sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Caçadores de ilusões



  A propósito da descoberta recente de grandes quantidades de documentos Templários dos séculos XII e XIII, veio-me à memória um episódio recambolesco acontecido há cerca de cinco anos durante um "inocente" almoço de cortesia.

  Na altura, andavam uns 'doutores' interessados num pergaminho árabe coevo da conquista de Santarém, que tinhamos emprestado a um amigo de confiança para ser exibido numa mini exposição sobre os Templários italianos.
Esse pergaminho árabe continha, em verso, a indicação para o local onde tinha ficado 'perdida' uma pequena parte do espólio Templário da fortaleza de Soure que as tropas muçulmanas haviam recolhido, após nos terem vencido, e transportavam de volta à praça de guerra de Santarém.
Acoçados pelos nossos saídos de Coimbra, os árabes empreendem o regresso apressado e durante uma alucinante fuga noturna, por entre enorme borrasca, o condutor de um dos grupos de mulas que transportavam o dito espólio de guerra, apercebeu-se horrorizado, que o último animal da fila havia desaparecido como que por encanto.
Tinha caído num poço de mina.
Perto, uma ermida moçárabe com um tanque do lado esquerdo da porta escavado na rocha.
Não teve outro remédio senão prosseguir, não sem primeiro memorizar num relance o local para, se possível, voltar e resgatar os seus pertences e os valores contidos nas duas caixas que o infeliz animal transportava.
E fê-lo, escondendo por entre os versos que escreveu, as características do local, que o reconduziriam mais tarde ao seu pequeno tesouro.
Não voltou. Morreu, pelejando no primeiro recontro com os nossos, nas muralhas de Santarém.

Esta era a história que acompanhava o pergaminho árabe e que contámos aos nossos 'doutores' durante o dito almoço.
Enquanto um manuseava o documento, o outro disfarçadamente fotografou-o fingindo estar a atender uma chamada de telemóvel, deixando depois o aparelho ligado em modo de gravador de voz para registar toda a conversa. E convenceram-se que não tínhamos dado por nada. O que nos divertiu imenso.

Dois anos. Foi o tempo que os referidos 'senhores' levaram a descobrir o que restava do tesouro perdido.
Chegaram mesmo a comprar o terreno onde se encontravam ainda as fundações da ermida e o respectivo tanque escavado na rocha. Depois foi a desesperada busca pelo poço de mina abandonado.
Encontraram-no.

Numa conversa mais recente, um deles confidenciou-me que tinha no seu museu particular uns artefactos árabes que lá tinha achado. Mas nada mais.
Não sei se chegou a perceber o sorriso dissimulado que fiz quando me veio à memória a imagem das duas caixas carregadas com os nossos pertences.
Já as havíamos resgatado há séculos...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Documento XVI

A Doaçaõ de Ceras, e seu territorio com os seus termos, a qual fez á Ordem do Templo o Senhor Rey D. Affonso I.

Em nome da sancta, e individua Trindade Padre, Filho, e Spirito Sancto, Amen.  Esta he a paz, e concordia, que Eu Affonso Rey dos Portuguezes por grasa de Deos, filho do Conde D. Enrique, e da Rainha D. Tereza, e Neto do Grande Rey D. Affonso, e juntamente com meus filhos faso entre o Bispo de Lizboa, e os Freires do Templo de Jerusalem por amor de Deos, e remissaõ de meus peccados, e de meu Pay, e May.  Dou, e concedo a Deos, e aos Cavalleiros do Templo, aquelle Castello que se chama Ceras, por aquellas Igrejas de Santarem, que eu primeiro lhes tinha dado, exceptuando a Igreja de Santiago.  Dou, e concedo-lhe aquelle Castello como parte pelo Rio Zezere, aonde se chama Porto de Carias, e dahi por meyo da estrada até o Mosteiro da Marta, dahi pela Agoa de Murta como desce a Freixianda, dahi vem ao Porto de Thomar, que he a estrada de Coimbra, que vay para Santarem; e dahi pelo meyo da estrada pelo Porto de Ourem, e dahi pelo meyo da estrada como vay pela altura de Bezelga, e dahi pelo lombo de contra Santarem como verte agoa a Bezelga, e como desce a Thomar, e dahi desce ao Zezere, e dahi ao Porto de Carias.  Dou-lhes aquelle Castello, porque o tenhaõ de direito hereditario para o povoarem, mas de tal maneira, que os homens dálem do Rio Mondego até ao Tejo, que em minhas povoacçoes morarem sem minha vontade naõ sejaõ recebidos para ahi habitarem; e se algum homem destes defezos, que ahi naõ morem se ahi viver sem o saberem os Freires, naõ lhes seja imputada a culpa alguma, mas logo tanto que o souberem seja constrangido a sahir fóra dos ditos limites, e os moradores deste Castello uzem o direito, e costumes de Santarem.  Eu Affonso Rey assima nomeado juntamente com meus Filhos, faso Carta de firmeza aos sobreditos Cavalleiros de Christo daquelle Castello, que se diz Cera com os termos assima ditos, e nomeados com todo o nosso direito para que o hajaõ elles; e todos seus successores por direito perpetuo; E a nenhum seja licito quebrantar este meu feito, e concessaõ.  Foi feita a Carta no mes de Fevereiro de mil cento cincoenta e nove.  Eu Affonso sobredito Rey juntamente com meus Filhos, que mandei fazer esta Carta de firmeza com nossas proprias maõns a corroboramos de nossa gratuita vontade deante de testemunhas edoneas, e fizemos este signal -I-I-I-I-
Eu Gonsalo Trinchante do Passo......................conf.
Eu Pedro Pais Alfers mór.................................conf.
Eu Joaõ Arcebispo de Braga............................conf.
Eu o Bispo do Porto.........................................conf.
Eu Mendo Bispo de Lamego............................conf.
Eu Gilberto Bispo de Lisboa...........................conf.
Eu Odorio Bispo de Viseu................................conf.
Eu Fernando Affonso......................................conf.
Dom Valasco Sanches.....................................conf.
Lourenço Viegas.............................................conf.
Pedro Peres..............................................testem.
Rodrigo Monis...............................................test.
Vasco Fernandes..........................................test.
Rodrigo Viegas.............................................test.
O Conde Rodrigo.........................................test.
Martim Anaya.............................................test.
Martim Gonsalves......................................test.
Martim Joaõ..............................................test.
Pedro Gaudins..........................................test.
Martim Monis............................................test.
Principe de Coimbra.................................test.
Pedro Monis.............................................test.
Pedro Randufe.........................................test.
Pedro Pais..............................................test.
O Mestre Alberto Cancelario da Curia Real a notou.
O Mestre do Templo Gualdim em Portugal recebeo a Carta em Coimbra.

Regra:cap.XXVII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que na distribuiçaõ dos vestidos se guarde igualdade.

Capítulo XXVII

O Procurador no largo dos vestidos, como se disse acima, observe com amor fraternal ajustar a medida, para que os olhos dos murmuradores, que tudo censuraõ, naõ tenhaõ que notar. E em tudo considere a justiça, e igualdade de Deos.

Regra:cap.XXVI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nos vestidos se observe a quantidade, e qualidade.

Capítulo XXVI

Convem, que o distribuidor dos vestidos procure dallos ajustados à estatura de cada hum, que naõ seja mais largo, ou curto; e nisto seja curioso.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

D. Sebastião, o Enganado



Comemoramos hoje, Senhor, a data do vosso nascimento.
A da vossa morte nunca a comemoraremos pois continuais vivo no nosso coração.
Nas nossas almas.

Quisésteis ressuscitar a velha Ordem e isso custou-vos a vida e o amor-próprio.
Apelidam-vos de ingénuo e aventureiro inconsciente, mas nós sabemos que não é assim.
Sabemos quem vos abandonou. Quem vos enganou. Quem ajudou a destruir a flor do vosso exército.

Só vós não vos apercebestes que junto com o exército marchava a besta que vos iria trair.

Um dia a verdade será reposta.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Abadia Velha de Salceda


Mosteiro de Salzedas

O mosteiro de Santa Maria de Salzedas foi o segundo de dois mosteiros mandados edificar na primeira metade do século XII por Dona Teresa Afonso, mulher de Dom Egas Moniz, aio do primeiro Rei de Portugal.
Duas vezes ampliado através dos tempos, ainda hoje se notam os vestígios de cada uma dessas ampliações. Da primitiva fundação resta um absidíolo encostado à parede do transcepto da igreja, do lado exterior, e da ampliação ordenada ainda pela fundadora, a parte da parede do lado norte.

Salzeda era um lugar onde é hoje a Abadia Velha, distante de Salzedas cerca de 1.500 metros, na confluência dos rios Varosa e Torno, em cuja encosta havia um eremitério do século IX.
Neste local foi fundado "...per ordem de donna Tereia Affonso de Asturias, molher de Dom Egas Monis e ama del Rey Dom Affonso Enriques e de seus filhos,...os quaes mosteiros hum delles, que foi o primeiro, mandou fundar abaixo da villa da Cucanha, junto do rio Barosa, na comarca da cidade Lamego, duas legoas della, ao qual intitulou o Mosteiro de Santa Maria da Salzeda (e por memoria delle se chama agora onde esteve este Mosteiro edificado Nossa Senhora da Abadia Velha, que o tempo consumio); e o segundo, que oije permanece, mandou fundar junto do rio Torno, hum quarto de legoa distante do primeiro."

Ruinas do 1º Mosteiro na Abadia Velha

De pequeninos, entregues aos cuidados das amas e à supervisão do abade Cirrita, por aqui brincaram, companheiros inseparáveis, ..."Affonso Enriques filho do conde Dom Enrique e Donna Tereja que nasceo tolhido dos membros e Pero Affonso filho de Dom Egas Monis e Donna Tereja Affonso. Irmaons collaços, os dois Affonsos  aqui viveram os primeiros tempos de suas vidas sempre muito juntos, brincando de sua preferencia na velha fonte sobranceira ao rio onde se entreteniam a ver a alegre dança das areias da nascente. Mas enquanto um crescia e se tornava rapaz forte o outro por infelicidade definhava e se tornava mais fragil de saude. O que o ceo parecia ajuntar em amizade perpetua a morte decidio apartar ao fim de cinco annos que foi quanto resistio a enferma do filho do Conde."

A fonte de Sarzeda (a que se referem documentos do séc. XII)

Ainda há pouco tempo, diziam os garotos da terra que iam brincar para a fonte, que costumavam encontrar um rapazinho estranho que, meio escondido por entre as flores e a folhagem, lhes sorria enquanto os observava de cima da grande lage da nascente...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Início de um novo ciclo


Pax tecum
Asalam aleikum
A paz esteja convosco

Que o nascer do novo ano vos traga saúde conhecimento e alegria, para poderdes dar ao mundo o que ele mais precisa: Amor.