barca, por Sam Felipe athe o porto de Arias, como decem as agoas destes termos ao Mondego. Douvos aquelle Castello com estes termos cultivados, e por cultivar com todos seus direitos ao dito Castello pertencentes, com todas as suas couzas que do sobredito Castello, ou lugar por uzo e costume a mim haviaõ de ser dadas; as quaes daqui em deante sejaõ dadas aos Soldados do Templo de Salomaõ; e assim eu as dou, e concedo com quanto no dito Castello de prezente se pessue, e ao diante se pessuir. O qual Castello está em o territorio de Coimbra. E se alguem quizer anullar, ou desfazer este meu feito, ou escripto seja anatema, o que eu em nenhuma maneira creio que se fasa. E a vós Freires, ou a quem tiver a vossa voz pague o dito Castello coatropeado, e ao poder real como mandar o livro dos Juizes.
E eu o Conde D. Fernando dou e concedo esta merce e doaçaõ que a Rainha minha Senhora faz aos Soldados do Templo. Feita a Carta do Testamento, e confirmaçaõ aos quatro das Calendas de Abril da Era de Mil cento, e secenta e seis. E Eu a sobredita Rainha roboro, e confirmo esta Carta com minhas proprias maõs.
Os que prezentes foraõ.
O Conde D. Rodrigo Galiciano ................. conf.
Payo Soares ...................................... conf.
Egas Gozendos ................................... conf.
Payo Goterres da Sylva ......................... conf.
Ermigio Viegas .................................. conf.
Joaõ Ranio ....................................... conf.
Bernardo Bispo de Coimbra .................... conf.
Ermigio Monis Mordomo da Corte ............ conf.
Egas Monis ...................................... conf.
Pedro Paes ...................................... conf.
Zalama ................................. testemunha
Randulfo ............................... testemunha
Zeleima ................................. testemunha
Esta Carta foy roborada na maõ de Raymundo Bernardes na Cidade de Braga.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O cavalo


O cavalo é venerado pelo homem desde a mais remota antiguidade. Possante, inteligente e rebelde, era um simbolo de liberdade.
O cavalo Lusitano, dizia-se, era filho do vento.
Quando em contacto com o homem, era dócil e sensível.
No povo oesthermínio (Lusitano), havia uma tribo, os jagos, que conquistavam os cavalos de uma forma muito peculiar e que demonstra bem a sabedoria ancestral destes povos:

"... quando um jovem atingia a fase de adulto, partia para o vale na busca do cavalo que seria seu companheiro. Acercava-se da manada e ainda a alguma distância escolhia o animal mais fugoso. Estudava-lhe os movimentos e pacientemente, tentava estabelecer contacto; um elo de ligação mental que quebrasse a barreira da desconfiança. Quando o cavalo começava a aceitar a proximidade, o jovem afastava-se em pequenas corridas e parava a alguma distância. Depois voltava a aproximar-se, devagar. Repetia as vezes necessárias até que o cavalo, num arranque instintivo, o acompanhava na corrida. Era o sinal de aceitação. Depois o contacto. A afeição.
O jovem voltava todos os dias até a conquista ser completa. Definitiva.
Depois, o momento mágico da montada. O galope pelos campos. Montado em pêlo."

Era esta a têmpera do cavalo e cavaleiro lusitanos. A mesma que moldou mais tarde, a cavalaria Templária portuguesa.

Ega

De origem bastante remota, a povoação da Ega foi doada à Ordem do Templo pela rainha D. Tereza, em 1128, a par da vila de Soure e outras terras entre Coimbra e Leiria, território então despovoado e de domínio muçulmano. Quando D. Afonso Henriques assumiu os destinos do Condado Portucalense, anulou a doação feita por sua mãe; todavia - e depois de em 1135 ter resgatado Ega ao jugo muçulmano - fez dela nova doação à Ordem Templária.
O primeiro foral da Ega, concedido por Frei Estevam Belmonte, décimo primeiro Mestre Templário, data de 1 de Setembro de 1231.
Com a dissolução da Ordem, o património - e entre ele a comenda da Ega - foi incorporado na Ordem Militar de Cristo, instituída por D. Dinis em 1319. Inaugura-se então, para este território, um período de desenvolvimento e prosperidade que em 1516 justificará a atribuição de um segundo foral a esta vila, desta feita, por D. Manuel I.
No século XVIII foi criado o título de conde da Ega, na pessoa de D. Manuel de Saldanha e Albuquerque, do conselho do rei D. José I.
De vila afecta à jurisdição de Leiria, em 1762, Ega foi - ainda antes de 1821 e até 1835 - sede de concelho. Estas atribuições foram-lhe contudo retiradas aquando da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira. Em 1838 passa, definitivamente, a integrar o concelho de Condeixa-a-Nova.
Do século XVI (e início do século XVII) subsistem, ao nível do património edificado, os três mais representativos monumentos da freguesia: o Pelourinho, a Igreja Matriz e o Palácio dos Comendadores.
De origem antiquíssima, a Igreja matriz é referenciada em documentos do século XII, obedecendo, nessa altura, a um traçado românico ou gótico. É reedificada em 1521, sob a orientação do arquitecto régio Marcos Pires, responsável pelo labor manuelino que identifica ainda a Igreja, não obstante as sucessivas reformas que têm vindo a contribuir para a sua descaracterização.
Na sua sóbria fachada, inscreve-se um portal manuelino de cantaria lavrada, donde sobressaem o escudo nacional e a Cruz de Cristo.
O seu interior desvela, também, outras obras de arte que chegaram até hoje: a abóbada estrelada da capela-mor, obra de Diogo de Castilho e que data aproximadamente de 1530; o altar-mor, exibindo um tríptico - mandado pintar em 1543 pelo Comendador D. Afonso de Lencastre - em cujo painel central figura Nossa Senhora da Graça, tendo ajoelhado aos pés, esse mesmo comendador; dois retábulos seiscentistas, com pinturas e imagens de interesse.
O paço dos Comendadores é um palácio rural que foi pertença e moradia dos Comendadores da Ordem Templária e da Ordem de Cristo. Edificado entre os finais do século XII e princípios do século XIII e reconstruído no século XVI por Marcos Pires (o mesmo arquitecto responsável pela construção da matriz), apresenta uma estrutura quadrangular e maciça, bastante fustigada pelo tempo; só as janelas manuelinas, que conserva, oferecem algum contraste à sua rigidez geométrica.
Foi construído no lugar onde, séculos antes, se erguia o castelo da Ega, a que fazem referência alguns esparsos documentos, e de cuja existência ainda conseguimos perceber alguns vestígios.
Em 1941, escavações na proximidade revelaram ossadas de cavaleiros da Ordem.

Pelourinho da Ega
Pormenor
Igreja Matriz de Ega / Igreja de Nossa Senhora da Graça
Triptico do altar
Pormenor do fresco
Paço dos Comendadores da Ega / Paço da Ordem de Cristo
O paço, antigo castelo da Ega

A cruz



A componente mística da Ordem é portadora de um simbolismo secreto algo paralelo ao da Igreja de Roma. Paralelo mas de significado diferente. A cruz que a igreja adora, é um instrumento de suplício, agonia e morte que o usurpador romano usava como castigo infligido a quem se opunha à sua "pax".
Os bons cristãos usavam-na de forma piedosa, em respeito pelo sofrimento de Cristo. Mas também em nome desta cruz se cometeram os maiores crimes contra a humanidade.
Para os membros da Ordem, a cruz sempre representou, veladamente, o ritual de saudação, de acolhimento e de amor. Ritual que os povos antigos executavam ao nascer e ao pôr do sol, numa sentida comunhão com a natureza. Numa expressão de paz interior e universal. Quando recebiam fraternamente um amigo. Quando choravam a partida de um ente querido. Quando agradeciam a benção das chuvas. Quando honravam a memória de alguém.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

D. fr. Guilherme Ricardo

1º Mestre
1124-1139
[no condado portucalense, durante a regência de D. Tereza]

Cavaleiro Franco.

Chega ao condado portucalense em princípios de 1124, acompanhado de alguns cavaleiros, enviados pelo Mestre Hugo de Payns, a pedido da rainha D. Teresa, que em carta dirigida, a conselho de alguns ilustres cavaleiros portugueses, lhes oferecia casa e emprego para o seu Instituto nas fronteiras dele. em que o braço português ia despojando ao mouro inimigo do que tiranicamente tinha usurpado.
É com este Procurador que a Ordem recebe, de facto, (por aqueles anos) e em doação, as primeiras casas e propriedades, na região de Braga, sendo confirmado que D. Teresa - rainha do condado de Portugal desde 1112 - lhes doa Fonte Arcada, próximo de Braga, com todos os seus termos e benefícios, tendo recebido na altura mais dezoito doações de terras, de membros da alta nobreza portucalense, aquela mesma que incitara a rainha a pedir a sua vinda e presença.
A Ordem estabelece-se. Portugal foi o primeiro reino na Península Ibérica a receber os cavaleiros Templários. Sabendo-se aceite, protegida pela rainha, pelo infante (que ainda não contestava o reino) e pela alta nobreza do condado, começa a construir, através das doações que entretanto recebera, os castelos de Ega, Redinha e Pombal, na zona de Coimbra, bem como algumas igrejas.
Fr. Guilherme superintende a Ordem em Portugal como Procurador do Templo até 1139.
Morre na célebre batalha de Campo de Ourique combatendo ao lado de D. Afonso Henriques.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mosteiro do Corvo



Oju muniulo hejilabobu bu olradez hxazrõez cilbei le mxejelréxae zohxe e jezruaxe be hexse.
Qasa ifepvigidas o modam utasan un qejepo gepónepo jue tó é xitíxem en fevesnipafat disduptâpiat.
Lij muniule qolhfõe omoxuhu ijo hxiv zegxu ij dqege, ij zájgeqe hxazrõe.
Ap juafu jete u oqxitout, qev fuutgiqegev 59 2475 10Q 0 7022 51W, iqfuqxteq vi uv tivxuv gu puvxiotu uqgi eoqge tijuavep ev timólaoev gi v zofiqxi.

O início

A Ordem acompanhou o nascimento dos pobres cavaleiros do templo de Salomão. Laborou na sua formação integrando dois dos nove emissários que se deslocaram a Jerusalém e apresentaram ao rei Balduíno o projecto Templário.
Mas a Ordem era composta essencialmente por cavaleiros lusos, com mentalidade lusa, vivendo uma realidade lusa e com um objectivo bem delineado: recuparar o território usurpado pelos sucessivos invasores. E o invasor no momento era muçulmano.
A estratégia global para o combater era vasta e implicava um cerco em tenaz a oriente e também a ocidente para o vencer e expulsar. Era a altura ideal para a ofensiva lusitana.
Vamos acompanhar os cronistas e embarcar junto com os irmãos Templários na aventura da formação de um país.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Fonte Arcada, 1124-1128


Primeira sede da Ordem.



Foi a primeira doação oficial à Ordem do Templo.
Anterior à nacionalidade, a "villa" de Fonte Arcada foi doada, em 8 de Agosto de 1124, pela rainha D. Teresa, mãe de Afonso Henriques.
A Ordem possuíu hospital e casa em Fonte Arcada, como prova um contrato feito entre o Mestre do Templo e o Bispo do Porto,  onde se estabeleceu o que devia ser dado ao Bispo, quando este visitasse pessoalmente a «Igrª d S. Thiago d Font Arcada».
Com a extinção da Ordem em 1312, D. Dinis, Rei de Portugal, passou todos os bens para a Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ordem de Cristo), fundada em 1319 e que não foi mais que a continuação da Ordem do Templo, mas com outro nome.
Diz a História que Fonte Arcada passou, então, a ser uma reitoria da apresentação da Mesa da Consciência e Comenda da Ordem de Cristo, no antigo Concelho de Penafiel de Sousa. Beneficiou do foral de Penafiel, dado por D. Manuel, em Évora, a 1 de Junho de 1519 e pertenceu ao extinto bispado de Penafiel, arcediagado de Penafiel (século XII).
Na realidade, a Fonte Arcada e os seus domínios, atribuída à Ordem do Templo, fica muito perto de Póvoa de Lanhoso, Braga. Ali existiu um mosteiro Beneditino, fundado em 1087, que veio a ser incorporado no de S. Bento de Ave Maria do Porto, no século XVI. Neste mosteiro viveu e professou "Donna Froilla Herminges", sobrinha-neta de Egas Moniz, o Aio, riquíssima senhora que fez grandes doações, em 1228 ao Templo.
O topónimo deriva da existência de uma "fonte em arco", que como em outros exemplos do nosso país, dão nome às povoações. Estas "fontes arcadas" parecem ter a sua origem anterior à época do despovoamento, entre os Séculos VIII e IX. São assim chamadas por serem em abóbada. Nestas fontes a água brotava do fundo duma arca ou cisterna, que servia para consumo das populações.







sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Chamamento

Que força estranha é esta que me arrebata a vontade e me atrai aos confins da terra?
Porquê este sentimento de profunda calma às portas do oceano?
Esta sensação de estar em casa?
De abraçar o sol e mergulhar com ele na raiz da memória?
... deixa-me olhar o infinito. Respirar esta leve brisa do passado.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Labirinto:críptico


...dos tesouros guardados, eu sei,
seus segredos desvendei.

Esta viagem pelo fim comecei
A meio do caminho, regressei
A meio do regresso, descansei
Porém, a viagem não terminei
Mais cinco pequenos passos dei
Em todos eles, dois a dois recuei
Ao início, por fim cheguei
E assim, o caminho encontrei

Na demanda

Por um instante fechei os olhos
e escutei o vento...
Matei a minha sede na frescura da fonte.
No reflexo cristalino da sua água
vi reflectida a Deusa prateada.
Em êxtase, soltei o espírito.
Saciado, encarei o caminho
e iniciei a viagem.
... por um instante fechei os olhos
e contemplei o universo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Documento I

Primeira Doaçaõ, que se fez à Ordem do Templo; e a fez a Rainha D. Tereza, de Fonte Arcada; e outros Senhores. Anno de 1124.

Eu a Rainha D. Tereja dou a Deos e aos Soldados do Templo de Salomaõ a Villa que se chama Fonte Arcada em o Povo junto de Penafiel com todos os seus termos, e beneficios por remedio da minha Alma.
|Eu o Conde Fernando dou ahi S. Payo da Veiga com todos os seus termos quanto me pertence, pela minha alma. |Eu Elvira e meo filho Soeiro Mendes a herdade de Celorico, quanto ahi nos pertence, pelas nossas almas. |Eu Payo Nunes, e Nuno Osorio, e minha mulher Maria Nunes aquellas tres partes da Villa que se chama Aboneima por nossas almas. |Eu Gracia Mendes deixo em Monte Longo na Villa de Quintanella metade de toda a herdade que ahi tenho. |Eu o Conde Gomes e minha mulher damos ahi a nossa parte de Gestaço quanto nos pertence. |Eu Nuno Rodrigues dou ahi hum casal em Arouce na Villa de Avia. |Eu Gonsalo Mouro dou ahi hum casal de Carnade. |Pedro Peres dou ahi hum casal em Villa Nova junto da Ponte de Avia. |Eu Pedro Fernandes dou ahi hum casal no vale de Souza. |Mendo Bernardes da quanto tem no outeiro de Panoias. |Mendo Gomes da hum casal no Campo de Aguiar. |Joaõ Raina da ametade das herdades que tem em Valpelares, e da parte de Coinelos metade quanto ahi tem. |Eu Mario Froilas dou ahi na terra de Salnes o casal de Loureiro e metade do Senorio. |Eu Pedro Egas e minha mulher damos ahi a nossa parte da Villa Deamio de Peneiros. |Eu o Conde Guterres dou ahi a minha parte da Villa de Samgorsa. |Eu Rabinado dou ahi huma meya herdade que tenho no caminho que esta junto a herdade do Conde Soeiro. |Eu Veremundo Peres, e minha mulher damos ahi ametade do Passo de Cartegos.
Guilherme Procurador do Templo em estas partes recebo a Carta.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Nos teus olhos

Fixei os olhos do inimigo
Não vi ódio, só resignação
Quebrou-se o ímpeto assassino
Tornou-se pesada a espada
Cravei a lâmina no chão.

Inevitável


Penetrámos a grande meretriz e deixámos-lhe a semente da sua destruição.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Origens

Não se sabe com precisão quando germinou a ideia da formação da Ordem mas é certo que foram tomadas por base, filosofias ancestrais e ensaios secretos, escritos na clandestinidade por antigos monges ao longo dos tempos. Estes tentavam preservar a todo o custo o conhecimento e a tradição dos povos do ocidente peninsular, subjugados por sucessivos invasores. A história oficial foi sempre escrita pelos vencedores, tendenciosamente distorcida, numa tentativa de apagar a memória dos vencidos. Mas os vencidos têm, também, a sua história para contar.
Os povos Lusos foram sempre adversos a tudo o que lhes fosse estranho, viesse de longe e provocasse mudança. Não tinham propriamente uma religião e não adoravam deuses. Veneravam os seus heróis e honravam-lhes a memória. Viviam em plena comunhão com a natureza, num clima de tolerância, fraternidade e completa liberdade. No entanto, em caso de adversidade, eram unidos, corajosos e aguerridos. Combatiam sem ódio por uma boa causa, eram justos para com os adversários e amavam a terra em que viviam. Protegiam os mais fracos, respeitavam os mais velhos e não descriminavam as mulheres.
Com a chegada da religião, de imediato imposta às populações escravizadas, dá-se um retrocesso avassalador, passando estas a suportar todo o tipo de injustiças num clima de medo e revolta sufocada.
Os conceitos políticos e religiosos do invasor tornam-se absolutos e ferozmente repressores.
Homens bons e corajosos, cientes das suas raízes, não conseguindo fazer frente ao despotismo instalado, organizam-se numa fraternidade secreta e integram-se no poder político e religioso de forma encapotada procurando atenuar, e mesmo reverter, as injustiças e libertar as mentes. A esta fraternidade deram o nome de A Ordem.
Atravessou os mares revoltos da história e sobreviveu até hoje.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Ordem


E Utgip qevfia ge qifivvogegi gi tifajitet e gobqogegi capeqe gu quvvu juzu i tilut e vae zitgegi covxutofe, jtuheqegev givgi ev oqzevuiv guv détdetuv tupequv, zovobuguv i étediv.
Ao dopvsásio fajuimo jue ot auvoset sonapot feizasan etdsivo, ot Mutivapot pao vipban una semihiao; vipban una gimotogia fe xifa apdetvsam e basnopiota.
Pao vipban feutet; vipban besoit a juen mouxaxan e setqeivaxan a nenosia.
Uzruz alsozexuz rxeituxoj hej uquz, moxo oquj bu ijo cexjo bu desuxlox alpizro, ij joq niu zu ogorui zegxu ez uzmaxarez qasxuz; o xuqadaoe.
Ape hutfe peníhofe e lai qeu vi fuqvibaoe hesit htiqxi vip jitifit.
U dip xizi gi vi peqxit ufanxu i qevfia e Utgip.
E quvve naxe í fuqxte e oqmavxofe guv jugituvuv i u fuqxtunu gev piqxiv.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A estratégia; um enigma ...


O exército real inclui sempre uma ala Templária.
É constituída por cinco Mestres e vinte e um cavaleiros.
Dispõem-se em linha, em três grupos de seis, designando o sétimo de cada grupo como observador.
O Mestre que se encontra mais perto da extrema do exército, assume o comando.
Tomam posições de combate ao meio-dia.
Mestre Arnaldo, ao lado dos outros Mestres, faz investir os cavaleiros uma vez.
Mestre Ernesto adianta-se um passo aos companheiros e provoca uma dupla investida.
Mestre Ismael avança dois passos e faz investir a ala três vezes.
Mestre Orlando dá três passos em frente e ordena aos cavaleiros que invistam quatro vezes.
E finalmente, Mestre Urbano adianta-se quatro passos em relação aos outros Mestres e faz os seus cavaleiros investirem por cinco vezes.
Mantêm-se estáticos os observadores.
Em função desta estratégia, organiza-se o exército e trava-se a batalha.
Dura a peleja até à meia-noite.
Para poder voltar a ver a luz do dia, precisam reverter toda a estratégia.
E todo o exército se reorganiza.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Dramas épicos

"As gerações vindouras nunca poderão imaginar a agonia deste povo. O drama de ver extinguir-se a cultura ancestral, a harmonia de viver, sob o peso esmagador, cruel, brutal, da pata do invasor.
Oh filhos da Luz, de esplendor sem igual! Fostes paladinos da bondade e da justiça.  Heis-vos agora subjugados, atirados à servidão!
Querem apagar a vossa memória mas enquanto um só de nós respirar, nunca sereis esquecidos."


As ervas daninhas cresceram por todo o lado. Taparam tudo. Mas as árvores continuaram de pé!
É nosso dever limpar de novo a clareira sagrada. Recuperar o Templo. Só assim seremos dignos de ser Templários.

Trono Atlante

"...foste terra opulenta, verdadeiro jardim de luz. O ar Atlântico era o mais puro que se podia respirar. Não havia lugar igual. Mas a mãe natureza reclamou-te. O fogo das suas entranhas consumiu-te. Depois a água sepultou-te.
No entanto sobrevivemos-te.

Agora resta-nos sentar e contemplar a tua memória."



Terra, Ar, Fogo e Água. Os quatro elementos naturais que selaram um destino. O destino dos Lusitanos. Os filhos da Luz.
Por isso te escolhemos como símbolo de Paz, Espírito, Sacrifício e Comunhão.



Simbiose eterna

Que a luz e o calor do irmão sol ilumine e conforte o espírito e a memória dos nossos antepassados neste momento sublime.

"...daqui, da terra da Luz que ainda há, planando na suave brisa, contemplo o fogo sagrado entregando-se lentamente às águas da sagrada memória."