segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Até sempre irmão



36

O número sagrado
foi hoje perturbado
pela rainha da noite

Vai, velho Guardião,
saborear o merecido repouso
no seio dos nossos idos.

Voa irmão, nas asas de Akim
de volta à glória do Templo

...enquanto nós, os 35,
depositamos estas rosas negras
sobre o teu manto branco.


Templum in Aeternum

Fr. José "Salomão"
Medelim, Idanha-a-Nova
10/04/1929 - 14/02/2011

Bom regresso a Casa
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26 dias nos recolheremos em tua memória, conforme os nossos costumes.
26 dias após, na Sala dos Cavaleiros, o círculo será completado com o Noval Fratrer.
26 dias, será o período de sílêncio deste espaço.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

As sandálias do Mestre



Muitos querem calçar as sandálias do Mestre.
Todos são livres de usar sandálias.
As do Mestre só ele as calça.
O caminho por ele percorrido é pessoal, único.

Se queres seguir o Mestre, calça as tuas próprias sandálias.
Sincroniza os teus passos com os dele.
Mas nunca, nunca pises as suas marcas.
Aprende a sentir o chão virgem sob os teus pés.

Imprime as tuas próprias pegadas.
Um dia, outros segui-las-ão.

(iniciação)

Documento XVII



Huma pedra, que está embebida em huma parede no ultimo lanço da Escada da Igreja do Convento de Thomar.  Em ella se lê o anno, e dia, que se reedificou o Castello, e Igreja, e a acçaõ com o Mouro &c.
Diz assim:

Na Era de mil cento noventa* e outo, reinando o Illustrissimo Affonso Rey de Portugal o Mestre D. Gualdim com os seus Freires Portuguezes do Templo principiou a edificar este Castello, que se chama Thomar no primeiro dia de Março, o qual Castello offreceo a Deos, e aos Soldados do Templo o sobredito Rey.
Na Era de mil duzentos vinte outo**, aos tres de Julho veio o Rey de Marrocos trazendo quatro-centos mil de cavallo, e quinhentos mil de pé,*** e poz cerco a este Castello por seis dias, e destruio quanto achou fóra do muro do Castello; e ao sobredito Mestre com seus Freires livrou Deos das suas maons, e o mesmo Rey voltou para a sua patria com hum innumeravel detrimento de homens, e de cavallos.
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* De notar que X aspado tem o valor de 40.
** O mestre canteiro esqueceu de gravar o simbolo V antes do III.
*** O número de adversários foi nitidamente inflacionado nesta inscripção.
Na verdade, segundo os registos do Bezerro Primeiro (do tombo de Santa Maria do Selho) eram 900 de cavalo e 4.000 de pé.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Thomar, centro espiritual dos Templários

     
Têm-nos pedido com insistência para falarmos aqui sobre Tomar.

Não queríamos fazê-lo por agora, mas insistiram.
Em alguns dos pedidos, pareceu-nos ver uma ponta de ironia  e provocação.
Criaremos, a seu tempo, uma etiqueta-tópico sobre Thomar.

Actualmente, Tomar é, para muitos, puro folclore esotérico. Entretenimento de fim-de-semana. Miragem de tesouros escondidos em passagens secretas. Vã ilusão.

Para outros, é forte sentimento nostálgico. Local de profunda reflexão e sentido respeito pela memória dos Templários.
Recordação dilacerante de uma época dourada.
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Thomar...
Para nós, Templários Portugueses, Thomar é:  (parafraseando Salahadin quando, após a tomada de Jerusalém, lhe perguntaram o que a cidade significava para ele)  "Nada... e tudo!"

É o velho castelo e a 'charola', reconstruídos pelos Templários; com as suas reminiscências  das épocas romana e godo-árabe. É a igreja de Santa Maria do castelo. É a fonte das bétulas, prenhes de sâmaras, junto da vetusta calçada árabe. É a veneranda Santa Maria do Olival  ...É tudo!

É o novo convento henriquino, manuelino, joanino, tristemente antonino. São as demolições, os entulhamentos, as deformações, a destruição. São os embelezamentos de um falso esotérico que substituíu o genuíno simbolismo Templário. ...É nada!

É Thomar, dos nossos irmãos monges-guerreiros que veneraram Santa Maria. É o Thomar do saudoso mestre Gualdim e da sagrada milícia do Templo. É o Thomar do conhecimento, do centro espiritual da Ordem. ...É tudo!

É a Tomar moderna, incaracterística, ignorada. A Tomar do mármore, do inox, do betão, do plástico. É a Tomar dos falsos zeladores de património, dos pseudo-guardiões, dos neo-templários de fim-de-semana que trazem a cruz do Templo à mistura com esquadros e compassos, numa relação desconexa, historicamente fraudulenta. ...É nada!

Thomar é, para o Templário Português, a relação amor-ódio, proximidade-distância, atracção-repulsa, saudade-abandono.

O profano e o Sagrado.

É nada ...e é tudo!

Regra:cap.XXIX

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Das tranças, e copetes.

Capítulo XXIX

Naõ ha duvida, que he de Gentios levar tranças, e copete; e pois isto parece taõ mal a todos, o prohibimos, e mandamos, que nenhum traga tal alinho, nem permitimos, aos que servem por determinado tempo, estas tranças e copetes. E mandamos, que naõ tragam crescido o cabello, nem os vestidos demasiadamente compridos; porque os que servem ao Summo Creador, lhes he necessaria a interior, e exterior pureza, affirmando-o assim, quando diz: "Sede puros, porque eu o sou".

Regra:cap.XXVIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Da superfluidade dos cabellos

Capítulo XXVIII

A todos, principalmente, os que naõ estaõ na campanha, convem levem cortados os cabellos, a huma mesma proporçaõ, e pelos lados da cabeça com a mesma ordem; e o mesmo se guarde na barba; para que se naõ note o vicio da demasia, e galla.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O pacto secreto



1147 foi o ano de grandes conquistas para El-Rei D. Afonso de Portugal, nosso senhor.
O pacto secreto entre o soberano português e Ibn Qasî, chefe espiritual do movimento Muridin (que lutava para destronar os almorávidas), permitiu a tomada de Santarém quase sem luta.
Seguia-se a bem defendida Lisboa, entretanto sitiada, onde já se encontravam, dissimulados na cidadela, os discípulos do mestre sufi.
Mas um factor inesperado veio alterar toda a estratégia.
Membros do clero de Braga, à revelia do arcebispo D. João Peculiar, tinham incentivado os cruzados nórdicos, cuja frota se encontrava em trânsito pela nossa costa com destino à Terra Santa, para se juntarem ao cerco iniciado pelos portugueses.

[...] que, se ajudassem a tomar a cidade, ricos espólios os aguardavam.

"Chegam, e cedo se intrometem, impondo à força o seu grande número de gente".

O conflito acabaria por dar-se em duas frentes.
Sem tempo para recuar, os nossos vêem-se perante a urgência da tomada da cidadela aproveitando as forças já aí infiltradas, para depois (ironia do destino) ter de lhes dar protecção.
Por outro lado, na necessidade de honrar os termos do pacto secreto, tentar-se-ia proteger a população durante e após a tomada da cidade.

"Mina-se a muralha oriental da almedina, que cai por terra, atraindo para aí os defensores. A porta norte é aberta para a saida de alguns muçulmanos que nos arremetem enquanto transpomos o fosso.
Vendo a oportunidade, Martim Moniz atravessa-se no portão não permitindo que este se feche por completo e vê a sua vida ser-lhe tirada na ponta das lanças que o trespassam.
Uma parte importante das nossas forças investe então por ali e entrados na praça de armas vê finalmente negociada a entrega do último reduto árabe que estava já sob parcial controle dos nossos aliados Muridin."

A baixa da cidade é entrada pelos cruzados estrangeiros e a maré de selvajaria abate-se sobre os habitantes.
Na mira dos ricos despojos, assaltam casas, vandalizam, violam, matam indescriminadamente.
O Rei português avisa, ameaça, enfrenta as ordas de mercenários e tenta comprar a tolerância destes.
Demasiado tarde para alguns, mas para os sobreviventes é a oportunidade de uma vida nova.
Como sempre, ninguém seria expulso. Haveria direitos para quem quisesse permanecer na cidade, independentemente da sua origem, credo ou condição.
Era assim que os portugueses conquistavam.

Sabendo que durante o cerco haviam sido enviados emissários árabes a Évora a pedir envio de reforços e que o então emir os tinha ignorado, cumprindo assim os termos do tratado secreto, D. Afonso I envia uma delegação de Templários à praça forte alentejana, a Silves e ao ribat de Al-Rihanâ (Arrifana) para entregar em mão cartas onde o soberano agradece a colaboração e justiticando-se relata os recentes acontecimentos:

" Ibn Wasîr ... a paz esteja contigo. Já deves saber da conquista de Lisboa pelas forças cristãs. Os desígnios do Altíssimo são insondáveis. O plano traçado foi alterado por motivos inesperados. Como sabes a cidade seria tomada com a ajuda dos guerreiros Muridin, derramando-se o mínimo de sangue, tal como aconteceu em Santarém, mas tal foi gorado pela inesperada presença de forças estrangeiras. Cruzados que a tudo se impõem pela força e nada nem ninguém respeitam. Foi empresa dificil entrar Lisboa e defendê-la ao mesmo tempo. Como sabes não nos movem as riquezas materiais; essas deixámos às mãos dos bárbaros cruzados para a poupança de vidas. Envio-te os meus emissários do Templo que portam esta carta onde te rogo a tua compreensão e clemência. O pacto estabelecido com Ibn Qasî mantem-se com a lealdade e firmitude com que nele roborei..."
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Ibn Qasî - estátua equestre dedicada pelo povo de Mértola ao grande mestre sufi

Para selar o pacto secreto com Ibn Qasî, Afonso I de Portugal oferecera-lhe um cavalo, um escudo e uma lança. Um gesto carregado de simbolismo. Este pacto viria a custar a vida ao mestre sufi quando, atraído sob cilada ao palácio das varandas, no castelo de Silves, é assassinado pelos espiões almóadas que o decapitam e passeiam a sua cabeça espetada na lança que o Rei Templário lhe havia oferecido.
Tem-se atribuído erradamente este assassínio à população de Silves, assim como ao longo do tempo se tem ignorado e denegrido a imagem do mestre Ibn Qasî. Do mesmo modo se tem dado uma imagem errada de El-Rei D. Afonso I de Portugal retratando-o como um implacável e feroz mata-mouros. O ódio entre cristãos portugueses e islamitas muçulmanos foi criado à conveniência política e religiosa dos historiadores.

A Futuwâ ou Cavalaria espiritual pressupõe o respeito pelo adversário, a generosidade e a protecção dos mais fracos.
Nas imagens, os cavaleiros árabe e cristão abraçam-se fraternalmente e jogam xadrez.
As lanças cravadas, em paralelo, no solo significam trégua e tolerância.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

D. Joaõ Ovilheiro


1145 – "No anno de 1145, e no mez de Agosto, D. Joaõ Ovilheiro, Archebispo de Braga, com o seu clero, ou Cabido, approvando, e consentindo El-Rey D. Affonso I, confirmaram, e mesmo de novo concederam “Domno Suerio, Militioe Templi Domini Ministro, Nec non et vestris Fratribus ejusdem Professionis Militibus” o Hospital, que seu antecessor D. Payo de boa memmoria, havia fundado, e dotado em Braga, para uso dos pobres, e miseráveis, e para remissaõ das suas culpas, e de seus pais, e parentes, e do qual em sua vida “hevia feito Doaçaõ á Ordem do Templo.” E naõ só confirmam a doaçaõ do dito Hospital; mas ainda lhe daõ, e doam metade dos seus dízimos de todas as rendas, e dos ferros, que tinham dentro e fóra da cidade de Braga.

Entre os mais, que nesta escritura confirmam, he D. Pedro Pitoens, em outro tempo “Bracharae Prior, lunc Portugalensis Electus.” Esta confirmaçaõ, naõ só foi confirmada por El-Rey D. Affonso I; mas ainda por sua carta passada no anno de 1146 lhe dá expresso consentimento, e declara: “Que o Arcebispo D. Payo havia dotado o dito Hospital com muitas herdades, e fazendas, que os de Braga logo depois da sua morte lhe haviam usurpado.”

Manda El-Rey, que tudo seja tornado áquelle estado em que o fundador o deixara á hora da sua morte; “e que os Templários usem destas rendas, e as dispendaõ em serviço da sua Ordem.”

Mendo Moniz e Christina Gonçalves


1143 – "Por uma doaçaõ, que por sua morte, e no anno de 1143 fizeram á Ordem do Templo Mendo Moniz, e Christina Gonçalves, consta, que Fr. Ugo de Martonio era Mestre, ou Procurador dos Templários n’este reino; pois a recebeo, como Prelado maior d’elle."