domingo, 14 de maio de 2017

Pontes caídas




Pobre pomba branca
que te mantêm no escuro
envolta em manto tão negro

deixando-te em grilhões presa
por detrás de grades púrpura
que encerram teu degredo


Presa mas não esquecida
que eu o corvo mais velho
fiel sombra e leal amigo

usando o tempo farei questão
de partir as grades que te retêm
para te libertar e levar comigo


Levar-te para longe da mentira
dos que dizem hoje com falsidade
serem os que vestem tuas alvas penas

tentando na vã futilidade da vida
tornar grandes as minguadas almas
soprando tal vida em vidas tão pequenas


Tu, a ponte de entre todas a eleita
podias em teus feitos ter escrito hoje
que do negro manto a alva pomba soltaste

mas deixaste somente palavras ao vento
que no seu esquecimento já o vento leva
deixando apenas na memória a justiça que negaste

Fr. Salvador
1965, Dezembro



"...a Igreja Católica deverá ser 'missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor' "

Esqueceste o 'justa' e 'libertadora'.

Que Santa Maria te perdoe, proteja e continue a guiar, Irmão Jorge.

Irmão Principalis
+++ Maio, 2017

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Tombo:LXIX


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


21 de Janeiro de 1227

Carta de doação feita por Dom Soeiro Rodrigues à Ordem do Templo,
da terça parte de todos os seus bens.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Olivença e Fr. Pantaleão



Conforme prometido anteriormente, vamos hoje falar um pouco da
mui nobre e sempre Portuguesa Terra de Olivença.
E decidimos fazê-lo seguindo as memórias de Fr. Pantaleão, guiando-nos pela sua pena.

Nascido em 1212 em Besièrs, na região costeira da Occitânia (hoje sul de França), veio em 1222 com a família - refugiada da tristemente conhecida cruzada cristã contra os cátaros - para o reino de Portugal onde se estabeleceu com os pais na comunidade de Montalvão, na região Templária da Açafa.
Em 1229 é recebido na Ordem do Templo e nesse mesmo ano é promovido a sargento-capelão.
Integrando a falange Templária Portuguesa, participa em 1230 na conquista de Badajoz aos mouros.
Em reconhecimento, Afonso IX de Leão faz doação de alguns lugares à Ordem do Templo entre eles o de Alconchel onde Fr. Pantaleão é colocado. Nesse mesmo ano de 1230, no dia de S. Jorge e com apenas 18 anos, é investido e armado Cavaleiro Português da Ordem do Templo.

Fr. Pantaleão é referido nos velhos registos como sendo "...um homem afável e bondoso e de mui bom trato que cativou a admiração e o carinho das gentes de Alconchel."
Talvez por isso tenha sido o primeiro a receber a notícia, quase a segredo, do achamento de uma imagem muito antiga num lugar perto e a Norte dali, representando Maria grávida, oculta sob as raízes de uma velha oliveira.
Relata-nos ele: "... reconheci-a de pronto como a Senhora das Esperanças a que o povo dava antigamente o nome do Ó e que havia desaparecido no tempo da última invasão moura destas terras. Estava debaixo de uma velha e carcomida oliveira envolta num burel já apodrecido e cheia de lodo. Lavei-a na fonte que está ao lado e de pronto o povo começou a falar de milagre. Logo ali lhe ergueram uma pequena ermida a que deram o nome de Nossa Senhora da Esperança, e porque o linguarejar popular tem destas coisas o lugar se ficou conhecendo por Olivança; que vem da mistura da oliveira com a esperança."

Dentre em pouco, a Ordem manda ali construir umas casas anexas à ermida para seis freires do Templo tendo como companheiro e guia espiritual Fr. Pantaleão. Pouco depois, uma guarnição Templária é destacada de Alconchel e colocada na então já denominada Olivança. Esta seria o embrião da futura Comenda Templária que a Ordem iria "prover de forte castelo e seu fossado".


Voltamos a ter notícia de Fr. Pantaleão muitos anos depois já pela pena de um dos seus discípulos numa memória das casas da Ordem nas várzeas do Liz (Carvoeira-Mafra), habitando numa ermida por ele mandada construir, situada perto da foz do rio Lizandro. Lê-se nesse registo: "...Mestre Pantaleão trouxe consigo dos lados de a'Safra a imagem antiga da Senhora do Ó e aqui a consagrou. Dizia em vida que por nostalgia da sua terra natal haveria de morrer junto do mar que amava e acompanhado de Maria que do mar também tinha vindo e do mar havia saudade [...] acabou aqui seus dias com a notável idade de 68 anos. Casas do Liz da venerável Ordem do Templo em Portugal, ano do Senhor de 1280."

Um outro registo diz-nos que devido à suspensão da Ordem e à desactivação das casas do Templo neste lugar, foi necessário esconder novamente a imagem da Senhora do Ó numa pequena gruta situada por cima da ermida e que ali esteve durante bastante tempo oculta. Diz-nos essa outra memória que: "... por lapso dos Irmãos amanuenses onde estava escrito: guardada na Lapa da S.ra [lapa da Senhora] leram Lapa da Serra e assim tomou o nome o lugar que fica acima da gruta..."

É dado assente que a imagem da Senhora do Ó (hoje sob custódia dos Templários Portugueses) traz consigo associadas a memória do nosso querido Irmão Fr. Pantaleão e a criação de pelo menos três topónimos Templários: a sempre portuguesa cidade de Olivença, o sítio da Senhora do Ó e a aldeia da Lapa da Serra.
Testemunhos de quão fascinantes, embora atribuladas, podem ser as encruzilhadas da História.

Fr. Manuel F.B.


Cronista-mór da Ordem
dos Cavaleiros Templários Portugueses
(com votos de um bom ano)