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domingo, 16 de novembro de 2014

A pedreira subterrânea de Alvito



A propósito da nossa publicação sobre D. Fr. Pedro Álvares, 8º Mestre do Templo em Portugal, demos na altura uma pequena introdução à razão porque lhe foi atribuído o cognome de 'o de Alvito'.
Vamos hoje dar-lhe o merecido desenvolvimento.

Fr. Pedro nasceu em Santarém no ano de Cristo de 1164.
Foi admitido na ordem em 1181 com 17 anos de idade e, desde logo, protegido de Mestre Gualdim.
Este nosso Irmão era conhecido pela sua bravura e apurado sentido de estratégia a par de uma bondade e inteligência que o tornaram carismático dentro da Ordem dos Templários.
Destemido, era excelente a executar missões de espionagem e sabotagem para lá das linhas inimigas integrando um grupo de guerreiros do Templo que, por falarem árabe fluentemente, se misturavam com facilidade entre os muçulmanos.

Tomado o castelo de Silves em 1189 por D. Sancho I, logo os sarracenos reagiram e, numa enorme contra-ofensiva, não só retomaram Silves como grande parte da região do Alentejo, até à margem esquerda do rio Tejo. Apenas Évora permaneceu em poder dos cristãos.
Entre 1190 e 1191, Ya'qub al-Mansur tomou as cidades de Alcácer do Sal, Palmela, Almada, Torres Novas e Abrantes, tentando invadir Tomar, sem sucesso, por lhe termos resistido e travado a sua onda invasora.

Da tomada de todas estas praças fortes, grande foi a mortandade cometida pela sanha sarracena nas populações cristãs, tendo muitos sido levados prisioneiros e feitos escravos nas minas e pedreiras alentejanas, sendo uma das mais famosas a pedreira subterrânea de Alvito.

Não se conformando o jovem Pedro Álvares com o destino desta pobre gente escravizada, apresentou ao Mestre Gualdim o audacioso plano de os resgatar fazendo-se passar, ele e o seu pequeno grupo de "batedores", por uma patrulha muçulmana e internaram-se noite dentro pelo Alentejo.
Foi tão ligeira e bem executada a missão (talvez porque o inimigo nunca esperasse tal ousadia), que todos os escravos foram libertados e escoltados pela "patrulha" de volta a terras portuguesas, tendo só de manhã os mouros do castelo de Alvito dado pela falta dos prisioneiros e de todos os cavalos das cavalariças.

Conforme nos relatam os Livros de Guerra e as Crónicas da Ordem, Mestre Gualdim em reconhecimento pela astúcia e coragem de Pedro Álvares, nomeou-o Chefe de Fossado dos guerreiros Templários, o equivalente a um Comandante de Companhia de Comandos actual.

Desde aí, Fr. Pedro Álvares ficou também conhecido, como (herói) 'de Alvito'.





Neste pequeno video do nosso arquivo podeis ver o interior da pedreira subterrânea de Alvito, situada por debaixo da ermida de S. Sebastião, onde os muçulmanos escravizavam tantos dos nossos.
São várias as galerias e um túnel, hoje fechado,  que ligava à antiga cadeia e daí ao castelo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Para sempre, no coração do Templo




Há dois dias que nos fazem a mesma pergunta:
"Vocês este ano não recordam Jaques de Molay?"

Continuaremos a recordar esta data e este acontecimento como sempre o fizemos; em recolhimento.
Celebrámo-lo, aqui, as vezes mais do que necessárias. Não voltaremos a fazê-lo em público.

Como lhes é característico, as carpideiras neo-templárias encarregar-se-ão de continuar a fazê-lo de forma bem mediática, na sua já conhecida dança burlesca de falso pesar.


Jaques de Molay não morreu sozinho. Foram assassinados com ele, muitos mais, cuja memória também honramos.

E é em memória destes nossos irmãos, e em honra do seu sonho, que existimos e procedemos todos os dias como Cavaleiros do Templo.

Não apenas uma vez por ano.

sábado, 2 de agosto de 2014

D. Fr. Pedro Anes


9º Mestre em Portugal
Fevereiro 1222 - Julho 1224

Cavaleiro Português da Ordem do Templo no reinado de D. Sancho II

D. Fr. Pedro Anes foi eleito pelo Capítulo da Ordem a 12 de Fevereiro de 1222 sucedendo ao Mestre D. Fr. Pedro Alvares.


Neste curto e conturbado mestrado e aproveitando-se da renúncia de D. Fr. Pedro Alvares, os Templários de Leão e Castela recusaram reconhecer o mestrado de D. Fr. Pedro Anes, à revelia da autoridade do Mestre Geral da Ordem D. Fr. Pere de Montagut.

No entanto, a gestão dos destinos do Templo nos três Reinos de Portugal, Castela e Leão seria retomado no mestrado Português seguinte.

Conturbado seria também o reinado de El-Rei D. Sancho II vítima das maquinações dos senhores feudais e do clero que por força dos seus interesses tudo fizeram para o derrubar, arrastando o reino para uma acesa guerra civil, urdindo sangrentas e infinitas lutas internas, enquanto os esquadrões Templários combatiam em terras do Alentejo.
D. Sancho acabou morrendo no exílio a 4 de Janeiro de 1248 aos trinta e oito anos de idade, traído e mergulhado num atroz desgosto. Está sepultado em Toledo, Espanha.

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Nas crónicas da Ordem e a título de curiosidade, constatamos que no dia 28 de Fevereiro de 1222 (16 dias após a nomeação de Fr. Pedro Anes) abateu-se sobre a região de Thomar uma tremenda tempestade que provocou uma das maiores cheias do rio e muitos estragos no castelo e no povoado.
Transcrevemos de seguida parte da notícia (em português actual, para melhor compreensão) :

"... o rio transbordou e muito e, inundou até o cemitério da igreja de S. João derrubando-lhe um dos muros. Na dita igreja o forte vento derrubou o campanário que caiu do topo da frontaria para dentro da nave arrastando parte do telhado. A cobertura das galilés do adro, da igreja até à Torre  foram totalmente arrancadas, tendo tombado algumas colunas (...). neste lugar tudo ficou submerso em mais de três palmos de água. No castelo a igreja de Sta Maria ficou sem a cobertura e a cripta alagada até ao cimo da entrada (...). Não fora o pronto acudir das Comendas da região de Alcobaça e de Castelo Branco e o povo de Thomar teria morrido à míngua nos tempos seguintes por falta de viveres, tal foi a destruição nas terras e engenhos. A tudo isto atendeu o Mestre e deu solução (...)."

D. Fr. Pedro Anes renuncia ao mestrado, por sua vez, a 8 de Julho de 1224.
Em 1229 ainda integra o grupo de Cavaleiros que testemunham e assinam a carta de doação de Asseiceira.
Morre a 10 de Novembro de 1231 e é sepultado na igreja de Santa Maria dos Olivais em Thomar.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Último Mestre Geral



Devido ao anterior artigo publicado, em que mencionamos o Irmão Jacques de Molay como penúltimo Mestre Geral da Ordem dos Templários, o nosso correio electrónico foi literalmente inundado de pedidos de esclarecimento sobre este assunto.

"Então Jacques de Molay não foi o último Mestre Geral da Ordem dos Templários, conforme rezam as crónicas?"

Não.

Devido aos acontecimentos que se perspectivavam (e que infelizmente acabaram por ser um facto), a cúpula da Ordem elegeu um novo Mestre Geral e manteve essa nomeação em segredo.
Mesmo que a Ordem tivesse sido ilibada de todas as acusações e Jacques de Molay tivesse sido libertado, ele não continuaria como Mestre Geral da ordem e teria sido substituído pelo Irmão eleito.

Este novo Mestre Geral viajou incógnito na frota Templária que se refugiou nas ilhas atlânticas, conforme já referimos em artigos anteriores (ver a série "Navegações").

O nome e a nacionalidade deste que foi efectivamente o último Mestre Geral da Ordem (externa) dos Templários, o seu percurso e a influência que manteve nesta fase conturbada de transição da Irmandade Templária, faz hoje parte da História secreta da Ordem interna.

Podemos apenas adiantar que, com a cumplicidade de el-Rei D. Dinis, este Irmão entrou depois no reino com identidade portuguesa e integrou discretamente a nova Ordem de Cristo.

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Razão da foto: Nesta fase de transição os Templários tiveram de passar despercebidos na tentativa de escapar à ordem de detenção do rei francês. Para isso mudaram as cores do uniforme apesar de manterem as insígnias que tapavam com um manto negro. Demos a entendê-lo no nosso artigo de 17 de Abril de 2012 intitulado "Balada de um condenado".

segunda-feira, 17 de março de 2014

Fénix Templária



Jacques de Molay
Vitrey-sur-Mance, 1244 - Paris, 18 de Março de 1314

Penúltimo Mestre Geral da Ordem dos Templários
1298 - 1314

(assassinado pelo rei de França e pela igreja católica)


Setecentos anos e parece que foi ontem.
Todos os anos a tua dor renasce em nós, qual Fénix das cinzas.
Uma dor que só a nós é permitida.

Os que quiseram silenciar-te não entenderam que já tinhas lançado os dados do destino. Do teu e do deles.
Deixaste a maldição Templária gravada na testa das bestas que te martirizaram. E nós executámo-la.

Malditos os que violam a inocência humana. Os que prometem solidariedade, igualdade, liberdade ...e mentem.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

D. Fr. Pedro Alvares


8º Mestre em Portugal
Agosto 1212 - Dezembro 1221

Cavaleiro português da Ordem do Templo no reinado de D. Afonso II

D. Fr. Pedro Alvares foi eleito por Capítulo da Ordem a 18 de Agosto de 1212. Sucedeu ao Mestre D. Fr. Gomes Ramires.
Foi o segundo Mestre nos três reinos de Portugal, Castela e Leão.

Descendente da nobreza árabe de Santarém, cujos pais se haviam convertido à fé cristã, cedo entrou para a Irmandade Templária apadrinhado e protegido pelo velho Mestre D. Gualdim Pais.
Em 1191, no rescaldo da grande invasão de Yacub Al-Mansur e ainda sob o governo do saudoso Mestre, Fr. Pedro Alvares distinguiu-se pela sua valentia e inteligente estratégia no resgate de cristãos cativos e escravizados pelos mouros na pedreira subterrânea de Alvito, Alentejo. Tinha apenas 27 anos.
Por esse facto ficou conhecido por Fr. Pedro Alvito.

No dia 9 de Abril de 1214, já como Mestre do Templo, recebe de D. Afonso II a confirmação das doações de Idanha-a-Velha e Idanha-a-Nova.
A 1 de Novembro desse mesmo ano de 1214, o soberano português faz-lhe a doação definitiva de Vila Franca da Cardosa.
Um ano depois, a 2 de Outubro de 1215, o Mestre dá Foral à povoação, mencionando-a já pelo nome de Castelo Branco.
Em Abril de 1216, Mestre Pedro Alvares faz doação do local de Asseiceira a Paio Farpado para a instituição de uma albergaria e hospital de apoio aos caminhantes.

É durante o seu Mestrado que a Ordem do Templo em Portugal sofre uma continuada pressão por parte do bispado de Lisboa para que as igrejas edificadas em Thomar lhe prestem contas, apesar de estas se encontrarem isentas pela abdicação que fez em 1159 o então bispo de Lisboa, Gilberto de Hastings, de todo o território de Ceras (Thomar), em concordata com os Templários Portugueses pelo eclesiástico de Santarém.
O Mestre enfrenta a ganância do bispo que parece ter memória curta.
Serão precisas, neste mesmo ano de 1216, mais três bulas papais a confirmar os direitos da Ordem do Templo para refrear as "dúvidas" do bispo de Lisboa.
A atitude corajosa do Mestre valeu-lhe a hostilidade de sectores da igreja que tudo fizeram para o desacreditar e derrubar.

Em Novembro de 1220, os senhores de Cicinio de Feria fazem ao Mestre a doação do castelo de Touro, tendo este, nesse mesmo ano, feito Foral à dita Vila.
D. Afonso II nomeia-o um dos seus testamenteiros ordenando aos infantes, seus filhos, que quando tivessem idade para administrar os seus bens, fizessem doação à Ordem do Templo de uma determinada parte das suas riquezas.
Recebe ainda em 1221, uma doação dos habitantes da Guarda.

Neste mesmo ano de 1221, a 30 de Dezembro e por razões de saúde, D. Fr. Pedro Alvares renuncia ao Mestrado, passando a simples Cavaleiro da Ordem.

Vítima da continuada calúnia que a igreja alimentara até então contra si, acusando-o inclusivamente de operações fraudulentas de dinheiros, morre a 12 de Janeiro de 1224, com a idade de 60 anos e 9 de Mestrado, triste e desiludido com a maldade dos homens que se dizem representantes de Deus na Terra.
É sepultado na igreja circular de S. João Baptista, na fortaleza Templária de Castelo Branco.

Pouco tempo depois e por imposição da Ordem, os seus restos mortais foram trasladados e merecidamente depositados no Panteão dos Mestres, na igreja de Santa Maria dos Olivais em Thomar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

D. Fr. Gomes Ramires


7º Mestre em Portugal
Setembro 1206 - Julho 1212

Cavaleiro da Ordem do Templo nos reinados
de D. Sancho I e D. Afonso II


D. Gomes Ramires foi eleito por Capítulo da Ordem a 11 de Setembro de 1206. Sucedeu ao Mestre  D. Fr. Fernando Dias.


Este nosso Mestre foi figura muito querida e confiada de el-Rei D. Sancho I que lhe doou em testamento a quantia de dez mil maravedis (o equivalente a quase quarenta quilos de ouro) e "... determinou, e mandou lhe fossem entregues avultadas  riquezas em joias, e dinheiros para a seu tempo ele os entregar aos Infantes seus filhos D. Pedro, e D. Fernando."

Não só era bem visto dos nossos soberanos, como bem aceito aos fidalgos e ainda aos de menor condição, como bem provam as muitas doações que se fizeram à Ordem, algumas já na fase final do seu governo.
Foi o primeiro Mestre provincial da Ordem do Templo para os três reinos peninsulares de Portugal, Leão e Castela.

Foi também um valente guerreiro e um excelente administrador, multiplicando as prebendas e as Comendadorias recebidas e fortificando com gente capaz os castelos dispersos nas vastas regiões conquistadas.

No início do ano de 1210 o infante D. Fernando Sanches, filho de el-Rei D. Sancho I, faz doação à Ordem dos vastíssimos campos da Açafa, com o usufruto após a sua morte. Faz também doação da Vila Nova da Cardoza, situada no morro do castelo da actual cidade de Castelo Branco. Esta doação foi feita na condição de um dia a Ordem do Templo o aceitar e lhe dar sepultura como era dada aos nossos monges guerreiros.

A 21 de Março do mesmo ano de 1210, el-Rei D. Sancho despacha carta para o Mestre, na qual perguntava, se ele quisesse entrar na Ordem do Templo, ela o receberia. Referia também que aquando da sua morte, se o seu corpo seria entregue à Ordem para que fosse esta a dar-lhe sepultura.
Um ano depois, no dia 23 de Março de 1211, dia de S. Jorge, face ao adiantado da doença de el-Rei, os Cavaleiros Templários Portugueses recebem-no no seio da Irmandade, três dias antes da sua morte.

D. Sancho I morre a 26 de Março de 1211 com 56 anos, minado pela lepra. No mesmo dia era aclamado rei o seu filho D. Afonso II, que continuou a dar o total apoio e confiança ao Mestre D. Gomes, nomeando-o inclusive Reposteiro-mor a 19 de Março de 1212.

Mestre D. Fr. Gomes Ramires participa na decisiva batalha de Navas de Tolosa (al-Iqab) a norte de Jaen, fazendo parte das hostes portuguesas constituídas por um corpo de exército regular e forças da Ordem do Templo, Santiago, Hospital e Avis, travada a 16 de Julho de 1212 contra o emir almoada Muhammad al-Nasir.
Os Mestres das Ordens de S. João do Hospital e de Santiago morrem no recontro. D. Fr. Gomes Ramires é atingido por uma seta em pleno peito mas continuou a lutar tendo-a partido rente para o não estorvar na peleja.
Um dia depois toma parte com os nossos Irmãos Templários no cerco e tomada de Baeza, recusando que o seu médico lhe retire a ponta da seta alojada no peito.
Oito dias depois participa  ainda no assalto a Ubeda.
A 29 de Julho de 1212, tomado pela febre derivada do ferimento fatal, morre o lendário Mestre Templário que, segundo os Livros de Guerra, "... ainda combatia já morto!"

O seu corpo foi trasladado para Portugal conduzido em solene cortejo pelos seus Irmãos do Templo.
Foi sepultado na igreja de Santa Maria dos Olivais em Tomar.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Em memória



Jacques de Molay

Penúltimo Mestre Geral da Ordem dos Templários
( 1298 - 1314 )

Vitrey-sur-Mance, 1244 - Paris, 18 de Março de 1314


Assassinado pela igreja católica liderada por Clemente V, às ordens do pérfido Filipe IV de França.

"A vós demónios que mandais queimar inocentes! Por mais que vos escondeis, não escapareis à justiça do Templo. Todos, em breve enfrentareis o julgamento divino."

Em pouco mais de um ano teus algozes pagaram com a vida e a Ordem sobreviveu.
Nunca te esqueceremos, Mestre.

Ainda hoje tentam apagar a tua memória e os acontecimentos da época, mas nós não deixaremos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

D. Fr. Fernão Dias


6º Mestre em Portugal
1199 - 1206

Cavaleiro Português da Ordem do Templo, no reinado de D. Sancho I

Mestre Fernando Dias foi eleito por reunião do Capítulo e confirmação régia em Outubro de 1199 , sucedendo no Mestrado a  D. Fr. Lopo Fernandes.

No dia 4 de Março de 1200, na sequência de uma invasão almohada vinda do sul do território, é tomado o castelo de Torres Novas pelas forças árabes.
No contra-ataque cristão a fortaleza é reconquistada a 25 de Agosto de 1200, tendo el-Rei D. Sancho I tido nos Templários Portugueses, a principal força de assalto, que determinou o sucesso da retoma do castelo.

Neste mesmo ano de 1200, o reino é assolado por uma grande penúria e a fome instala-se.
Em resultado desta calamidade, sucede-se outra ainda maior e mais mortífera ; a peste.
É Comendador de Tomar, D. Fr. Paio Pigeiro.

Em 1202, encontramos como Comendador de Tomar, D. Fr. Simão Mendes.

Em 1204, 44 anos após o seu início, fica definitivamente edificado o castelo de Tomar e grande parte da Vila.

Em Janeiro de 1205, o alcaide da Covilhã D. Pedro Gutierres declara numa escritura, doar à Ordem do Templo " ...tudo quanto se achar por sua morte ser seu, assim de bens móveis, como de raiz."

Em 21 de Janeiro de 1206, el-Rei D. Sancho I faz escritura de doação à Ordem do Templo, de Idanha-a-Nova e todo o seu território e castelo cuja data de construção remonta a 1197.

" Ego Sancius Dei gratia Portugallentium Rex &c. Facio Cartam donationis, consessionis, & perpetuae firmitudinis vobis D. Fernando Didaci, & universis Fratribus Militiae Templi presentibus, & futuris de Civitate illa, quae dicitur Agitania &c. Hanc dictam Civitatem damus Deo, & domui Militiae Templi, & vobis Magistro D. Fernando Didaci &c. Propterea damus vobis Magistro D. Fernando Didaci, & Fratribus Templi &c. Facta fuit haec Carta apud Collimbriam X Calendas Februarii. Era M.CCXLIV. " (1206)

Neste mesmo ano de 1206, estala a controvérsia entre a Ordem do Templo e o bispo de Coimbra, D. Pedro Soares, sobre os direitos a receber das igrejas de Pombal, Ega e Redinha.
Neste diferendo intervêem como juízes árbitros o bispo de Lisboa e o eleito de Évora, entre outros Senhores.
Em Abril deste mesmo ano, foi lavrada uma escritura de compromisso, ficando o Mestre e freires da Ordem obrigados a pagar anualmente, ao bispo de Coimbra e seus sucessores, 30 maravedis por Pombal, 10 por Ega, e 10 por Redinha. No caso de incumprimeno obrigavam-se a pagar 50 moedas de ouro.

" In Dei nomine haec composito facta est inter L. Episcopum Collimbriensem, & ejus Canonicos, & Dominum F. Didaci Magistrum Templi Portugaliae, & Fratres ejus &c. Facta Carta conventionis, & compositionis mense Aprilis regnante Rege Sancio, & ad hanc compositionem laborante. Era M.CCXLIV . " (1206)

A peste chega a Tomar em Agosto deste mesmo ano, matando muitos dos seus habitantes.
Mestre Fernando Dias e alguns dos nossos Irmãos Templários perecem desse terrível flagelo que assolou o reino de Portugal.

Morreu no dia 28 de Agosto de 1206.
Foi sepultado na igreja de Santa Maria dos Olivais, em Tomar.

domingo, 6 de maio de 2012

O nono Mestre



" No Reyno de PortoGraal,
a Tavola na sala dos Cavalleiros
naõ he exactamente redonda... "

Tem oito lados.
Tantos quantos os Guardiões da Ordem que a ela se sentam.
Um deles é o nono Mestre.
Nenhum dos outros sabe qual deles é.
Sabem apenas que é o portador do Bastão que guarda e transmite o tesouro Templário.
O conhecimento oculto.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

D. Fr. Lopo Fernandes


5º Mestre em Portugal
1193-1199

Cavaleiro Português da Ordem do Templo, no reinado de D. Sancho I.


Eleito pelo Capítulo reunido em 8 Outubro de 1193, D. Fr. Lopo obtém confirmação régia como sucessor do mestrado de D. Fr. Gualdim Pais.
Cavaleiro Templário favorito e protegido de Mestre Gualdim, foi seu Lugar-Tenente e Comendador de Thomar, tendo administrado a Ordem, entre Abril e Outubro, período em que foi intitulado Mestre de Thomar.

"...vobis D. Gualdino, & Lupo Praeceptori de Thomar Fratribus Templi &c.   Facta Carta in mense Januarii Era M.CCXXV."

Em 1197, el-Rei D. Sancho I. faz escriptura de doação da Idanha-a-Velha (doada pela segunda vez, pois já tinha pertencido à Ordem) ao Mestre D. Lopo, quase quatro anos após a morte de Mestre Gualdim.

" Ego, Sancius Dei gratia Portugallentium Rex &c. facio Cartam donationis, & perpetuae firmitudinis vobis Magistro D. Lupo, & universis Fratibus Militiae Templi presentibus, & futuris de Civitate illa vocatur Egitania &c. Facta fuit Carta haec apud Portum Dorii X. Calendis Februarii E. M.CCXXXV."

Dois anos depois, em 1199, o mesmo Rei faz a Mestre Lopo doação da região da Açafa (hoje Rodão), vasto território ao longo de ambas as margens do Rio Tejo.

"Ego Sancius Dei gratia Portug. Rex una cum Filio meo Rege D. Alfonso &c. facio Cartam vobis D. Lupo Fernandi Magistro Militiae Templi in Regno nostro, & Fratribus vestris tam presentibus, quam futuris de Asafa &c. Facta fuit haec Carta apud Covelia nam V. die Julii Era M.CCXXXVII."

Foi efémero o Mestrado de D. Lopo Fernandes.
De Outubro de 1193 a Agosto de 1199.
Ao serviço de D. Sancho I. e quase seis anos após ter sido eleito Mestre dos Templários Portugueses, morre em combate contra as forças leonesas durante o cerco de Ciudade Rodrigo. A seu lado toma a morte também outro famoso Cavaleiro; Nuno Fafes.
Contava a Ordem oitenta anos de existência oficial.

É sepultado na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Thomar, com a presença de el-Rei D. Sancho I. que depois lhe manda fazer um magnífico túmulo em pedra ricamente lavrada com a imagem de Cavaleiro, onde se podia ler no friso:

"É neste túmulo Frei Lopo Fernandes, Mestre da Ordem do Templo de Salomão neste Reino, morto em Castela ao serviço de Deus e de El-Rei D. Sancho I de Portugal. Descanse em Paz. E.M.CCXXXVII."

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Mais tarde, no reinado de D. João III, e sem respeito pelos ilustres mortos, foi construída uma sacristia no lugar da capela funerária e a bela sepultura de D. Fr. Lopo Fernandes (como as da grande maioria dos Mestres Templários) foi destruída e desapareceu, salvando-se apenas o registo escrito (Vitulum Binarium) onde consta a magnífica ilustração do seu túmulo.
Foi este o mandado oficial do famigerado reformador geral e inquisidor fr. António de Lisboa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

D. fr. Gualdim Pais

4º Mestre em Portugal
1158 - 1193
Cavaleiro português, nos reinados de D. Afonso I e D. Sancho I

Nasceu em Marecos (a actual Barcelinhos, Braga), a 14 de Abril de 1118.
Foi seu pai, Payo Ramires, filho de Ramiro Ayres, carpinteiro, e sua mãe D. Gontrade Soares, do ilustre ramo dos Correias.
D. Gualdim foi protegido de D. Afonso I e educado no paço. Participou com ele em 1139 na batalha de Ourique (no campo de Panóias), onde foi investido cavaleiro pelo então já proclamado 1º Rei de Portugal.
Dá entrada na Ordem do Templo por sugestão do soberano ao mestre D. Hugo Martónio.
É já na qualidade de cavaleiro Templário que, nos finais de 1151, parte para a Palestina, onde permanece por cinco anos. Participa na conquista de Ascalon, no cerco de Gaza e na rendição de Sídon.
Regressa em 1156, logo após a morte do Mestre Geral da Ordem André de Montbard, de quem traz directivas bem precisas para o Mestre português D. fr. Hugo de Martónio.
Traz consigo, como relíquias, a mão direita de S. Gregório Nazianceno, que conservou em Thomar, alguns manuscritos e uma outra relíquia que depositou secretamente na igreja do Santo Sepulcro, no castelo de Penha Alva (de que falaremos mais tarde).

À chegada, o Rei eleva-o a Comendador de Braga e Procurador do Templo, cargo este que recebe, por já haver sido eleito Mestre D. fr. Pedro Arnaldo que sucedia a D. fr. Hugo após a morte deste, ocorrida no ano anterior.
Na conquista de Alcácer do Sal, o Mestre D. fr. Pedro Arnaldo morre durante a escalada às muralhas do castelo e nesse mesmo ano de 1158, a 17 de Outubro, D. fr. Gualdim Pais é eleito Mestre Provincial em Portugal.
O novo Mestre, por doação de Afonso I, recebe em Março de 1161 o castelo e a Vila de Sintra e seu termo que ascende a Comenda. Nesse mesmo ano o monarca faz doação a D. Gualdim, a título particular, de umas "Cazas" nos arrabaldes da mesma.

É com ele que a Ordem do Templo vai ter a maior importância no seu estabelecimento e expansão em Portugal.

O Rei D. Afonso I após a conquista da praça de Santarém, faz doação desta aos Templários, em cuja tomada estes participam e para a qual transferem a sua sede. Devido à disputa do eclesiástico da Ordem por parte do Bispo de Lisboa D. Gilberto (de Hastings), D. fr. Gualdim, insatisfeito com a situação, efectuou uma concordata entre as duas partes com o beneplácito do Rei. Ficou estabelecido que o soberano doaria aos Templários toda a região de Ceras (1159), dela ficando senhores, tanto no eclesiástico como no temporal, bem assim como da igreja de Santiago, em Santarém.

Na região doada à Ordem, D. fr. Gualdim manda iniciar, no primeiro de Março de 1160, a construção do castelo de Thomar (de que toma o nome do rio), sobre o que restava do castrum de Ceras. Aproveita inicialmente as ruinas da fortaleza e da igreja circular moçárabe existentes, meio derrubadas e abandonadas no cimo do monte. Para tal, utiliza materiais de construções antigas ali existentes e da velha cidade romana, jazente em baixo, na margem contrária. Dá por terminada a primeira fase da construção do castelo de Thomar, em tempo recorde, dois anos depois. O restante da construção foi feita faseadamente e durante anos, à medida que a fixação e estabilidade da Ordem se verificava.
Nesse mesmo ano de 1162, em Novembro, D. Fr. Gualdim dá a primeira Carta de Foral aos povoadores instalados na encosta sul do monte do castelo.
O Mestre recupera várias fortalezas na região e dá cartas de foral aos habitantes que se vão instalando, sobre as quais iremos dando notícia, para não alongar a presente.

Em 1170 manda construir a igreja de Santa Maria do Selho de Thomar, mais tarde chamada do Olival, sobre um antigo templo beneditino e que viria a ser o panteão da Ordem. Após um longo período conturbado de reconstruções, alterações e adaptações devido às características geológicas do local e condicionalismos das edificações pré-existentes, foi finalmente terminada em 1195.
Em Junho de 1174 o Mestre concede novo foral a Thomar devido à forte expansão do local, que inclui já a margem direita do rio Nabão.

A treze de Julho de 1190, o já então velho Mestre e seus cavaleiros, juntamente com a população que se refugia dentro das muralhas do castelo, já definitivamente concluído, resiste ao cerco posto pelos muçulmanos, na forte ofensiva do miramolim Abu Yacub al-Mansur. Este vê-se obrigado a desistir do assalto ao castelo, após grandes perdas de homens e animais. Os Templários tinham grandes remédios para grandes males e no caso da enorme diferença numérica, venceram recorrendo à 'guerra biológica' (de que falaremos mais tarde).

A 17 de Abril de 1193, com setenta e cinco anos de idade e trinta e cinco de mestrado do Templo, morre no castelo de Thomar, em consequência de uma grave queda nas muralhas, o Mestre D. fr. Gualdim Pais; um dos mais carismáticos Mestres dos Templários portugueses.
É sepultado na cripta da igreja de Santa Maria do Castelo, situada junto da Porta do Sol.
Terminada a igreja de Santa Maria do Selho em 1195, os seus restos mortais são trasladados para este templo que se torna assim o panteão oficial dos Cavaleiros Templários em Portugal, onde será para sempre lembrado pelos seus monges e Irmãos que, em sinal de respeito e admiração lhe mandam fazer e o colocam num magnífico mausoléu (hoje inexistente).
Devido a obras efectuadas mais tarde (no século XVI) no panteão, que o alteraram de forma vergonhosa no seu conteúdo e no seu aspecto (tendo sido profanados todos os túmulos dos mestres Templários), alguns membros da Ordem recolheram antecipadamente as cinzas de Mestre Gualdim, dividiram-nas por quatro recipientes funerários que foram sepultados simbolicamente em locais diversos, tão queridos do velho Mestre: um nas "Cazas" de Sintra, outro na sua terra natal (Marecos), outro na igreja do Santo Sepulcro de Penha Alva (entretanto já resgatado) e ainda outro na igreja de Santa Maria do Castelo de Thomar.
Na igreja de Santa Maria do Olival ainda se pode ver embutida na parede de uma das capelas laterais, uma lápide trazendo os seguintes dizeres:

"morreu Frei Gualdim, Mestre dos
Cavaleiros do Templo em Portugal,
na era de 1233*, terceiro dos idos
de Outubro. Este castelo de Tomar,
como muitos outros, povoou.
Descanse em paz. Ámen."
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* - Este ano corresponde ao de 1195 que, por engano, é dado como a data da morte do Mestre, mas que não é senão a data da trasladação dos seus resto mortais para Santa Maria dos Olivais.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

D. fr. Pedro Arnaldo

3º Mestre em Portugal
1156 - 1158


Ao Mestre D. Ugo Martonio ou Martins, sucedeu D. Pedro Arnaldo, eleito por reunião do Capítulo, terceiro Mestre da Ordem, com o título de Procurador do Templo.
Natural de Gondomar, filho de um dos grandes de Portugal, era muito ligado à rainha D. Teresa. Foi um dos nove cavaleiros fundadores da Ordem, em Jerusalém, usando o nome de Arnaldo da Rocha.
Homem de grande ciência e humanidade, foi adorado pelos Irmãos da Ordem como guerreiro valente. Companheiro de jornada, tanto em França como na Palestina, de Hugo de Payns, André de Montbard e Godofredo de St. Omer, foi como cavaleiro cruzado para a Terra Santa, onde ajudou a patrulhar os caminhos dos peregrinos para Jerusalém.
Em 1123 regressa a França na comitiva de Hugo de Payns e no ano seguinte chega a Portugal, integrando a pequena hoste da Milícia do Templo, comandada por D. fr. Guilherme Ricardo, devendo-se a ele, a causa principal desta vinda tão temperana.
Consta de uma doação ou previlégio que lhe deu o Senhor Rei D. Afonso I, em Abril de 1155. Nesta escritura podemos ler:

Ego Alfonsus Portugalentium Rex &c.
una cum uxore mea Regina Mafalda,
& Filiis meis hanc K. vobis Petro Arnaldo
Templi in istis partibus Procuratori,
& Fratribus vestris &c.

É ampla a doação que dela consta, confirmando não só o domínio da Ordem nas vilas, fortalezas, herdades, igrejas, rendas, etc., que à Ordem se tinham doado, não só pelo nosso Rei, mas também as que os seus vassalos livremente lhe quisessem fazer em qualquer altura. E não só as que os Templários tinhão adquirido com o consenso de El Rei e das quais eram próprios e legítimos senhores, mas do quanto eles pudessem adquirir, absolvendo juntamente a quantos servissem à Ordem do Templo, de todo o tributo, penas e gabelas.

" O Rei outorga a todos os lugares, igrejas, bens e a todos os súbditos que a Ordem possuir no Reino, ou vier a possuir, liberdade e imunidade."

" Ego Alfonsus, Petri vobis Fratribus Templi, ut me quasi Fratrem teneant sempre..."

Foi sem duvida D. Pedro Arnaldo o que desfrutou primeiro desta grande regalia, que no seu mestrado lhe concedeu D. Afonso I.
Outros documentos atestam o governo do Mestre, como o que diz uma escritura de um fidalgo, feita nas Kalendas de Abril de 1157:

"Placuit nobis &c. ut tibi Petro Arnaldo
P. do Templo &c. Facta Carta &c. K.
Aprilis. Era M.CXCIIIIJ."

(A data desta carta é a de César que corresponde à de 1157).

Após a conquista de Santarém, na qual toma parte activa, acompanhando o Rei desde Coimbra, é feito Comendador da cidade, pelo monarca. É ele que superintende na construção da igreja de Santa Maria da Alcáçova, terminada em 1154.
A Ordem compra a Egas Soares, por 23 maravedis de ouro, uma herdade na terra da Feira, em Agosto de 1155.
Em 1157, os Templários portugueses, sob a chefia do Mestre, ajudam na primeira conquista de Santiago do Cacém
Consta dos registos antigos, que o Mestre concluiu o seu governo da Ordem ainda com vida, vindo a morrer em combate contra os muçulmanos, a 24 de Junho de 1158, na primeira tentativa da conquista de Alcacer do Sal, fortíssima praça de guerra na altura, durante a escalada das muralhas.
É sepultado na igreja de Santa Maria da Alcáçova, em Santarém.
O Mestre D. Gualdim Pais, seu sucessor, para recordar o seu mestrado e o de D. fr. Hugo Martónio, fez inscrever numa lápide colocada sobre a porta desta igreja, os seguintes dizeres:

ANNO AB INCARNATINE M.C.L.IV. AB URBE ISTA CAPTA VII.
REGNANTE D. ALFONSO REGE COMITIS HENRICI FILIO, ET
UXORE EJUS REGINA MAHALDA : HAEC ECCLESIA FUNDATA EST
IN HONOREM S. MARIAE VIRGINIS, MATRIS CHRISTI, A MILITIBUS
TEMPLI HIEROSOLOMITANI, JUSSU MAGISTRI UGONIS :
PETRO ARNALDO AEDIFICII CURAM GERENTE.
ANIME EORUM REQUIESCANT IN PACE. AMEN.

("No ano do Senhor de 1154, e havendo sete anos que esta cidade se ganhara, reinando el-rei Dom Afonso, filho do Conde D. Henrique, e sua mulher a rainha D. Mafalda, foi fundada esta igreja em honra de Santa Maria Virgem Mãe de Cristo, pelos cavaleiros do Templo de Jerusalém, mandando o Mestre Hugo, e tendo dirigido a construção Pedro Arnaldo. Suas almas descansem em paz. Amen.")

terça-feira, 30 de março de 2010

D. fr. Ugo Martonio

2º Mestre
1140 - 1156

[no reinado de D. Afonso Henriques]

Cavaleiro de origem franca.

Foi um dos cinco cavaleiros Templários que primeiro entraram em Portugal, aquando da carta-convite da rainha D. Teresa.
Em 1143, Moço [Afonso] Viegas, de Lamego e sua mulher D. Aldára Peres, doam à Ordem o que possuem na vila rústica de Canelas situada nas margens do rio Paiva. Nesse mesmo ano, Mendo Moniz e sua mulher Cristina Gonçalves doam terras suas à Ordem.
D. Afonso Henriques, com as suas hostes e os seus irmãos Templários concorrem para a recuperação de Leiria (anteriormente Liria) e nas entradas guerreiras pela Galiza.
O castelo de Soure é tomado em 1144 pelas tropas de Abu Zacharia, Alcaide de Santarém, depois de uma renhida batalha em que muitos dos Templários são mortos e outros feitos prisioneiros, sendo levados e encarcerados, inicialmente, no castelo de Santarém.
Através de uma doação feita a 10 de Junho de 1145 por Fernão Mendes, senhor de Bragança e Lampaças e de sua mulher D. Sancha, irmã do rei português, a Ordem recebe o castelo de Longróiva, antigo castro lusitano denominado Longóbriga.
A  10 de Março de 1147, uma segunda-feira, o rei português acompanhado de um pequeno exército, parte de Coimbra a caminho de Santarém. Passam por Soure no dia seguinte, onde se lhes junta uma pequena hoste Templária sob o comando de Mestre Ugo.
D. Frei Pedro Arnaldo, vindo de Coimbra com o rei, acompanha-os igualmente.
Após a conquista de Santarém, num sábado de 15 de Março de 1147, e depois de ser hasteado no alto das ameias das Portas do Sol, o pendão português de Santiago por Mem Ramires, passa esta povoação a ser a nova sede da Ordem do Templo, em substituição de Soure. Aí, os Templários farão construir a igreja de Santa Maria da Alcáçova, seu primeiro templo em território português.
Este será um dos votos de D. Afonso Henriques que prometia a doação de todo o património eclesiástico aos freires guerreiros caso tomasse o castelo.
Neste mesmo ano de 1147, a 21 de Outubro, os Templários participam na tomada de Lisboa.
Também neste ano, a Ordem recebe uma grande herdade próximo de Monte Crasto, no rio Peias, de Paio Nunes e sua mulher Bonacelel.
Foram também doadas à Ordem, em 1149, propriedades em Loures e a comendadoria de Sintra.
Num documento de 1151, regista-se pela primeira vez, em Portugal, a denominação de "Mestre" do Templo em vez de Procurador:

Vobis Fratribus Templi S. Petro Gratyial, & Martino Pelais,
qui in Bracara habitatis sub manu Magistri Domnis Ugonis &c.

Em 1152, D. Ejeuva Aires e seus filhos Paio Gontimiris e Martim Paio, vendem à Milícia do Templo de Jerusalém uma herdade que tinham em Braga, onde esta possuía casa e hospital, em habitações distintas e que o arcebispo D. João fez, com o tempo, aumentar com muitas herdades e fazendas.

O Mestre D. Frei Ugo morre em 1156.
É sepultado na igreja de Santa Maria da Alcáçova, em Santarém.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

D. fr. Guilherme Ricardo

1º Mestre
1124-1139
[no condado portucalense, durante a regência de D. Tereza]

Cavaleiro Franco.

Chega ao condado portucalense em princípios de 1124, acompanhado de alguns cavaleiros, enviados pelo Mestre Hugo de Payns, a pedido da rainha D. Teresa, que em carta dirigida, a conselho de alguns ilustres cavaleiros portugueses, lhes oferecia casa e emprego para o seu Instituto nas fronteiras dele. em que o braço português ia despojando ao mouro inimigo do que tiranicamente tinha usurpado.
É com este Procurador que a Ordem recebe, de facto, (por aqueles anos) e em doação, as primeiras casas e propriedades, na região de Braga, sendo confirmado que D. Teresa - rainha do condado de Portugal desde 1112 - lhes doa Fonte Arcada, próximo de Braga, com todos os seus termos e benefícios, tendo recebido na altura mais dezoito doações de terras, de membros da alta nobreza portucalense, aquela mesma que incitara a rainha a pedir a sua vinda e presença.
A Ordem estabelece-se. Portugal foi o primeiro reino na Península Ibérica a receber os cavaleiros Templários. Sabendo-se aceite, protegida pela rainha, pelo infante (que ainda não contestava o reino) e pela alta nobreza do condado, começa a construir, através das doações que entretanto recebera, os castelos de Ega, Redinha e Pombal, na zona de Coimbra, bem como algumas igrejas.
Fr. Guilherme superintende a Ordem em Portugal como Procurador do Templo até 1139.
Morre na célebre batalha de Campo de Ourique combatendo ao lado de D. Afonso Henriques.