quinta-feira, 29 de outubro de 2009

pequeno Livro


Pequeno Livro meu
onde escondo os meus pensamentos
sê gentil comigo
guarda o meu segredo.

Confio-te a minha memória
vertida nas tuas pequenas páginas
por estas mãos já trémulas
e sem a força de outrora.

Pequeno Livro peço-te
sobrevive!
Livra-te das chamas
dos que usam a intolerância como arma.

Terás de aqui estar
já muito depois de mim
muito depois dos meus ossos
se transformarem em pó.

Irás transmitir a alguém
o que a humanidade busca
desde o fundo dos tempos;
o Tesouro cobiçado.

A força titânica que move o Universo
O Segredo da Natureza
prisioneiro nas tuas páginas,
pequeno Livro.

A simplicidade das coisas
na liberdade dos Espíritos...

(legado de um velho Templário)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Redinha


Igreja Matriz de Redinha / Igreja de Nossa Senhora da Conceição


   A Vila da Redinha foi Comenda da Ordem e teve o seu primeiro Foral atribuído em 1159 pelo Mestre dos Templários portugueses D. Frei Gualdim Paes e mais tarde confirmado por D. Manuel I a 16 de Dezembro de 1513.
Junto ao monte do velho castelo, corre o rio Anços, sendo as suas margens, abundantes em vegetação, o local onde se fixaram os primeiros povoadores da freguesia e, mais tarde, os freires da Ordem de Cristo do Colégio de Coimbra, edificando uma capela com residência: a Capela de S.Lourenço. A Ordem possuía nesse local alguns lagares e outras explorações, como os moinhos; segundo os antigos forais, só os frades irmãos gozavam o direito de construir e explorar os moinhos, desde a nascente do rio até à vila de Soure.
Embora a freguesia pertencesse à Ordem de Cristo, era da apresentação da coroa e do tribunal da Mesa da Consciência, dispondo ainda de um coadjutor.
A antiga Comenda da Ordem, rendia 4.000 cruzados, sendo os seus comendadores os Condes de Castelo Melhor.
Existia em Redinha um morgadio dos Távoras, instituído por Pantaleão Ferreira de Távora, 3º neto do Conde da Feira.
A 12 de Março de 1811 houve na freguesia o chamado "Combate da Redinha", em que as tropas francesas, depois de incendiar e saquear toda a vila, escaparam por uma estreita ponte de pedra de origem românica sem que os conseguissem deter. Actualmente é um dos "ex-libris" da vila.
A Vila de Redinha situa-se na base da Serra de Sicó, num vale bastante fértil, devido principalmente à abundância de água.
O orago da freguesia é Nossa Senhora da Conceição, celebrada anualmente em Agosto.
A Igreja Matriz, de estilo manuelino, é um dos monumentos mais antigos da vila e foi restaurada no século XVIII.
A existência do Pelourinho, símbolo de poder local, confirma a autonomia administrativa e judicial que a vila teve, encontrando-se no centro da povoação, a antiga Câmara e Cadeia.
Um dos monumentos de Redinha, também de grande interesse, tanto turístico como histórico, é a Quinta de Santana, casa senhorial do século XVIII, incendiada aquando das invasões francesas e reconstituída por várias vezes; esta quinta era pertença da Ordem de Cristo.


Igreja de S. Francisco

Pelourinho

Ponte sobre o rio Anços

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O:segredo:de:S.Vicente


Poimfu F Idumru I bumparvuo Karcui iur nuosur poar fis on bomhu fe nakijse bsarviu i erri bumparvi.
Ricemfu poe ewarvai mu rofuerve fi qemamroki oni bunomafife fe qsuvu-bsarviur poe joisfitin u busqu ambussoqvu fe R Tabemve emtauo oni fekejibiu qisi poe u vsuowerren qisi i bafife seben bumparvifi.
Fi qsaneasi tey i qsevemriu fu sea dua seborifi. Erve poe miu qsebaritin fe tukvis re miu khe vsuowerren ir sekapoair.
Fay i harvusai poe u busqu dua vsiyafu qisi Karcui moni cisbi renqse ibunqimhifi qus fuar bustur.
I tesfide é poe u busqu poe vsuowesin dua sebukhafu fu benavesau fu nurveasu fu Bustu, qesvu fe Rijser e qesvembai i an fur dsifer ika emvessifur.
Ir sekapair fu rimvu bumvamoin mu kubik, mute rébokur iqúr erve ibumvebanemvu.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Contigo

Aqui estou de pé,
no lugar onde ainda me podem ver.
Nascida da fé
daqueles que já a perderam.
Do tempo em que o Tempo
me não comia as pedras.
Destinada a morrer esquecida
pelos que de mim, se deveriam lembrar.
Mas tu passaste aqui, Cavaleiro.
O teu espírito afagou-me.
A tua alma abraçou-me.
Imortalizaste-me no teu espaço, no teu tempo.
Já posso ruir em paz...
Já podes, Tempo, minhas pedras comer.
Parto contigo, Cavaleiro,
para o teu castelo de memórias.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Documento III

Doaçaõ, que fez a Rainha D. Tereza, Mãy do Senhor Rey D. Affonso o Primeiro, e he do anno de Christo de 1128.

(Segunda Carta de Doaçaõ que tras vertida em Portugues o Dr, Pedro Alvres Seco que o fez por ordem do Senhor Rey D. Sebastiaõ.)

Em nome de Deos, Eu a Rainha D. Tereja faso esta carta de testamento a Deos, e aos Soldados do Templo de Salomaõ por remedio de minha alma, e remissaõ de meus peccados do Castello que se chama Soure. Dou este Castello a Deos, e aos sobreditos Soldados do Templo, por seus termos antigos com agoas, pastos, terras cultivadas, e por cultivar, e com todos os direitos pertencentes ao dito Castello; isto he, com todas as cousas que da sobredita Villa, ou lugar por uzo, e costume me haviaõ de ser dadas; as quaes daqui por diante sejaõ dadas aos Soldados do Templo de Salomaõ: E assim eu as dou, e concedo, com quanto no dito lugar de presente se possue, e ao diante se possuir: o qual Castello está no territorio de Coimbra agoas vertentes para o Mondego. Por quanto se alguem quizer impedir ou interromper este meu feito, ou escripto seja anameta. E eu o Conde D. Fernando dou, e concedo esta doaçaõ, que a Rainha D. Tereza minha Senhora me tinha feito, a Deos, e aos Soldados do Templo. Feita a Carta de Testamento aos quatorze das Calendas de Abril da era de mil cento sessenta e seis. Nós os sobreditos com nossas maõs roboramos, e confirmamos este testamento.
Os prezentes que se acháraõ
Afonso Rey de Leaõ ............................... confirmo.
O Conde Rodrigo Galiciano ........................... conf.
Payo Soares ............................................. conf.
Egas Gozendes .......................................... conf.
Gonsalo Dias Alcaide de Coimbra ..................... conf.
Payo Suares Alcaide de Monte-Mór ................... conf.
Randulfo ....................................... testemunha.
Zalama ......................................... testemunha.
Zoleima ........................................ testemunha.
Mendo proprio Notario da Corte o escreveo.
Esta Carta foy roborada na maõ de D. Ray-
mundo Bernardes em a Cidade de Braga de
tal modo, e com tal pacto que naquelle
Castello que damos antes da nossa morte,
naõ seja recebido algum de nossos inimigos;
e se ahi entrar, seja logo lançado fóra de modo,
que nenhum mal nos venha dahi.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Documento II

Doaçaõ, que fez a Rainha D. Tereza, Mãy do Senhor Rey D. Affonso o Primeiro, e he do anno de Christo de 1128.

(Primeira de duas Cartas de Doaçaõ tras vertidas em Portugues o Dr, Pedro Alvres Seco que o fez por ordem do Senhor Rey D. Sebastiaõ.)

Em nome da Santa, e individua Trindade indivizivel, a qual nunca terá fim mas permanece por infinitos seculos dos seculos. Amen. Eu a Rainha D. Tereza Filha do grande Rey D. Afonso faso Carta de Testamento a Deos, e aos Cavaleiros do Templo por remedio de minha alma, e remissaõ de meus pecados, do Castello que se chama Soure. Dou este Castello a Deos, e aos sobreditos Cavaleiros do Templo por seus termos antigos, e novos, como se divide, e parte pello Porto de Arias, e parte pela Fonte de Monte Mouro, e pella Barreira de Covieiros, e pella serra da Azoia agoas vertentes a Carzo pello termo de Cavallar, pellas comiadas de Alcoubia, e da hi a cabesa do Farreo, e pello rosto da cabesa de Bevero, pella serra da Barca, por Sam Felipe athe o porto de Arias, como decem as agoas destes termos ao Mondego. Douvos aquelle Castello com estes termos cultivados, e por cultivar com todos seus direitos ao dito Castello pertencentes, com todas as suas couzas que do sobredito Castello, ou lugar por uzo e costume a mim haviaõ de ser dadas; as quaes daqui em deante sejaõ dadas aos Soldados do Templo de Salomaõ; e assim eu as dou, e concedo com quanto no dito Castello de prezente se pessue, e ao diante se pessuir. O qual Castello está em o territorio de Coimbra. E se alguem quizer anullar, ou desfazer este meu feito, ou escripto seja anatema, o que eu em nenhuma maneira creio que se fasa. E a vós Freires, ou a quem tiver a vossa voz pague o dito Castello coatropeado, e ao poder real como mandar o livro dos Juizes.
E eu o Conde D. Fernando dou e concedo esta merce e doaçaõ que a Rainha minha Senhora faz aos Soldados do Templo. Feita a Carta do Testamento, e confirmaçaõ aos quatro das Calendas de Abril da Era de Mil cento, e secenta e seis. E Eu a sobredita Rainha roboro, e confirmo esta Carta com minhas proprias maõs.
Os que prezentes foraõ.
O Conde D. Rodrigo Galiciano ................. conf.
Payo Soares ...................................... conf.
Egas Gozendos ................................... conf.
Payo Goterres da Sylva ......................... conf.
Ermigio Viegas .................................. conf.
Joaõ Ranio ....................................... conf.
Bernardo Bispo de Coimbra .................... conf.
Ermigio Monis Mordomo da Corte ............ conf.
Egas Monis ...................................... conf.
Pedro Paes ...................................... conf.
Zalama ................................. testemunha
Randulfo ............................... testemunha
Zeleima ................................. testemunha
Esta Carta foy roborada na maõ de Raymundo Bernardes na Cidade de Braga.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O cavalo


O cavalo é venerado pelo homem desde a mais remota antiguidade. Possante, inteligente e rebelde, era um simbolo de liberdade.
O cavalo Lusitano, dizia-se, era filho do vento.
Quando em contacto com o homem, era dócil e sensível.
No povo oesthermínio (Lusitano), havia uma tribo, os jagos, que conquistavam os cavalos de uma forma muito peculiar e que demonstra bem a sabedoria ancestral destes povos:

"... quando um jovem atingia a fase de adulto, partia para o vale na busca do cavalo que seria seu companheiro. Acercava-se da manada e ainda a alguma distância escolhia o animal mais fugoso. Estudava-lhe os movimentos e pacientemente, tentava estabelecer contacto; um elo de ligação mental que quebrasse a barreira da desconfiança. Quando o cavalo começava a aceitar a proximidade, o jovem afastava-se em pequenas corridas e parava a alguma distância. Depois voltava a aproximar-se, devagar. Repetia as vezes necessárias até que o cavalo, num arranque instintivo, o acompanhava na corrida. Era o sinal de aceitação. Depois o contacto. A afeição.
O jovem voltava todos os dias até a conquista ser completa. Definitiva.
Depois, o momento mágico da montada. O galope pelos campos. Montado em pêlo."

Era esta a têmpera do cavalo e cavaleiro lusitanos. A mesma que moldou mais tarde, a cavalaria Templária portuguesa.

Ega

De origem bastante remota, a povoação da Ega foi doada à Ordem do Templo pela rainha D. Tereza, em 1128, a par da vila de Soure e outras terras entre Coimbra e Leiria, território então despovoado e de domínio muçulmano. Quando D. Afonso Henriques assumiu os destinos do Condado Portucalense, anulou a doação feita por sua mãe; todavia - e depois de em 1135 ter resgatado Ega ao jugo muçulmano - fez dela nova doação à Ordem Templária.
O primeiro foral da Ega, concedido por Frei Estevam Belmonte, décimo primeiro Mestre Templário, data de 1 de Setembro de 1231.
Com a dissolução da Ordem, o património - e entre ele a comenda da Ega - foi incorporado na Ordem Militar de Cristo, instituída por D. Dinis em 1319. Inaugura-se então, para este território, um período de desenvolvimento e prosperidade que em 1516 justificará a atribuição de um segundo foral a esta vila, desta feita, por D. Manuel I.
No século XVIII foi criado o título de conde da Ega, na pessoa de D. Manuel de Saldanha e Albuquerque, do conselho do rei D. José I.
De vila afecta à jurisdição de Leiria, em 1762, Ega foi - ainda antes de 1821 e até 1835 - sede de concelho. Estas atribuições foram-lhe contudo retiradas aquando da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira. Em 1838 passa, definitivamente, a integrar o concelho de Condeixa-a-Nova.
Do século XVI (e início do século XVII) subsistem, ao nível do património edificado, os três mais representativos monumentos da freguesia: o Pelourinho, a Igreja Matriz e o Palácio dos Comendadores.
De origem antiquíssima, a Igreja matriz é referenciada em documentos do século XII, obedecendo, nessa altura, a um traçado românico ou gótico. É reedificada em 1521, sob a orientação do arquitecto régio Marcos Pires, responsável pelo labor manuelino que identifica ainda a Igreja, não obstante as sucessivas reformas que têm vindo a contribuir para a sua descaracterização.
Na sua sóbria fachada, inscreve-se um portal manuelino de cantaria lavrada, donde sobressaem o escudo nacional e a Cruz de Cristo.
O seu interior desvela, também, outras obras de arte que chegaram até hoje: a abóbada estrelada da capela-mor, obra de Diogo de Castilho e que data aproximadamente de 1530; o altar-mor, exibindo um tríptico - mandado pintar em 1543 pelo Comendador D. Afonso de Lencastre - em cujo painel central figura Nossa Senhora da Graça, tendo ajoelhado aos pés, esse mesmo comendador; dois retábulos seiscentistas, com pinturas e imagens de interesse.
O paço dos Comendadores é um palácio rural que foi pertença e moradia dos Comendadores da Ordem Templária e da Ordem de Cristo. Edificado entre os finais do século XII e princípios do século XIII e reconstruído no século XVI por Marcos Pires (o mesmo arquitecto responsável pela construção da matriz), apresenta uma estrutura quadrangular e maciça, bastante fustigada pelo tempo; só as janelas manuelinas, que conserva, oferecem algum contraste à sua rigidez geométrica.
Foi construído no lugar onde, séculos antes, se erguia o castelo da Ega, a que fazem referência alguns esparsos documentos, e de cuja existência ainda conseguimos perceber alguns vestígios.
Em 1941, escavações na proximidade revelaram ossadas de cavaleiros da Ordem.

Pelourinho da Ega
Pormenor
Igreja Matriz de Ega / Igreja de Nossa Senhora da Graça
Triptico do altar
Pormenor do fresco
Paço dos Comendadores da Ega / Paço da Ordem de Cristo
O paço, antigo castelo da Ega

A cruz



A componente mística da Ordem é portadora de um simbolismo secreto algo paralelo ao da Igreja de Roma. Paralelo mas de significado diferente. A cruz que a igreja adora, é um instrumento de suplício, agonia e morte que o usurpador romano usava como castigo infligido a quem se opunha à sua "pax".
Os bons cristãos usavam-na de forma piedosa, em respeito pelo sofrimento de Cristo. Mas também em nome desta cruz se cometeram os maiores crimes contra a humanidade.
Para os membros da Ordem, a cruz sempre representou, veladamente, o ritual de saudação, de acolhimento e de amor. Ritual que os povos antigos executavam ao nascer e ao pôr do sol, numa sentida comunhão com a natureza. Numa expressão de paz interior e universal. Quando recebiam fraternamente um amigo. Quando choravam a partida de um ente querido. Quando agradeciam a benção das chuvas. Quando honravam a memória de alguém.