quarta-feira, 27 de outubro de 2010

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Existem dois tipos de investigadores que costumam abordar a temática Templária:

O tipo supérfluo, que procura criar à sua volta uma aura de sensacionalismo mítico e bacoco, com o intuito mais ou menos velado de se juntar aos famosos,  inflados do mais completo vazio, mestres da futilidade.
Não passam de mais do mesmo; ou seja, coloridos papagaios que repetem até à exaustão as milhentas asneiras literárias daqueles que, na sua douta posição de donos da História, as vêm impingindo do alto do seu pedestal e da sua incontestável autoridade.
Arautos das verdades absolutas, que de absoluto só têm a sua imensa ambiguidade.
Gente que baseia as suas teorias em esoterismos esquizofrénicos e em documentos históricos de autenticidade duvidosa.
Gente que manipula pretensas provas irrefutáveis ao sabor das suas conveniências pessoais ou, são eles mesmos, manipulados por forças obscuras com interesses inconfessáveis.
Gente que se deleita em trazer na sua esteira de enganos, todo um exército de templários de fim-de-semana, que vêem em cada pedra um mistério, em cada buraco o ouro Templário.

O tesouro do Templo era o seu conhecimento, a sua disciplina, a sua dedicação ao empreendadorismo  e ao criterioso aproveitamento dos recursos da terra.
Esse era o seu verdadeiro Tesouro.

O outro tipo de investigador, caracteriza-se pelo cuidado na abordagem histórica, procurando as fontes não só na História oficial (que filtra criteriosamente) mas também através de um dedicado trabalho de campo.
Executa uma minuciosa pesquisa local e procura as indeléveis pistas que o conduzem aos vestígios sobreviventes.
Procura na tradição popular que tantas vezes encerra a 'chave' para o sucesso da investigação.
E é nessa busca dedicada e incansável que, de vez em quando, tropeça em tesouros guardados durante séculos por gerações de gentes que, perante a total indiferença dos outros, se vêem por vezes, num verdadeiro beco sem saída por não acharem a quem os transmitir.
Espólios que de outra forma se perderiam para sempre, são assim resgatados, fruto de autênticas demandas pessoais.
Daí acontecer, como que por milagre, o surgimento de notícias preciosas sobre os pertences de determinado cavaleiro Templário, sepultado há séculos em propriedade de família rústica, que se dispõe a doá-los a determinada Ordem discreta, ou de colecções de pergaminhos importantes, há muito esquecidos, que preeenchem muitas das lacunas históricas, revelando segredos e memórias desconhecidas de Comendas Templárias.
Quer o destino que, merecedora dessas doações, a Ordem se constitua fiel depositária desses espólios.

Que continuem sob sua protecção.
Até ao momento da sua transmissão.
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Eterna gratidão aos nossos amigos da Açafa.
Fiéis guardiões da memória material e espiritual dos irmãos Templários.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vaga branca


A Milicia do Templo era dotada de uma disciplina férrea e de uma coragem guerreira inigualável.

"Os Cavalleiros de Salomão, munidos das suas longas lanças, formavam no mais completo silêncio.
Encommendavam aos ceos as suas almas, e tambem as dos seus adversários, e aguardavam o toque de assalto à frente de batalha.
Investiam como uma enorme e demolidora vaga branca, no molhe inimigo.
Era destroçá-lo, ou morrer nelle."

Esta é a nossa herança.
Coragem, disciplina e determinação.

Regra:cap.XIV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que dem graças depois de comer.

Capitulo XIV

Mandamos, que sem exceiçaõ de pessoa alguma, dem todos depois de jantar, e cear ao nosso Summo Procurador Jesu Christo, ou na Igreja se estiver junto, ou no mesmo logar da mesa.  Guarde-se o paõ, que ficar inteiro, e dos pedaços, que sobejarem se dem aos pobres, e criados.

Regra:cap.XIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

O que se ha de guardar na comida de sesta feira.

Capitulo XIII

Nas sestas feiras, desde a Festa de todos os Santos, até a da Resurreiçaõ, naõ sendo dia de Natal, Festas de Nossa Senhora, ou de Apostolos, temos por muy louvavel, comam todos na fórma, que na Quaresma, huma vez ao dia, em reverencia da Paixaõ do Senhor, excepto os enfermos, e achacados.  No outro tempo, naõ havendo jejum universal, comaõ duas vezes ao dia.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

13 de Outubro de 1307

Foi há 703 anos a madrugada da ignomínia.

A ganância de um rei.
A cobardia de um papa.
A lâmina fria da traição.

Regra:cap.XII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nos mais dias lhes bastem dous, ou tres pratos de legumes.

Capitulo XII

Nos mais dias, que saõ segunda, e quarta, e sabbado, parecenos, que basta darselhes dous, ou tres pratos de legumes, ou semelhantes guizados.  E mandamos, que se observe assim, porque se algum delles naõ comer de hum, coma do outro.

Regra:cap.XI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

O que haõ de observar os Religiosos no comer.

Capitulo XI

Convem, que comaõ geralmente todos de dous em dous, para que hum cuide com attençaõ do outro, e se naõ introduza no comer asperezas de vida em abstinencias dissimuladas.  Julgamos, que a cada hum dos Soldados, ou Religiosos se lhes dê com igualdade, e pela mesma medida a reçaõ do vinho.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Amuleto-Chave

Os Templários prestavam um serviço aos peregrinos que se deslocavam aos lugares santos e que receavam transportar consigo os seus valores, necessários para custear a viagem e a estadia nesses lugares.
Os Cavaleiros do Templo guardavam esses valores no local de partida e, mediante um comprovativo, restituiam-nos no destino ao seu legítimo dono, cobrando uma pequena quantia pelo serviço prestado.
Os interessados podiam assim viajar sem o receio de se verem despojados dos seus valores e até mesmo das suas vidas, pois não havia nada para roubar durante a viagem. Os assaltos eram minimizados devido à protecção fornecida também pelos Templários.
Para além disso, os assaltantes tinham em conta que um documento codificado não lhes servia para nada e que um amuleto era algo que protegia apenas o seu dono. Por isso, mesmo que o assalto se concretizasse, geralmente não lhe tocavam pois era comum na época acreditar que isso lhes trazia azar.
O comprovativo dos valores depositados nos cofres do Templo, era lavrado num documento cifrado em código e acompanhado por uma "chave" para a sua descodificação. Ambos ficavam na posse do peregrino que os transportava sempre consigo até ao destino.
A chave era chamada de "Amuleto" e era gravada numa pequena medalha de pedra, colocada num fio e transportada geralmente ao pescoço.
Este "Amuleto" continha símbolos identificativos e letras que eram a "Chave" para a descodificação do documento.
A esta chave davam também o nome de "Rosa de Luz".
 

Regra:cap.X

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Do comer carne

Capitulo X

Naõ se coma mais que tres vezes carne na semana, excepto nas Festas do Nascimento, da Virgem Maria Nossa Senhora, e de Todos os Santos; porque o comer ordinariamente carne he hum estrago dissimulado do corpo.  Porém se na terça feira cahir algum jejum da Igreja, em que se prohibe comer carne, no dia seguinte se dê com mais abundancia a todos.  Nos Domingos aos Religiosos perpetuos, e Capellaens, se lhes dem dous pratos em honra da Sagrada Resurreiçaõ de Nosso Senhor Jesu Christo.  Os demais, como saõ os escudeiros, e creados contentem-se com hum, e o recebaõ com acçaõ de graças.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

sigillum militum xpisti



O famoso e de certa forma polémico selo Templário do Mestre Geral da Ordem, Pierre de Montaigu, tradicionalmente representado por dois cavaleiros numa só montada, não passa de uma deformação histórica que chegou até aos nossos dias.
Em 2006, numa das nossas visitas à zona da Flandres, pudémos observar na catedral de Ipres, (na exposição que comemorava a fundação da abadia beneditina), um livro do século XIII cuja iluminura mostrava o selo do Mestre Geral, constando de um cavaleiro em primeiro plano com outro ao seu lado, mas não no mesmo cavalo.
O selo, representado no fim da página (que por muita pena nossa, o guia que nos acompanhava não permitiu fotografar), é em tudo semelhante ao reproduzido em cima.

Catedral de Ipres

Regra:cap.IX

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Da Leitura.

Capitulo IX

Ao jantar, e cea se lea sempre algum livro sagrado.  E se amamos ao Senhor, com muita attençaõ devemos escutar os seus saudaveis conselhos, e preceitos : e o que ler faça sinal, para que todos se calem.

Regra:cap.VIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Da refeiçaõ commua.

Capitulo VIII

Entendemos, que todos comeis em Comunidade em huma casa, ou Refeitorio; aonde se faltar alguma cousa [ignorando o sinal com que se ha de pedir] se pedirá particularmente, e sem fazer ruido, porque sempre, ainda as cousas, que saõ precisas, haveis de buscar com humildade, e sugeiçaõ, e mais particularmente na mesa, pois diz o Apostolo: "Come o teu paõ com silencio"; e vos deve animar o Psalmista, quando dizia: "Puz guardas à minha boca"; isto he, determiney naõ offender a Deos; e vem a ser, com a lingoa; ou, terey muito cuidado de naõ fallar mal.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

5 de Outubro de 1143

El-Rey Dom Afonso I de Portugal

5 de Outubro de 1143

Comemora-se hoje, dia 5 de Outubro, 867 anos sobre o reconhecimento de El-Rei D. Afonso I como soberano do reino de Portugal por parte de seu 'primo', o Imperador da Hispânia, El-Rei D. Afonso VII de Leão e Castela.
O encontro deu-se em Zamora, na presença do cardeal Guido de Vico, nos dias 4 e 5 de Outubro de 1143, patrocinado pelo arcebispo de Braga D. João Peculiar.
Dele resultou a assinatura do documento que ficou para a História como o Tratado de Zamora e que podemos considerar como o Dia da nossa Independência.
Portugal já existia como Reino apesar de referido muitas vezes como Condado. As crónicas da época atestam D. Tereza como Rainha de Portugal, casada com um Conde da Borgonha, D. Henrique.
Uma rainha reina no seu reino. Não um Conde. O seu 'filho' primogénito varão sucede-lhe naturalmente como Rei.
Em 1179, o papa Alexandre III finalmente reconhece oficialmente El-Rei D. Afonso I de Portugal como rei e envia-lhe a bula Manifestis Probatum como confirmação em troca de vassalagem e ouro.
Na prática, o Reino de Portugal tinha sido sempre independente, apesar de muito diplomaticamente, se deixar "vassalar", sempre por conveniência e estratégia.
A independência foi-nos tirada em diversas ocasiões e sempre recuperada.

"... se longe no futuro, o Reyno sofrer a perda de soberania esperamos, nós os primeiros de Portugal, que a vontade ferrea de a manter, chegue intacta aos portuguezes de entaõ para prontamente a reaverem..."

Nos tempos de hoje, é urgente reavê-la!

domingo, 3 de outubro de 2010

Regra:cap.VII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Da demasia de estar em pé no Officio Divino

Capitulo VII

Porque temos sabido por noticia segura, que ouvis o Officio Divino com assistencia excessiva em pé; naõ só mandamos se prosiga tal cerimonia; antes a condemnamos, ordenando, que acabado o Psalmo Venite exultemos Domino, com o Invitatorio, e o Hymno, se sentem todos, assim os achacados, como os vigorosos por evitar escandalo.  Sentados pois todos até se acabar o Psalmo, ao rezar o Gloria Patri, se levantaraõ dos assentos, inclinando-se ao Altar, em honra da Santissima Trindade, que ali se nomea; e os enfermos façaõ alguma inclinaçaõ.  E tambem, que estejaes em pé ao lerse o Evangelho, e no Te Deum laudamus, e em todas as Laudes até dizer o Benedictus, e o mesmo nas Matinas do Officio de Nossa Senhora.

Regra:cap.VI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum dos Religiosos perpetuos offereça esta offerta.

Capitulo VI.

Determinamos, como dissemos acima, que nenhum dos Religiosos perpetuos pertenda fazer outras offertas, e esmolas, senaõ que em todo o tempo com puro coraçaõ, se conserve na sua vocaçaõ, para se fazer semelhante ao mais sabio dos profetas, que dizia: 'Bebereyo o Caliz da Salbaçaõ, e na minha morte imitarey a do Senhor. Porque assim como Christo Senhor Nosso deu a sua vida por mim; assim devo estar disposto a offerecella por meus Irmaõs'. E esta he a melhor offerta, e a victima mais agradavel a Deos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

S. Miguel da Barreira


Casas da Comenda

S. Miguel da Barreira foi uma das Comendas secretas da Ordem.
Após a conquista de Lisboa, em que participam os Templários Portugueses, D. Afonso I faz doação ao Mestre Gualdim Pais de um lugar perto de Sintra.

"... fazemos Carta de Doaçaõ, e firmeza a vós Mestre Gualdim das cazas, e herdades cultivadas, e por cultivar, as quaes estão junto de Cintra, pela boa vontade, que sempre nos mostrastes, e fiel serviço, que nos fizestes. As quaes cazas vos damos com suas herdades, para que as pessuais, e tinhais poder para vender, doar, e testar, e tambem em vossa vida a quem quizerdes, e melhor vos parecer. E se alguma pessoa de qualquer Ordem, e dignidade com temerario atrevimento presumir tirarvos as tais cazas com suas herdades..."

Pelo conteúdo deste fragmento da doação podemos perceber que os bens são atribuídos a Mestre Gualdim a título privado, podendo em sua vida (sendo ainda Mestre ou não) dispôr delas como entendesse.
Percebe-se também que o lugar é junto de Sintra e não em Sintra, sendo distinto dos bens que el-Rei doa igualmente à Ordem do Templo, estes em Sintra.

Os Templários em geral, e os Templários Portugueses em particular, procuraram sempre ocupar locais sagrados e com vestígios de antiguidade, onde construíam as suas fortalezas e Templos.
S. Miguel da Barreira é um claro exemplo disso.
No lugar, além de uma necrópole pré-histórica situada na colina vizinha, existem ainda hoje vestígios de ocupação romana visíveis nos restos de um pequeno templo e pavimento de mosaicos, vestígios de uma basílica visigótica com batistério e cemitério no seu interior, templo esse que foi recuperado e utilizado pelo Mestre Templário.
D. Gualdim aqui habitou por longos períodos e aqui enterrou alguns dos seus mais destacados Irmãos monges-cavaleiros da Ordem.

A necrópole megalítica

O templo romano

Cabeceira de sepultura de um Templário

O baptistério da basílica visigótica

São visíveis aqui as fundações do templo

Panorâmica da área ocupada pelo cemitério medieval dentro do templo