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terça-feira, 6 de junho de 2017

Outra vez?


Claustro da Hospedaria do Convento de Cristo

Acaba de ser tornado público mais um grave atentado ao património Templário em Tomar.
Foi grave, muito grave o que se passou.
Esperamos que os responsáveis por mais este acto de selvajaria "cultural" sejam identificados e punidos exemplarmente.



42 bilhas de gás estiveram aqui armazenadas e foram utilizadas na alimentação da fogueira. Teria bastado o rebentamento de uma delas para que grande parte do convento e a Charola Templária tivessem sido reduzidos as escombros.









A profanação e vandalização de um lugar sagrado com um ritual satânico (não temos outra forma de o definir) de imolação pelo fogo da imagem Templária de Santa Maria (assuma Ela a forma que assumir) numa enorme fogueira alimentada por mais de quarenta botijas de gás propano industrial no centro do claustro, árvores cortadas floreiras arrancadas, pedras partidas, piso danificado, ...configuram um acto criminoso que não esqueceremos.






Não voltaremos a dizer que o convento de Cristo é património mundial classificado pela Unesco porque nem a Unesco nem o mundo quer saber dos atentados ao nosso património. Diríamos mais: nem os portugueses querem já saber da memória que lhes deixámos, tendo em conta o silêncio cúmplice da maioria dos que se dizem Templários. Sabe-se que muitos participaram como figurantes desta farsa. E tudo por ânsia de protagonismo e por dinheiro. O vil dinheiro que a todos corrompe.

Cada vez nos sentimos mais isolados. Mais esquecidos.
Os traidores demonstraram mais uma vez saber ser os amigos dos inimigos do nosso legado. Sendo assim, nossos inimigos são.
Que não mais evoquem o nome do Templo os que em nome dele tiram proveito enquanto nada fazem para o proteger, tudo fazendo para o destruir.

Será, Mestre, que teremos de voltar a executar a maldição das tuas últimas palavras? Outra vez?

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Alfa Burion (10)


Epílogo



1172 foi um ano decisivo no projecto da Ordem do Templo em Portugal. Devido à dimensão desse projecto, D. Afonso I de Portugal vê-se na necessidade de associar o seu filho D. Sancho (I) para o ajudar à governação do Reino.
Neste mesmo ano recebe e estabelece a Ordem de Santiago e faz-lhe doação do castelo d'a Ruta, sua Vila e termo (Arruda dos Vinhos), na pessoa do primeiro Mestre português D. Rodrigo Álvares, permitindo-lhe a construção do Mosteiro de Santiago do Vilar destinado a acolher as mulheres dos cavaleiros que partiam para a reconquista do Sul do território.

"... foi grande o aconselhamento da Ordem feito ao Rei na necessidade da maior defesa do Reino aumentando o número de Ordens militares e sua distribuição estratégica pelo território conquistado e manutenção das linhas de fronteira. Esta nova Ordem na forma como se estabelece e adere ao grande projecto português bem se pode considerar como a nossa irmandade mais recente logo a seguir à de Avis."

Beneficiando de amplos apoios desta iniciativa Real e o económico da Ordem do Templo, o Mestre Fr. Dom Gualdim empreende a terceira fase da construção das muralhas que, reforçadas com as torres de S. João e S. Miguel e incluindo a nova Porta de Santarém (Mais tarde chamada Porta do Sangue) irão concluir o recinto fortificado do castelo Templário de Tomar. Esta nova área de defesa irá englobar o antigo bairro mourisco agora desactivado, compreendendo uma grande parte da encosta Sul do monte. Aí irá acolher-se em estruturas provisórias a primeira população de artesãos que dividirá o espaço com os monges da Ordem e serviçais enquanto se procede à reconstrução do povoado ribeirinho da várzea a nascente.
O Arco dos Cavaleiros é desmontado e surge no seu lugar a Porta do Sol aberta na nova muralha. Santa Maria do Castelo fica agora 'finalmente dentro de portas'.
Entretanto, no povoado em baixo, renascem do antigo casco urbano moçárabe o novo bairro cristão, a pequena mouraria e as casas dos judeus (judiaria) que Mestre Gualdim manda proteger com uma nova e ampla cerca que do castelo desce até à margem do rio, servida por três acessos: a Porta de Santa Iria (que dava directamente para a ponte romana), o Postigo dos Mouros (que a Norte dava acesso do pequeno bairro mourisco para o que é agora o 'recanto' do Mouchão) e o Postigo da Ribeira (que a Sul, saindo da judiaria dava para o caminho de Santarém através da desaparecida Ponte da Ribeira). 

"...aqui a meio da agora Corredoura que da ponte do rio leva à calçada do castelo desmontam-se os restos da antiga mesquita e constrói-se a primeira igreja dedicada a S. João Baptista aproveitando-se a base do alminar para edificar a torre sineira a que é dado o curioso nome de Magdala ficando a ligar ambas esta galilé que em forma de corredor coberto vai desde o frontal do templo e se estende à torre cercando-a por completo."

Procede-se à construção de novos açudes e engenhos de água e começa-se a desbravar e arrotear a terra para cultivo em toda a zona ao redor do assentamento cristão. No vale da ribeira, a Sul do monte, os terrenos e as colinas fronteiras (numa delas é construída a capelinha de Santa Sofia) são reservadas para os freires da Ordem que os exploram com a costumeira mestria, dedicando-se aí não só ao cultivo de hortícolas e frutos como também à apicultura e silvicultura (embora em pequena escala) e, sobretudo, às plantas medicinais com as quais abastecem a botica.

"As velhas estruturas mouriscas são refeitas e a sua utilização retomada para o nosso uso. Todo o vale é cultivado sendo de muito bom amanho e de excelente qualidade as suas colheitas. As frutas silvestres e o mel das abelhas adoçam as nossas cozinhas e as plantas medicinais são um bem corrente para as mazelas do corpo assim como para a morte do mesmo se usadas para fins militares..."

É dado por terminado o castelo Templário de Tomar a 23 de Abril de 1186. Quatro anos depois, em 1190, dá-se a prova de fogo do sistema defensivo e da sua guarnição.

O rei de Marrocos Abu Yusuf Yakub numa ofensiva militar demolidora, retoma todas as praças fortes do Algarve e grande parte do Alentejo detendo-se apenas em Tomar que cerca e ataca durante seis dias arrasando tudo à volta da fortaleza Templária e chegando a entrar a Porta de Santarém onde são sangrentamente rechaçados. O restante arraial sarraceno começou entretanto a ser dizimado por uma misteriosa doença e o que restou do seu grande exército acabou por debandar derrotado e destroçado em direcção ao Sul.

"A robustez da construção militar defendida pela valentia e mestria em combate dos cavaleiros Templários e seus soldados assim como o conhecimento e fabrica dos poderes letais dos mestres boticários foram factores decisivos para a boa fortuna na repulsa do cerco e dos ataques aguerridos das hostes muçulmanas causando-lhes uma derrota mortal..."

Os Cavaleiros Templários Portugueses ficaram na História como lendários defensores do castelo de Tomar e do Reino a norte do Tejo.
Foi, sem dúvida, devido à valentia, engenho e mestria dos nossos Irmãos de então que Tomar renasceu desse episódio histórico e floresceu até à cidade que é hoje.

E em Tomar ficou, para além da memória da Ordem e da sua herança Espiritual, todo o respeito do Mundo pelo que foram e são os Cavaleiros Templários.


Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Alfa Burion (9)



               Arco dos Cavaleiros


Santa Maria do Castelo foi a preocupação seguinte de Mestre Gualdim.
Não só porque nesta fase da construção do castelo a capela ficara extra muros mas também porque o afloramento rochoso onde se encontrava implantada era um problema para a defesa da muralha Sul caso fosse ocupado por forças de cerco.
E a porta da Ribeira era ali ao pé.

O engenho militar Templário continuou a manifestar-se e novo projecto foi delineado. 
Foi decidido demolir o antigo morabito e arrasar o pequeno morro.
Por ser um afloramento calcário decidiu-se utilizar a pedra daí extraída para a construção do muro de contenção ao caminho que irá circundar o alambor ao redor da alcáçova ligando pelo exterior as portas da Ribeira e de Santiago (não a que hoje é conhecida mas a que lhe ficava mais a norte). 

" ...para ligar o castelo à povoação que lhe jaz em baixo o Mestre mandou construir a calçada ao jeito mourisco. Fez aplanar o terreno no cimo junto ao castelo e mandou-lhe apôr o nome de Terreiro de Santiago. Ali bem no meio mandou esculpir para colocar a Cruz de Portugal uma base de oito lados ambas de pedra fina." 

( Esta Cruz de Portugal foi depois levada para o Algarve pelos nossos aquando da primeira conquista de Silves e por lá ficou e se perdeu. ) 

" ... dispondo de uma nova porta servida pela calçada que do terreiro descia ao povoado, foi decidido utilizá-la para serviço comum enquanto que o novo caminho que partia do terreiro para a velha porta da Ribeira ficou destinado apenas aos irmãos da Ordem. Um grande arco em pedra construído entre o alambor e o adro da igreja marcava o limite onde só podiam entrar os da Ordem. Não tinha porta nem fosso e chamaram-lhe o Arco dos Cavaleiros."

Para a construção da nova igreja de Santa Maria havia sido arrasado e aplanado o afloramento rochoso onde antes estivera o velho morabito, passando-se à sua escavação para construção da cripta e da passagem subterrânea que a ligaria à torre de menagem. No tímpano do portal foi mandado colocar a pedra dos Leões e no terrado em frente voltou a ser colocado o cruzeiro de Santa Sophia, tendo ficado o velho cemitério árabe subterrado sob o chão do novo adro.

A nova igreja de Santa Maria do Castelo foi inaugurada na manhã do dia de Natal de 1172 da Era de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Alfa Burion (8)






Com a construção do alambor quase concluída, surgiram rumores de novas investidas dos mouros em terras reconquistadas pelos portugueses.
Frei Gualdim decidiu aumentar o esforço construtivo e mandou edificar dois troços de muralha com as respectivas torres de defesa que unissem a alcáçova à igreja de Sião, a qual mandou igualmente fortificar, aumentando assim a área do reduto militar.

"... uma dessas muralhas partia directamente da torre no recanto Sudoeste da fortaleza, junto à 'porta de Santarém' ou 'da Ribeira' até sensivelmente a meio da  "torre-oratório", deixando a entrada desta protegida na parte de dentro da muralha. 
O outro segmento de muralha partia da torre semicircular no recanto Noroeste, para norte, onde fazia um vértice reforçado com uma forte torre quadrada e daí vinha para sul até fechar na igreja de Sião de forma  que esta constituía o outro vértice das muralhas, incluída no conjunto de torres de defesa do novo perímetro amuralhado.
O conjunto defensivo contava, nesta fase de construção, com a velha 'porta de Santarém' a Sul e as novas portas 'de Santiago' a nascente e 'da traição' a poente.
 Para a construção dos silhares das muralhas, das torres e das portas foram utilizadas as pedras trazidas da margem esquerda do rio Tumart que pertenceram ao convento beneditino e ás ruínas romanas da antiga Nabância.
Para o enchimento das muralhas e torres foram usadas as pedras do antigo bairro da encosta Sul do castelo, tendo este bairro sido na altura completamente desmantelado, subsistindo apenas a calçada mourisca.
Para enchimento e conclusão do alambor usaram-se pedras retiradas do interior do monte, trazidas dos seus subterrâneos, o que revelou antiguidades que ninguém esperava encontrar..."

Ficou concluída esta obra a treze de Setembro da era de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1169 ficando apenas fora de muralhas a capela de santa Maria do Castelo e o pequeno cemitério.

Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

sábado, 5 de dezembro de 2015

Alfa Burion (7)





Começo aqui, nesta sétima parte, a descrição do que foi a primeira fase da construção do castelo da nossa Ordem do Templo, à sombra do qual se desenvolveu o lugar que mais tarde se chamaria Tomar.
Estávamos então na primavera de 1160.

Tendo sido uma situação provisória a adoptada na margem esquerda do rio com a fortificação precária do que restava do convento dos frades beneditinos, Mestre Gualdim iniciou de imediato a recuperação do castelo mouro situado no cimo do monte fronteiro com o intuito de melhorar as condições de defesa da nossa milícia.

No início da segunda parte do Alfa Burion são descritos os pormenores dos céleres trabalhos no topo oriental do monte; "...onde se levantaram os panos de muralha derrubados, recolocaram-se portões, alpendres e alojamentos. Limpou-se a praça de armas."

"...e reconstruída a alcáçova no cimo do monte, de pronto se transferiu para ali a casa militar da Ordem. Nela foi acrescentada em altura a antiga torre que passou a ser o aposento particular do Mestre."

"As antigas masmorras foram só em parte aproveitadas e adaptadas para aumento da cisterna tendo as restantes sido tapadas por não se poder fazer delas nenhum serviço."

"...o  restante espaço foi usado para aposentos dos nossos freires e, na própria praça de armas foram instaladas as cavalariças."

"Contava a ordem neste lugar com 23 de cavalo e lança [cavaleiros] 9 de arco longo [arqueiros] e 11 sargentos. Os restantes soldados e os muitos artesãos construtores e serviçais tinham as suas tendas no exterior."

No dito registo dá-se também conta da instituição neste local, do primeiro espaço religioso cristão, ainda que situado fora do recinto fortificado.
Surge aqui, sem margem para dúvida, a primitiva igreja de Santa Maria do Castelo.

"Porque a igreja de Sião se encontrava tão derribada, o Mestre mandou que se aproveitasse a pequena cuba mourisca para converte-la em templo cristão; o que foi feito de pronto e após a sua reforma e consagração à Santíssima Maria."

" ...no pequeno cabeço rochoso junto à entrada do cemitério mandou o Mestre colocar o cruzeiro da santa Sophia; que trouxera de Jerusalém e que era todo ele  lavrado em uma única peça de mármore branco."

De notar uma vez mais que nesta fase tanto a 'charola' como o morabito ficavam no exterior dos muros da alcáçova.  Urgia agora o Mestre ver guarnecidas as suas muralhas com uma técnica de defesa inovadora para a época; o alambor.

" ...trazendo de boa memória os sistemas de defesa dos castelos do ultramar Mestre Gualdim logo encarregou frei Martim Preto de em seguida começar a cercar as partes mais expostas do castelo com um forte alambor; obra a iniciar em breve [...] deixando por ora os templos no exterior.
Era de Nosso Senhor Jesu Christo de 1160 Outubro."


Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Alfa Burion (6)


O LEGADO ÁRABE DE TUMAR



  Um castelo e um templo semi-destruídos, muros e paredes derrubados para as ruas e interior das casas e quintais, restos carbonizados de telhados.
Foi esta a visão que os velhos cavaleiros Templários tiveram do que restava da outrora Moçab-d'har.
Tudo coberto por um manto silvestre e num completo abandono.

" ... na margem do rio; do escombro da grande roda e do que o fogo não queimou sobrou apenas a parte que ficou em contacto com a água da levada; agora seca por terem derrubado o açude. Da torre que dela recolhia as águas pouco resta; saindo de um dos seus cantos o côto queimado do que se imagina ter sido a caleira do aquaduto de madeira que levava a água até aos fontanários e pátios do bairro ribeirinho."

" ... vem encostado ao monte até à beira do rio e é composto de pouco mais de quarenta casas de pedra e adobe; todas pequenas com estreitas ruas à moda dos mouros; à parte duas delas que são maiores e têm pátios interiores."

" ... no arrabalde ali muito perto uma pequena mesquita com o alminar derrubado sobre ela; de maneira que quase não se distinguem na ruína que estão."

" As casas da encosta a Sul do monte não tiveram destino diverso senão a destruição pelo fogo que lhes derrubou tudo. Não são mais de dez de cada lado da calçada que conduz ao castelo. Aqui o bairro da ladeira começa na cuba do morabito e estende-se até à ribeira. Entre os dois morros do castelo e do templo nasce uma generosa fonte de boas águas que pensamos ter servido este lado da povoação."

" ... a ruína do castelo mouro não é grande; maior é a do templo redondo que foi derribado ao alto pela metade e deixa ver à sua entrada e por entre os silvados um enorme subterrâneo."

Estes excertos de texto traduzido do português arcaico fazem parte do balanço registado em 1159 pelos Mestres construtores do estado das ruínas na margem direita do rio Thumart e foram depois lançados, já de forma ordenada no Alfa Burion  a partir de 1192 pelos Irmãos escribas.
A partir desse balanço e do projecto resultante, os Templários iniciaram aquele que foi o esforço gigantesco de recuperar, numa primeira fase, os dois núcleos populacionais, o castelo e o grande templo no espaço de apenas três anos.
Em 1162 já os futuros povoadores de Tomar recebiam o seu primeiro foral das mãos de fr. Dom Gualdim Pais, Mestre provincial da Ordem em Portugal.

Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Alfa Burion (5)



SANTA MARIA DE SIÃO




  No auge da 'reconquista' cristã, Santarém e Lisboa são tomadas aos muçulmanos por El-Rei D. Afonso I de Portugal.
A Ordem do Templo participa com total empenho  no esforço de guerra e instala-se em toda a linha da frente recebendo várias doações do monarca.

"Quando o bispo de Lisboa nos reclama Santarém e El-Rei nos propõe por troca o território de Ceras o Mestre aceita sem que isso nos cause muita admiração. Vamos encontrar uma região que já conhecemos e sabemos abandonada há mais de treze anos. Numa primeira fase instalamo-nos na ruína do velho mosteiro beneditino que fortificamos para  nos valer alguma defesa enquanto no monte fronteiro começamos a construção do castelo a partir da recuperação das ruínas árabes."

Chegados aqui, entramos na segunda parte do velho códice, agora escrita pelos irmãos da Ordem do Templo. Nela, como já referi, estão relatadas as diversas fases da construção daquele que é hoje conhecido como castelo Templário de Tomar e outras estruturas com ele relacionadas.
O fragmento de texto que em seguida vos deixo foi escrito pelo punho do próprio Mestre:

" ... os escribas reais têm por vício dar os nomes às coisas sem atenderem ao real nome das mesmas. Acontece com o que chamam de castelo de Ceras que poderia muito bem ser de Cellas tendo em conta o mosteiro que por ora fortificamos para nossa casa militar mas que não é nem uma coisa nem outra. O castelo que se encontra no cimo do monte  tem por vulgo o nome de Mussudar ou por mais antigo ainda o de Scalaburje segundo a memória dos monges de S. Benedito que a deixaram lavrada nestes antigos escritos. Fronteira ao castelo está a grande Majidaria de que vi igual na terra santa do ultramar aí dedicada ao profeta [...] ...ambos em ruína e muito tomados pelo mato espinheiro. Deste templo escreveram os ditos monges que também eles o usavam em paz e em particular lhe chamavam igreja de Sião e assim continuará. Como é nosso costume atender ao real nome das coisas assim fica decidido também dar à fortaleza que ora reconstruímos neste lugar o mesmo nome de Santa Maria do Sião; e ao rio que lhe corre em baixo manteremos o nome de Tumar. Deixo-vos a vós irmãos mestres no engenho de fábrica militar a tarefa de ambos reerguer e fortificar. Lançareis também nesta memória todos os passos e acontecimentos como eu frei Gualdim Pais mestre português da Ordem do Templo aqui o faço iniciar por minha mão e roboro com meu signal..."

Foram reerguidas as primeiras pedras no início de Março do ano do Senhor de 1160.

Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Alfa Burion (4)


MOÇAB-D'HAR



Não se conhece em pormenor a decadência e o fim da cidade luso-romana de Nabância. Como já referi algumas folhas do códice Kall Murion perderam-se para sempre.
Através dos comentários escritos pelos frades beneditinos que o copiaram, sabemos apenas que era de pequena dimensão e estendia-se ao longo da margem esquerda do rio Nábia. Sabemos também que foi destruída mais que uma vez pelos mesmos bárbaros que saquearam Roma e invadiram depois a Península hispânica.
Neste período, as artes de pedra de Nabância foram aos poucos desaparecendo levadas para outras paragens até ficarem, apenas e só, restos e alicerces.
E desses restos levantaram  depois os freires beneditinos o seu mosteiro.
Entretanto...

" Ao outro lado da margem do rio começaram a chegar as novas gentes vindas de África. Primeiro um marabuto, homem santo, que se instalou numa exígua lapa do afloramento rochoso que fica um pouco mais abaixo da velha torre romana. Depois uma pequena comunidade que se instalou dali colina abaixo até perto da ribeira. Foram estes que em devoção ao velho marabuto lhe edificaram uma cuba para sua habitação. Os mesmos que depois da sua morte ali mesmo ao lado criaram um pequeno cemitério."

(Deste velho eremita pretendo, numa futura publicação, dar notícia da influência que teve na fixação da população moçárabe neste local e da sã convivência com a comunidade beneditina instalada no outro lado do rio.)

Com o tempo, o convívio pacífico entre árabes e cristãos fez com que a pequena comunidade se expandisse constituída principalmente por cristãos convertidos a que vulgarmente chamaram de moçárabes.
Por ser maioritariamente terra destes convertidos tomou o nome de Moçab-d'har.
A dada altura as autoridades muçulmanas julgaram ser justificado mandar construir no morro da torre romana um alcácer para defesa da população que se expandira colina abaixo. Para tal mandaram também murar a partir do reduto militar toda a vertente sul e leste até à margem do rio que na altura baptizaram de Thumart. Com este aumento da área populacional nasce a calçada árabe que conduz ao topo do monte e se divide entre o "castelo" mouro e a "charola" moçárabe.

"É nesta altura que devido ao religioso fervor cristão e árabe se edifica o primeiro templo circular à imagem do original em jerusalém. A Masjid-d'ahriad a que também os beneditinos têm franco acesso. Como curiosidade é o único edifício que fica extra muros embora unido à fortificação pela calçada mourisca que ali bifurca."

 A chamada "reconquista" cristã vai ditar o posterior abandono desta região tendo ambas as comunidades (a moçárabe e a cristã beneditina) se recolhido respectivamente, uma à praça forte de Santarém e outra ao norte do condado Portucalense (provavelmente a Braga).

A importância deste lugar "sagrado" será entretanto transmitida aos Templários pelos monges beneditinos o que terá tido uma influência definitiva na pretensão e posterior aceitação da troca de Santarém pela região de Ceras ou Cellas (Tomar) após a tomada de Lisboa.

Foi este o cenário que Mestre D. Fr. Gualdim encontrou no local quando ali começou a instalar militarmente a Ordem.

Mas isso é algo para vos contar no próximo artigo.


Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Alfa Burion (3)




SELLIUM

Como ficou explícito anteriormente, ao progredir na leitura do Kall Murion entende-se uma melhoria descritiva dos textos, enriquecidos pelos comentários aos mesmos feitos pelos frades beneditinos que o copiaram do original.
No que respeita ao período romano (que afloro levemente neste terceiro artigo), a riqueza expressiva do registo histórico é tal que até os fragmentos que aqui vos deixo o dão a perceber.
Muito se poderia dar a conhecer da luso-romana Nabância mas o uso que actualmente é feito da História e os interesses duvidosos dos que dela se servem aconselham-nos à prudência e ao recato.
Fiquemo-nos, pois, pelas "Termas" onde hoje está erigida Santa Maria do Olival e pelo "Lacum" onde actualmente está a cisterna do castelo.


"Quando os romanos aqui chegaram encontraram nos bem conservados banhos um pequeno templo que os indígenas dedicavam à deusa lusa Nábia. Alimentava-os um braço de rio para ali desviado pelo engenho humano."

" A cidade cresceu e os romanos ao invés de relegarem a deusa, antes a aceitaram e mantiveram fazendo-lhe no mesmo lugar novo e magnífico templo. Ficava esse templo junto à torre da cisterna grande que fornece hoje a cozinha do nosso mosteiro."

...

"No cimo do monte existiu em tempos uma torre de vigia que os romanos construíram [ ... ] em que a metade da altura era de pedra e a restante em madeira. Servia como presidium aos presos que trazidos de Scalabis tinham por destino outros lugares a norte e ali eram temporariamente encarcerados nas covas junto à dita torre."

"Nos casos em que os infelizes ali padeciam a morte eram por vezes atirados directamente pelos carcereiros para o grande poço sem qualquer sentimento de humanidade e em desdém pela antiga sacralidade do lugar."

Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

terça-feira, 19 de maio de 2015

Alfa Burion (2)



O Kaal Murion


O que significa? Ainda hoje não sabemos.
O nome do pequeno castro?
O nome do santuário no cume do monte?
Ou algo no interior dele...?

A parte inicial da obra encontra-se em muito mau estado, por isso utilizo uma cópia.
Como cronista da Ordem e curador do espólio documental duvido sinceramente que o velho códice suporte mais algum tipo de manipulação sem se degradar por completo.
As páginas iniciais já não existem.
Os textos são fragmentários, permitindo apenas conjecturar sobre partes do seu conteúdo, se bem que alguns trechos ainda sejam legíveis e se apresentem compreensíveis.
Suponho que os frades beneditinos que copiaram o "kaal murion" primitivo também se tenham deparado com este tipo de problema já em 1086.
Felizmente os nossos freires quando acrescentaram a segunda parte do "Alfa Burion" numa fase mais tardia (1192/3) comentaram com algum pormenor o que ainda estava legível no códice original.
Não vou aqui transcrever esses comentários.
Transcrevo apenas fragmentos porque foi o que me permitiram fazer.

"...um círculo de pedras que apontam o céu cercam a boca do grande poço. Por ela não há homem que entre nem ser rastejante que ali se aventure..."

"...aberto no cimo da montanha é tão fundo quanto ela própria..."

"...um corredor dentro dela que do nascente a poente leva às grandes galerias onde ainda se pode ler numa delas a antiga inscrição."


" A partir dali é a grande queda até às águas ocultas do rio."

Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Alfa Burion (1)



Prólogo

Hoje gostava de vos falar de um dos mais antigos códices do espólio documental da Ordem. Na verdade ele é composto por duas partes. A primeira foi originalmente copiada de um outro códice muito mais antigo que se chamava Kaal Murion e que se perdeu.
Ao ser completado mais tarde com uma segunda parte, tomou o título definitivo de Alfa Burion.

O Kaal Murion foi transcrito nos finais do século XI pelos frades beneditinos do mosteiro de Cellas (monasterium Celium) que existiu nas margens do rio que banha hoje a cidade de Tomar e das ruínas do qual os Templários ergueram a primitiva igreja de Santa Maria dos Olivais.
Ele faz parte de um lote de manuscritos mais tarde trasladados pela Ordem beneditina, do mosteiro de Cellas para o de Tibães, em Braga.
Em 1124 é ali adquirido pela nossa Irmandade e passa a integrar a primeira biblioteca Templária da sede dos Cavaleiros Portugueses em Fonte Arcada.
Ele descreve na sua primeira parte, embora de forma fragmentada, períodos históricos anteriores à doação da região de Ceras ou Cellas (Tomar) à Ordem do Templo.
A segunda parte, mais completa, foi já em Tomar acrescentada ao códice original em 1193 onde são descritas em pormenor as diversas fases de construção do castelo Templário e obras envolventes, a partir das ruínas ali existentes.

São alguns destes fragmentos históricos, mutilados pelo passar do tempo que, com a devida autorização, iremos aqui partilhar convosco nas próximas edições.

Fr. Manuel F. B.
cronista-mór da Ordem
   

quinta-feira, 21 de março de 2013

Máscaras




"Só os humildes alcançam a verdade,
usando com rectidão o caminho.
A demanda não tolera a mentira.
A falsidade."


A cidade de Tomar é palco, por estes dias, de mais uma reunião internacional.
Mais uma...
Representantes de quarenta países (dizem) procuram estabelecer no convento de Cristo a sua sede mundial.

A associação, o convívio, para além de salutar é um direito de todos.
Criar uma Ordem, proceder a investiduras, desfiles públicos e jantares de gala é, hoje em dia, considerado normal, diríamos até corriqueiro e nada tem de errado.
Errado é fazê-lo auto-intitulando-se de Templários.
Porque nada têm de Templários. Nem se comportam como tal.

É errado fazerem-se passar por verdadeiros Cavaleiros do Templo.
Não é honesto.
E a honestidade é e sempre foi um dos atributos do Templário.

Honestidade, humildade e discrição.

Sendo honestos e buscadores da verdade, atentem no seguinte:
Se querem eleger uma sede mundial para o vosso pseudo-templarismo, façam-no em Paris ou Nova Iorque.

Thomar foi, ainda é e sempre será a
Sede Espiritual dos Templários Portugueses.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Dois anos depois...



Conforme aqui publicámos há dois anos atrás, parte do alambor do século XII do castelo Templário de Tomar foi destruído na sequência das obras de "requalificação" envolvente do castelo e do convento de Cristo.
Puro acto de vandalismo institucional perpetrado por aqueles que se vendem por trinta dinheiros. Os mesmos que tinham o dever de proteger o património e que o traíram.
Destruíram, lucraram e abandonaram.
Poucos foram os que se indignaram e denunciaram o crime.
A maioria preferiu assobiar para o lado.
O mal está feito. Há que o reparar.

Dizem que o convento de Cristo é património da humanidade desde 1983. Onde estava a "humanidade" quando foi cometido o crime contra o património?
O que fizeram o Igespar e a Unesco para o impedir? Nada!
Pelo contrário, deram o seu aval ao atentado e ficaram impunes até hoje.
Ninguém assumiu responsabilidades.
Dois anos depois, tudo está na mesma.

Conduta desonrosa que vai contra os valores que defendemos.

Os Templários Portugueses aguardam que o seu património histórico seja reparado, nos moldes em que se encontrava originalmente, antes das obras que o destruíram.
Toda a envolvente do castelo e do convento deve ser preservada respeitando a arquitectura original e o ambiente histórico em que se insere.
O modernismo nestes contextos é contra-natura.
Que prevaleça o bom senso e o respeito pela nossa memória.

É tudo o que pedimos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Origem do nome Tomar




No velho território de Scalabis, os romanos fizeram florescer nas margens do FLUMEN NABIA,  a  cidade luso-romana de Nabância.

Muitos séculos depois, os árabes iriam rebaptizar o rio que daria o nome à actual Tomar.
Por duas vezes e em épocas distintas, o mesmo rio, iria emprestar o seu nome à Cidade.

Neste lugar, e por volta de 1143, dá-se uma mudança política e militar quando os árabes almóadas tomam o governo aos almorávidas. No entanto, a população mantem-se maioritariamente moçárabe.

Nos nossos arquivos, uma crónica beneditina, refere o ano de 1145 e relata-nos o que a seguir transcrevemos:

"... estes dois lugares coexistiam pacificamente; um do lado da colina, habitado pelos árabes almóadas, novos senhores da terra e do castelo de Moçadar  e outro do lado oposto do rio onde a nossa sagrada Ordem possuía o mosteiro de S. Bento de Cellas..."

Em homenagem a Ibn-Tumart, fundador do seu movimento, os almóadas passam a chamar rio Tumart ao Nábia.
Em  documentos de origem árabe encontramos a seguinte descrição:

"... no interior da al-qashbah (a Alcáçova) de Moçab-d'har (terra de moçárabes),  no ponto mais elevado, há uma antiga e forte torre de atalaia que pela sua grande dimensão é usada pelo chefe militar como aposento particular.
Em frente, e numa menor elevação, está a masjid-d'ahriad (templo circular), onde nós, os adeptos (os muridin), nos prostramos perante Allah, o misericordioso.
... nas ruínas da abandonada cidade dos romi , há um mosteiro do santo cristão Benedito, cujos religiosos convivem em paz connosco.
... divide-nos o rio Túmart."

Sabemos pelos nossos registos, que ambos os lugares estavam abandonados já no ano de 1146, um ano antes da tomada de Santarém.
Suspeitamos que, numa estratégia militar sem precedentes, os muridin simulando ter sofrido um ataque cristão, inutilizaram o alcácer de Moçabd'har criando o pretexto para se recolherem em Santarém onde, em pouco menos de um ano, iriam colaborar com as forças portuguesas na tomada da praça forte.

Nada sabemos sobre o destino dos beneditinos que ocupavam a margem contrária do rio Tumart (curiosamente o T final não se pronuncia).
Talvez para evitarem o "fogo cruzado" tenham dado o mesmo fim ao seu mosteiro e partido para norte. Sobre isso não temos registos.
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Treze anos mais tarde, em 1159, a região de Ceras (Cellas ou Sellum) é doada à Ordem do Templo.
O Mestre dos Templários Portugueses, D. Gualdim Pais, encontra o alcácer e a 'rotunda' árabe semi-derrubados e "cobertos de mato", iniciando de imediato a sua recuperação.
Do nome do rio deram mais tarde o nome à povoação e ao castelo.
De Tumart evoluiria para Tomar.
Ao rio, devolveram o nome da velha Nábia  lusitana.
Tornou-se com o tempo,  rio Nabão.
O rio que banha actualmente a cidade Templária de Tomar.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Enigmas de pedra




Muito raramente abriremos os nossos arquivos para revelar neste espaço dados classificados de reservados, mas que podem esclarecer alguns dos enigmas sobre vestígios Templários em Portugal.
Já outros pormenores têm sido escolhidos com cuidado e publicados de forma um pouco codificada.
Por um lado, procuramos "obrigar" os nossos leitores a decifrá-los. Por outro, tentamos precaver-nos daqueles que dizem não acreditar em nós mas que depois usam o que escrevemos como sendo da sua autoria.

O que aqui vamos revelar tem a ver com algo que insistentemente nos têm questionado e que se prende com um enigma de Tomar; a pedra que se encontra na base da torre sineira da igreja de S. João Baptista.


A actual igreja de S. João Baptista de Tomar.
A seta vermelha indica o local da "pedra dos leões"

Representação da Árvore da Vida
(Uma velha fábula oriental)


Trata-se da pedra lavrada do tímpano do portal da desaparecida igreja de Santa Maria do castelo Templário de Tomar que ficava situada intra-muros junto à Porta do Sol..

Esta pedra teve um percurso bastante acidentado desde que a referida igreja foi mandada destruir, ficando  esquecida na sua cripta, aparecendo mais tarde colocada no tímpano da porta frontal da primitiva igreja de S. João Baptista, até à estranha posição que ocupa actualmente.

A história de parte desse percurso encontra-se vertida no extraordinário relato de um mestre de obras quinhentista que salvou este testemunho de ser destruído e de ter assim desaparecido para sempre.

Contido no vasto volume que trata das obras executadas no património Templário ao longo da História, encontra-se o processo de um Mestre Pedro que esteve envolvido nas obras manuelinas de que resultou o desmantelamento do antigo templo dedicado a S. João Baptista para se construir o actual.
Em tom de revolta e laivos de conspiração nos descreve:


"...Triste sina a que condena hoje estas velhas pedras... muito mais triste desde que trouxeram o maldito Prior [...?!] para estas paragens Templárias... tudo tem destruído o raivoso!"


"...tenho ordens para retirar a pedra dos leões e lançá-la em pedaços no entulho do novo piso da base da torre da igreja. Que falta de respeito pela Ordem do Templo!".


"...correndo riscos emparedámos esta noite a laje Templária sob grosso reboco na base da torre do lado de fora... rogo a Deus que assim permaneça oculta e a salve no futuro..."


"...os demais ornamentos foram mandados lançar nas obras das muralhas do castelo...."

...e assim ficou até ter sido destapada numa das primeiras e não documentadas obras de restauro, por a sua origem e significado não terem sido compreendidos na altura.

Este Mestre Pedro faz-nos depois a descrição pormenorizada da "capela de S. João Baptista" e de Santa Maria do Olival na sua traça primitiva. O que nos confirma que ambas estavam afastadas das suas torres.


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Temos referências que nos dizem que esta pedra veio de Jerusalém trazida pelo Mestre Gualdim Pais. Não nos foi possível comprová-lo ainda apesar das investigações desenvolvidas até agora.
Podemos ver como seria o aspecto do tímpano por comparação com a imagem seguinte.


 O conjunto seria análogo, incluindo a representação simbólica da verga que suporta a laje.
Para os investigadores deixamos uma pista: Santa Maria do Castelo continua a existir. Parte dela à espera que o seu simbolismo volte a sentir o calor do Sol e a luz refletida da Lua. Parte dela, espalhada pelas muralhas do castelo Templário de Tomar...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O outro Reino



Santa Maria dos Olivais ou Santa Maria do Selho (sinónimo de "tanque" escavado na rocha ou "baptistério"), foi o Panteão dos Mestres Templários.
Foi, não. Continua a ser.
Apesar dos túmulos dos Mestres terem sido profanados e mandados destruir pela sanha inquisidora do pérfido padre António de Lisboa, para nós eles continuam lá.
Porque o que destruíram foi apenas pedra.
Porque não puderam tocar na Memória.
No final deste ano de 2011, estamos presentes em Santa Maria, renovando nossos votos de fidelidade.
Inclinamo-nos perante vós queridos Mestres e perante os vossos túmulos invisíveis .
Porque o nosso e vosso Reino não é só deste mundo...
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Os Templários Portugueses desejam a todos um bom Ano de 2012
 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Levanta-me de novo




Os nossos agradecimentos a Pedro Moniz

terça-feira, 23 de agosto de 2011

No reino dos boçais


Quando os pelouros da cultura são governados por incultos...
(Convento de Cristo - Tomar)

foto de António Rebelo / tomaradianteira.blogspot.com 

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Os Templários Portugueses tentam dar, neste blog, uma imagem de respeito, paz e tolerância.
O Templário é capaz do gesto humano mais magnânimo para com o seu semelhante.
No entanto, como é da sua natureza, o Templário é antes do mais, um guerreiro.

A determinada altura da nossa vida, colocamos um joelho no chão para nos tocarem no ombro, ao de leve com a espada cerimonial, enquanto proclamam:
" - ... eu te faço Cavaleiro Templário, agora, e para sempre!".
Depois dão-nos a "pescoçada", o equivalente ao velho "bofetão", e afirmam-nos:
" - Que esta seja a última ofensa que toleras, vinda de outro homem, sem que seja feita a justiça do teu braço!".
Depois mandam-nos levantar, já Cavaleiros do Templo.

Ninguém faz ideia da carga emocional que comporta este momento e do que ele representa para um Templário.

A foto publicada neste artigo representa uma ofensa aos Templários. Uma ofensa grave!
Justifica o que escrevemos atrás, noutro artigo, em que dizemos que a nossa relação com Thomar é uma relação Amor-Ódio.
Amor pelo património, que é nosso.
Amor pela memória dos nossos antepassados e pela herança que nos deixaram. Herança que temos o dever de honrar e proteger.
E repulsa, indignação pelos constantes ataques de que esse mesmo património que, repito, é Templário e é nosso, tem sofrido às mãos daqueles que, supostamente, também o deveriam respeitar e proteger.

Parte do alambor da velha muralha do castelo foi destruído, vítima de puro vandalismo institucional.
Uma vez mais profanaram as velhas pedras Templárias.
Não trataremos os responsáveis por 'senhores', porque o não são. Os Templários não tratam por senhores os imbecis. Muito menos os boçais deste reino.

Há gente que não merece pisar o chão sagrado de Thomar.
Muito menos deveria profaná-lo.
Este foi mais um "bofetão".
Desenganem-se aqueles que esperam que demos "a outra face".
Um Templário nunca dá a outra face; desembainha a espada e clama justiça!
A mesma justiça que o Mestre de Molay reclamou e que se abateu sobre os seus carrascos.
E todos sabemos que foi tudo menos divina...
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"Não confundam benevolência com fraqueza".








Estas muralhas e respectivo alambor são PATRIMÓNIO MUNDIAL


fotos de António Rebelo 
tomaradianteira.blogspot.com
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De tudo o que se escreve, de tudo o que se lê sobre os Templários nossos antepassados, a única memória real, palpável, que vos chegou desses dias longínquos e que podeis hoje olhar e tocar com as vossas mãos, são estas velhas pedras...