domingo, 29 de abril de 2012

Um sonho dourado



O tesouro Templário existente na sede da Ordem em França, à data da conspiração de Filipe IV, era realmente considerável.
Na verdade existiam dois tesouros; o que estava confiado à guarda  da Ordem e o que era propriedade integral desta.
Vamos focar-nos no segundo; o que era seu património, parte dele trazido de Jerusalém nos primeiros tempos da Ordem e que era mantido em rigoroso segredo.

Muito se tem especulado sobre a natureza desse tesouro. Os pormenores dessa especulação são já, por demais, conhecidos de todos os que se têm debruçado sobre o assunto.
A ficção acabou por criar o mito.

Certo é que em Outubro de 1307, o ganancioso rei francês vasculha a sede da Ordem e encontra apenas migalhas.
Os bens existentes na sede dos Templários tinham desaparecido.
Certo é que a frota Templária baseada no porto de La Rochelle tinha zarpada para nunca mais ser vista.
Tinha-se esfumado!

Em Portugal reinava El-Rei D. Diniz e, pelas crónicas da Ordem, sabemos que recebeu parte dessa  frota no porto que erradamente chamam de El-Rey, mas que na época era conhecido por Salir.
Sabemos também que de bom grado permitiu que aí fosse descarregada parte da importante carga Templária que foi a guardar em Thomar.
Depois ordena misteriosamente aos Templários Portugueses:

"Ide, retirai-vos para as vossas ilhas, levai vossos segredos e esperai um sinal meu."

Quanta cumplicidade implícita nesta declaração!
D. Diniz sabia que os Templários utilizavam ilhas que ninguém mais conhecia e ordenou-lhes que se refugiassem nelas por algum tempo até que os episódios de perseguição e as acusações feitas à Ordem do Templo se resolvessem e as coisas acalmassem.

A esta altura já muitos perguntam:
Que segredos levavam os Templários, que eram do conhecimento do Rei? Que estratégia estava já deliniada na mente do soberano para que os Templários só precisassem de aguardar um sinal seu?
Que ilhas eram essas que ninguém mais conhecia?

Podemos dizer-lhes que os segredos continuaram a ser segredos da Ordem e que a quase totalidade do tesouro guardado em Thomar foi usado para financiar um dos maiores feitos da nação Portuguesa; a epopeia marítima que deu novos mundos ao mundo.

Mas isso, já vocês sabiam...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Balada de um condenado



" A nós,
Cavaleiros do Branco Manto
Roubaram a pureza da alva cor.
Pela tortura, nos reduziram a farrapos.
Como trapos, nos jogaram neste antro
Ensanguentados, a agonizar nesta dor.
                             ...
Do esplendor do Balsão de guerra
Roubaram a pureza da alva cor
Depois atiraram-no por terra
Em farrapos, como trapos...
Que visão dilacerante!
Pior que a morte, Senhor!
                             ...
Os Irmãos o ergueram e beijaram
E sobre ele juraram
Que da cor que todos temem e que sobrou
Faríam renascer a Ordem Sagrada
E nela, com o vermelho do nosso sangue marcaram
A rubra Cruz Templária, sobre o negro que restou.
                               ...
Sabemos que nosso sacrifício não é vão
Somos inocentes! Inocentes! Inocentes!
E do que nos acusam, nada se provará.
Das riquezas espera-os sonhos vazios, ilusão
Apenas nossos corpos flagelados levarão
Pois o Espírito Templário, indomável, esse perdurará.
                              ...
Para sempre... "
aos mártires de Chinon, França
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Segundo o pergaminho de Chinon a Ordem do Templo foi suspensa, e não extinta.
Em França, a ignomínia do rei Filipe e do papa Clemente levou muitos Templários à fogueira.
Num canto de uma masmorra, um prisioneiro Templário gravou na parede fria e húmida esta mensagem:

"Não nos querem Cavaleiros Brancos, pois Cavaleiros Negros nos terão!"

Comenda de S. Miguel da Cardiga


" El Rey Dom Affonso de Portugal nosso Senhor, e Irmaõ, fez Carta de doaçaõ do territorio da Cardica à Ordem do Templo, em 11 de outubro de 1169. "

O castelo árabe de Ayun al-M'hiah já havia sido ocupado pelos Templários por via de uma doação de El-Rei de 1148. Ficou nos registos da Ordem como castelo da Cardica.

Constituído por fortes muralhas de taipa militar e rematado por quatro enormes torreões circulares, era defendido por um fosso que o rodeava, alimentado pelas águas do Tejo.
No interior, sobressaía de todo o conjunto, a torre do Alcaide.
Segundo consta dos arquivos da Ordem, foi o único castelo que teve uma nascente de água doce, do tipo a que se costumava dar o nome de "olhos de água" e que brotava copiosamente do chão por uma abertura na rocha, no interior das suas muralhas.

"... desde a tomada de Santarem que nos haviamos instalado na fortaleza muçulmana de Ayun al-M'hiah, famosa por possuir dentro uma abundante fonte de ágoa purissima que saía a jorros à flor-do-chaõ... "

Tomadas Santarém e Lisboa, todos os restantes baluartes mouriscos ao longo do baixo Tejo capitularam, mais ou menos de forma pacífica, ficando a constituir para os cristãos, uma linha raiana de defesa vital.

Após a doação oficial, aqui foi criada a Comenda Templária de São Miguel da Cardica, cujo vasto território de terrenos férteis, foi mais tarde uma importante fonte de fornecimento de produtos agrícolas aos freires de Thomar da Ordem de Christo.

Regra:cap.LVII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que os Religiosos Templarios naõ tratem com excommungados.

Capitulo LVII

Irmaõs, temey muito, e adverti, que nenhum dos Soldados de Christo communique com os excommungados, assim em publico, como em particular, nem trate suas cousas ; porque o naõ comprehenda a mesma excommunhaõ.   Porém se estiver sómente suspenso, bem poderá communicallo, e favorecer seus negocios.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Irmãos de Armas



AQIM
Cavalo de guerra Templário !

Um Amigo. Um Irmão !

Não te eram precisas palavras. Bastava-te um olhar. Um afago.

Meu AQIM ...
Parte de mim partiu contigo...

Um dia, fiel Companheiro, voltaremos a desafiar o vento.
Tu e eu. Outra vez, juntos !

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O soldado Milhais


Batalha de La Lys

A Batalha de La Lys, deu-se entre 9 e 29 de Abril de 1918, no vale da ribeira de La Lys, sector de Ypres, na região da Flandres, Bélgica.

"... Nesta batalha, que marcou a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, os exércitos alemães provocaram uma dolorosa derrota às tropas portuguesas, constituindo a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.

A frente de combate distribuía-se numa extensa linha de 55 quilómetros, entre as localidades de Gravelle e de Armentières, guarnecida pelo 11° Corpo Britânico, com cerca de 84 000 homens, entre os quais se compreendia a 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP), constituída por cerca de 20 000 homens, dos quais somente pouco mais de 15 000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo general Gomes da Costa. Esta linha viu-se impotente para sustentar o embate de oito divisões do 6º Exército Alemão, com cerca de 55 000 homens comandados pelo general Ferdinand von Quast (1850-1934). Essa ofensiva alemã, montada por Erich Ludendorff, ficou conhecida como ofensiva "Georgette" e visava à tomada de Calais e Boulogne-sur-Mer. As tropas portuguesas, em apenas quatro horas de batalha, perderam cerca de 7500 homens entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros, ou seja, mais de um terço dos efectivos, entre os quais 327 oficiais.

Entre as diversas razões para esta derrota tão evidente têm sido citadas, por diversos historiadores, as seguintes:
- A revolução havida no mês de Dezembro de 1915, em Lisboa, que colocou na Presidência da República o Major Doutor Sidónio Pais, o qual alterou profundamente a política de beligerância prosseguida antes pelo Partido Democrático;
- A chamada a Lisboa, por ordem de Sidónio Pais, de muitos oficiais com experiência de guerra ou por razões de perseguição política ou de favor político;
- Devido à falta de barcos, as tropas portuguesas não foram rendidas pelas britânicas, o que provocou um grande desânimo nos soldados. Além disso, alguns oficiais, com maior poder económico e influência, conseguiram regressar a Portugal, mas não voltaram para ocupar os seus postos;
- O armamento alemão era muito melhor em qualidade e quantidade do que o usado pelas tropas portuguesas o qual, no entanto, era igual ao das tropas britânicas;
- O ataque alemão deu-se no dia em que as tropas lusas tinham recebido ordens para, finalmente, serem deslocadas para posições mais à rectaguarda;
- As tropas britânicas recuaram em suas posições, deixando expostos os flancos do CEP, facilitando o seu envolvimento e aniquilação.

O resultado da batalha já era esperado por oficiais responsáveis dentro do CEP, Gomes da Costa e Sinel de Cordes, que por diversas vezes tinham comunicado ao governo português o estado calamitoso das tropas.

Nesta batalha a 2ª Divisão do CEP foi completamente desbaratada, sacrificando-se nela muitas vidas, entre os mortos, feridos, desaparecidos e capturados como prisioneiros de guerra. No meio do caos, distinguiram-se vários homens, anónimos na sua maior parte. Porém, um nome ficou para a História, deturpado, mas sempiterno: o soldado Milhões.

De seu verdadeiro nome Aníbal Milhais, natural de Valongo, em Murça, viu-se sozinho na sua trincheira, apenas munido da sua menina, uma metralhadora Lewis, conhecida entre os lusos como a Luísa. Munido da coragem que só no campo de batalha é possível, enfrentou sozinho as colunas alemãs que se atravessaram no seu caminho, o que em último caso permitiu a retirada de vários soldados portugueses e britânicos para as posições defensivas da rectaguarda. Vagueando pelas trincheiras e campos, ora de ninguém ora ocupados pelos alemães, o soldado Milhões continuou ainda a fazer fogo esporádico, para o qual se valeu de cunhetes de balas que foi encontrando pelo caminho. Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um major escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano. Foi este médico, para sempre agradecido, que deu conta ao exército aliado dos feitos do soldado transmontano.

Regressado a um acampamento português, um comandante saudou-o, dizendo o que ficaria para a História de Portugal, "Tu és Milhais, mas vales Milhões!". Foi o único soldado raso português da Primeira Guerra a ser condecorado com o Colar da Ordem da Torre e Espada, a mais alta condecoração existente no país."


Presentes nas tropas portugueses estiveram sempre as insígnias, pendões e estandartes, com o símbolo da Ordem de Cristo, sucessora dos Templários Portugueses.
Os portadores de tais símbolos, mais uma vez deram prova de valentia e heroísmo extremo.
Com o sangue do seu sacrifício reavivaram o vermelho da Cruz Templária.
Nunca os esqueceremos!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Santa Maria de Azinhoso

A 25 de Maio do ano de 1297 El-Rei D. Diniz com a Rainha Santa Isabel e seus filhos os infantes D. Afonso e D. Constança, fazem em Coimbra Carta de doação "aos Templarios do padroado das igrejas de S. Mamede de Mogadouro e de Santa Maria de Pena-Royas", com todas as suas capelas e ermidas, direitos e pertenças. Isto com o consentimento de D. Martinho, arcebispo de Braga.

" ... E nem alguem se persuada, que n'esta doaçaõ amplissima se incluio a ermida do Azinhoso, e que entaõ foi quando os Templarios fizeram levantar este vasto edificio, que ainda hoje se faz distinguir ; porquanto a Real Coroa naõ dimittio senaõ o que lhe pertencia, e naõ o que era de tempos immemoraveis dos Arcebispos de Braga.
Isto se evidencia da composiçaõ, que D. Vasco Fernandes, Mestre da Ordem do Templo em Portugal, fez com o mesmo arcebispo sobre a terça pontificial, que as igrejas de Mogadouro, e Pena-Royas deviam pagar à mitra ; assentando, que pela terça, e direitos pontificaes, ou episcopaes, houvesse o Arcebispo a quinta parte dos dizimos : que houvesse a preocupaçaõ de cada huma das ditas igrejas, quando as fosse visitar : que instituisse os apresentados ás ditas igrejas pela Ordem, ora fossem freires, ora seculares, sendo idoneos, os quaes prestariam obediencia, e iriam aos synodos dos arcebispos de Braga.  Reserva com tudo o arcebispo D. Martinho para si a cera, e os votos, que das ditas igrejas se lhe costumavam pagar, acrescentando :
" Heremitagium tamen nostrum, quod vocatur Sancta Maria de Azinoso, cum omnibus juribus, et pertinentiis suis, nobis nichilominùs reservamus."
Feito o instrumento em Santarem a 16 de Outubro, e novamente approvado, e se'lado em Braga pello mesmo Arcebispo a 11 de Dezembro, se acha original no archivo de Thomar."

No ano de 1301, era já conhecido por Santuário do Azinhoso.
Camara dos arcebispos de Braga, cujas casas de residência ficavam ao lado da Igreja, no sítio que ainda hoje se chama o Curral do Bispo.

Estava longe o tempo glório da Ordem, adivinhando-se já o que por aí vinha...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Regra:cap.LVI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que fóra deste caso daqui em diante naõ hajaõ outras Irmãas.

Capítulo LVI

He muy perigoso, fóra deste caso, unir com vós outros algumas Irmãas ; porque o inimigo commum derribou a muitos do caminho do Ceo, pela conversaçaõ das mulheres.   E assim, Irmaõs carissimos, para guardar em flor a pureza, naõ se permitta daqui em diante tal trato, e communicaçaõ.