domingo, 31 de julho de 2011

Ecos do Mestre




" O que tu chamas Deus
está dentro de ti,
está à tua volta.
Não em casas de pedra
e de madeira.

Divide um pedaço de madeira
e encontrar-Me-ás
Levanta uma pedra
e Eu estarei lá..."

Pergaminho 33
Nag Hammadi
Jebus Salém.

sábado, 30 de julho de 2011

A voz do deserto



Ao Cavaleiro Templário está-lhe velado enganar.
É-lhe imperioso velar para que não seja enganado.


Provérbio árabe adoptado na Terra Santa

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Acreditar

Dizem os sábios que tu, vento,
és apenas ar em movimento.
Mas eu sei que és mais,
muito mais...

Tento ver-te e não consigo
mas sei que existes
porque te sinto...

Porque me trazes, na Primavera,
o doce aroma das flores de Maio
desprendido por ti, suavemente,
das varandas suspensas do palácio...

Porque no calor do Verão,
após o inferno da batalha,
despida a cota de malha,
sinto a frescura da tua brisa ...

Porque nas calmas tardes de Outono,
fazes dançar as folhas das árvores
num doce murmúrio de encantar,
dando a mão aos ocres do ocaso...

... porque este Inverno, vento,
sopraste forte no meu telhado
numa tentativa desesperada
de me chamares a atenção

...eu sei que existes, irmão,
entraste esta noite, de mansinho,
fazendo dançar levemente
as cortinas do meu quarto...

quando os meus olhos
finalmente se fecharam,
eu vi-te... tal como és

Bateste as tuas asas
e levaste-me contigo
Poema árabe, séc. XII
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" Presas de guerra "
1ª tomada de Silves

Documento XXI



Huma doaçaõ das mais magnificas que o Snör Rey D. Affonso I. fez ao Mestre D. Gualdim, e à Ordem do Templo ; que he de todo o destricto entre os tres rios Tejo, Zezere, e Elge.

Affonso Illustre Rey de Portugal filho do Conde D. Henrique, e da Rainha D. Tereza, Neto do Grande, e Illustrissimo Affonso Emperador das Espanhas.  Faço carta de doaçaõ, e firmeza a vós Mestre Gualdim, e a todos os Freires do Templo situado em Jerusalem, e a todos os outros Freires da Ordem que estaõ em meu Reyno, da Idanha, e Monsanto com estas demarcaçoens, a saber : do modo que corre a agoa do Elge entre o meu Reyno, e o de Leaõ, e entra no Tejo, e da outra parte, como corre a agoa do Zezere, e da mesma maneira entra no Tejo.   Assim que, vos dou toda a terra que está entre os sobreditos tres Rios convem a saber com tal condiçaõ, que tenhais firmemente em todo o tempo com direito hereditario, e me sirvireis a mim, e ao meu Filho a quem eu deixar por herdeiro de meu Reyno, com a tal terra de que vos faço doaçaõ.   E deste dia em deante terá esta minha doaçaõ força, e vigor para sempre.   E nem Filho, ou Filha, ou outra alguma pesoa, terá poder, ou licença para quebrantar esta minha Escritura.   E aquelle Filho meu, ou Filha minha que bem vos fizer, seja bendito do Senhor, e alcance a minha bençaõ.   Douvos por tanto a sobredita terra para que da maneira que a queirais dividir seja dividida, e aos que nella quizeres herdar fiquem herdados.   E o Foral que lhe quizeres dar permaneça firme, e perpetuo em todo o tempo.   Foi feita esta carta de doaçaõ, e firmeza aos vinte e nove de Novembro da era de mil duzentos e tres. (1165)
Eu sobredito Rey D. Affonso, e meo Filho
o Rey D. Sancho, e minha Filha a Rainha
D. Tereza com nossas proprias maons
roboramos esta carta.
      Os que se acharaõ prezentes
O Conde D. Vasco..............................conf.
Gonsalo de Souza Mordomo mor.......conf.
Pedro Paes Alfers..............................conf.
Pedro Fernandes de Bragança.........conf.
Soeiro Egas......................................conf.
Hirminio Monis.................................conf.
Garcia Fernandes.............................conf.
Joaõ Arcebispo de Braga..................conf.
Miguel Bispo de Coimbra..................conf.
Alvaro Bispo de Lisboa......................conf.
Mestre [...] Chanceler do Reyno......conf.
Mendo Cativo.................................conf.
Pedro Arnaldo a lavrou.

Regra:cap.XLII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Da conversaçaõ de suas culpas

Capítulo XLII

Se toda a palavra ociosa occasiona peccado, que poderaõ responder ao Juiz rigoroso os que fazem galla de seus vicios?  Mostra-o bem o Profeta: "Se algumas vezes convem omittir boas praticas, por naõ faltar ao silencio, com quanta mayor razaõ, temendo o castigo do peccado, se ha de fugir de conversaçoes impertinentes?".  Vedamos pois, e com todo o esforço prohibimos, que algum dos Religiosos perpetuos se atreva a referir de si, ou de outros os descaminhos da sua vida secular, nem as communicaçoens, que teve com mulheres perdidas : e se algum ouvir a outro taes palavras, o faça callar, e tanto que puder, com passos obedientes se saya da conversaçaõ, e naõ dê a sua alma ouvidos, a quem vende tal veneno.

domingo, 24 de julho de 2011

Tão longe e tão perto



Todos nós devemos fazer uma peregrinação na vida.

Fazê-lo, quando nos apercebemos que a vida é, em si, uma peregrinação.
Porque todos somos à partida, desde que nascemos, peregrinos.

Quando sentimos a chamada (a "chama"), sabemos que é chegado o momento.

Escolhemos um lugar sagrado como destino, metemos o saco às costas e os pés ao caminho.
Caminho longo. Centenas de quilómetros. Por vezes milhares.
E nesse caminho, procuramos algo que nos enriqueça espiritualmente.
Que nos preencha a alma à chegada.
Que nos traga alguma Paz interior.

Mas os que chegam, sentem muitas das vezes... um vazio.
A falta de algo.
Como se ainda faltasse dar um derradeiro passo.

E é quando compreendemos que toda a caminhada serviu apenas... para nos conduzir à porta do verdadeiro Templo.

E o passo é tão pequeno. Tão simples de dar.

Então viramo-nos para nós próprios... e entramos.

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... de todos os que deram
o pequeno passo e se tornaram
TEMPLÁRIOS PORTUGUESES

Regra:cap.XLI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Do abrir das cartas.

Capítulo XLI

Nenhum dos Religiosos possa abrir cartas de seu Pay, ou de qualquer outra pessoa, nem outro sim huns dos outros, sem a licença do Mestre, ou Procurador.  Depois que tiver licença, lea a carta diante do Mestre, se elle quizer.  Se seus Pays lhe mandarem alguma couza, naõ se atreva a recebella sem gosto do Mestre.  Esta Regra naõ se entende com o Mestre, nem Procurador da Caza.

Corraes das Egoas


1184 - …afforamento original de huma herdade em Thomar, no sitio chamado Curraes das Egoas, feito no anno de 1184 a Salvador Penisio, e a sua molher Maria Pires, a Pelagio Mouro, e a sua molher Comba Gonçalves, o qual assim principia: “Ego Magister Garsia, una cum fratribus meis…” e conclue: “Ego Magister domnus Garsia confirmo”; pois sendo D. Garcia Commendador de Thomar, naõ lhe era impróprio o titulo de Mestre por urbanidade, e costume.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Morte Branca



13 de Julho de 1190. Castelo de Thomar.

A notícia da mortal vaga muçulmana era conhecida há vários dias.
Agora a maré verde e negra tinha chegado.
A razia só parara, junto ao poderoso alambor da fortaleza Templária.
Perante a enorme diferença numérica todos davam como inevitável a destruição de Thomar.

"Nem todo o nosso valor guerreiro chegaria para travar os constantes assaltos à porta sul do castelo.
Os assaltantes morriam às centenas sob os golpes certeiros dos cavaleiros do Templo. Mas os nossos também iam sucumbindo.
E éramos tão poucos..."

Mestre Gualdim Pais tomou então a decisão que pensara nunca vir a tomar. Era isso ou perecer.
Os poços de água que se encontravam na vertente sul do monte já haviam sido usados pelos árabes nos primeiros dias sem problemas. Bebiam a água à confiança.
O que não sabiam é que dentro do castelo, perto do Oratório havia uma fonte que se infiltrava numa corrente subterrânea e que por sua vez alimentava esses poços.

"E os Mestres boticários fabricaram a temível "Candida Puella" a que chamavam a 'morte branca'.
E o exterior do castelo de Thomar tornou-se um vasto campo de agonia e morte..."

"vitulum binarium"

terça-feira, 12 de julho de 2011

Regra:cap.XL

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

De Malha, e Cota

Capítulo XL

A ninguem se concede ter Cota, ou Malha em prioridade.  Manifestarsehaõ de sorte, que nenhum possa usar de ellas sem licença do Mestre, ou de quem tem o seu lugar nos negocios da Casa.  Nestra Regra naõ se comprehendem os Procuradores, e os que vivem em varias terras, nem aos Mestres Provinciais.

Regra:cap.XXXIX

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Do poder do Mestre

Capítulo XXXIX

Pode o Mestre dar cavallos, e armas, e todo o que quizerem a quem lhe parecer.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Fonte de S. Lourenço



No Salão do Arquivo da Ordem existe uma vitrina com o número 408.
Ao contemplar o seu conteúdo, decidimos:
- Se vamos criar um tópico sobre Thomar, comecemos por aqui...

Mestre Domingos foi um dos mais activos e bem sucedidos investigadores da Ordem. O êxito do seu trabalho imprimiu-lhe um carisma difícil de ultrapassar até hoje.
Toda a sua vida foi dedicada a procurar e a recolher documentos e artefactos Templários dos quais se tornou  incansável estudioso e feroz guardião.
Escreveu minuciosos relatórios sobre os resultados alcançados e manteve todos os artefactos identificados e catalogados.
Lavrados pelo seu próprio punho, seguem-se excertos da descrição de uma das suas descobertas:

" Relatório nº 408/29
- ... conheci D. Antonio (...) em Lisboa na Primavera de 27 (1927). Encontrámo-nos por acaso na Igreja de Santa Luzia. Elle estava de vizita ao Castello e eu aos túmulos dos Mestres da dita Igreja que dizem Malteza e se encontra em estado de abandono. Nessa data reparámos ter ambos o mesmo interesse pella Historia e suas antiguidades.
Com elle vinha o seu filho Francisco, hum rapaz enfezado e com problemas graves no apparelho respiratorio e digestivo. Aconselhei-o a levar o petiz a huma localidade costeira a norte de Cintra, afamada neste tipo de curas devido ao iodo das suas praias e às ágoas medicinais de huma das suas fontes.
D. Antonio he hum cavalheiro de trato fino e agradavel. Homem simples e grande fazendeiro nos campos de Santarem. Iniciámos troca de correspondencia e no anno seguinte recebi a alegre notícia das grandes melhoras do seu filho Francisco.
Nessa missiva incluía hum convite para que o visitasse na sua herdade de Almeirim, onde se encontrava na altura, acrescentando de forma enigmática que tinha 'algo' para mim.
D. Antonio acolheu-me com todas as honras e mordomias e mostrou-me algo que me deixou pregado ao chaõ; huma pedra com incripçaõ em latim e hum manuscripto datado de 1611 que indicava a sua proveniencia :


" ... após a entrega do carregamento de vinho em Coimbra regressámos a Santarem. Ao passarmos novamente por Thomar parámos na fonte de Saõ Lourenço, junto da Ermida, para descansar os animais e reabastecer de agoa. Reparámos que huma das pedras no chaõ da fonte tinha huma inscripção dos antigos latinos e carregámo-la numa das carroças."


Quiz adquiri-la a D. Antonio mas este, sabendo do valor que para mim representava, já havia decidido ofertar-ma em agradecimento pellas melhoras de Francisco. Pedi-lhe entaõ mais hum favor; que me autorizasse a fazer cópia do manuscripto, mas este fez questaõ de tambem mo offerecer. Ambos trouxe comigo, documentei e arquivei com a nota que se segue:
- Pedra proveniente de Thomar, recolhida na fonte de S. Lourenço. Calcária com huma inscripção:   FLUMEN.NABIA
Nada menos que a mais antiga mençaõ que se conhece ao nome do rio que banha aquella cidade Templaria."
Fr. Domingos B.
10 de Março de 1929


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Tornaremos a falar de Nabia.
Em 2008 voltámos à fonte de S. Lourenço para um novo registo fotográfico. Desta vez sob uma nova perspectiva. Sabíamos, por estudos recentes, que esta foi feita com materiais trazidos das ruínas da cidade romana de Nabância. Sabemos igualmente que de início foi chamada 'Fonte de D. Nuno' e que pouco havia sido modificada para além da colocação da placa de 1746, aquando da reforma da ermida de S. Lourenço.
... ainda lhe falta a 'pedra do meio'.