segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Alfa Burion (6)


O LEGADO ÁRABE DE TUMAR



  Um castelo e um templo semi-destruídos, muros e paredes derrubados para as ruas e interior das casas e quintais, restos carbonizados de telhados.
Foi esta a visão que os velhos cavaleiros Templários tiveram do que restava da outrora Moçab-d'har.
Tudo coberto por um manto silvestre e num completo abandono.

" ... na margem do rio; do escombro da grande roda e do que o fogo não queimou sobrou apenas a parte que ficou em contacto com a água da levada; agora seca por terem derrubado o açude. Da torre que dela recolhia as águas pouco resta; saindo de um dos seus cantos o côto queimado do que se imagina ter sido a caleira do aquaduto de madeira que levava a água até aos fontanários e pátios do bairro ribeirinho."

" ... vem encostado ao monte até à beira do rio e é composto de pouco mais de quarenta casas de pedra e adobe; todas pequenas com estreitas ruas à moda dos mouros; à parte duas delas que são maiores e têm pátios interiores."

" ... no arrabalde ali muito perto uma pequena mesquita com o alminar derrubado sobre ela; de maneira que quase não se distinguem na ruína que estão."

" As casas da encosta a Sul do monte não tiveram destino diverso senão a destruição pelo fogo que lhes derrubou tudo. Não são mais de dez de cada lado da calçada que conduz ao castelo. Aqui o bairro da ladeira começa na cuba do morabito e estende-se até à ribeira. Entre os dois morros do castelo e do templo nasce uma generosa fonte de boas águas que pensamos ter servido este lado da povoação."

" ... a ruína do castelo mouro não é grande; maior é a do templo redondo que foi derribado ao alto pela metade e deixa ver à sua entrada e por entre os silvados um enorme subterrâneo."

Estes excertos de texto traduzido do português arcaico fazem parte do balanço registado em 1159 pelos Mestres construtores do estado das ruínas na margem direita do rio Thumart e foram depois lançados, já de forma ordenada no Alfa Burion  a partir de 1192 pelos Irmãos escribas.
A partir desse balanço e do projecto resultante, os Templários iniciaram aquele que foi o esforço gigantesco de recuperar, numa primeira fase, os dois núcleos populacionais, o castelo e o grande templo no espaço de apenas três anos.
Em 1162 já os futuros povoadores de Tomar recebiam o seu primeiro foral das mãos de fr. Dom Gualdim Pais, Mestre provincial da Ordem em Portugal.

Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem