segunda-feira, 31 de maio de 2010

Documento V

Concordata entre o Bispo de Lisboa D. Gilberto, e a Ordem do Templo sendo esta do Ecclesiastico de Santarem, e o Bispo dando a Igreja de Santiago da mesma, e Ceras, e territorio de Thomar, e seu termo.

Em nome da Sancta Trindade individua Padre, Filho, e Espirito S. Amen. Eu Gilberto Bispo de Lisboa juntamente com consentimento de todos meos Conegos faso esta carta de firmeza a Deos, e aos Cavalleiros de Christo daquella Igreja de S. Tiago de Santarem que está em o arrabalde de Senerigo com toda a sua Parrochia, livre de toda a divida Episcopal, e Eu e meos successores naõ tenhamos poder algum de perturbar ou em alguma cousa diminuir a tal Igreja. Mas somente paguem a esta Igreja o debito Episcopal quando, e para aquellas couzas para que pellos dictos Cavalleiros formos convidados; e este dom, que fizemos da Igreja de Santiago de Santarem seja firme, e perpetuamente valedouro sem lhe ser posta daqui por deante nenhuma contradiçaõ. Acrescento mais, e com pacto indissoluvel firmo, e roboro por escrito de todas aquellas Igrejas que edificarem, desde o porto de Thomar que he a estrada de Coimbra, e dahi pelo porto de Ourem, e dahi a altura de Beselga, e dahi pelo lombo de contra Santarem, e como verte a agoa a Beselga, e como delle a Thomar, e dahi como torna a vir a estrada de Coimbra pello porto de Thomar que vay da Frixianda para que elles as hajaõ por direito perpetuo. E eu Gilberto Bispo de Lisboa juntamente com meos Conegos havendoo assim por bem o Illustrissimo Rey e Senhor dos Portuguezes D. Afonso dou e concedo todas aquellas Igrejas sobreditas aos Freires do Templo de Jeruzalem livres perpetuamente de todo o direito Episcopal; e isto faso por aquellas Igrejas de Santarem que lhes dera o Rey, e lhas concedera, e agora mas deixaraõ tirando a Igreja de Santiago que assima nomeamos, e os sobreditos Cavalleiros paguem a mim, e aos meos successores cada hum anno sinco soldos na Igreja de Santa Maria de Santarem e de cada huma Igreja, que edificarem, e forem dentro nas terras assima nomeadas. E isto em tal maneira, e com tal condiçaõ se as Igrejas, que houverem de fazer nos ditos termos de Ceras se achar, pertencem a meu direito. E Eu por juizo Ecclesiastico os possa vencer contra quem sobre ellas me mover demanda, porque em outra maneira estes Cavalleiros naõ saõ obrigados a pagar os sinco soldos nas Igrejas edificadas nos termos de Ceras. Feita a Carta de firmeza em o mes de Fevereiro de mil cento noventa e sete annos. Eu Gilberto Bispo de Lisboa, que esta Carta com meos Conegos de consentimento del Rey D. Affonso mandei fazer, a roboro com minha propria maõ, e faso este signal.

Eu Roberto Deaõ da mesma Igreja ........... Conf.
Eu Bartholomeu Arcediago ....................... Conf.
Eu Harberto Conego ................................. Conf.
Eu Gualtero Frandence ............................ Conf.
Eu Pelagio Conego ................................... Conf.
Eu Gualberto Hastigience ........................ Conf.
Eu Mestre Pedro ...................................... Conf.
Eu Mestre Arnulfo ................................... Conf.
Eu Reginaldo ............................................ Conf.
Eu Nicoláo ............................................... Conf.
Eu Jacobo ................................................ Conf.
Eu Bento Mestre Escola .......................... Conf.
Eu Menelao Tesour ................................. Conf.
Eu Gonsalo Gonsalves ........................... Conf.
Eu Pedro Gonsalves .............................. Conf.
Eu Arias Dias ......................................... Conf.
Eu Diogo Monis ..................................... Conf.
Eu Martinho Felix ................................. Conf.
Eu Domingos Faviel .............................. Conf.
Eu Mfredo Laranton .............................. Conf.
Eu Hu de Selecia .................................... Conf.
Eu Jucelmo de Bayo ............................... Conf.

Pedro da Sylva Notario.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Falcão do Templo

 
Nas escaldantes areias do deserto,
no vislumbre antecipado da batalha,
... fui os teus olhos, Cavaleiro.

Nas longas e solitárias noites,
velando o teu parco descanso,
... fui os teus ouvidos.

No plano eficaz da victória
portando o teu Sigillum Militum
... fui a tua voz.

No fervor da batalha,
unindo-me à tua espada,
… fui a tua garra.

Na hora do teu supremo sacrifício,
no momento calmo do doce abandono,
... transportei a tua alma.

Nas velas em que naveguei,
rumo às ilhas esquecidas,
… gravei o teu sinal sagrado.

Nas longas noites de nostalgia,
contemplando as estrelas,
… senti a tua presença constante.

De volta à saudosa Casa,
cavalgando as ondas do mar bravio,
...trouxe-te na lembrança.

No porto d’El Rey, meu senhor,
num ritual sagrado de fogo,
… purifiquei o teu espírito.

Agora nas águas em que repouso,
portador da tua Relíquia Sagrada,
aguardo por ti, Cavaleiro...


(O Falcão do Templo)