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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Olivença e Fr. Pantaleão



Conforme prometido anteriormente, vamos hoje falar um pouco da
mui nobre e sempre Portuguesa Terra de Olivença.
E decidimos fazê-lo seguindo as memórias de Fr. Pantaleão, guiando-nos pela sua pena.

Nascido em 1212 em Besièrs, na região costeira da Occitânia (hoje sul de França), veio em 1222 com a família - refugiada da tristemente conhecida cruzada cristã contra os cátaros - para o reino de Portugal onde se estabeleceu com os pais na comunidade de Montalvão, na região Templária da Açafa.
Em 1229 é recebido na Ordem do Templo e nesse mesmo ano é promovido a sargento-capelão.
Integrando a falange Templária Portuguesa, participa em 1230 na conquista de Badajoz aos mouros.
Em reconhecimento, Afonso IX de Leão faz doação de alguns lugares à Ordem do Templo entre eles o de Alconchel onde Fr. Pantaleão é colocado. Nesse mesmo ano de 1230, no dia de S. Jorge e com apenas 18 anos, é investido e armado Cavaleiro Português da Ordem do Templo.

Fr. Pantaleão é referido nos velhos registos como sendo "...um homem afável e bondoso e de mui bom trato que cativou a admiração e o carinho das gentes de Alconchel."
Talvez por isso tenha sido o primeiro a receber a notícia, quase a segredo, do achamento de uma imagem muito antiga num lugar perto e a Norte dali, representando Maria grávida, oculta sob as raízes de uma velha oliveira.
Relata-nos ele: "... reconheci-a de pronto como a Senhora das Esperanças a que o povo dava antigamente o nome do Ó e que havia desaparecido no tempo da última invasão moura destas terras. Estava debaixo de uma velha e carcomida oliveira envolta num burel já apodrecido e cheia de lodo. Lavei-a na fonte que está ao lado e de pronto o povo começou a falar de milagre. Logo ali lhe ergueram uma pequena ermida a que deram o nome de Nossa Senhora da Esperança, e porque o linguarejar popular tem destas coisas o lugar se ficou conhecendo por Olivança; que vem da mistura da oliveira com a esperança."

Dentre em pouco, a Ordem manda ali construir umas casas anexas à ermida para seis freires do Templo tendo como companheiro e guia espiritual Fr. Pantaleão. Pouco depois, uma guarnição Templária é destacada de Alconchel e colocada na então já denominada Olivança. Esta seria o embrião da futura Comenda Templária que a Ordem iria "prover de forte castelo e seu fossado".


Voltamos a ter notícia de Fr. Pantaleão muitos anos depois já pela pena de um dos seus discípulos numa memória das casas da Ordem nas várzeas do Liz (Carvoeira-Mafra), habitando numa ermida por ele mandada construir, situada perto da foz do rio Lizandro. Lê-se nesse registo: "...Mestre Pantaleão trouxe consigo dos lados de a'Safra a imagem antiga da Senhora do Ó e aqui a consagrou. Dizia em vida que por nostalgia da sua terra natal haveria de morrer junto do mar que amava e acompanhado de Maria que do mar também tinha vindo e do mar havia saudade [...] acabou aqui seus dias com a notável idade de 68 anos. Casas do Liz da venerável Ordem do Templo em Portugal, ano do Senhor de 1280."

Um outro registo diz-nos que devido à suspensão da Ordem e à desactivação das casas do Templo neste lugar, foi necessário esconder novamente a imagem da Senhora do Ó numa pequena gruta situada por cima da ermida e que ali esteve durante bastante tempo oculta. Diz-nos essa outra memória que: "... por lapso dos Irmãos amanuenses onde estava escrito: guardada na Lapa da S.ra [lapa da Senhora] leram Lapa da Serra e assim tomou o nome o lugar que fica acima da gruta..."

É dado assente que a imagem da Senhora do Ó (hoje sob custódia dos Templários Portugueses) traz consigo associadas a memória do nosso querido Irmão Fr. Pantaleão e a criação de pelo menos três topónimos Templários: a sempre portuguesa cidade de Olivença, o sítio da Senhora do Ó e a aldeia da Lapa da Serra.
Testemunhos de quão fascinantes, embora atribuladas, podem ser as encruzilhadas da História.

Fr. Manuel F.B.


Cronista-mór da Ordem
dos Cavaleiros Templários Portugueses
(com votos de um bom ano)

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

As portas de Hades



"Aprendi com os homens que há portas que nos levam ao inferno.
Curioso, desci às profundezas da terra.
E lá estava ela.

Passei-a hesitante e vi-me num enorme lago.
Receei que chamas demoníacas rompessem as águas.
Mas só escutei um infernal... silêncio...
Sosseguei...

Gotas cristalinas caiam numa cadência quase ordenada do alto da abóbada rochosa.
Pling... ploc...
plic...
ploc...
Aos poucos, senti invadir-me uma infernal... paz...

Não sei quanto tempo ali estive naquele infernal paraíso.
Nem como voltei a passar aquela porta de Hades.
Só sei que regressei muito mais esclarecido ao inferno dos homens."

...///...


Pedra do lintel de uma das portas de Hades
do castelo Templário de Thomar

Das profundezas do submundo às oficinas do saber oculto, jaz hoje num lapidar abandono, testemunha da ignorância do homem moderno o qual, o que pensa saber será sempre e apenas a gota de um oceano que desconhece...
Fr. Saul

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Salão dos murmúrios




Entramos silenciosos nas caves do Templo.
Reconhecemos imediatamente cada parede...
cada tecto... cada porta... cada escada... cada recanto...

Propaga-se o som ambiente pelos amplos espaços.
Porém, o eco devolvido por cada uma daquelas pedras
parece divergente, difuso, intemporal.
É-nos familiar. Estamos em casa...

Paramos no meio do grande salão. Inclinamo-nos.
Colocamos um joelho naquele chão sagrado.
Baixamos a cabeça e de olhos fechados, escutamos...

Mentalmente, penetramos a matéria até ao coração da Masjid.
Abstraídos de tudo, tentamos ouvi-la.
A princípio custa a perceber o seu longínquo murmúrio.
Mas, aos poucos, ele se torna num suave e nítido sussurro:


"... a luta entre o bem e o mal não se faz com exércitos.
Ela é feita de vidas. Pode durar uma ou mil.
Ou toda a tua eternidade.
Por isso volta sempre que quiseres, velho Espírito.
O teu guerreiro da Luz será sempre bem vindo."

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Maria Magdalena


A verdade na mentira, guardamo-la no sangue.
Os segredos não o serão para sempre.


" E piou ge quowi,
í figu gipeov kere uv lai fcibep
i gipevoegu wergi kere uv lai kerwip."

domingo, 16 de novembro de 2014

A pedreira subterrânea de Alvito



A propósito da nossa publicação sobre D. Fr. Pedro Álvares, 8º Mestre do Templo em Portugal, demos na altura uma pequena introdução à razão porque lhe foi atribuído o cognome de 'o de Alvito'.
Vamos hoje dar-lhe o merecido desenvolvimento.

Fr. Pedro nasceu em Santarém no ano de Cristo de 1164.
Foi admitido na ordem em 1181 com 17 anos de idade e, desde logo, protegido de Mestre Gualdim.
Este nosso Irmão era conhecido pela sua bravura e apurado sentido de estratégia a par de uma bondade e inteligência que o tornaram carismático dentro da Ordem dos Templários.
Destemido, era excelente a executar missões de espionagem e sabotagem para lá das linhas inimigas integrando um grupo de guerreiros do Templo que, por falarem árabe fluentemente, se misturavam com facilidade entre os muçulmanos.

Tomado o castelo de Silves em 1189 por D. Sancho I, logo os sarracenos reagiram e, numa enorme contra-ofensiva, não só retomaram Silves como grande parte da região do Alentejo, até à margem esquerda do rio Tejo. Apenas Évora permaneceu em poder dos cristãos.
Entre 1190 e 1191, Ya'qub al-Mansur tomou as cidades de Alcácer do Sal, Palmela, Almada, Torres Novas e Abrantes, tentando invadir Tomar, sem sucesso, por lhe termos resistido e travado a sua onda invasora.

Da tomada de todas estas praças fortes, grande foi a mortandade cometida pela sanha sarracena nas populações cristãs, tendo muitos sido levados prisioneiros e feitos escravos nas minas e pedreiras alentejanas, sendo uma das mais famosas a pedreira subterrânea de Alvito.

Não se conformando o jovem Pedro Álvares com o destino desta pobre gente escravizada, apresentou ao Mestre Gualdim o audacioso plano de os resgatar fazendo-se passar, ele e o seu pequeno grupo de "batedores", por uma patrulha muçulmana e internaram-se noite dentro pelo Alentejo.
Foi tão ligeira e bem executada a missão (talvez porque o inimigo nunca esperasse tal ousadia), que todos os escravos foram libertados e escoltados pela "patrulha" de volta a terras portuguesas, tendo só de manhã os mouros do castelo de Alvito dado pela falta dos prisioneiros e de todos os cavalos das cavalariças.

Conforme nos relatam os Livros de Guerra e as Crónicas da Ordem, Mestre Gualdim em reconhecimento pela astúcia e coragem de Pedro Álvares, nomeou-o Chefe de Fossado dos guerreiros Templários, o equivalente a um Comandante de Companhia de Comandos actual.

Desde aí, Fr. Pedro Álvares ficou também conhecido, como (herói) 'de Alvito'.





Neste pequeno video do nosso arquivo podeis ver o interior da pedreira subterrânea de Alvito, situada por debaixo da ermida de S. Sebastião, onde os muçulmanos escravizavam tantos dos nossos.
São várias as galerias e um túnel, hoje fechado,  que ligava à antiga cadeia e daí ao castelo.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Toque de Vida



- Mestre, que rosa é esta no meio do nosso sinal?
- Rosa? Querido Irmão já deverias saber que na simbólica da Ordem nada é o que parece.
- Perdoai-me Mestre mas a mim sempre me pareceu uma rosa. Que segredo encerra então?
- Nenhum.
- Então sempre é uma rosa.

- Abeira-te aqui do poço da cisterna.
Vês a água mais abaixo? Atira-lhe uma pedrinha.
Imagina que é uma gota cristalina que cai dos céus.
Captaste o instante seguinte?
Aí tens a tua rosa.

- Sim o ponto de contacto. As ondas de choque que se expandem.
Já estudámos isso, Mestre.
Mas, suspeito que o seu significado seja mais profundo.
O que representa na verdade?

- O toque divino na superfície do cálice...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sinais perpétuos




Acerca-te Irmão...

Atenta no que foi a última morada do meu velho corpo.
E nela, a mensagem que dele a pedra guardou.
Vejo-a de novo através dos teus olhos, ao fim de tantos séculos...

Repara como apagaram as minhas marcas!
Andaram a apagá-las, de todos nós... por todo o lado...
Para que não houvesse mais ligação entre o monge e o guerreiro.

Eu fui um Cavaleiro do Templo!
Fui um Cavaleiro Templário...

Tolos!
Pensaram que estas cinzas seriam tudo o que restava de mim...
Pensaram que a verdade ficaria aqui esquecida para sempre.

Tontos! Grandes tontos!
Ignoram que o espírito é imortal.
Ele não morre!
Transmigra!
Sempre escolhe um novo lar!

Acerca-te, Irmão...
És agora o Templário que eu fui.
Na verdade, somos uma só alma.
Eu estou vivo em ti!

Encosta, por mim, a tua face na pedra.
Passa por ela os teus dedos, levemente...
Ah!... Deixa-me sentir-lhe a frescura...

Vês esta parte que apagaram?
Eram as minhas marcas de Cavaleiro!
As minhas marcas...

São os meus sinais, agora teus.
Encosta-lhes suavemente os teus dedos.
Diz-lhes que o espírito do Templo continua vivo.

Eles vão mostrar-te como antes eram...

terça-feira, 15 de julho de 2014

umbilicus sanguine





"Quão fundo me deixarão penetrar nos segredos do Arquivo?
Poderei mergulhar no tempo até onde a memória se junta ao mito?
Talvez...

Cada palavra destes escritos é um fantasma do passado que me assalta a alma, criando ligações com outros escritos de outras eras.
Até onde poderei ir?

Vejamos este aqui...

Braga... a velha Braga dos Bragões celtas.
Não te bastou terra Lusa.
Tua gesta sedente de horizontes, partiu e fundou Bargónia.
Invisível, o cordão umbilical.
Braga-Borgonha.
Borgonha-Braga...
Diz-se que o bom filho à casa torna.

E este...

Afonso Henriques.
Filho de Henrique.
Vida efémera que a morte mascarou de ...Moniz.
Irmão que a Ordem fez proclamar Rei, do cimo do seu Signum.
Chamemos-lhe apenas de Afonso, o primeiro de Portugal.
Reino bastardo? Não. Henriques e Moniz são filhos da mesma gesta.

...

E este aqui, que nos concede a terça parte da conquista do Sul.
A terça parte duma grandeza que nos iria dispersar.
Recusámos.
E com El-Rei, em Nisa, fizemos nascer Avis, filha do Templo.
E com ela fizemos a ponte para o Reino do Sul.
Onde ainda somos.

Ah, o Arquivo do Templo...

Tão pouco partilhado e sempre, sempre oculto por necessário, pois quanta treva nos tem dado o mundo.
Luz e treva. Treva e Luz.
Quanta Luz nos deu Alexandre!
Quanta Luz lhe juntou a Lusitânia...

Unindo tudo, o invisível umbilicus sanguine.
Re-velando mistérios esquecidos."

Frei Manuel F.B.
Cronista da Ordem

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Turcopolos





Quem eram estes guerreiros e de onde provinham?
Qual o seu papel na defesa da terra santa ao lado da milícia cristã?

Devido à escassez de notícias da época, os historiadores têm sentido alguma dificuldade em os descrever.
Diz-se frequentemente que eram oriundos de famílias mistas turco-cristãs mas não será exactamente assim.

Segundo os nossos registos, os turcopolos eram tropas recrutadas pelos cristãos entre as populações locais, mas independentemente das suas características étnicas ou religiosas.

Eram seleccionados por os seus peões serem bons batedores e excelentes sapadores que levavam a cabo missões de infiltração nas linhas inimigas e acções de guerrilha em geral.

Em batalha, a sua cavalaria ligeira alinhava com as tropas cristãs, normalmente nas fileiras das Ordens militares, entre elas a do Hospital e do Templo. No entanto usavam de técnicas de luta próprias.

Mas o que melhor os caracterizava (e tinha um peso decisivo na sua escolha) era a sua honestidade, honradez e verticalidade, a par de uma disciplina militar e uma formação espiritual em tudo semelhante à da cavalaria Templária.

A sua reputação tornou-se quase lendária, não sendo por isso de admirar que o nosso querido Mestre Gualdim (que fez escola na terra santa) se fizesse acompanhar de três destes guerreiros no seu regresso a terras lusitanas.

Nos "Livros de Guerra" da Ordem constam inclusive os nomes portugueses que adoptaram quando passaram a fazer parte da nossa Irmandade, já como Cavaleiros Templários.

Eram eles Martim Preto, Novo Paio e Pedro Sirão.

Martim Preto, devido a um certo grau de conhecimento da arquitectura oriental teve um papel decisivo na recuperação do templo árabe, conhecido hoje por Charola do Convento de Tomar, que na fase de arranque da 'construção' do castelo Templário se situava fora dos muros da alcáçova mourisca, ambas (igreja e fortaleza) 'achadas' em ruínas pelos Templários Portugueses.

Os outros dois teriam instruído uma boa parte dos sargentos Templários Portugueses nas suas técnicas de guerrilha, tornando mais rico o valor destes em batalha.

"Livros de Guerra" IV-V
Arquivos OrCa:TemPo
(fundo antigo)

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ocultas maldições




Esta eterna maldição
de carregar os segredos
que não se podem dizer.

De ocultar os tesouros
que não se podem achar.

De carregar para sempre
este fardo Templário
que não posso aliviar.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Último Mestre Geral



Devido ao anterior artigo publicado, em que mencionamos o Irmão Jacques de Molay como penúltimo Mestre Geral da Ordem dos Templários, o nosso correio electrónico foi literalmente inundado de pedidos de esclarecimento sobre este assunto.

"Então Jacques de Molay não foi o último Mestre Geral da Ordem dos Templários, conforme rezam as crónicas?"

Não.

Devido aos acontecimentos que se perspectivavam (e que infelizmente acabaram por ser um facto), a cúpula da Ordem elegeu um novo Mestre Geral e manteve essa nomeação em segredo.
Mesmo que a Ordem tivesse sido ilibada de todas as acusações e Jacques de Molay tivesse sido libertado, ele não continuaria como Mestre Geral da ordem e teria sido substituído pelo Irmão eleito.

Este novo Mestre Geral viajou incógnito na frota Templária que se refugiou nas ilhas atlânticas, conforme já referimos em artigos anteriores (ver a série "Navegações").

O nome e a nacionalidade deste que foi efectivamente o último Mestre Geral da Ordem (externa) dos Templários, o seu percurso e a influência que manteve nesta fase conturbada de transição da Irmandade Templária, faz hoje parte da História secreta da Ordem interna.

Podemos apenas adiantar que, com a cumplicidade de el-Rei D. Dinis, este Irmão entrou depois no reino com identidade portuguesa e integrou discretamente a nova Ordem de Cristo.

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Razão da foto: Nesta fase de transição os Templários tiveram de passar despercebidos na tentativa de escapar à ordem de detenção do rei francês. Para isso mudaram as cores do uniforme apesar de manterem as insígnias que tapavam com um manto negro. Demos a entendê-lo no nosso artigo de 17 de Abril de 2012 intitulado "Balada de um condenado".

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Mãe Verdade



"... de pluma a fogo
de fogo a sangue
de sangue a osso
de osso a tutano
de tutano a cinzas
de cinzas a neve... "


Pela Luz das Estrelas...!
Como nos afastámos de ti, Mãe...
Como nos afastámos da tua Verdade...


Video de Gregory Colbert

A mensagem chegará seguramente ao coração de alguns.
Como gostaríamos que chegasse ao coração de todos...!


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( Se não conseguir visualizar o video no nosso blog, siga o link
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gSX444hQ5Vo )

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O primeiro mosteiro


Têm-nos perguntado como teria sido a primeira Casa da Ordem do Templo em Jerusalém.
Temos a descrição pormenorizada numa das mais antigas crónicas do nosso arquivo mas seria fastidioso publicá-la aqui na íntegra.
Costuma-se dizer que uma imagem vale por mil palavras. Por isso optámos por uma imagem que mostra alguns vestígios da parte do palácio que o rei Balduíno cedeu aos Templários e que foi a primeira Sede da Ordem.

(clique na imagem para ampliar)


" Jerusalem - Os muros de suporte da mesquita de Aksa dando sobre o fundo vale de Josaphat. Junto da palmeira, jazem as ruínas acasteladas do antigo mosteiro da Ordem dos Templários, fundado em 1118/9 por Hugo de Payens e seus oito companheiros. À direita vê-se a encosta ocidental do monte das Oliveiras."

(A seta indica as ruínas mencionadas na primeira foto)


"...a mesquita de Aksa, passando para o domínio dos christãos, durante o reino latino, foi transformada em residência real e ocupada por Balduino I que a designou pelo nome de Palácio de Salomão. 
Por esta época foi creada a Ordem simultaneamente religiosa e militar dos Templários que, ao lado do palacio real, edificaram o seu mosteiro de que ainda restam ruinas grandiosas na vertente do Cedron.   [...] esta grande sala abobadada, é chamada ainda hoje a Sala d'Armas dos Templários. A eles pertencia. 
Das colunas e muros dela, como na Torre de David, estavam pendentes as armaduras dos combatentes e a sala servia-lhes de campo de torneio para os exercícios de guerra. 
Receberam o nome de Templários por terem a sua séde, ou casa-mater, junto do antigo templo de Salomão."

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Templários Portugueses

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vasos Sagrados


A Regra geral da Ordem previa que todos os Cavaleiros Templários observassem, entre outros votos, o da castidade.
Sabe-se, no entanto, que não o respeitavam.
E tinham as suas razões.

Muito menos o respeitavam os membros do clero, de onde este preceito provinha.
São conhecidos os incontáveis casos de padres, bispos e até sumo-Pontífices que à margem da lei canónica espalhavam a sua descendência clandestina.
Desta prole, uns poucos eram mantidos discretamente sob sua protecção e até constituídos mais tarde, herdeiros e sucessores de seus cargos ou direitos.
Muitos outros porém, eram gerados para logo serem rejeitados e abandonados à sua sorte juntamente com as progenitoras, num mundo impiedoso e cruel.
Outros ainda (infelizmente a maioria), diga-se com pesar, eram mortos logo à nascença.

Esta situação era vista pelos nossos antigos Irmãos como desumana.
E como gentis homens, os Cavaleiros Templários contornaram o problema.

A autonomia do Templo em Portugal a par do seu extraordinário poder de inovação - resultado da liberdade de pensamento que sempre foi um incentivo secreto dentro da Ordem - permitiu que se tomassem certas resoluções,  avançadas demais para a época (daí terem sido executadas num ambiente de secretismo) e difíceis até de compreender actualmente, no sentido de ultrapassar o problema da transmissão segura dos seus ideais e, principalmente, aquilo que era um dos pilares do Projecto Português; gerar uma corrente de transmissão hereditária.

Assim, em determinadas Comendas, eram criados pequenos conventus femininos, conhecidos por prestarem auxílio humanitário e darem principalmente, apoio aos enjeitados acima mencionados.
Chamávam-lhes irmãs Tempreiras (Templárias) por afinidade.
Nunca foram oficialmente reconhecidas como tal.
Assim como nunca foi publicamente conhecido o seu papel fundamental no Projecto Templário.
Porque eram elas que em segredo, geravam e criavam os descendentes dos Cavaleiros do Templo.
Esta linhagem, que a Ordem protegia e ajudava a instruir, era posteriormente integrada no seu seio assegurando a sucessão hereditária de muitos dos seus Cavaleiros.

A todas essas mães e companheiras Templárias secretas, verdadeiras heroínas, a nossa homenagem e veneração.

Por vós, Santa Maria!

sábado, 6 de abril de 2013

Folhas soltas



" Se tomámos Jerusalém a primeira vez como Cavaleiros Templeiros,
de que Templo viemos nós?

 ...e que mistério encerra este fragmento de texto fenício que lá encontrámos?

'Quando as flores de Maio soltarem as folhas
e o seu doce perfume  invadir teu Espírito,
voltará o forte impulso de buscares as origens.
Farás a ti mesmo a pergunta, vezes sem conta,
e será do fundo de ti que virá a resposta.
Partirás então guiado pela última estrela da noite,
aquela que espera por ti até o dia raiar...'

Se os que vieram de longe trouxeram os ecos das nossas raízes,
então... quem somos nós?

A nossa busca começa agora e aqui!"

Gondemar, cavaleiro  
Jerusalém,  1118

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A lenda de Alconchel



De Alconchel, conta-se uma lenda Templária que o mundo apagou da memória mas que os Cavaleiros do Templo Português guardaram carinhosamente.
A história é-nos contada num velho pergaminho árabe, escrito por um ermitão 'morabito' (homem santo muçulmano), coevo dos acontecimentos.

" Havia tempo que o castelo de Alcoucel fora tomado aos muçulmanos pelos Templários, tornando-se o seu Castelo de Ferro, num enclave permanentemente em guerra.
A Ordem do Templo tinha tomado sob sua protecção a população moçárabe mesmo sabendo que entre ela havia os que espiavam e conspiravam contra a presença cristã.

Entre os conspiradores havia um jovem moçárabe por quem uma bela moura se havia apaixonado.
Este mantinha o seu amor por ela em segredo para não a comprometer se algo corresse mal e fosse apanhado.
Sem o saber, há algum tempo que o jovem era alvo da atenção de um Cavaleiro Templário que sabia do seu amor pela linda moura e que estava também ele, por ela secretamente apaixonado.
Ao Cavaleiro restava-lhe calar fundo a dor daquele amor impossível, pois era-lhe vedado pela Regra exteriorizar a sua paixão.

Todos os dias o jovem ia trabalhar às escondidas, na minagem de uma das muralhas do castelo, sabendo que se preparava um ataque muçulmano para breve.

Nas vésperas desse ataque caiu uma tempestade medonha e o jovem conspirador empenhou-se afincadamente na sua missão de sabotagem ao coberto dos enormes aguaceiros que naquela noite se abatiam sobre a região.

Dentro da mina, o destino jogava um drama.
Vindo, não se sabe de onde, uma torrente de lama acumulava-se por detrás do tabique que protegia o trabalho do jovem. Este ao aperceber-se do perigo jogou as costas de encontro às tábuas para tentar conter   a barreira que começava a ceder.
Devia ter fugido e não o fez.
Depressa entendeu que aquele acto irreflectido o levara a uma armadilha mortal. Se tentasse agora fugir seria apanhado pelo desmoronamento imediato. Se ficasse, aguentaria até mais não poder, mas acabaria por morrer subterrado.
Em pânico, começou a gritar por ajuda.
Já sem forças, despedindo-se da vida num adeus desesperado, gritou o nome da bela moura.

Por entre a lama que lhe toldava a vista, descortinou a figura altiva do guerreiro Templário.
- Ajuda-me, por favor...

Sentindo ao seu lado a força das robustas costas do Cavaleiro abrandar a pressão da barreira, o jovem gritou aliviado:
- Juntos vamos conseguir!

Mas o Templário sabia que não havia saída daquela armadilha para os dois e gritou para o jovem:
Vai-te sem demora! Salva-te!

O jovem moçárabe tentando retribuir algum altruísmo, ainda contestou a decisão do Cavaleiro:
- Então morreremos aqui os dois! Não te abandono! A culpa disto é minha, não é justo que te arrisques por um sabotador!

Com a dureza do aço na voz e um gelo intenso no olhar, o Templário encarou o jovem e ordenou-lhe:
- Vai! Um grande amor espera-te lá fora! Volta para a tua moura!
Depois, murmurando baixinho, acrescentou.
- Não suportaria vê-la infeliz por ti...


Na manhã do dia seguinte, enquanto os sinos de alarme batiam a rebate perante a eminência do ataque e a população se refugiava no castelo, um velho ermitão que ali também procurava protecção encontra o jovem que escavava desesperadamente com as mãos um monte de lama e destroços que tinham deslizado monte abaixo naquela noite.
- O que fazes, jovem louco? Isso é hora de escavar na lama? Vamos ser atacados!
Mas o jovem parecia não o ouvir e só dizia:
- Tenho de lhe dar digna sepultura! Tenho de lhe dar digna...

Durante o ataque, os muçulmanos passaram pelo jovem moçárabe que, ignorando-os, continuou, com as mãos já ensanguentadas, a escavar no local como um louco. E, tomado por louco, também foi ignorado pelas tropas árabes.
O corpo do Templário foi encontrado muitas horas depois e resgatado pelos Irmãos da Ordem.
 O velho ermitão, comovido por este acto de amor e abnegação, registou mais tarde a história do que aconteceu."

O Cavaleiro Templário de Alconchel foi sepultado com toda a dignidade no seu Castelo de Ferro enquanto que a Lenda da sua coragem ficou viva para sempre na memória do Templo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Balada de um condenado



" A nós,
Cavaleiros do Branco Manto
Roubaram a pureza da alva cor.
Pela tortura, nos reduziram a farrapos.
Como trapos, nos jogaram neste antro
Ensanguentados, a agonizar nesta dor.
                             ...
Do esplendor do Balsão de guerra
Roubaram a pureza da alva cor
Depois atiraram-no por terra
Em farrapos, como trapos...
Que visão dilacerante!
Pior que a morte, Senhor!
                             ...
Os Irmãos o ergueram e beijaram
E sobre ele juraram
Que da cor que todos temem e que sobrou
Faríam renascer a Ordem Sagrada
E nela, com o vermelho do nosso sangue marcaram
A rubra Cruz Templária, sobre o negro que restou.
                               ...
Sabemos que nosso sacrifício não é vão
Somos inocentes! Inocentes! Inocentes!
E do que nos acusam, nada se provará.
Das riquezas espera-os sonhos vazios, ilusão
Apenas nossos corpos flagelados levarão
Pois o Espírito Templário, indomável, esse perdurará.
                              ...
Para sempre... "
aos mártires de Chinon, França
_________________________________
Segundo o pergaminho de Chinon a Ordem do Templo foi suspensa, e não extinta.
Em França, a ignomínia do rei Filipe e do papa Clemente levou muitos Templários à fogueira.
Num canto de uma masmorra, um prisioneiro Templário gravou na parede fria e húmida esta mensagem:

"Não nos querem Cavaleiros Brancos, pois Cavaleiros Negros nos terão!"

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O que está adormecido irá acordar






Mais brilhante que o Sol,
este lago a ferver como um grande caldeirão,
e apesar de nenhuma coisa viva suportar
esta caldeira ardente, num calor de fusão,
Peres do'Vale vislumbrava aqui criaturas
demasiado escuras e temíveis para contemplar.

Contorcendo-se abaixo da superfície a ferver,
em chamas escarlates, âmbar, douradas,
estavam seres com asas e presas e garras,
como saídas do abismo a rastejar.

Mas na margem estava um Cavaleiro
adornado com um manto de branco virginal,
com uma cruz vermelha gravada no peito
e uma luz sagrada à sua volta a brilhar.

Para Peres do'Vale este Cavaleiro se voltou,
Levantou o braço em direcção ao lago,
e num tom severo, de comando,
ordenou a Peres do'Vale que aí os tesouros lançasse.

Peres do'Vale ficou quieto como uma rocha,
o seu coração tornou-se frio, os seus dedos gelaram,
sentindo que não suportaria deitar fora
os tesouros preciosos que tinha nas mãos.

E então o Cavaleiro falou uma vez mais,
e a sua voz era uma seta que fundo o atingia :


"Nós somos Irmãos, Peres do'Vale,
e os teus Irmãos não te vão enganar.
Tudo o que for perdido será recuperado.
Tudo o que está adormecido irá acordar."


E Peres do'Vale, recuperada a sua fé,
inclinou-se e atirou os tesouros.

A cruz de ouro brilhante e puro,
amarelo como o Sol da manhã;

o castiçal de sete braços
de prata batida, reluzente;
por fim o crescente de chumbo martelado,
de superfície cinzelada, de tom sombrio.

De repente surgiu uma canção
de muitas vozes em uníssono,
transportadas pela brisa, doces e puras.
Elas encheram o céu como uma aurora matinal.

Agora o lago já não era de fogo
mas sim de águas tranquilas, azuis e transparentes,
e delas saiu uma figura dourada
com olhos de prata e cabelos de chumbo.

Peres do'Vale caiu de joelhos
e chorou de pura alegria.
Levantou a cabeça e três vezes clamou
Salvé! Salvé! Salvé!

"Livro do Graal"

sábado, 21 de janeiro de 2012

Fragmentos de tempo


[ ...  vou todos os dias até ao castelo. Costumo subir à velha torre sineira da Porta do Sol. Da antiga e já desaparecida capela de Santa Maria. Guardo ainda um punhado de terra do adro, da época em que ela ainda existia  ... ]

[ ...  Ah... então o velho Frei Leote continua a tratar da horta do mocho! O velho matreiro que deixava entrar os miúdos na horta grande, quando a fome grassava pela cidade e que depois de o Prior descobrir e mandar tapar as passagens subterrâneas por onde eles entravam, atirava os "restos" dos produtos hortículas para o exterior da muralha para os pequenos fedelhos os recolherem enquanto o Prior fingia não ver. Eram os "ratos da horta".
Histórias com quase cinco séculos  ... ]

[ ...  os passeios ao bosque são sempre mágicos.
Mágico é o banho matinal no lago, onde mergulhado na água, vejo as andorinhas fazer voo rasante a poucos centímetros da minha cabeça, entretidas a refrescar-se  ... ]

[ ... o previlégio de se ser Templário. De poder pela manhã ter acesso aos velhos textos dos frades beneditinos da pré-Santa Maria do Olival, dos registos dos "Bezerros" e das memórias do velho castelo. Dezasseis volumes ignorados do mundo.
Como a História conhecida é tão diferente da verdadeira! Que previlégio poder olhar estes livros!
Memórias que um dia voltarão a Thomar ... ]

[ ... Que divina sensação cavalgar por estes bosques como o faziam os nossos irmãos há 800 anos atrás! É este o Graal que temos como missão, guardar ... ]

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Egrégora Lusa


Tarde chuvosa. O monte esconde-se na neblina fria.
Subimos determinados, ultrapassando o temor mundano da lenda e do mito.
Aos poucos entramos neste reino de Deuses, envoltos na sua atmosfera irreal.

Por entre os fantasmagóricos gigantes de pedra, procuramos vislumbrar a Corça Sagrada.
Sabemos que está presente. Sentimo-la!
Fazemos-lhe as perguntas de sempre. Que sempre nos trazem de volta.
Fechamos os olhos. Esperamos.
E é o próprio Wamba quem nos sussurra as respostas...

Está tudo no lugar.
Os segredos de Monsanto continuam guardados.

A chuva miudinha e persistente molha-nos até aos ossos.
O vento sopra frio, mas não nos importamos.
Sabemos que só nestas condições o Portal se abre.
Entrámos noutra dimensão. Noutra realidade.

Estamos em comunhão...






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Dedicado aos Guardiões da memória de Monsanto da Beira.