quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Alfa Burion (9)



               Arco dos Cavaleiros


Santa Maria do Castelo foi a preocupação seguinte de Mestre Gualdim.
Não só porque nesta fase da construção do castelo a capela ficara extra muros mas também porque o afloramento rochoso onde se encontrava implantada era um problema para a defesa da muralha Sul caso fosse ocupado por forças de cerco.
E a porta da Ribeira era ali ao pé.

O engenho militar Templário continuou a manifestar-se e novo projecto foi delineado. 
Foi decidido demolir o antigo morabito e arrasar o pequeno morro.
Por ser um afloramento calcário decidiu-se utilizar a pedra daí extraída para a construção do muro de contenção ao caminho que irá circundar o alambor ao redor da alcáçova ligando pelo exterior as portas da Ribeira e de Santiago (não a que hoje é conhecida mas a que lhe ficava mais a norte). 

" ...para ligar o castelo à povoação que lhe jaz em baixo o Mestre mandou construir a calçada ao jeito mourisco. Fez aplanar o terreno no cimo junto ao castelo e mandou-lhe apôr o nome de Terreiro de Santiago. Ali bem no meio mandou esculpir para colocar a Cruz de Portugal uma base de oito lados ambas de pedra fina." 

( Esta Cruz de Portugal foi depois levada para o Algarve pelos nossos aquando da primeira conquista de Silves e por lá ficou e se perdeu. ) 

" ... dispondo de uma nova porta servida pela calçada que do terreiro descia ao povoado, foi decidido utilizá-la para serviço comum enquanto que o novo caminho que partia do terreiro para a velha porta da Ribeira ficou destinado apenas aos irmãos da Ordem. Um grande arco em pedra construído entre o alambor e o adro da igreja marcava o limite onde só podiam entrar os da Ordem. Não tinha porta nem fosso e chamaram-lhe o Arco dos Cavaleiros."

Para a construção da nova igreja de Santa Maria havia sido arrasado e aplanado o afloramento rochoso onde antes estivera o velho morabito, passando-se à sua escavação para construção da cripta e da passagem subterrânea que a ligaria à torre de menagem. No tímpano do portal foi mandado colocar a pedra dos Leões e no terrado em frente voltou a ser colocado o cruzeiro de Santa Sophia, tendo ficado o velho cemitério árabe subterrado sob o chão do novo adro.

A nova igreja de Santa Maria do Castelo foi inaugurada na manhã do dia de Natal de 1172 da Era de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Alfa Burion (8)






Com a construção do alambor quase concluída, surgiram rumores de novas investidas dos mouros em terras reconquistadas pelos portugueses.
Frei Gualdim decidiu aumentar o esforço construtivo e mandou edificar dois troços de muralha com as respectivas torres de defesa que unissem a alcáçova à igreja de Sião, a qual mandou igualmente fortificar, aumentando assim a área do reduto militar.

"... uma dessas muralhas partia directamente da torre no recanto Sudoeste da fortaleza, junto à 'porta de Santarém' ou 'da Ribeira' até sensivelmente a meio da  "torre-oratório", deixando a entrada desta protegida na parte de dentro da muralha. 
O outro segmento de muralha partia da torre semicircular no recanto Noroeste, para norte, onde fazia um vértice reforçado com uma forte torre quadrada e daí vinha para sul até fechar na igreja de Sião de forma  que esta constituía o outro vértice das muralhas, incluída no conjunto de torres de defesa do novo perímetro amuralhado.
O conjunto defensivo contava, nesta fase de construção, com a velha 'porta de Santarém' a Sul e as novas portas 'de Santiago' a nascente e 'da traição' a poente.
 Para a construção dos silhares das muralhas, das torres e das portas foram utilizadas as pedras trazidas da margem esquerda do rio Tumart que pertenceram ao convento beneditino e ás ruínas romanas da antiga Nabância.
Para o enchimento das muralhas e torres foram usadas as pedras do antigo bairro da encosta Sul do castelo, tendo este bairro sido na altura completamente desmantelado, subsistindo apenas a calçada mourisca.
Para enchimento e conclusão do alambor usaram-se pedras retiradas do interior do monte, trazidas dos seus subterrâneos, o que revelou antiguidades que ninguém esperava encontrar..."

Ficou concluída esta obra a treze de Setembro da era de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1169 ficando apenas fora de muralhas a capela de santa Maria do Castelo e o pequeno cemitério.

Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem