quinta-feira, 21 de abril de 2011

Códigos de honra


Era conhecido como o maneta de Thomar.
Semi nu, cobria-se com uma simples pele de borrego, a qual não conseguia evitar que quase desfalecesse de frio, naquela tarde de outono de 1179.
Os garotos, cruéis como sempre, não perdiam a oportunidade de lhe jogarem pedras, obrigando-o a encolher-se como um farrapo humano, a um canto, na calçada mourisca que levava ao castelo.
Tratavam-no como um cão sarnento e, como um cão, comia no chão os restos que lhe atiravam com desprezo.
Baixava a cabeça, envergonhado, quando o maltratavam e só a levantava para sustentar com um olhar de profunda tristeza, a humilhação de ouvir:

" Aos ladrões é que costumam cortar as mãos. Para que não voltem a roubar."

Pero Vintes, tinha sido recentemente destacado de Soure para Thomar integrado num grupo de cavaleiros Templários.
Já se tinha cruzado algumas vezes com aquela pobre criatura e foi-se inteirando da sua precária condição.
Naquela tarde, decidiu-se a saber mais:

- Paz, irmão. Há dias que vos observo e sou levado a pensar que a vossa mão esquerda, aquela que humildemente suplica, poderá contar da mão destra, que vos falta, uma história muito diferente da que por aí maldosamente contam. Se assim é, gostaria de ouvir a vossa versão.

O pobre homem assentiu com a cabeça e timidamente levantou-a mostrando uns olhos marejados de lágrimas:

- Assim é, senhor. Sabei que a mão que aqui falta, foi sempre honrada. Selou muitos compromissos até ao dia em que me foi impossível cumprir um deles.
Coberto de vergonha, jurei que essa mão não voltaria a apertar outra para selar o que não podia cumprir, e com a minha própria espada, a cortei fora.
Compreendei, senhor, que esta sombra do que fui e que aqui vedes, não é a de um reles ladrão mas a de um infeliz incumpridor.

O Templário não necessitava ouvir mais nada da boca daquele homem.

- Homens como vós fazem-nos falta.
Vinde comigo. Não se senta no chão quem merece um trono.
- Senhor, não vos posso acompanhar. Vossos irmãos certamente irão me rejeitar!

Ajudando o infeliz a levantar-se e cobrindo-o com o seu manto branco, Pero Vintes disse-lhe baixinho:

- Não é para a que conheceis, que vos convido. Vinde Irmão, espera-vos a verdadeira Ordem...

_____________________________________________
Texto adaptado da crónica "Memorias de hum Tempreiro"

A foto é um tributo ao "mendigo Basilius" que não falha uma feira medieval.
  Um abraço dos Templários Portugueses.

Herdade de Villar


1153 – No anno de 1153 se vendeo á Caza do Templo em Braga uma herdade na ribeira do Aliste, onde se chama Villar, sendo Mestre da Milícia do Templo D. Ugo.

Regra:cap.XXXIV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Se se póde sahir pelo Lugar sem Ordem do Mestre.

Capítulo XXXIV

Aos soldados Hospitalares, que renunciaraõ a propria vontade, e aos demais, que servem por tempo assinalado, lhes mandamos com todo o encarecimento, que sem licença do Mestre, se naõ atrevaõ a sahir pelo Lugar, salvo ao Santo Sepulchro, e aos Santos Lugares, que se visitaõ dentro dos muros da Cidade.

domingo, 10 de abril de 2011

Castelo de Ben-Ab-Cete



Alcacer-ben-el-Abbaci é tomado pelas forças de El Rei D. Afonso I de Portugal em 1147.
O alcaide muçulmano Ben Al-Marzuq defende o reduto até ao último homem.
O Alcacer torna-se castelo português e nele fica instalada desde logo uma guarnição Templária.

Os terrenos são férteis e estão bem cultivados. El Rei decide deixar no local uma comunidade que se vai estabelecer e cuidar da terra. A supervisão fica entregue aos freires de Cister que iniciam a construção da primeira igreja de Alcobaça dedicada a Santa Maria. Precisamente o templo original, precursor do actual mosteiro.

A oito de Abril de 1153, o Rei nosso Senhor D. Afonso faz carta de doação dos coutos de Alcobaça a  Bernardo de Claraval e à sua Ordem de Cister. Toda a zona sofre um forte impulso de desenvolvimento, sempre sob a protecção da milicia Templária.
É fundado neste ano o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. O mesmo ano em que morre Bernardo de Claraval.



Em 1190, toda a região se vê invadida pela vasta ofensiva de Al-Mansor, rei de Marrocos, e é no castelo de Alcobaça que se dá um dos mais significativos actos de coragem e abnegação da milicia Templária.

Os árabes deslocam um poderoso contingente de forças para cercar o castelo e o mosteiro, na sua famosa táctica de meia-lua.
A defesa é impossível face à maré muçulmana que avança. A situação é insustentável. Aos sitiados resta a fuga para o mar através da lagoa da Pederneira.
O plano é traçado rapidamente. Religiosos, colonos e combatentes irão usar os pequenos botes de pesca artesanal, suficientes para se escaparem até aos barcos que os aguardam na foz da lagoa.

É então que o drama se desenrola, provocado por aqueles que, filhos de um Deus maior, dEle depressa se esquecem quando chega o momento apertado de salvar a pele.
Ao egoísmo e cobardia de uns se sobrepôe a coragem e o sacrifício de outros.

"... tratando de vigiar a proximidade do inimigo, a pequena guarnição Templária avança no terreno deixando aos frades espaço e tempo suficientes para prepararem a retirada através da lagoa. O estreito de Valados está livre, os botes e barcaças são suficientes para todos, a fuga ainda é possível. Na foz, junto à Casa da Barca, barcos de cabotagem aguardam-nos, preparados para partir.
Os frades, num gesto vil, decidem levar com eles o máximo de espólio religioso ocupando todos os botes. E partem sem os Templários.
Ainda é possível apanhá~los por terra na Torre das Pirreitas. Mas isso seria levar até lá parte do exército inimigo no encalce. Significaria o fim de todos.
Os Templários decidem ficar. Recolhem-se no castelo e preparam a defesa..."

Sabem que aquela tarde portuguesa, será para eles, a última.
Ainda vêm a igreja-fortaleza de Santa Maria do Mosteiro ser consumida pelas chamas .
Depois, tal como Ben Al-Marzuq 43 anos antes, combatem até ao último homem.

___________________________


O castelo é reconstruído por D. Sancho I em 1200.
Em 1329, devido a um violento sismo, algumas muralhas ruíram.
D. João I reedifica-o mas volta a sofrer enormes prejuízos devido a novos abalos em 1563 e 1755.
No século XVIII ainda tinha o aspecto de fortaleza e faziam-se notar as torres e panos de muro.
Em 1838 a Camara Municipal de Alcobaça delibera a demolição do castelo transformando-o numa pedreira.
Até 1855 são doadas e vendidas milhares de carradas de pedra e cantaria.
Em 1956 a autarquia procede a obras de restauro e desaterra o que resta do castelo de Alcobaça.




sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ejeuva Aires


1152 - No anno de 1152 Ejeuva Aires, e seus filhos venderam "Vobis Jerosolimitani Templi Militibus, Pelagio Gontimiris, et Martino Pelagii" uma herdade, que elles tinham "In Civitate Bracara, circa illum vestrum puteum de Hospitali..."

Regra:cap.XXXIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum se governe pela vontade propria.

Capítulo XXXIII

Convem aos Religiosos Militares, que nenhuma cousa buscaõ, e amaõ, mais que a Christo, pelo Instituto, que proffessaõ, ou pela gloria da summa bondade de Deos, ou pelo temor do Inferno, que obedeçaõ sempre ao Mestre.   Ha de guardarse pois esta obediencia de modo, que emendando o Mestre, ou quem tem o seu lugar, alguma cousa, obedeçaõ com a pontualidade, e promptidaõ, que ao mesmo Deos ; porque destes diz a Summa Verdade : "Em me ouvindo logo me obedeceo."

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Primus Signum


Deixai livre o pensamento...
A doce Alma abandonada
aos quatro cantos do vento.
Neles, a cada momento,
nasce a Rosa Iniciada.



____________________________________

Estratégico, subtil, dissimulado, este foi o símbolo cujo significado só era perceptível a quem o sabia ler.
Usado durante 88 anos, sinalizava onde as duas Ordens co-habitavam. A visível e a interna.


Alpedrinha

Beja

Penalva

Celorico

Linhares

Longroiva

Paços de Ferreira

Penela

Lanhoso

Sabugal

Sortelha

Thomar

Vilar Maior

(Entre muitos outros lugares Templários)