quinta-feira, 31 de março de 2011

Regra:cap.XXXII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Como se haõ de receber os que vierem a servir por tempo determinado.

Capítulo XXXII

Todos os Soldados, que com intençaõ pura desejaõ militar em serviço de Deos Nosso Senhor em sua Santa Casa por tempo determinado, comprem cavallos, e armas a proposito, para as occasioens, que cada dia se offerecem, e todo o necessario para este effeito.   Além disto, guardando-se igualmente de ambas as partes, julgamos ser util, e conveniente ajustar o preço dos cavallos ; e que este se escreva, para que naõ esqueça : e se lhe dê com toda a caridade tudo, o que lhe for necessario, para si, para o cavallo, e escudeiro das rendas da Casa, e além disto os arreos do cavallo, conforme as possibilidades da Casa.   Porém se por algum acaso perder o cavallo no serviço da Ordem, o Mestre lhe dê outro, se o permitir a renda do Convento.   Mas chegado o tempo de tornar à Patria, o Soldado pelo amor de Deos perdoe ametade do preço, e a outra, querendo, a póde pedir ao Convento.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Documento XIX

Huma Doaçaõ liberalissima á Ordem do Templo e a D. Gualdim Paes Mestre do Templo, do Snõr Rey D. Affonso I. da 3 parte que o mesmo Senhor adquirir, e poder povoar alem do Tejo &c-

Em nome do Padre, do Filio, e do Espirito Sancto. Amen. Fiel guarda da memoria he a escriptura, porque esta renova as couzas antigas, confirma as novas, concerva as confirmadas, e representa as concervadas para q as noticias dellas se naõ entreguem ao esquecimento dos vindouros.   Pella qual razaõ Eu Affonso Rey de Portugal faço escriptura de doaçaõ, e firmeza a Deos e aos Cavalleiros chamados do Templo de Salomaõ assim prezentes como futuros, e a vos Fr. Gaufrido de Fulcom discreto Procurador de toda a predicta Milicia a quem mar ; e a vós Fr. Garcia Romeu Ministro dos sobreditos Cavalleiros nos Campos, e em Castella, e a vos Fr. Gualdim Procurador das couzas do Templo em Portugal, e a vossos successores que houverem de ser promovidos em o tempo futuro, de toda a terceira parte que pella graça de Deos poder adquirir, e povoar desde o Rio Tejo por deante, a saber com tal condiçaõ que tudo aqullo que agora vos dou, e ao deante vos der gasteis em o serviço de Deos, e meo, e de meo filho, e de toda a minha geraçaõ, em quanto durar a guerra dos Serracenos com os Christaons, e com a condiçaõ que das couzas que já vos tenho dado se naõ gaste couza alguma superfluamente, mas tudo se guarde, e concerve para proveito, e utilidade do Templo de Jerusalem ; e as couzas que agora vos dou, e vos der pello tempo adeante quero que se gaste em serviço de Deos, e meo, e de meos Filhos em este Reyno de Portugal em quanto durar a guerra dos Serracenos.   E alem de todas estas couzas vos dou taõbem a caza de Evora de que já em outra ocaziaõ tinha feito mercê ao Mestre Gualdim.   Foi feita a Escriptura em o mes de Setembro da Era de mil duzentos e sette em Alafões.
Eu sobredito Rey D. Affonso juntamente
com meos Filhos El-Rey Sancho, e minhas
Filhas a Rainha D. Urraca, e a Rainha
D. Tereza, roboramos esta Carta
com nossas proprias maons.
Pedro Fasion Notario del Rey ............................ Conf.
Pedro Salvador .................................................. Conf.
Pedro Fernandes Trinchante del Rey Sancho .... Conf.
O Conde Valasco Trinchante mór ..................... Conf.
Fernando Affonso Alfers .................................. Conf.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dornes



Em 1161, O Mestre D. Gualdim Pais reconstrói dos restos de uma atalaia pentagonal de origem romana uma torre de xisto com cunhais de calcário e o pano de muralha do seu pequeno recinto defensivo.
Esta irá fazer parte de um conjunto de pequenas fortificações que constituem uma cintura de vigilância ao longo do curso do rio Zêzere, protegendo tácticamente o castelo de Thomar.
Nasce a pequena Comenda de Dornes cuja importância estratégica se torna relevante quando os Templários decifram o significado da inscrição romana lavrada na pedra que mais tarde Mestre Gualdim manda colocar como verga na porta da torre:



" ... os povos antigos exploraram as minas de minério nobre, particularmente na região de Dornes, usando métodos primitivos. Os romanos deixaram gravada na pedra de armas que encimava a entrada do forte militar, o significado da sua presença ali: proteger a exploração das minas; de ouro (o círculo a cheio representando o sol) e de prata (o círculo vazado representando a lua). Entre estes símbolos, as 'Armas' da guarnição."


Os Templários facilmente descodificaram a inscrição e mais facilmente deram com as minas abandonadas, retomando a sua exploração, utilizando métodos de extração mais evoluídos e descobrindo novos filões.

" Para nossa surpresa, a terra ofertava-nos ouro puríssimo com a forma de folhas raiadas. A prata, essa encontrávamos na forma de teias de aranha e em rendilhados curiosíssimos. Tudo muito puro que martelávamos e guardávamos em pequenos blocos nas caves do Oratório...".

Dornes, foi o nome dado ao local, por haver junto ao rio uma pedreira subterrânea de onde se cortavam e retiravam as 'dornas' ou 'moendas' usadas nos moinhos de água.


Uns anos mais tarde é edificada uma cerca exterior para protecção dos habitantes de Dornes e, no interior do fortim, na praça de Armas, é mandada construir a pequena igreja de Santa Maria das Dornas, várias vezes reconstruída, hoje com o nome de Nossa Senhora das Dores (outrora do Pranto).


Da primitiva construção restam alguns vestígios, entre eles o brasão de Armas com inscrição referente a D. Frei Gonçalo de Sousa, implantado na fachada principal do templo.


_________________________
Escreve-se hoje que a igreja foi mandada construir em 1285 pela rainha D. Isabel, o que é falso!
A igreja primitiva foi obra de D. Gualdim.
O templo manteve a sua traça original até à época do Comendador fr. Gonçalo de Sousa.
As reconstruções deram-se mais tarde.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Regra:cap.XXXI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum castigue o escudeiro, que o serve sem salario.

Capitulo XXXI

Pela mesma causa concedemos a cada hum dos Cavalleiros hum escudeiro sómente.  Porém se este servir sem estipendio graciosamente, ou pelo amor de Deos; a nenhum he licito mal tratallo, ou castigallo ainda havendo alguma culpa.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Godinho Godins


1158No anno de 1158 se concordaram o Mestre Gualdim Paes, e Godinho Godins sobre a herdade de Bauça Mala, sita na ribeira do Aliste; affirmando o Mestre Gualdim que ella sempre fora “de Domo Templi, quae este in Bracharensi Civitate.”

E diz a escritura: “Super hoc convenerunt in Bracharensi Capitulo.” E feita uma inquiriçaõ por homens bons, e que tinham razaõ de saberem a verdade, a prazimento das partes, foi a herdade julgada ao Mestre Gualdino, e á Casa do Templo, a quem o contendor fez liberal doaçaõ de qualquer direito, que nelle tivesse. E conclue: “Ego Godinus Godiniz hoc scriptum tibi Fratri Johani, qui proedictum Domum Templi custodis, et regis, própria manus roboro.”

domingo, 20 de março de 2011

Peregrinações



Regressavam ambos da Terra Santa mas só se conheceram no Mosteiro de Poblet, perto de Barcelona, quando ali se recolheram.
A partir daí encetaram o caminho juntos. Ambos peregrinos com um destino comum; Compostela.

Natural de La Robla, Martim Sanchez tornara-se frade beneditino em Jerusalém.
João Galego nascera em Tui e fizera-se Cavaleiro Templário na Comenda de Braga.
Agora, com 38 e 42 anos respectivamente, estavam de volta a casa. Sabiam que nunca mais veriam a Cidade Santa.

Castelo Templário de Ponferrada, 18 de Julho de 1187. Os dois companheiros enquanto descansam da longa jornada, conversam:

"- Irmão Martim, antes que nos separemos quero dizer-te o quanto me foi agradável a tua companhia.

- Tem sido um previlágio, João Galego. Ter-te conhecido neste caminho de peregrinos foi certamente a vontade de Deus Nosso Senhor. Do muito que caminhámos, de tudo o que conversámos deixa-me de ti uma boa imagem; a de um bom homem.

- Pois de ti, Martim, fica a certeza de seres um bom cristão.

- Tento ser, Irmão. Depois de ter estado na Cidade Santa de Jerusalém e de ter servido a Cristo só me falta concretizar esta demanda.
Se neste momento tivesse de escolher entre ver a minha velha mãe pela última vez e visitar este lugar santo, escolheria ir primeiro a Santiago. A fé é algo muito forte, João. Se quiseres podemos entrar juntos na Catedral. Que dizes?

- Alegra-me o teu entusiasmo, Martim - replica o Cavaleiro.
Obrigado mas os nossos caminhos separam-se aqui, em Ponferrada.

- Porque dizes isso, Irmão? - pergunta o frade, um tanto confuso.
Porventura não temos ambos por destino Santiago de Compostela?

- Sim Irmão Martim, mas primeiro vou cumprir a promessa que me trouxe de volta:
Ver pela última vez a minha velha mãe."

quinta-feira, 17 de março de 2011

Documento XVIII



O Foral que o Mestre D. Gualdim Paes deo à Villa de Thomar.

Em nome de Deos. Amen. Eu Mestre Gualdim em Sembra com os meos Freires, a vos que em Thomar sedes moradores, grandes, e piquenos de qualquer Ordem que sejades, e a vossos filhos, e a vossas gerações; prougue a nos Frei do Temple premesentes na Fé de Salomaõ, fazer a vos hua carta de firmidoem de dereito de vossos herdamentos os quaes hi provades de foro, e de sevisso. Item primeiramente que nunqua a nos farades seara, e de recebo, e de forçado non dedes se non aho Adail as duas partes, e a vos fiquem as duas, e da Caria, e de toda aquella cavalgada em que ElRey non for, a nos a quinta parte, e a vos a quarta parte sem nenhuma alcaidaria; se algum dos Cavalleiros comprar vinha ao peon seja libre, e se cazar com molher do peon toda que houver seja livre; e se o peon seer Cavalleiro aja foro de Cavalleiro.   Cavalleiros hajaõ suas herdades livres, e se algum dos Cavalleiros veer a velice, e non possa servir em Cavallaria em quanto viver haja honra de Cavalleiro, e se o Cavalleiro morre a molher seja honrrada como em dias de seo marido, e nenhum filhe esta ou filhe de outro qualquer por molher sem vontade sua, e de seos parentes.   Sayon non vaa se achar caza de nenhum Cavalleiro, e se algum Cavalleiro fezer algum algua couza desconvenhavel venha ao Concelho, e seja julgado direitamente.   O Juiz, e Alcaide sejaõ a vos postos sem ofreson.   Clerigos de Thomar haja todas as couzas honrra de Cavalleiros, em vinhas, em terras, e em cazas; e se algum dos Cavalleiros morre o cavallo, e naõ poder haver onde compre outro, nos lho daremos, e se lho naõ darmos este honrradamente athe que possa haver onde compre outro.   Enfançon nem algum homem naõ haja em Thomar caza nem herdade, salvo quem quizer morar com vosco, e servir como vos.   Em nenhumas asenhas non dedes mais cada XIIII partes hua sem offreson Peões de Coimbra per quarteiro de XVI alqueires sem brasso posto, e sem tavoa.   De vinho, e de linho den a oitava parte.   De madeira que tragaõ para vender den a oitava parte; e lagarida de vinho de sinco moyos a fundo de hum almude, e se mais for den hua quarta sem offreson, e sengantar.
Nenhum Cavalleiro estranho entre em caza de algum sem vontade do Senhor da caza, e se algum lavrador ouve ei vinçôn non fasa com elle foro.   Almocreves façam huum serviço em no anno; e antre vos non seja nenhua ameaça, e se algum dos vossos quizer ir a outro senhorio, ou a outra terra haja poder de doar, ou de vender o seo herdamento a quem quizer que em elle more, e seja nosso homem assim como huum de vos.   Atalaias ponhamos ameadade do anno, e a vos amedade.  Non dedes portagem nem alcavala nem de comer as guardas da Cidade, ou da porta.   Thomar nunca a damos por Alcavala a algum.   Aqueste foro, e aqueste costume com boos homës Deos querente stabelecemos, e outorgamos, assim a vos come aos vossos successores perduravelmente, e firmemente teer o firmamos sem nenhum corrompimento.   Se algum a qual couza ser feita nos creemos dos nossos successores o Mestre ou os Frades, ou outro estranho aquelle nosso estabelecimento quebrantar quizer, da vingança de Deos seja quebrantado e pereça com o Diabo, e com os seos Anjos; e sem fim seja atormentado, salvo se correger as couzas dignas assas par emenda.   Feita a Carta de firmidoem no mes de Novembro.   Era Mil CC.   Reinante D. Afonso Rey de Portugal filho do Conde D. Henrrique, e da Rainha D. Taraja, Neto do Gran Rey D. Afonso.   D. Payo Dayans a notou:   Testemunhas; D. Ficon Alcaide de Santarem.   Pedro Píres Alfers; Gonsalo de Saujal.   D. Rodrigo Conde.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Regra:cap.XXX

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Do numero de cavallos, e escudeiros.

Capitulo XXX

Cada hum dos Soldados póde ter tres cavallos; porque a muita pobreza da Casa de Deos, e Templo de Salomaõ, naõ dá lugar a que por óra seja mayor o numero; salvo com licença do Mestre.