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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Olivença e Fr. Pantaleão



Conforme prometido anteriormente, vamos hoje falar um pouco da
mui nobre e sempre Portuguesa Terra de Olivença.
E decidimos fazê-lo seguindo as memórias de Fr. Pantaleão, guiando-nos pela sua pena.

Nascido em 1212 em Besièrs, na região costeira da Occitânia (hoje sul de França), veio em 1222 com a família - refugiada da tristemente conhecida cruzada cristã contra os cátaros - para o reino de Portugal onde se estabeleceu com os pais na comunidade de Montalvão, na região Templária da Açafa.
Em 1229 é recebido na Ordem do Templo e nesse mesmo ano é promovido a sargento-capelão.
Integrando a falange Templária Portuguesa, participa em 1230 na conquista de Badajoz aos mouros.
Em reconhecimento, Afonso IX de Leão faz doação de alguns lugares à Ordem do Templo entre eles o de Alconchel onde Fr. Pantaleão é colocado. Nesse mesmo ano de 1230, no dia de S. Jorge e com apenas 18 anos, é investido e armado Cavaleiro Português da Ordem do Templo.

Fr. Pantaleão é referido nos velhos registos como sendo "...um homem afável e bondoso e de mui bom trato que cativou a admiração e o carinho das gentes de Alconchel."
Talvez por isso tenha sido o primeiro a receber a notícia, quase a segredo, do achamento de uma imagem muito antiga num lugar perto e a Norte dali, representando Maria grávida, oculta sob as raízes de uma velha oliveira.
Relata-nos ele: "... reconheci-a de pronto como a Senhora das Esperanças a que o povo dava antigamente o nome do Ó e que havia desaparecido no tempo da última invasão moura destas terras. Estava debaixo de uma velha e carcomida oliveira envolta num burel já apodrecido e cheia de lodo. Lavei-a na fonte que está ao lado e de pronto o povo começou a falar de milagre. Logo ali lhe ergueram uma pequena ermida a que deram o nome de Nossa Senhora da Esperança, e porque o linguarejar popular tem destas coisas o lugar se ficou conhecendo por Olivança; que vem da mistura da oliveira com a esperança."

Dentre em pouco, a Ordem manda ali construir umas casas anexas à ermida para seis freires do Templo tendo como companheiro e guia espiritual Fr. Pantaleão. Pouco depois, uma guarnição Templária é destacada de Alconchel e colocada na então já denominada Olivança. Esta seria o embrião da futura Comenda Templária que a Ordem iria "prover de forte castelo e seu fossado".


Voltamos a ter notícia de Fr. Pantaleão muitos anos depois já pela pena de um dos seus discípulos numa memória das casas da Ordem nas várzeas do Liz (Carvoeira-Mafra), habitando numa ermida por ele mandada construir, situada perto da foz do rio Lizandro. Lê-se nesse registo: "...Mestre Pantaleão trouxe consigo dos lados de a'Safra a imagem antiga da Senhora do Ó e aqui a consagrou. Dizia em vida que por nostalgia da sua terra natal haveria de morrer junto do mar que amava e acompanhado de Maria que do mar também tinha vindo e do mar havia saudade [...] acabou aqui seus dias com a notável idade de 68 anos. Casas do Liz da venerável Ordem do Templo em Portugal, ano do Senhor de 1280."

Um outro registo diz-nos que devido à suspensão da Ordem e à desactivação das casas do Templo neste lugar, foi necessário esconder novamente a imagem da Senhora do Ó numa pequena gruta situada por cima da ermida e que ali esteve durante bastante tempo oculta. Diz-nos essa outra memória que: "... por lapso dos Irmãos amanuenses onde estava escrito: guardada na Lapa da S.ra [lapa da Senhora] leram Lapa da Serra e assim tomou o nome o lugar que fica acima da gruta..."

É dado assente que a imagem da Senhora do Ó (hoje sob custódia dos Templários Portugueses) traz consigo associadas a memória do nosso querido Irmão Fr. Pantaleão e a criação de pelo menos três topónimos Templários: a sempre portuguesa cidade de Olivença, o sítio da Senhora do Ó e a aldeia da Lapa da Serra.
Testemunhos de quão fascinantes, embora atribuladas, podem ser as encruzilhadas da História.

Fr. Manuel F.B.


Cronista-mór da Ordem
dos Cavaleiros Templários Portugueses
(com votos de um bom ano)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Castelo Novo


Apesar de muito modificado,
isto é o que resta do antigo Castelo Templário do Lageal,
conhecido como Castelo Novo.


Em 1172 El-Rei D. Afonso I de Portugal fez doação à Ordem do Templo do que restava do velho castelo mourisco de Balaq'ruq; uma velha fortaleza árabe em adiantado estado de ruína.
Entretanto, a pequena comunidade de mouros alforriados ali existente já se estabelecera um pouco mais a nascente sobre os restos de uma outra construção ainda mais antiga.
Por, este último lugar já se projectar a alguma distância do primeiro e oferecer melhores condições de defesa, Mestre Gualdim Paes decide mandar construir aí um novo castelo, aproveitando os restos materiais da velha fortaleza.
Nasce assim o Castelo do Lageal ou, como ficou oficialmente registado na Ordem, o Castelo Templário de S. Miguel do Lageal e respectiva Comenda.
A 23 de Outubro de 1179, Mestre Gualdim atribui a este novo lugar o seu primeiro foral.
Em 1199 D. Sancho I faz a doação da região da Açafa à Ordem do Templo e um ano e meio depois, após os Templários reconstruírem (a partir de um velho castro) o Castelo de Montalvão, perto de Nisa, a Ordem entrega o Castelo do Lageal à coroa.
A 10 de Maio de 1202 D. Pedro Guterres, como seu donatário, atribui novo foral à localidade denominando-a já como Castelo Novo.
Em Janeiro de 1205, deixa em testamento à Ordem do Templo a terça parte de Castelo Novo, em reconhecida homenagem aos fundadores Templários.

Ermida de S. Brás

Construída sobre uma primitiva capela do Templo, a ermida de S. Brás ostenta ainda o símbolo Templário da Ordem de Cristo sobre o arco da porta principal.

Cruz da Ordem de Cristo

Junto à fonte de S. Brás (antiga fonte dos mouros) estiveram os túmulos de diversos cavaleiros do Templo e as suas respectivas cabeceiras discóides, entretanto removidas há muito.
Também há muito aqui se reuniam para orar em conjunto, cristãos e mouros-livres em perfeita harmonia religiosa. Uma das características da convivência Templária.

Fonte de S. Brás

Testemunhos desses tempos idos, ainda são perceptíveis na toponímia actual nomes como a Rua da Quinta das Lages e o Caminho do Barrigoso que conduzia ao mourisco castelo de Balaq'ruq, sendo Barrigoso uma antiga corruptela deste nome árabe.

______///______

Queremos aqui agradecer as duas fotos seguintes que João Natividade gentilmente nos enviou e que testemunham a presença da Ordem interna nestas paragens.


"Cruz" da Ordem interna dos Cavaleiros Templários Portugueses,
em tudo idêntica à que se encontra junto à cisterna do castelo de Longroiva.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O castelo da Redinha



Segundo as velhas crónicas árabes, o hoje desaparecido castelo Templário da Redinha teria sido construído nos finais do século X por Ibn Al-Kader a partir de antigas estruturas romanas situadas sobre uma curva rochosa do actual rio Anços.
Mencionam as ditas crónicas "...o castelo de Al-Dulab, construído todo em taipa militar excepto as partes do lado do rio, que já ali estavam e eram da mesma pedra da ponte dos antigos romi, situada mais abaixo".

Os Templários Portugueses receberam esta estrutura militar em bom estado de conservação, tendo-lhe acrescentado uma torre de menagem, construída sobre uma antiga cisterna (ou tanque, dependendo da tradução) e para a qual utilizaram materiais das antigas ruínas romanas.

Mais tarde construíram uma cerca que se prolongava para Sul das portas do castelo. Esta cerca acolheu a primeira população da Redinha, cujas habitações eram inicialmente constituídas apenas por tendas.
Porque as antigas muralhas de taipa árabe ameaçavam ruína, foram demolidas e usadas para aterros, tendo a pedraria restante sido usada nos edifícios da vila e em muros divisórios e de retenção de terras..

Foi nessa altura que se construiu a Casa da Comenda que ficava encostada à cerca, junto à Porta da Azenha.

(arquivos da ORCATEMPO)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Castelo Templário de Punhete




Na confluência do rio Zêzere com o Tejo, na vila que hoje se chama Constância, existiu até princípios do século passado uma grande torre, sobrevivente do desaparecido castelo Templário de Punhete.
Os textos mais antigos que possuímos falam de uma torre primitiva, possivelmente de construção romana, edificada sobre um ilhéu rochoso, junto à margem, tal como o de Almourol mas mais pequeno.
Há quem afirme que aqui existiu a Pugna Tagi romana.
Documentos da Ordem do Templo descrevem-nos a tomada pacífica do castelo mouro de al-Mutriqah, neste local, pelas forças de el-Rei Dom Afonso I, no mesmo ano da conquista da praça forte de Santarém, em 1147.

"...o castelo de Al-Mutrica é mais pequeno que o da Cardica e tem a sua torre principal fora dele numa ilhota junto à margem e unida a este por uma forte e alta ponte suspensa de madeira. Serve esta torre de atalaia para vigiar quem passa no Tejo e quem quer entrar as águas rebeldes do Zezere. Por ter este singelo aspecto já os arabes lhe chamavam o "Pequeno Martelo" ou Al-Mutrica e por isso se determinou chamar-lhe de Punhete que é o nome que damos a esses instrumentos de ferreiro. Na margem do Tejo e virado a nascente tem um pequeno porto natural de resguardo com um bom embarcadouro todo em estacas e tabuado. É deste lado do castelo e fora dele que a pequena aldeia arabe se fixou. O primeiro grupo que aqui ficou destinado a montar guarda foi dos nossos Irmãos do Templo."
(Pergaminho da Ordem do Templo datado de 1150)
(Transcrição nossa)                     .

Segundo os nossos arquivos, o Comandante do destacamento Templário, Fr. Dom Miguel Paes recuperou o castelo, adossou um contraforte na torre e aumentou-a em altura.
Alguns anos mais tarde, em 1152, a torre já se encontrava unida ao castelo através de uma ponte em pedra à maneira das torres albarrans.
Sabe-se que numa enxurrada de proporções bíblicas, o Tejo provocou entre outras destruições, a derrocada desta ponte ou passadiço. Depois disso, optou-se por criar um aterro que uniu definitivamente o ilhéu à margem e o castelo ficou ligado à torre por uma muralha forte do tipo couraça com arcadas.

Em 1169, el-Rei Dom Afonso I faz doação oficial do castelo de Punhete à Ordem do Templo.
D. Dinis confirma-a à Ordem de Cristo.
Nos princípios do século XVI o castelo ainda estava na posse dos Sande, senhores de Punhete, na pessoa de Dom João de Sande, que lhe fez obras de vulto, introduzindo-lhe profundas alterações.
Foi aqui que el-Rei Dom Sebastião, então com 15 anos, se acoitou fugindo à peste que grassava em Lisboa e foi também aqui que Luis de Camões se apaixonou pela bela Isabel Freire, irmã do mesmo Dom João de Sande.


Na foto de cima ainda se pode ver o que restava da velha torre.
Em baixo, a torre já estava demolida, restando apenas as fundações.

Hoje nada resta desta primitiva estrutura defensiva nem do palácio seiscentista que aqui existiu depois.
A velha torre, que resistiu heroicamente até inícios do século XX, desapareceu para sempre, mandada derrubar pela autarquia em 1905.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Alconchel




O "Castelo de Ferro" dos Templários.


Quando se estudam os castelos Templários Portugueses, há a tendência para esquecer os fronteiriços, que estão actualmente em território espanhol.
Devemos esclarecer que tanto este que aqui hoje abordamos como o que iremos publicar proximamente, são casos especiais, uma vez que continuam portugueses, em território ocupado ilegalmente por Espanha.

Assim, vamos encontrar a sul de Olivença, o castelo Templário de Miraflores, na localidade de Alconchel.





No século XI os muçulmanos aqui reedificaram, sobre as ruínas de uma velha fortaleza, o hisn al-Hadid. O "Castelo de Ferro".

É conquistado em 1166 por el-Rei D. Afonso I de Portugal com a ajuda dos Templários Portugueses aos quais é confiada a sua defesa, assim como a protecção da população moçarabe.
Nesse mesmo ano o soberano faz dele doação à Ordem do Templo, tendo o Mestre D. Gualdim Pais mandado "recompor" o castelo, a que passa a chamar de Alconchel. Diz-se que tal nome se deve às características do terreno envolvente, onde as colinas faziam lembrar conchas do mar mas, na verdade deriva do arábico Alcoucel que significa "cúpula" ou "coruchéu", tal é a forma do monte onde o castelo se situa.




Em 1264 passou para a Coroa de Castela embora continuasse sob o controle dos Templários Portugueses cujos Mestres o foram dos três reinos (Portugal, Castela e Leão), assim permanecendo até 1312.

Ao cabo de século e meio de permanência no território os Comendadores Templários deixaram-nos, nos seus Livros de Guerra, uma vasta e riquíssima memória narrativa plena de casos de luta, disciplina, heroísmo, sacrifício, abnegação, convivência e benevolência.

Mas nem tudo ficou registado nesses diários militares da Ordem.
Existe uma curiosa lenda Templária, relatada num pergaminho datado do século XII por um velho morabito árabe (homem pio, rodeado de uma certa áurea de santidade) que habitava uma colina vizinha.
Uma lenda que publicaremos proximamente.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Comenda de S. Miguel da Cardiga


" El Rey Dom Affonso de Portugal nosso Senhor, e Irmaõ, fez Carta de doaçaõ do territorio da Cardica à Ordem do Templo, em 11 de outubro de 1169. "

O castelo árabe de Ayun al-M'hiah já havia sido ocupado pelos Templários por via de uma doação de El-Rei de 1148. Ficou nos registos da Ordem como castelo da Cardica.

Constituído por fortes muralhas de taipa militar e rematado por quatro enormes torreões circulares, era defendido por um fosso que o rodeava, alimentado pelas águas do Tejo.
No interior, sobressaía de todo o conjunto, a torre do Alcaide.
Segundo consta dos arquivos da Ordem, foi o único castelo que teve uma nascente de água doce, do tipo a que se costumava dar o nome de "olhos de água" e que brotava copiosamente do chão por uma abertura na rocha, no interior das suas muralhas.

"... desde a tomada de Santarem que nos haviamos instalado na fortaleza muçulmana de Ayun al-M'hiah, famosa por possuir dentro uma abundante fonte de ágoa purissima que saía a jorros à flor-do-chaõ... "

Tomadas Santarém e Lisboa, todos os restantes baluartes mouriscos ao longo do baixo Tejo capitularam, mais ou menos de forma pacífica, ficando a constituir para os cristãos, uma linha raiana de defesa vital.

Após a doação oficial, aqui foi criada a Comenda Templária de São Miguel da Cardica, cujo vasto território de terrenos férteis, foi mais tarde uma importante fonte de fornecimento de produtos agrícolas aos freires de Thomar da Ordem de Christo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Almourol



Se nos perguntassem, a nós Templários Portugueses, se existe no Reino um Castelo do Graal, de pronto responderíamos: Almourol

Terra de Moron.

Edificado sobre uma pequena ilha de rocha granítica em pleno curso do Tejo, Almourol é um dos nove Selos que encerram a Mística Templária de Portugal. ...Por Tu Graal.

Originalmente um pequeno castro Lusitano, evoluiu em época romana para uma torre fortificada cujo subterrâneo escavado na rocha serviu de masmorra ou prisão.
Sob ocupação árabe foi usada como atalaia, altura em que se construíu o primeiro perímetro de muralhas.
Já como castelo e perante as conquistas cristãs das fortalezas principais do Tejo, foi entregue intacto, devido à rendição amigável do seu Alcaide, o que levou o nosso Rei D. Afonso I a permitir a permanência de toda a população moura que aí habitava e tratava as terras envolventes.

Doado a Dom Gualdim Pais, foi por este adaptado à arquitectura militar Templária que com poucas diferenças se pode ver hoje, apesar dos restauros que sofreu em diversas épocas.
Não foi, no entanto, com intuitos defensivos que o velho Mestre lhe imprimiu a forma bélica. Digamos que os motivos foram mais... espirituais.

Quem o visita, não deixa de sentir aquela sensação esquisita de forte ligação ao local.
Quem percorre as suas muralhas e sobe ao cimo da torre de menagem, olhando para baixo e ao seu redor, perceberá a magia. O encantamento.
E se escutar com atenção o ruído rouco do que parece ser o suave deslizar do Tejo na base das suas pedras, conseguirá ouvir o velho Espírito Templário murmurar:

"Bem vindo, Irmão, ao Reino do Graal.
Contempla estas pedras que pisas.
Vê para além delas.
Aí estará o que procuras..."




Sobre a porta da torre de menagem, mandaram os Templários lavrar e colocar uma lápide, que evocava a construção de várias fortalezas pelo Mestre Gualdim, entre elas a de Almourol:

"...feito Procurador da caza do Templo em Portugal edificou este Castello, Pombal, Thomar, Zezere, e este que se chama Almeirol, e Monte Sancto."

Esta lápide foi dalí arrancada e levada para Thomar em época posterior apenas porque nela se mencionava também o castelo desta cidade.
Quem olhar com atenção, verificará que a porta da torre de menagem não é a original e que por cima dela se vê o remendo que fizeram de pedras toscas, depois de retirada a referida inscrição.

O castelo de Almourol aguarda que este erro histórico seja reparado.

A inscrição pertencente a Almourol e que está presentemente em Thomar

Uma outra inscrição que se encontrava colocada na entrada da pequena igreja de Santa Maria, que existiu no exterior do castelo, foi dali igualmente levada, tendo entretanto desaparecido.
...assim como fizeram desaparecer a dita igreja

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dornes



Em 1161, O Mestre D. Gualdim Pais reconstrói dos restos de uma atalaia pentagonal de origem romana uma torre de xisto com cunhais de calcário e o pano de muralha do seu pequeno recinto defensivo.
Esta irá fazer parte de um conjunto de pequenas fortificações que constituem uma cintura de vigilância ao longo do curso do rio Zêzere, protegendo tácticamente o castelo de Thomar.
Nasce a pequena Comenda de Dornes cuja importância estratégica se torna relevante quando os Templários decifram o significado da inscrição romana lavrada na pedra que mais tarde Mestre Gualdim manda colocar como verga na porta da torre:



" ... os povos antigos exploraram as minas de minério nobre, particularmente na região de Dornes, usando métodos primitivos. Os romanos deixaram gravada na pedra de armas que encimava a entrada do forte militar, o significado da sua presença ali: proteger a exploração das minas; de ouro (o círculo a cheio representando o sol) e de prata (o círculo vazado representando a lua). Entre estes símbolos, as 'Armas' da guarnição."


Os Templários facilmente descodificaram a inscrição e mais facilmente deram com as minas abandonadas, retomando a sua exploração, utilizando métodos de extração mais evoluídos e descobrindo novos filões.

" Para nossa surpresa, a terra ofertava-nos ouro puríssimo com a forma de folhas raiadas. A prata, essa encontrávamos na forma de teias de aranha e em rendilhados curiosíssimos. Tudo muito puro que martelávamos e guardávamos em pequenos blocos nas caves do Oratório...".

Dornes, foi o nome dado ao local, por haver junto ao rio uma pedreira subterrânea de onde se cortavam e retiravam as 'dornas' ou 'moendas' usadas nos moinhos de água.


Uns anos mais tarde é edificada uma cerca exterior para protecção dos habitantes de Dornes e, no interior do fortim, na praça de Armas, é mandada construir a pequena igreja de Santa Maria das Dornas, várias vezes reconstruída, hoje com o nome de Nossa Senhora das Dores (outrora do Pranto).


Da primitiva construção restam alguns vestígios, entre eles o brasão de Armas com inscrição referente a D. Frei Gonçalo de Sousa, implantado na fachada principal do templo.


_________________________
Escreve-se hoje que a igreja foi mandada construir em 1285 pela rainha D. Isabel, o que é falso!
A igreja primitiva foi obra de D. Gualdim.
O templo manteve a sua traça original até à época do Comendador fr. Gonçalo de Sousa.
As reconstruções deram-se mais tarde.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Penas Róias

Castelo de 'Penhas Rojas'

Os domínios de Penas Róias foram doados aos Cavaleiros do Templo em 1145 por Fernão Mendes, tenens da terra de Bragança.
O mestre Dom Gualdim Pais manda iniciar a construção do castelo em 1172, aproveitando o existente reduto defensivo que integrava já os velhos torreões de formato circular, típicos de estruturas leonesas na margem direita do rio Côa.
Em Maio de 1187, recebe foral.
Em 1197, El Rei Dom Sancho I em agradecimento pelos serviços prestados pela Ordem do Templo, doa a Vila de Idanha-a-Velha e em troca recebe os castelos e as igrejas de Penas Róias e Mogadouro.
A Ordem desloca assim, a sua actuação mais para sul, recebendo os domínios de Idanha-a-Velha e Monsanto, na Beira Baixa.
Juntamente com Mogadouro recebe carta de Foral em 1272, renovado a Penas Róias no ano seguinte.
Em 1319, face à suspensão da Ordem, Dom Dinis transfere estes domínios para a Ordem de Christo, continuadora do Templo.



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pombal



Quando os Templários portugueses passaram em 1126 pelo pequeno e antigo povoado de Chões, encontraram moradores que mal subsistiam devido ao receio de cultivar os campos em redor; o perigo das correrias dos mouros, sediados em Leiria, era constante.

"O castello de leyrea era dos sarraziis, e corriam a terra ataa coimbra. E faziam muyto mal aos christaaos em soyre e em pombal."

Mais tarde, em 1161, Mestre Gualdim manda construir no alto do outeiro da margem direita do rio Arunca, sobre as ruinas do velho castro lusitano romanizado e fortaleza árabe; o castelo de Pombal, cuja porta principal, virada a sul, vê expandir-se a vila onde se iriam erguer as igrejas de Santa Maria do Castelo, de S. Pedro e mais tarde, a de S. Martinho.
O Mestre concede foral a Pombal em 1174, renovando-o em 1176. A acrescentar a estes dois forais, concede também, em 1181, uma carta de privilégios.
Em 1171, 1179 e 1184 suportou investidas muçulmanas e em 1190 na sequência da invasão do califa almóada Almansor, o castelo de Pombal é parcialmente destruído.
Em todas elas os Templários defenderam Pombal com mestria e valor guerreiros.