terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A noite mais longa

Hoje é a noite mais longa do ano. A noite do Yule.

"O mago sai ao bosque e apanha o visco, cujas propriedades mágicas têm o poder de curar.
Celebrar o Solstício de Inverno é reafirmar a continuação dos ciclos da vida, pois é o tempo de celebrar o espírito da Terra.
É momento de contar histórias, cantar e dançar com a família, celebrando a vida e a união. E de se acender fogo - fogueira, velas - como elemento mágico capaz de ajudar o Sol a retornar para a nossa vida, corações e mentes.
Para quem está em sintonia com a natureza e as forças divinas que existem dentro de nós, que esta seja uma linda noite de Yule e que o retorno da Luz ilumine as nossas vidas.
No ritual, leva-se para dentro de casa uma árvore verde para que os espíritos da Natureza tenham um lugar confortável para passar o Inverno. A árvore é decorada com sinos, estrelas e sóis; as cores verde, vermelho e dourado, celebrando-se com nozes e bolos de frutas.
A casa é decorada com azevinho e guirlandas. Presentes para os espíritos da Natureza são colocados aos pés da árvore."

Um Feliz Natal !
Um bom Alban Arthan para todos !

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Regra:cap.XXV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Ao que procurar o melhor vestido se lhe dê o peyor.

Capitulo XXV

Se algum Irmaõ, como devido, e com animo soberbo, pertender os vestidos mais novos, e curiosos; por tal pertençaõ merece se lhe dem os peyores.

Regra:cap.XXIV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que os vestidos velhos se dem aos escudeiros.

Capitulo XXIV

O Roupeiro procure com todo o cuidado distribuir os vestidos velhos aos escudeiros, criados, e pobres, fiel, e igualmente.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Escolastica Maria


Em 1309 o mosteiro de Leça do Balio, até então na posse dos Templários, é entregue aos Hospitalários em consequência da dissolução da Ordem do Templo. O seu Comendador Vasco de Sousa é morto por se recusar a entregar a Comenda. Na noite anterior, prevendo o desenlace fatal, deixa escrita uma carta para os seus descendentes. Escolastica Maria foi a última daquele ramo dos Sousas que cumpriu a vontade do seu antepassado... Orar pela sua alma todas as quaresmas, na Igreja do mosteiro, e gritar a verdade a quem a pudesse ouvir.

" A seis do mez de Junho de 1735 nasceo Escolastica, filha de Domingos de Sousa, e de sua molher Anna Antonia [...] .  Ainda nos dous ultimos annos, antes da sua morte, contando já cento e seis, veio do logar da Agrela, apegada a um páo, a esta Igreja Matriz, distante um bom pedaço d'aquelle logar, sendo a ida incómoda, por ser sempre a subir, satisfazer aos preceitos quaresmaes, porque assim o queria, eu a confessei ambas estas vezes, e certifico, que tinha juizo perfeito, e os cinco sentidos, á excepçaõ de ouvir, que um quasi nada lhe faltava; notei-lhe uma pasmosa força de nervos, por quanto, attenta a sua falta d'ouvir, confessei-a fora do confissionario, e ella ás vezes, lá nos seus enthusiasmos, e nas suas exclamações, me lançava as maõs ás bandas d'hum forte casacaõ de castorina, que eu trazia, e as lançava, e puxava com tanta força, que me foi necessario admoestal-a, que moderasse a sua força, em tal caso inutil, aliás m'o rasgava: esta mulher muitas vezes exclamava: "Ah! Leça, Leça! ah, Leça! quem te vio, e quem te vê!". [...]  Esta molher que era pobre, estava pedindo esmola no logar de Araujo, vivia em uma casinha, que pela sua deterioraçaõ era quasi egoal  ao ar livre; n'aquelle inverno de 1843 foi atacada d'huma catarrhal, e mais por falta de meios, do que pelo pêso dos seus muitos annos, succumbio á molestia, que para um rico talvez naõ seria mortal [...].

A.C. Velho de Barboza
(Cavalleiro da Ordem de Christo)


" A onze de Dezembro de mil oitocentos e quarenta e três morreu com todos os Sacramentos, Escolastica Maria, viuva, moradora no lugar da Agrela, desta freguesia de Leça do Balio.
Contava 108 anos, seis meses e cinco dias.
_________________________________
Ao contrário do que os historiadores dizem, Leça do Balio foi Templária. Assim o atestam alguns dos símbolos ainda ali existentes. Por alguns documentos do século XIII se referirem aos religiosos como sendo Cavalleiros de S. João Baptista, estabeleceu-se o erro de serem Hospitalários (Ordem de Malta). S. João Baptista também era padroeiro da Ordem do Templo.

Documento XV

Doaçaõ, que fez o Senhor Rey D. Affonso I. a D. Gualdim Paes a segunda, em que he chamado Mestre do Templo.

Em nome do Padre, do Filho, e do Espiritu Sancto. Amen.  Eu Affonso Rey dos Portuguezes, filho do Conde D. Enrique, e da Rainha D. Tareza, e a minha molher a Rainha D. Mafalda, fazemos Carta de Doaçaõ, e firmeza a vós Mestre Gualdim da cazas, e herdades cultivadas, e por cultivar, as quaes estaõ junto a Cintra, pela boa vontade, que sempre nos mostrastes, e fiel serviço, que nos fizestes.  As quaes cazas vos damos com as suas herdades, para que as pessuais, e tinhais todos os dias da vossa vida, e no fim della tinhais poder para as vender, doar, e testar, e tambem em vossa vida a quem quizerdes, e melhor vos parecer.  E se alguma pessoa de qualquer Ordem, e dignidade com temerario atrevimento presumir tirarvos as tais cazas com suas herdades, pella prezumpçaõ só, vos pagará as suas herdades em dobro, assim como neste tempo forem avaliadas.  E ao Rey da Terra quinhentos soldos de purissima prata.  E aquelle, que succeder da nossa geraçaõ vos ajudar, e defender contra aquelle, que pella maldade de seu coraçaõ vos las quizer tirar, alcance a Misericordia de Deos e a nossa bençaõ, elle e seus filhos para todos os seculos dos seculos.  Foi feita a Carta de Doaçaõ, e firmeza na Era de mil cento e noventa e nove.*
Eu sobredito Affonso Rey dos Portugueses, e minha molher a Rainha Mafalda com nossas proprias maons roboramos esta Carta, que mandamos fazer de nossa livre vontade.
Gonsalo de Souza Trinchante mór ............... conf.
Sancho Monis ............................................ conf.
Vasco Sanches ........................................... conf.
Pelagios Zapata ........................................ conf.
Erminio Venegas ....................................... conf.
Lourenso Venegas ..................................... conf.
Erminio Mendes ....................................... conf.
Pedro Radu ............................................... conf.
Soeiro Mendes .......................................... conf.
Rodrigo Venega ....................................... conf.
Menenda Gonsalves ............................... conf.
Rodrigo Pelais ......................................... conf.
Pedro Goinas ......................................... conf.
Martim Monis ........................................ conf.
Martim Zouparel ................................... conf.
Affonso Rois ......................................... conf.
Fernando Rois ...................................... conf.
Martim Anaya ..................................... conf.
Pedro Pelais Alfers mór ....................... conf.
Fernando Gonsalves .......................... conf.
Pedro Pelais ................................... conf.
Randufo ......................................... conf.
Pedro da Sylva Prior de Santa Maria a escreveo.
______________________________
* - 1161

Regra:cap.XXIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que usem sòmente de pelles de Cordeiros.

Capitulo XXIII

Determinamos de commum consentimento, que nenhum Cavalleiro use de pelles preciosas para vestido commum, nem para cobertor, senaõ de pelles de Cordeiros, ou Carneiros.

Regra:cap.XXII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que os Religiosos perpetuos vistaõ de branco

Capitulo XXII

A nenhum tempo seja licito trazer mantos brancos, ou capas da dita cor, senaõ aos Cavalleiros perpetuos de Christo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ao primeiro Templário português


Acendemos-te hoje, Irmão,
mais esta vela carregada de saudade,
sobre a pedra fria de vosso túmulo.

E à volta deste Ponto Luz,
novamente se reúnem vossos 4 leais Escudos.

Que o calor desta chama eterna
mantenha viva a memória de vossos feitos.
Vós que de todos fosteis o Primeiro.

Honrásteis bem a velha Ordem.
Vós que recuperásteis a Luz sagrada
e dela, como fonte, soubésteis brotar um Pais.

Querido Irmão e Senhor…

Estais tão fresco na nossa memória.
Ainda sentimos nos nossos ombros
o vigor do vosso abraço…

Ainda estão presentes as vossas palavras.
Ecoam ainda nos nossos ouvidos
o som dos vossos risos…

Estais tão presente neste momento,
que a densidade do vosso espírito,
seria capaz de passar pela chama desta vela
e perturbá-la docemente…
como uma leve brisa do passado...

Por aquele que fosteis.
Por tudo o que fizésteis.
Com orgulho sincero
os vossos Templários
vos dizem...
Obrigado

Afonso I de Portugal
(1185 - 2010)
825 anos de eterna saudade.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Leões de pedra


Sopra forte o vento,
há espuma no ar.
Devem estar revoltas
as ondas do mar.

De repente ecoa
um som de pasmar
que tudo ao redor
consegue abafar.

-Que rugido é este
p'ros lados do mar?
Tão forte, tão alto
se fez escutar?

Em cuidados fomos
à praia espreitar.
E não vimos fúria
nem revolta no mar.

-Que rugido é este
que se fez ouvir?
-Parecia que a terra
se estava a abrir!

Buscámos na terra
uma explicação
para tal rugido,
tão grande troão.

Não pudémos ver
em nenhum lugar
de onde viesse
tão estranho troar...

...Se estiveram revoltas
as ondas do mar,
que estranha força
as fez acalmar?

"Ilha de Santa Iria"
Relato de um fenómeno sismico - 1312
(texto adaptado)

Documento XIV

Hum letreiro, que se vè gravado em huma pedra jaspe sobre porta de huma caza, a que vulgo se chama a Sanchristia Velha, alli lêmos todas as noticias, que confirmaõ quem foi D. Gualdim Paes, e saõ a melhor prova de quando elle foi Mestre, e quanto lhe diz respeito.

Diz assim:

" Na Era de mil duzentos e oito o Mestre Gualdim na verdade de nobre geraçaõ natural de Braga existia no tempo do Illustre Rey de Portugal Affonso, elle abnegando a Milicia secular em breve resplandeceo como estrella, porque feito Cavalleiro do Templo foi para Jerusalem, e ahi por cinco annos passou vida naõ descansado, foi o exercicio com seu Mestre, e com os Freires em muitas batalhas foi contra o Rey do Egipto, e da Siria, e como se tomace Ascalona logo elle foi contra Antioquia, e muitas vezes venceo ao Soldam; depois de cinco annos vultou para quem o tinha educado, e armado Cavalleiro.  Feito Procurador da caza do Templo em Portugal edificou este Castello, Pombal, Thomar, Zezere, e este que se chama Almeirol, e Monte Sancto."


Regra:cap.XXI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que os criados não tragaõ vestidos brancos

Capítulo XXI

Isto, que sem ordem, e decreto do Capitulo, se usava na Casa de Deos, e dos Religiosos Militares do Santo Templo, prohibimos totalmente, e o tiramos como vicio muy escandaloso; porque de levarem antigamente os criados, e escudeiros estes vestidos brancos, se seguiraõ graves inconvenientes.  Levantaraõ-se nas partes Ultramontanas falsos Irmaõs, huns, e outros casados, que se chamavaõ do Templo, sendo do Mundo.  Estes pois occasionaraõ muitos damnos, e perseguiçoens à Cavallaria.  E os demais criados ensorbecendo-se, causaraõ naõ poucos escandalos.  Usem pois vestidos negros, e se os naõ acharem desta cor, vistaõ do que se poder achar naquella Provincia, ou o mais grosseiro vestido, que de huma cor se puder descobrir, como burel.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Graal - Cálice de Vida




Tu que buscas o Graal, diz-me:
Se Ele não está mais visível,
sabem os teus olhos o que procurar?
Se o Selo foi quebrado e o Elo Sagrado se perdeu,
porque continuas tu a sentir o seu pulsar?

Diz-te a vaidade, que é um cálice de ouro.
Pois bem, que seja de ouro o teu cálice.

De todas as areias da Terra,
recolhe os finissimos grãos de ouro.
Junta-os, até teres as três partes necessárias.
Com o Fogo Eterno molda-o no mater cadinho.

Das brumas do tempo, recolhe as gotas de orvalho
depositadas, nas pétalas rubras da Rosa,
pelo Ar frio da ancestral madrugada.
Verte-as no Cálice, pois são as restantes sete partes.

Da Água dos grandes oceanos,
retira uma pequena pitada do Sal da Vida.
Dissolve-o no teu Cálice, como um sopro Divino.
Com Ele, o seu conteúdo ganhará a Ânima necessária.

Agora que já consegues "ver" o teu cálice,
abeira-te Dele. "Olha" bem para o que contém.
Se os teus olhos ficam confusos e ainda tens dúvidas,
continua a tua demanda. Estás quase a descobrir-te.

Se o teu coração consegue ver-se no reflexo,
então Irmão, não procures mais;
Existe toda a probabilidade de, o Graal
que tanto procuras, afinal,
seres TU.


Documento XIII

Da doaçaõ da Villa de Cintra à Ordem dos Templários

Em nome da Santa e Individua Trindade Padre, Filho , e Spirito Santo. Amen.  Eu Affonso, por graça de Deos, rey dos Portuguezes, com minha mulher a Rainha D. Mafalda, fazemos Carta de Doaçaõ e firmitude, a vos Mestre Gualdim, e vossos freyres soldados, do castello e Villa de Cintra, [...], varzea de S. Martinho, cazas de Villa Verde e herdades de Santa Maria e S. Miguel,  [...]  açudes e azenhas que estaõ junto do mar. Eu Affonso sobredito Rey com minha mulher a Rainha D. Mafalda, de tudo isto fazemos doaçaõ a vos Cavalleiros do Templo de Jerusalem e por nossas maons a roboramos. Foi feita a Carta no mes de Março de mil cento e secenta e hum.
Eu Gonsalo de Souza Trinchante mór a confirmo.
Eu Pedro Paes Alfers mór ...................... a conf.
Eu Gilberto Bispo de Lisboa ..................... conf.
Lourenço Viegas ...................................... conf.
Sancho Monis .......................................... conf.
Erminio Viegas ......................................... conf.
Mendo Gonçalves .................................... conf.
Soaeiro Mendes ....................................... conf.
Rodrigo Monis .......... test.              Pedro Payo .............. test.
Rodrigo Viegas ......... test.              Vasco Fernandes ...... test.
Martim Joaõ ............. test.               Pedro Rodolfo ......... test.
Pedro Galdins .......... test.               Martim Monis ........... test.
Alberto Cancelario a notou.
O Mestre do Templo em Portugal Gualdim a recebeo em Cintra.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Regra:cap.XX

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Do modo do vestido

Capítulo XX

Mandamos, que nos vestidos sejaõ sempre de huma cor, como branco, ou negro, ou por melhor dizer de burel.  Declaramos a todos os Cavalleiros professos, que no Veraõ, e Inverno, podendo ser, o vestido branco, para que, pois deixaraõ as trevas da vida secular, se conheçaõ por amigos de Deos no vestido branco e luzido.  Que he a cor branca? senaõ inteira pureza.  A pureza he segurança do animo, e saude do corpo.  Se o Religioso Militar naõ guardar pureza, naõ poderá chegar à eterna felicidade, e vista de Deos, affirmando S. Paulo: "Guarday paz com todos, guarday pureza, sem a qual nenhum verá ao Senhor".  Mas porque este vestido nem ha de mostrar vaidade, nem gala; mandamos, que seja de tal feitio, que cada hum só se possa vestir, despir, calçar, e descalçar.  O que tiver o cuidado de dar os vestidos, cuide com toda a attençaõ, que nem sejam compridos, nem curtos, senaõ ajustados à proporçaõ de quem se veste.  Sahindo com vestido novo, entreguem o que deixaõ, para se guardar na rouparia, ou no lugar, que escolher o que tem esta incumbencia, para que sirvaõ aos escudeiros, e criados, e algumas vezes aos pobres.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Um pouco de calor humano


O dia está cinzento, frio e chuvoso.
Na grande cidade um carro circula, anónimo, na torrente do trânsito.
De repente trava e pára mesmo no meio da enorme fila.
O condutor sai e dirige-se à bagageira. Abre-a e retira um grosso casacão impermeável.
Enquanto ao volante, tinha reparado numa figura magra que tremia descontroladamente encostado a uma árvore do passeio. Vestia umas calças esfarrapadas e uma camisa de manga curta. Para além disso estava descalço e completamente encharcado. Mas o mais doloroso era a visão daquele rosto frágil, numa expressão de súplica.
Os carros da frente tinham começado a avançar. Os condutores dos de trás, impacientes, começavam a buzinar.
Sem ligar aos protestos, dirigiu-se ao pobre homem e envolveu-o com o casaco, descalçou as botas de montanha e retirou as meias de lã. Num gesto de humildade ofereceu-as também.
Levou a mão ao bolso e retirando todo o seu conteúdo, disse:
- Tome este dinheiro, saia da rua por esta noite e procure tomar uma refeição quente.
Surpreendido, o homem ainda tiritando de frio, perguntou:
- Quem é você? Porque faz isto?
- Um amigo que oferece o pouco que tem. Espero que chegue para o ajudar, de momento.
- Esse anel... conheço essa cruz... Obrigado, amigo. Que Deus lhe pague...
- Ele devolve-me sempre. A dobrar...!
Descalço, sorrindo, regressa à viatura imobilizada, perante a admiração de todos os que presenciavam a inesperada cena.
Feliz, com um calor especial a envolver-lhe o coração, arrancou, anónimo, na torrente do trânsito da grande cidade.

"Velhos e esfarrapados", apesar de anónimos, continuamos por cá...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Documento XII

Que confirma o Magisterio de D. Pedro Arnaldo terceiro Mestre.

In Christi nomine, Ego Sancia Venegas una pariter cum Filiis meis Gundisalvus Suarij, & aliis in Domino Deo, & ne sit ãm.  Placuit nobis pro bono pacis, & voluntas ut faceremus tibi Petro Arnaldo P. do Templo &c.
Facta Carta venditionis, & firmitis die, quod eri K Aprilis. Era M.CXCIIIIJ.
Ego Sancia Venegas una cum Filiis meis tibi Petro Arnaldo in hac Carta manus nostras roboramus.
Petrus .......... Pelagius ................. test.
Menendus ................................... test.
Johanes p'2b'2 scripsit.

Documento XI

Confirmaçaõ dos Privilegios, Graças, e Bens da Ordem do Templo, que a instancia, e suplicas do Papa fes o Senhor Rey D. Affonso I, sendo Mestre D. Pedro Arnaldo.

Em nome da santa, e individua Trindade Padre, Filho, e Espirito Santo.  Eu Affonso Rey dos Portuguezes Filho do Conde D. Henrique, e da Rainha D. Tareja, e Neto do Grande, e Emperador de Hespanha, sou constrangido por Breves Apostolicos do Supremo Pontifice a dar piedoza, e gratuita liberdade, e imunidade, a vós Pedro Arnaldo Procurador da Milicia do Templo nestas partes, e a vossos Freires, e a todos os vossos Coutos, Igrejas, Villas, e homens, e possessões, quaesquer que de presente tendes, e adiante possais adquirir, assim como inteiramente se contem em Privilegio Romano, que do mesmo Pontifice alcansastes; convem a saber que eu ampare, e defenda, e a todas as vossas cousas, que tendes em meu Reino, das injurias todas, que se fizerem, e ainda vos confirme, e robore os tais privilegios, e imunidades por carta minha asignada de minha propria maõ.  Por tanto eu vos couto, e confirmo todas as vossas possessões assim adquiridas, como por adquirir, Igrejas, Villas, herdades, rendas, servos, e escravas, mossos, e todos os mais que estiverem sugeitos ao Senhorio Real, habitando em vossos coutos, herdades, ou Igrejas, de tal modo que nenhuma pessoa se attreva em tempo algum violar vossos coutos, ou devassar vossas herdades, ou prender vossos homens, ou molestar a algum de vós; nem menos pedirvos conta do crime, que algum dos vossos homens cometter.  De mais disto eu absolvo a todos os homens, que morarem em vossas herdades de toda a obra, ou negocio servil, e de todo o tributo.  Se porém algum dos homens moradores em outras vossas herdades fóra de vossos coutos, fizer algum furto, ou homicidio, ou cometter força, e for legitimamente convencido do tal delicto, deixada toda a mais fórma de direito se comporá com as partes, confórme sua possibilidade, de tal modo que naõ perca a sua caza, e do que pagar pela dita composiçaõ, será ametade para mim, ou para meu successor, e a outra metade ficará em a mesma herdade da Ordem, em que o criminoso estiver.  E tambem concedo, que nunca pagueis portagem na passagem a alguma pessoa das cousas, que da dita Ordem se venderem, ou para ella se comprarem.  Por tanto todo aquelle, que quizer quebrantar esta minha pagina de Privilegio, e Izençaõ a qual sou obrigado por mandado Apostolico a confirmar, e corroborar, crea que me tem por seu inimigo; e depois que inteiramente restituir tudo o que tirou, pagará quinhentos soldos: eu concedo, que seja ametade para aquella casa de Deos, e Templo de Salomaõ.  E álem disto o quebrantador deste meu privilegio seja maldito até settima geraçaõ, nem mereça no dia do juizo ter perfeita resurreiçaõ, mas padeça as penas do Inferno com Judas traidor, e com Simaõ Mago, e com Datan, e Abiron, aos quaes a terra tragou.  E de mais disto digo, e mando que em nenhum tempo os Freires do Templo, ou as suas cousas sejaõ penhoradas por qualquer causa sem que a tal causa de serem penhoradas se profira em minha presença, e qualquer causa dos taes Freires sempre se termine por inquiriçaõ de homens bons.  Feita a Carta aos cinco de Abril Era de mil cento cincoenta e seis.
Eu Affonso Rey dos Portuguezes juntamente com minha mulher a Rainha D. Mafalda, e com meus filhos com nossas proprias maons roboramos com este -|-|-|-|.+ signal esta Carta a vós Pedro Arnaldo Procurador da Milicia do Templo em estas partes, e a vossos Freires assim presentes, como futuros, e ao religioso Templo de Salomaõ.  E eu Joaõ por graça de Deos Arcebispo de Braga de commum consentimento de meus Conegos concedo que esta Carta de privilegio permaneça sempre estavel, ileza, e firme; e aquelle que a guardar em seu theor, e em sua força seja cheio de bençaons, e lhe lance a sua bençaõ áquelle, que a lançou a Abrahaõ, Izaac, e Jacob, e more para sempre nos Ceos com os Anjos, e Escolhidos do Senhor; e pelo contrario aquelle, que a quizer perturbar, e inquietar, ou quebrantar seja maldito, e excommungado, e atormentado no Inferno com Judas traidor.
Eu Pedro Pais Alfers do Rey ............. Conf.
Eu Pedro Bispo do Porto .................. Conf.
Eu Mendo Bispo de Lamego ............. Conf.
Eu Odorio Bispo de Vizeu ................ Conf.
Eu Gilberto Bispo de Lisboa ............ Conf.
Joaõ ............................ test.          Pedro Fernandes .... test.
Payo ............................ test.           Rodrigo Monis ...... test.
Sancho Monis .............. test.          Vasco Sangles ....... test.
Dono Nojo ................... test.          Egas Favile .......... test.
Menendo Affonso ........ test.          Lourenço Egas ...... test.
Gonsalo de Souza ....... test.          Pelagio Sapata ...... test.
Mestre Alberto Chanceler da Curia Real o notou.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

D. fr. Gualdim Pais

4º Mestre em Portugal
1158 - 1193
Cavaleiro português, nos reinados de D. Afonso I e D. Sancho I

Nasceu em Marecos (a actual Barcelinhos, Braga), a 14 de Abril de 1118.
Foi seu pai, Payo Ramires, filho de Ramiro Ayres, carpinteiro, e sua mãe D. Gontrade Soares, do ilustre ramo dos Correias.
D. Gualdim foi protegido de D. Afonso I e educado no paço. Participou com ele em 1139 na batalha de Ourique (no campo de Panóias), onde foi investido cavaleiro pelo então já proclamado 1º Rei de Portugal.
Dá entrada na Ordem do Templo por sugestão do soberano ao mestre D. Hugo Martónio.
É já na qualidade de cavaleiro Templário que, nos finais de 1151, parte para a Palestina, onde permanece por cinco anos. Participa na conquista de Ascalon, no cerco de Gaza e na rendição de Sídon.
Regressa em 1156, logo após a morte do Mestre Geral da Ordem André de Montbard, de quem traz directivas bem precisas para o Mestre português D. fr. Hugo de Martónio.
Traz consigo, como relíquias, a mão direita de S. Gregório Nazianceno, que conservou em Thomar, alguns manuscritos e uma outra relíquia que depositou secretamente na igreja do Santo Sepulcro, no castelo de Penha Alva (de que falaremos mais tarde).

À chegada, o Rei eleva-o a Comendador de Braga e Procurador do Templo, cargo este que recebe, por já haver sido eleito Mestre D. fr. Pedro Arnaldo que sucedia a D. fr. Hugo após a morte deste, ocorrida no ano anterior.
Na conquista de Alcácer do Sal, o Mestre D. fr. Pedro Arnaldo morre durante a escalada às muralhas do castelo e nesse mesmo ano de 1158, a 17 de Outubro, D. fr. Gualdim Pais é eleito Mestre Provincial em Portugal.
O novo Mestre, por doação de Afonso I, recebe em Março de 1161 o castelo e a Vila de Sintra e seu termo que ascende a Comenda. Nesse mesmo ano o monarca faz doação a D. Gualdim, a título particular, de umas "Cazas" nos arrabaldes da mesma.

É com ele que a Ordem do Templo vai ter a maior importância no seu estabelecimento e expansão em Portugal.

O Rei D. Afonso I após a conquista da praça de Santarém, faz doação desta aos Templários, em cuja tomada estes participam e para a qual transferem a sua sede. Devido à disputa do eclesiástico da Ordem por parte do Bispo de Lisboa D. Gilberto (de Hastings), D. fr. Gualdim, insatisfeito com a situação, efectuou uma concordata entre as duas partes com o beneplácito do Rei. Ficou estabelecido que o soberano doaria aos Templários toda a região de Ceras (1159), dela ficando senhores, tanto no eclesiástico como no temporal, bem assim como da igreja de Santiago, em Santarém.

Na região doada à Ordem, D. fr. Gualdim manda iniciar, no primeiro de Março de 1160, a construção do castelo de Thomar (de que toma o nome do rio), sobre o que restava do castrum de Ceras. Aproveita inicialmente as ruinas da fortaleza e da igreja circular moçárabe existentes, meio derrubadas e abandonadas no cimo do monte. Para tal, utiliza materiais de construções antigas ali existentes e da velha cidade romana, jazente em baixo, na margem contrária. Dá por terminada a primeira fase da construção do castelo de Thomar, em tempo recorde, dois anos depois. O restante da construção foi feita faseadamente e durante anos, à medida que a fixação e estabilidade da Ordem se verificava.
Nesse mesmo ano de 1162, em Novembro, D. Fr. Gualdim dá a primeira Carta de Foral aos povoadores instalados na encosta sul do monte do castelo.
O Mestre recupera várias fortalezas na região e dá cartas de foral aos habitantes que se vão instalando, sobre as quais iremos dando notícia, para não alongar a presente.

Em 1170 manda construir a igreja de Santa Maria do Selho de Thomar, mais tarde chamada do Olival, sobre um antigo templo beneditino e que viria a ser o panteão da Ordem. Após um longo período conturbado de reconstruções, alterações e adaptações devido às características geológicas do local e condicionalismos das edificações pré-existentes, foi finalmente terminada em 1195.
Em Junho de 1174 o Mestre concede novo foral a Thomar devido à forte expansão do local, que inclui já a margem direita do rio Nabão.

A treze de Julho de 1190, o já então velho Mestre e seus cavaleiros, juntamente com a população que se refugia dentro das muralhas do castelo, já definitivamente concluído, resiste ao cerco posto pelos muçulmanos, na forte ofensiva do miramolim Abu Yacub al-Mansur. Este vê-se obrigado a desistir do assalto ao castelo, após grandes perdas de homens e animais. Os Templários tinham grandes remédios para grandes males e no caso da enorme diferença numérica, venceram recorrendo à 'guerra biológica' (de que falaremos mais tarde).

A 17 de Abril de 1193, com setenta e cinco anos de idade e trinta e cinco de mestrado do Templo, morre no castelo de Thomar, em consequência de uma grave queda nas muralhas, o Mestre D. fr. Gualdim Pais; um dos mais carismáticos Mestres dos Templários portugueses.
É sepultado na cripta da igreja de Santa Maria do Castelo, situada junto da Porta do Sol.
Terminada a igreja de Santa Maria do Selho em 1195, os seus restos mortais são trasladados para este templo que se torna assim o panteão oficial dos Cavaleiros Templários em Portugal, onde será para sempre lembrado pelos seus monges e Irmãos que, em sinal de respeito e admiração lhe mandam fazer e o colocam num magnífico mausoléu (hoje inexistente).
Devido a obras efectuadas mais tarde (no século XVI) no panteão, que o alteraram de forma vergonhosa no seu conteúdo e no seu aspecto (tendo sido profanados todos os túmulos dos mestres Templários), alguns membros da Ordem recolheram antecipadamente as cinzas de Mestre Gualdim, dividiram-nas por quatro recipientes funerários que foram sepultados simbolicamente em locais diversos, tão queridos do velho Mestre: um nas "Cazas" de Sintra, outro na sua terra natal (Marecos), outro na igreja do Santo Sepulcro de Penha Alva (entretanto já resgatado) e ainda outro na igreja de Santa Maria do Castelo de Thomar.
Na igreja de Santa Maria do Olival ainda se pode ver embutida na parede de uma das capelas laterais, uma lápide trazendo os seguintes dizeres:

"morreu Frei Gualdim, Mestre dos
Cavaleiros do Templo em Portugal,
na era de 1233*, terceiro dos idos
de Outubro. Este castelo de Tomar,
como muitos outros, povoou.
Descanse em paz. Ámen."
____________________________________
* - Este ano corresponde ao de 1195 que, por engano, é dado como a data da morte do Mestre, mas que não é senão a data da trasladação dos seus resto mortais para Santa Maria dos Olivais.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Regra:cap.XIX

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que no trato se guarde igualdade.

Capítulo XIX

Nas letras sagradas se lê: "Que se dava a todos, conforme o que a cada hum era necessario". Por isso mandamos, que naõ haja accepçaõ de pessoas, senaõ exame das necessidades.  O que menos necessita, dê graças a Deos, e se naõ entristeça pelo que derem ao outro.  O que necessita mais, humilhe-se por sua fraqueza, e naõ se ensorbebeça na misericordia, que com ella se usa: e assim viviraõ unidos os membros deste religioso Corpo.  Prohibimos a todos a singularidade nas mortificaçoens, e mandamos guardem a vida commua.

Regra:cap.XVIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que se naõ levantem a Matinas os que se acharem cansados.

Capítulo XVIII

Porque se manifesta naõ ser justo, que se levantem a Matinas, os que se acharem cançados.  Mandamos, que com licença do Mestre, ou do que estiver em seu lugar, descansem; e depois cantem as treze Oraçoens assinaladas; de sorte, que com as vozes se ajuste a attençaõ, pois diz o Profeta: "Cantay ao Senhor sabiamente", e em outra parte: "Em presença dos Anjos cantarey os vossos louvores", mas isto sempre a arbitrio do Mestre.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Languedoc português

Em finais do século XII, D. Sancho I sobe ao trono português, com a idade de 31 anos.
Após a conquista de Silves (1189), dedica-se totalmente à administração dos territórios herdados de seu pai, D. Afonso I.
Começava a obra do povoamento.
As Ordens de Cavalaria, já instaladas no reino, tiveram uma importância capital na ajuda prestada ao monarca.
Porém, a grande força para tamanha empresa veio dos colonos oriundos do sul de França, fugidos ao holocausto promovido pela igreja romana, a que chamaram "a cruzada contra a heresia Cátara".
O vergonhoso genocídio de cristãos contra cristãos.

Nos princípios de 1199, já havia chegado a Portugal, um vasto grupo de colonos francos, que no dizer do próprio D. Sancho, "tinham vindo povoar a minha terra".

" isti Franci venerunt populare in terra mea "

O território da Açafa é doado aos Templários tendo em vista a chegada dessas  novas vagas de colonos, oriundos da Occitânia, refugiados da perseguição religiosa. O monarca oferecia-lhes a liberdade de possuirem terras e de as trabalhar.

" (...) et dent eis ipsum locum cum tanto termino in quo isti Franci et alii qui venturi sunt possint bene vivere et laborare..."

 Os territórios da Açafa, entre Figueiró e o Sever, eram campos ermos, despovoados, incultos: uma terra de ninguém, a não ser de lobos, javalis, veados e outros animais bravios que por lá terão existido em abundância.
Os Templários foram quem primeiro ali se fixou, nas duas fortalezas que inicialmente ergueram e nas duas Comendas ou Perceptorias que, de seguida, estabeleceram.

" Nos primeiros anos do século XIII, chegaram os colonos francos, vindos do Languedoc, para povoarem, arrotearem e cultivarem o território.  É à sombra das fortalezas dos Cavaleiros do Templo e ao abrigo das suas perceptorias que começam a erguer as suas habitações, fundam os primeiros aglomerados populacionais, a que, prioritariamente, dão os nomes das suas terras distantes.

Assim, terão nascido Arez (de Arles), Montalvão (de Montauban), Nisa (de Nice), Tolosa (de Toulouse), todos nomes de cidades do sul de França, da Occitânia."

Regra:cap.XVII

Regra dos Pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que se guarde silencio depois de Completas

Capitulo XVII

Acabadas as Completas, he conveniente se vaõ recolher; sahindo de Completas nenhum falle em lugares publicos, senaõ de cousas necessarias; e o que tiver, que fallar com o seu escudeiro seja em voz baixa; e ainda que algumas vezes succederá, que ao tempo, que sahem das Completas, seja preciso, que alguns de vós outros juntos falleis ao Mestre, ou ao que depois delle serve de Superior, do estado da guerra, ou negocios do Mosteiro, por naõ haver tido tempo em todo o dia.  Mandamos pois, que se guarde desta maneira o silencio, porque está escrito: "Que no muito fallar naõ faltará peccado", e em outra parte: "A morte, e a vida estaõ nas maõs da lingoa".  Naquella junta prohibimos as chanças, e palavras ociosas, que ocasiaraõ riso: e mandamos, que se algum tiver fallado com pouca attençaõ, reze, quando se for deitar, hum Padre Nosso com toda a humildade, e devoçaõ.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O inferno de Diogo Fernandes


Muitos pensam que os Templários em Portugal implantavam as suas Comendas automaticamente em resultado das doações obtidas. Tal não era assim.
Na realidade, o processo de criação de uma Comenda era um pouco mais elaborado, obedecendo a determinados critérios e ao escalonamento de objectivos precisos.
Todos os seus elementos tinham de estar em sintonia com esses objectivos e integrados numa determinada estratégia.
Quando assim acontecia, nascia a Comenda.

Mas o que poucos sabem é que havia dois tipos de Comendas Templárias. As oficiais e as secretas.
Debrucemo-nos sobre as segundas. Estas nasciam em lugares considerados de especial interesse para a Ordem, por vezes solicitados ou reivindicados ao poder Real após a sua conquista.
Por vezes até, ainda antes de os mesmos terem sido conquistados.
Como não se constituiam oficialmente, dizia-se que os Templários tinham "Cazas no lugar de..".

Diogo Fernandes, Cavaleiro Templário, tinha sido designado para Chefe de uma dessas "Cazas".
Era um homem bom, inteligente, e com um plano que, no seu entender, tinha de ser posto em prática sem demora. Um plano que fazia parte de um vasto projecto do Templo que aguardava o momento certo para ser executado.
O Chefe Templário não estava disposto a esperar. Não havia tempo.
A experiência tinha de começar.

" - D. Diogo, senhor, ainda é cedo para avançarmos. As gentes ainda não estão preparadas. Para nos respeitarem, ainda terão de nos temer.
- Então vamos prepará-las. Estamos rodeados de servidão e miséria. Não tarda estamos a cometer os mesmos erros dos outros.
- Seja então como desejais. Que Santa Maria nos ajude a todos."

Nas "Cazas" de Diogo Fernandes não se seguia a Regra. A Ordem, secretamente, tinha-os dispensado.
Não havia servos. Havia Irmãos. Verdadeiros Irmãos.
Todos davam o seu melhor, partilhando o trabalho comunitário. Ninguém pagava dízimos ou outro tipo de imposto. Eram senhores do seu destino. Livres de investir no futuro da Comenda, que prosperava, ou de abandoná-la quando quisessem. E continuavam a ser Templários. E, o que era inacreditável naqueles tempos, funcionava!

Mas o sistema feudal, fortemente enraizado, começou a ver neste sistema justo, um perigo para os seus interesses. Muito menos o clero poderia tolerá-lo.
E uma noite, enquanto a milícia se encontrava ausente da Comenda, os lobos atacaram com toda a crueldade e selvajaria.
E todas as "Cazas", todas as colheitas, todas as fábricas e alfaias foram incendiadas. Destruídas.
Os cabecilhas, decididos a acabar com a vida do Chefe Templário, cercaram e invadiram a sua residência acastelada, onde este calmamente os esperava.
Encurralando-o, pegaram fogo aos aposentos e antes de sairem, gritaram-lhe:

"- D. Diogo! Preparai-vos para arder no fogo dos infernos!"

D. Diogo tinha-se preparado.
Os atacantes, com o terror estampado nos rostos, aperceberam-se que não tinham como sair. Todas as saídas estavam trancadas.

"- Para os infernos ireis vós agora! E como certamente não estarei lá para vos ver arder, ardereis aqui mesmo à minha frente para ter a certeza que o vosso castigo se cumpre!"

Diz-se que o sonho de D. Diogo Fernandes se consumiu naquela noite com ele e seus inimigos.
O Templário conhecia tão bem os acessos que trancou, como o que deixou destrancado para si...

______________________________________
Se tal aconteceu? Existe descrição.
Temos registo no nosso arquivo que nos descreve datas, lugares, e personagens. Não entramos em mais pormenores porque envolve uma outra Ordem que não queremos antagonizar.
Os textos aqui publicados não são de maneira nenhuma apresentados de forma leviana. Destinam-se apenas a acordar o que está adormecido.

Regra:cap.XVI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que a collaçaõ esteja a arbitrio do Mestre

Capítulo XVI

Ao pôr do Sol, ouvido o sinal conforme o costume dessa regiaõ, convem muito, que todos vaõ a Completas; porém antes dellas, desejamos, que tomem huma collaçaõ em Communidade.  Esta refeiçaõ deixamos ao arbitrio do Mestre, que seja de agoa, ou de vinho aguado, como elle o dispuzer, e mandar; porém convem, que isto naõ seja com demasia, e destemperança, mas parcamente; pois vemos, que tambem os sabios se descompoem com o vinho.

Regra:cap.XV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que dem ao Esmoler de cada dez paens hum.

Capítulo XV

Ainda que aos pobres lhes está prometido o premio da pobreza, que he o Reyno dos Ceos; com tudo isso, vós outros, a quem confessa por pobres a Fé Christãa, dareis ao Esmoler o dizimo de todo o paõ, que vos derem.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

. 4


Existem dois tipos de investigadores que costumam abordar a temática Templária:

O tipo supérfluo, que procura criar à sua volta uma aura de sensacionalismo mítico e bacoco, com o intuito mais ou menos velado de se juntar aos famosos,  inflados do mais completo vazio, mestres da futilidade.
Não passam de mais do mesmo; ou seja, coloridos papagaios que repetem até à exaustão as milhentas asneiras literárias daqueles que, na sua douta posição de donos da História, as vêm impingindo do alto do seu pedestal e da sua incontestável autoridade.
Arautos das verdades absolutas, que de absoluto só têm a sua imensa ambiguidade.
Gente que baseia as suas teorias em esoterismos esquizofrénicos e em documentos históricos de autenticidade duvidosa.
Gente que manipula pretensas provas irrefutáveis ao sabor das suas conveniências pessoais ou, são eles mesmos, manipulados por forças obscuras com interesses inconfessáveis.
Gente que se deleita em trazer na sua esteira de enganos, todo um exército de templários de fim-de-semana, que vêem em cada pedra um mistério, em cada buraco o ouro Templário.

O tesouro do Templo era o seu conhecimento, a sua disciplina, a sua dedicação ao empreendadorismo  e ao criterioso aproveitamento dos recursos da terra.
Esse era o seu verdadeiro Tesouro.

O outro tipo de investigador, caracteriza-se pelo cuidado na abordagem histórica, procurando as fontes não só na História oficial (que filtra criteriosamente) mas também através de um dedicado trabalho de campo.
Executa uma minuciosa pesquisa local e procura as indeléveis pistas que o conduzem aos vestígios sobreviventes.
Procura na tradição popular que tantas vezes encerra a 'chave' para o sucesso da investigação.
E é nessa busca dedicada e incansável que, de vez em quando, tropeça em tesouros guardados durante séculos por gerações de gentes que, perante a total indiferença dos outros, se vêem por vezes, num verdadeiro beco sem saída por não acharem a quem os transmitir.
Espólios que de outra forma se perderiam para sempre, são assim resgatados, fruto de autênticas demandas pessoais.
Daí acontecer, como que por milagre, o surgimento de notícias preciosas sobre os pertences de determinado cavaleiro Templário, sepultado há séculos em propriedade de família rústica, que se dispõe a doá-los a determinada Ordem discreta, ou de colecções de pergaminhos importantes, há muito esquecidos, que preeenchem muitas das lacunas históricas, revelando segredos e memórias desconhecidas de Comendas Templárias.
Quer o destino que, merecedora dessas doações, a Ordem se constitua fiel depositária desses espólios.

Que continuem sob sua protecção.
Até ao momento da sua transmissão.
______________________________________
Eterna gratidão aos nossos amigos da Açafa.
Fiéis guardiões da memória material e espiritual dos irmãos Templários.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vaga branca


A Milicia do Templo era dotada de uma disciplina férrea e de uma coragem guerreira inigualável.

"Os Cavalleiros de Salomão, munidos das suas longas lanças, formavam no mais completo silêncio.
Encommendavam aos ceos as suas almas, e tambem as dos seus adversários, e aguardavam o toque de assalto à frente de batalha.
Investiam como uma enorme e demolidora vaga branca, no molhe inimigo.
Era destroçá-lo, ou morrer nelle."

Esta é a nossa herança.
Coragem, disciplina e determinação.

Regra:cap.XIV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que dem graças depois de comer.

Capitulo XIV

Mandamos, que sem exceiçaõ de pessoa alguma, dem todos depois de jantar, e cear ao nosso Summo Procurador Jesu Christo, ou na Igreja se estiver junto, ou no mesmo logar da mesa.  Guarde-se o paõ, que ficar inteiro, e dos pedaços, que sobejarem se dem aos pobres, e criados.

Regra:cap.XIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

O que se ha de guardar na comida de sesta feira.

Capitulo XIII

Nas sestas feiras, desde a Festa de todos os Santos, até a da Resurreiçaõ, naõ sendo dia de Natal, Festas de Nossa Senhora, ou de Apostolos, temos por muy louvavel, comam todos na fórma, que na Quaresma, huma vez ao dia, em reverencia da Paixaõ do Senhor, excepto os enfermos, e achacados.  No outro tempo, naõ havendo jejum universal, comaõ duas vezes ao dia.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

13 de Outubro de 1307

Foi há 703 anos a madrugada da ignomínia.

A ganância de um rei.
A cobardia de um papa.
A lâmina fria da traição.

Regra:cap.XII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nos mais dias lhes bastem dous, ou tres pratos de legumes.

Capitulo XII

Nos mais dias, que saõ segunda, e quarta, e sabbado, parecenos, que basta darselhes dous, ou tres pratos de legumes, ou semelhantes guizados.  E mandamos, que se observe assim, porque se algum delles naõ comer de hum, coma do outro.

Regra:cap.XI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

O que haõ de observar os Religiosos no comer.

Capitulo XI

Convem, que comaõ geralmente todos de dous em dous, para que hum cuide com attençaõ do outro, e se naõ introduza no comer asperezas de vida em abstinencias dissimuladas.  Julgamos, que a cada hum dos Soldados, ou Religiosos se lhes dê com igualdade, e pela mesma medida a reçaõ do vinho.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Amuleto-Chave

Os Templários prestavam um serviço aos peregrinos que se deslocavam aos lugares santos e que receavam transportar consigo os seus valores, necessários para custear a viagem e a estadia nesses lugares.
Os Cavaleiros do Templo guardavam esses valores no local de partida e, mediante um comprovativo, restituiam-nos no destino ao seu legítimo dono, cobrando uma pequena quantia pelo serviço prestado.
Os interessados podiam assim viajar sem o receio de se verem despojados dos seus valores e até mesmo das suas vidas, pois não havia nada para roubar durante a viagem. Os assaltos eram minimizados devido à protecção fornecida também pelos Templários.
Para além disso, os assaltantes tinham em conta que um documento codificado não lhes servia para nada e que um amuleto era algo que protegia apenas o seu dono. Por isso, mesmo que o assalto se concretizasse, geralmente não lhe tocavam pois era comum na época acreditar que isso lhes trazia azar.
O comprovativo dos valores depositados nos cofres do Templo, era lavrado num documento cifrado em código e acompanhado por uma "chave" para a sua descodificação. Ambos ficavam na posse do peregrino que os transportava sempre consigo até ao destino.
A chave era chamada de "Amuleto" e era gravada numa pequena medalha de pedra, colocada num fio e transportada geralmente ao pescoço.
Este "Amuleto" continha símbolos identificativos e letras que eram a "Chave" para a descodificação do documento.
A esta chave davam também o nome de "Rosa de Luz".
 

Regra:cap.X

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Do comer carne

Capitulo X

Naõ se coma mais que tres vezes carne na semana, excepto nas Festas do Nascimento, da Virgem Maria Nossa Senhora, e de Todos os Santos; porque o comer ordinariamente carne he hum estrago dissimulado do corpo.  Porém se na terça feira cahir algum jejum da Igreja, em que se prohibe comer carne, no dia seguinte se dê com mais abundancia a todos.  Nos Domingos aos Religiosos perpetuos, e Capellaens, se lhes dem dous pratos em honra da Sagrada Resurreiçaõ de Nosso Senhor Jesu Christo.  Os demais, como saõ os escudeiros, e creados contentem-se com hum, e o recebaõ com acçaõ de graças.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

sigillum militum xpisti



O famoso e de certa forma polémico selo Templário do Mestre Geral da Ordem, Pierre de Montaigu, tradicionalmente representado por dois cavaleiros numa só montada, não passa de uma deformação histórica que chegou até aos nossos dias.
Em 2006, numa das nossas visitas à zona da Flandres, pudémos observar na catedral de Ipres, (na exposição que comemorava a fundação da abadia beneditina), um livro do século XIII cuja iluminura mostrava o selo do Mestre Geral, constando de um cavaleiro em primeiro plano com outro ao seu lado, mas não no mesmo cavalo.
O selo, representado no fim da página (que por muita pena nossa, o guia que nos acompanhava não permitiu fotografar), é em tudo semelhante ao reproduzido em cima.

Catedral de Ipres

Regra:cap.IX

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Da Leitura.

Capitulo IX

Ao jantar, e cea se lea sempre algum livro sagrado.  E se amamos ao Senhor, com muita attençaõ devemos escutar os seus saudaveis conselhos, e preceitos : e o que ler faça sinal, para que todos se calem.

Regra:cap.VIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Da refeiçaõ commua.

Capitulo VIII

Entendemos, que todos comeis em Comunidade em huma casa, ou Refeitorio; aonde se faltar alguma cousa [ignorando o sinal com que se ha de pedir] se pedirá particularmente, e sem fazer ruido, porque sempre, ainda as cousas, que saõ precisas, haveis de buscar com humildade, e sugeiçaõ, e mais particularmente na mesa, pois diz o Apostolo: "Come o teu paõ com silencio"; e vos deve animar o Psalmista, quando dizia: "Puz guardas à minha boca"; isto he, determiney naõ offender a Deos; e vem a ser, com a lingoa; ou, terey muito cuidado de naõ fallar mal.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

5 de Outubro de 1143

El-Rey Dom Afonso I de Portugal

5 de Outubro de 1143

Comemora-se hoje, dia 5 de Outubro, 867 anos sobre o reconhecimento de El-Rei D. Afonso I como soberano do reino de Portugal por parte de seu 'primo', o Imperador da Hispânia, El-Rei D. Afonso VII de Leão e Castela.
O encontro deu-se em Zamora, na presença do cardeal Guido de Vico, nos dias 4 e 5 de Outubro de 1143, patrocinado pelo arcebispo de Braga D. João Peculiar.
Dele resultou a assinatura do documento que ficou para a História como o Tratado de Zamora e que podemos considerar como o Dia da nossa Independência.
Portugal já existia como Reino apesar de referido muitas vezes como Condado. As crónicas da época atestam D. Tereza como Rainha de Portugal, casada com um Conde da Borgonha, D. Henrique.
Uma rainha reina no seu reino. Não um Conde. O seu 'filho' primogénito varão sucede-lhe naturalmente como Rei.
Em 1179, o papa Alexandre III finalmente reconhece oficialmente El-Rei D. Afonso I de Portugal como rei e envia-lhe a bula Manifestis Probatum como confirmação em troca de vassalagem e ouro.
Na prática, o Reino de Portugal tinha sido sempre independente, apesar de muito diplomaticamente, se deixar "vassalar", sempre por conveniência e estratégia.
A independência foi-nos tirada em diversas ocasiões e sempre recuperada.

"... se longe no futuro, o Reyno sofrer a perda de soberania esperamos, nós os primeiros de Portugal, que a vontade ferrea de a manter, chegue intacta aos portuguezes de entaõ para prontamente a reaverem..."

Nos tempos de hoje, é urgente reavê-la!

domingo, 3 de outubro de 2010

Regra:cap.VII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Da demasia de estar em pé no Officio Divino

Capitulo VII

Porque temos sabido por noticia segura, que ouvis o Officio Divino com assistencia excessiva em pé; naõ só mandamos se prosiga tal cerimonia; antes a condemnamos, ordenando, que acabado o Psalmo Venite exultemos Domino, com o Invitatorio, e o Hymno, se sentem todos, assim os achacados, como os vigorosos por evitar escandalo.  Sentados pois todos até se acabar o Psalmo, ao rezar o Gloria Patri, se levantaraõ dos assentos, inclinando-se ao Altar, em honra da Santissima Trindade, que ali se nomea; e os enfermos façaõ alguma inclinaçaõ.  E tambem, que estejaes em pé ao lerse o Evangelho, e no Te Deum laudamus, e em todas as Laudes até dizer o Benedictus, e o mesmo nas Matinas do Officio de Nossa Senhora.

Regra:cap.VI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum dos Religiosos perpetuos offereça esta offerta.

Capitulo VI.

Determinamos, como dissemos acima, que nenhum dos Religiosos perpetuos pertenda fazer outras offertas, e esmolas, senaõ que em todo o tempo com puro coraçaõ, se conserve na sua vocaçaõ, para se fazer semelhante ao mais sabio dos profetas, que dizia: 'Bebereyo o Caliz da Salbaçaõ, e na minha morte imitarey a do Senhor. Porque assim como Christo Senhor Nosso deu a sua vida por mim; assim devo estar disposto a offerecella por meus Irmaõs'. E esta he a melhor offerta, e a victima mais agradavel a Deos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

S. Miguel da Barreira


Casas da Comenda

S. Miguel da Barreira foi uma das Comendas secretas da Ordem.
Após a conquista de Lisboa, em que participam os Templários Portugueses, D. Afonso I faz doação ao Mestre Gualdim Pais de um lugar perto de Sintra.

"... fazemos Carta de Doaçaõ, e firmeza a vós Mestre Gualdim das cazas, e herdades cultivadas, e por cultivar, as quaes estão junto de Cintra, pela boa vontade, que sempre nos mostrastes, e fiel serviço, que nos fizestes. As quaes cazas vos damos com suas herdades, para que as pessuais, e tinhais poder para vender, doar, e testar, e tambem em vossa vida a quem quizerdes, e melhor vos parecer. E se alguma pessoa de qualquer Ordem, e dignidade com temerario atrevimento presumir tirarvos as tais cazas com suas herdades..."

Pelo conteúdo deste fragmento da doação podemos perceber que os bens são atribuídos a Mestre Gualdim a título privado, podendo em sua vida (sendo ainda Mestre ou não) dispôr delas como entendesse.
Percebe-se também que o lugar é junto de Sintra e não em Sintra, sendo distinto dos bens que el-Rei doa igualmente à Ordem do Templo, estes em Sintra.

Os Templários em geral, e os Templários Portugueses em particular, procuraram sempre ocupar locais sagrados e com vestígios de antiguidade, onde construíam as suas fortalezas e Templos.
S. Miguel da Barreira é um claro exemplo disso.
No lugar, além de uma necrópole pré-histórica situada na colina vizinha, existem ainda hoje vestígios de ocupação romana visíveis nos restos de um pequeno templo e pavimento de mosaicos, vestígios de uma basílica visigótica com batistério e cemitério no seu interior, templo esse que foi recuperado e utilizado pelo Mestre Templário.
D. Gualdim aqui habitou por longos períodos e aqui enterrou alguns dos seus mais destacados Irmãos monges-cavaleiros da Ordem.

A necrópole megalítica

O templo romano

Cabeceira de sepultura de um Templário

O baptistério da basílica visigótica

São visíveis aqui as fundações do templo

Panorâmica da área ocupada pelo cemitério medieval dentro do templo

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Regra:cap.V

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem.

Quando morre algum dos Cavalleiros, que servem por tempo certo.

Capitulo V.

Ha Cavalleiros, que por tempo certo, e determinado vivem em uniaõ com nós outros na Casa de Deos, e Templo de Salomaõ. Pelo que com especial compaixaõ vos pedimos, rogamos, e finalmente com todo o encarecimento vos mandamos, que quando a temerosa Maõ de Deos tirar alguma desta vida, deis pela alma do defunto a hum pobre de comer por sete dias.

Regra:cap.IV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Aos Capellaens se dará sòmente de comer e de vestir.

Capitulo IV

As offertas, e todo o genero de esmolas, que se fizerem de qualquer sorte aos Capellaens, e aos demais, que por tempo certo assistem, com especial cuidado mandamos se dem à Communidade de todo o Capitulo. Aos Ministros pois, e criados da Igreja se lhes dê sómente o sustento, e vestido com a decencia conveniente; e naõ poderaõ elles pertender, que se lhes dê mais; senaõ quando os Mestres por sua graciosa vontade lhes quizerem dar alguma cousa demais.

Documento X

De huma grande mercê, que fes o Senhor Rey D. Affonso I. ao Mestre D. Pedro Arnal, e à Ordem do Templo.

Ego Alfonsus Portugalentium Rex una cum Uxore mea Regina Mafalda, & Filiis meis hanc K vobis Petro Arnaldo Militiae Templi in istis partibus Procuratori, & religioso Templo Salomonis propiis manibus roboramus, & hoc signum -|-|-|-| facimus.

Ego quoque Joannes Dei gratia Bracharensis Archiepiscopus una cum Canonicorum concesu hanc K semper stabilem illibatam, & inviolatam permanere concedo : quod qui in suo thenore, & suo robore servaverit beniditionibus repleatur, & benedicat eum, qui benedixit Abram, Izac, & Jacob, litet in coelis cum Sanctis Angelis, & electis; quod contra qui eam perturbare, inquietare, aut intrigere voluerit sit maledictus & anathemisatus, & cum Juda traditore, & gehenali pena cruciatus.

Ego Petrus Pelagij signifier Regis --------------- Conf.
Ego Petrus Portugalensis Episcopus ----------- Conf.
Ego Mendus Visensis Episcopus ----------------- Conf.
Ego Odorius ... Episcopus ------------------------- Conf.
Ego Gilbertus Lisbonensis Episcopus ---------- Conf.
Johanes ---------- test.        Petrus Fernandi ----- test.
Pelagius --------- test.         Rodiricus Munis ----- test.
Santus Monis --- test.        Valascus Sñcis ------- test.
Donus njiozus -- test.        Egas Faville --------- test.
Menendos Alfonsi - test.   Laurentinus Egee -- test.
Gunsalus de Sousa-test.   Pelagius Zapata ---- test.
Magister Albertus regalis Curiae Cancellarius novatit K, br.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Arcanjo Miguel


Comemoramos hoje o teu dia, Irmão Maior.

Quando o perigo passa ao lado sem razão aparente,
Quando o inimigo é poupado com misericórdia,
Quando a cura aparece contrariando o destino,
Quando a Luz surge no mais completo desespero,
Quando o mal parece triunfar mas acaba cerceado,

Sentimos que estás presente.
Sejas tu quem na realidade fores.

D. fr. Pedro Arnaldo

3º Mestre em Portugal
1156 - 1158


Ao Mestre D. Ugo Martonio ou Martins, sucedeu D. Pedro Arnaldo, eleito por reunião do Capítulo, terceiro Mestre da Ordem, com o título de Procurador do Templo.
Natural de Gondomar, filho de um dos grandes de Portugal, era muito ligado à rainha D. Teresa. Foi um dos nove cavaleiros fundadores da Ordem, em Jerusalém, usando o nome de Arnaldo da Rocha.
Homem de grande ciência e humanidade, foi adorado pelos Irmãos da Ordem como guerreiro valente. Companheiro de jornada, tanto em França como na Palestina, de Hugo de Payns, André de Montbard e Godofredo de St. Omer, foi como cavaleiro cruzado para a Terra Santa, onde ajudou a patrulhar os caminhos dos peregrinos para Jerusalém.
Em 1123 regressa a França na comitiva de Hugo de Payns e no ano seguinte chega a Portugal, integrando a pequena hoste da Milícia do Templo, comandada por D. fr. Guilherme Ricardo, devendo-se a ele, a causa principal desta vinda tão temperana.
Consta de uma doação ou previlégio que lhe deu o Senhor Rei D. Afonso I, em Abril de 1155. Nesta escritura podemos ler:

Ego Alfonsus Portugalentium Rex &c.
una cum uxore mea Regina Mafalda,
& Filiis meis hanc K. vobis Petro Arnaldo
Templi in istis partibus Procuratori,
& Fratribus vestris &c.

É ampla a doação que dela consta, confirmando não só o domínio da Ordem nas vilas, fortalezas, herdades, igrejas, rendas, etc., que à Ordem se tinham doado, não só pelo nosso Rei, mas também as que os seus vassalos livremente lhe quisessem fazer em qualquer altura. E não só as que os Templários tinhão adquirido com o consenso de El Rei e das quais eram próprios e legítimos senhores, mas do quanto eles pudessem adquirir, absolvendo juntamente a quantos servissem à Ordem do Templo, de todo o tributo, penas e gabelas.

" O Rei outorga a todos os lugares, igrejas, bens e a todos os súbditos que a Ordem possuir no Reino, ou vier a possuir, liberdade e imunidade."

" Ego Alfonsus, Petri vobis Fratribus Templi, ut me quasi Fratrem teneant sempre..."

Foi sem duvida D. Pedro Arnaldo o que desfrutou primeiro desta grande regalia, que no seu mestrado lhe concedeu D. Afonso I.
Outros documentos atestam o governo do Mestre, como o que diz uma escritura de um fidalgo, feita nas Kalendas de Abril de 1157:

"Placuit nobis &c. ut tibi Petro Arnaldo
P. do Templo &c. Facta Carta &c. K.
Aprilis. Era M.CXCIIIIJ."

(A data desta carta é a de César que corresponde à de 1157).

Após a conquista de Santarém, na qual toma parte activa, acompanhando o Rei desde Coimbra, é feito Comendador da cidade, pelo monarca. É ele que superintende na construção da igreja de Santa Maria da Alcáçova, terminada em 1154.
A Ordem compra a Egas Soares, por 23 maravedis de ouro, uma herdade na terra da Feira, em Agosto de 1155.
Em 1157, os Templários portugueses, sob a chefia do Mestre, ajudam na primeira conquista de Santiago do Cacém
Consta dos registos antigos, que o Mestre concluiu o seu governo da Ordem ainda com vida, vindo a morrer em combate contra os muçulmanos, a 24 de Junho de 1158, na primeira tentativa da conquista de Alcacer do Sal, fortíssima praça de guerra na altura, durante a escalada das muralhas.
É sepultado na igreja de Santa Maria da Alcáçova, em Santarém.
O Mestre D. Gualdim Pais, seu sucessor, para recordar o seu mestrado e o de D. fr. Hugo Martónio, fez inscrever numa lápide colocada sobre a porta desta igreja, os seguintes dizeres:

ANNO AB INCARNATINE M.C.L.IV. AB URBE ISTA CAPTA VII.
REGNANTE D. ALFONSO REGE COMITIS HENRICI FILIO, ET
UXORE EJUS REGINA MAHALDA : HAEC ECCLESIA FUNDATA EST
IN HONOREM S. MARIAE VIRGINIS, MATRIS CHRISTI, A MILITIBUS
TEMPLI HIEROSOLOMITANI, JUSSU MAGISTRI UGONIS :
PETRO ARNALDO AEDIFICII CURAM GERENTE.
ANIME EORUM REQUIESCANT IN PACE. AMEN.

("No ano do Senhor de 1154, e havendo sete anos que esta cidade se ganhara, reinando el-rei Dom Afonso, filho do Conde D. Henrique, e sua mulher a rainha D. Mafalda, foi fundada esta igreja em honra de Santa Maria Virgem Mãe de Cristo, pelos cavaleiros do Templo de Jerusalém, mandando o Mestre Hugo, e tendo dirigido a construção Pedro Arnaldo. Suas almas descansem em paz. Amen.")