quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Boas Festas queridos Irmãos


Nestes tempos conturbados que vivemos e em que assistimos ao retalhar do País que tanto nos custou a fundar e a consolidar é imperioso reflectirmos todos sobre o caminho a tomar.

Temos o dever de evitar que a nossa herança seja a breve prazo reduzida a pó em consequência do abandono do "sentir Português" das gerações de hoje. Evitar que a riqueza dessa mesma herança seja completamente esquecida pelas gerações vindouras.

Nesta quadra festiva que nos aproxima mais uns dos outros, nos torna mais humanos, mais fraternos, mais conscientes dos sacrifícios do passado, há um presente que podemos e devemos oferecer: um futuro melhor para os nossos filhos.

Para que eles nos recordem com carinho e orgulho.


Um Santo Natal e um Ano Novo próspero
para todos vós.

Irmão Principalis

sábado, 5 de dezembro de 2015

Alfa Burion (7)





Começo aqui, nesta sétima parte, a descrição do que foi a primeira fase da construção do castelo da nossa Ordem do Templo, à sombra do qual se desenvolveu o lugar que mais tarde se chamaria Tomar.
Estávamos então na primavera de 1160.

Tendo sido uma situação provisória a adoptada na margem esquerda do rio com a fortificação precária do que restava do convento dos frades beneditinos, Mestre Gualdim iniciou de imediato a recuperação do castelo mouro situado no cimo do monte fronteiro com o intuito de melhorar as condições de defesa da nossa milícia.

No início da segunda parte do Alfa Burion são descritos os pormenores dos céleres trabalhos no topo oriental do monte; "...onde se levantaram os panos de muralha derrubados, recolocaram-se portões, alpendres e alojamentos. Limpou-se a praça de armas."

"...e reconstruída a alcáçova no cimo do monte, de pronto se transferiu para ali a casa militar da Ordem. Nela foi acrescentada em altura a antiga torre que passou a ser o aposento particular do Mestre."

"As antigas masmorras foram só em parte aproveitadas e adaptadas para aumento da cisterna tendo as restantes sido tapadas por não se poder fazer delas nenhum serviço."

"...o  restante espaço foi usado para aposentos dos nossos freires e, na própria praça de armas foram instaladas as cavalariças."

"Contava a ordem neste lugar com 23 de cavalo e lança [cavaleiros] 9 de arco longo [arqueiros] e 11 sargentos. Os restantes soldados e os muitos artesãos construtores e serviçais tinham as suas tendas no exterior."

No dito registo dá-se também conta da instituição neste local, do primeiro espaço religioso cristão, ainda que situado fora do recinto fortificado.
Surge aqui, sem margem para dúvida, a primitiva igreja de Santa Maria do Castelo.

"Porque a igreja de Sião se encontrava tão derribada, o Mestre mandou que se aproveitasse a pequena cuba mourisca para converte-la em templo cristão; o que foi feito de pronto e após a sua reforma e consagração à Santíssima Maria."

" ...no pequeno cabeço rochoso junto à entrada do cemitério mandou o Mestre colocar o cruzeiro da santa Sophia; que trouxera de Jerusalém e que era todo ele  lavrado em uma única peça de mármore branco."

De notar uma vez mais que nesta fase tanto a 'charola' como o morabito ficavam no exterior dos muros da alcáçova.  Urgia agora o Mestre ver guarnecidas as suas muralhas com uma técnica de defesa inovadora para a época; o alambor.

" ...trazendo de boa memória os sistemas de defesa dos castelos do ultramar Mestre Gualdim logo encarregou frei Martim Preto de em seguida começar a cercar as partes mais expostas do castelo com um forte alambor; obra a iniciar em breve [...] deixando por ora os templos no exterior.
Era de Nosso Senhor Jesu Christo de 1160 Outubro."


Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem