sexta-feira, 24 de junho de 2011

Para lá do véu...

João sabia o segredo das Estrelas
e ensinava os Mistérios
às Almas que purificava,
no ritual da Água.

João conhecia os segredos da Água,
os segredos da Terra,
do Fogo,
do Ar.

...e as Almas seguiam João.


João tinha um Cordeiro,
fiel discípulo
a quem ensinou o segredo
do Tempo passado
...e futuro

E João disse-lhe:
-Quando morrer, faz-me voltar
às minhas origens, à Terrae Ofiusa
...a Terra da Serpente

Promete-me!

E o fiel Cordeiro prometeu.
E João olhou as Estrelas
...uma última vez.

João morreu como previra,
às mãos do traidor
que lhe roubou a Obra

...decapitado


E o Cordeiro levou a cabeça de João
e guardou-a no lugar mais sagrado
...e gritou ao vento:
- Baptista Homo Est !

e pediu ao Tempo
que a viesse buscar

e o Tempo foi
...e trouxe-a de volta.

...João um dia olhou as Estrelas,
as mesmas que hoje contemplamos
daqui, da Terra da Serpente

... João está em Casa.
 


 

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A noite mais curta


Hoje, dedicamos a noite mais curta à memória de todos os que velaram armas antes das batalhas.
Aos que nelas pereceram e aos que delas se lembraram até ao fim dos seus dias.

Ligando as pontas


Ainda sobre o castelo de Penha Alva e os túmulos do Cavaleiro Gondemar e do Mestre Gualdim e porque a respectiva informação ficou de certa forma dispersa (ver "D. Gualdim Pais" e "Castelo de Penha Alva") fazemos aqui um resumo para a sua melhor compreensão.

Em 1099, Gondemar participa na tomada de Jerusalém. No ano seguinte regressa ao condado portucalense e traz consigo as primeiras relíquias da Terra Santa que deposita no castelo de Penha Alva deixando-as à guarda dos freires da Ordem do Santo Sepulcro. O alto clero reclama-as mas os monges conseguem escondê-las.

Em 1118, regressa à Terra Santa integrando o grupo de 9 cavaleiros que vão apresentar ao rei cristão de Jerusalém o projecto Templário. Curiosamente, o projecto tinha outro nome mas acabou denominado "Pobres Cavaleiros de Christo na Cidade de Jerusalém".

Em 1130, Gondemar morre aos 53 anos de idade e, segundo as crónicas da Ordem, é sepultado em Penha Alva, no interior da pequena igreja do Santo Sepulcro. Os frades recolhem as relíquias que se encontravam escondidas no Penedo dos Mouros e depositam-nas no túmulo de Gondemar.

Em 1164, o Mestre dos Templários Portugueses Fr. D. Gualdim Pais tomando conhecimento da existência das relíquias e do lugar onde se encontravam, recolhe-as e leva-as consigo para Thomar, declarando aos pés do túmulo de Gondemar, ser aquele o lugar mais sagrado do reino.

Em 1193 morre o velho Mestre Gualdim em Thomar e é sepultado na cripta da igreja de Santa Maria do Castelo, situada ao lado da denominada Porta do Sol, no castelo Templário.
Acabada em 1195 a construção da igreja de Santa Maria dos Olivais, os restos mortais do Mestre Gualdim são trasladados para este Templo, na margem esquerda do Nabão, ficando a partir daí conhecida como o Panteão dos Mestres do Templo em Portugal.

No reinado de D. João III (séc.XVI), Fr. António de Lisboa é designado para efectuar a reforma da Ordem de Christo e, entre outras barbaridades, manda destruir todos os túmulos dos Mestres Templários sepultados no Panteão de Santa Maria dos Olivais.
Antecipando-se, os Irmãos da Ordem fazem o levantamento dos restos mortais de Fr. Gualdim e (respeitando um antigo desejo do Mestre) colocam-nos em quatro vasos funerários selados.
Estas urnas serão por sua vez enterradas em segredo em quatro lugares distintos, tão queridos do Mestre: em Marecos (de onde era natural), nas cazas junto a Sintra, no castelo de Thomar e na igreja do Santo Sepulcro de Penha Alva.

Em 1981, através da descrição lavrada nos Tombos da antiga Ordem do Santo Sepulcro, o túmulo de Gondemar é identificado e o seu conteúdo resgatado.

Regra:cap.XXXVIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que as lanças e escudos naõ tenhaõ guarniçoens.

Capítulo XXXVIII

Naõ se ponhaõ guarniçoens nas lanças, nem escudos ; porque isto naõ só naõ he de utilidade alguma, porém se reputa por damnosa a todos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Regra:cap.XXXVII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Dos freos, e esporas.

Capítulo XXXVII

Mandamos, que de nenhuma sorte se leve ouro, ou prata [que he o especialmente precioso] nos freos, peitoraes, esporas, e estribos : nem seja licito a algum dos Militares perpetuos, comprallos.  Porém se de esmola lhes derem alguns destes instrumentos velhos, e usados, cubraõ o ouro, e a prata de sorte, que o seu luzimento, e riqueza a ninguem pareça vaidade.  Porém se os que se derem, forem novos, o Mestre disponha delles a seu arbitrio.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Castelo de Penha Alva


Castendo é, actualmente, Penalva do Castelo.
Em tempos recuados foi também conhecida por Vila Nova de Santo Sepulcro.
Enquanto que de uma retirou o nome da Ordem, donatária de toda a região (Ordem do Santo Sepulcro), da outra retirou não só o nome do castelo que ficava a pouca distância, como dele retirou, uma por uma, todas as suas pedras. O desaparecido castelo de Penha Alva.

Divide estes dois lugares o rio Dão. Une-os, para além da História, uma ponte antiga conhecida por Ponte do Castelo.

Ponte do Castelo

Hoje, existem no lugar do velho castelo, os restos do antigo mosteiro do Santo Sepulcro. Algumas casas à volta de um pátio fechado onde facilmente se imagina a muralha que as circundava e protegia. À entrada, a inigmática igreja do Santo Sepulcro.
É nela que vamos basear o nosso relato histórico, com imensa pena pelo que de tão pouco nos é permitido contar.

Casas do Mosteiro

- Gondomar, foi um dos dois cavaleiros portucalenses que fizeram parte dos nove fundadores da Ordem dos Templários e que em 1118 apresentaram a Balduíno, monarca cristão na Cidade Santa, o projecto da Ordem.
Moçarabe, conhecido pelos Irmãos como Conde Omar (Omar ibn-Akim) e popularmente como Gondemar, participou no dia 15 de Julho de 1099 na tomada cristã de Jerusalem, sendo dos primeiros a atravessar a antiga Porta dos Peregrinos e também dos primeiros a ficar impressionado com a matança que se seguiu.
De Jerusalém, recolheu as primeiras relíquias que trouxe para o condado portucalense e que, em segredo, entregou à guarda dos freires da Ordem do Santo Sepulcro do Castelo da Penha Alva.

Pequena igreja do Santo Sepulcro

- Em 1110, e após anos de tentativas por parte das altas autoridades eclesiásticas para descobrirem o paradeiro das ditas relíquias, os freires viram-se obrigados a escondê-las nas proximidades, num local que sabemos hoje chamar-se de Penedo dos Mouros, pouco antes de todo o castelo ter sido completamente revirado em consequência da referida busca.
Ainda na época, as tão assediadas relíquias foram novamente recuperadas pelos monges e escondidas (podemos hoje dizê-lo) no túmulo do nosso querido Irmão Gondemar, sepultado no interior da igrejinha do Santo Sepulcro.
Dalí, após tomar conhecimento do seu paradeiro, o saudoso Mestre Gualdim as recuperou, no longínquo dia 8 de Agosto de 1164 e as levou para Thomar.
Por tal acontecimento ficou conhecido na época, dentro da Ordem, como o lugar mais sagrado do reino.
Ainda por tal facto, e já no decurso das ruinosas obras de Fr. António de Lisboa efectuadas na igreja de Santa Maria dos Olivais em Thomar (no reinado de D. João III), foi para ali trasladado (para o mesmo túmulo, na pequena igreja do Santo Sepulcro) um dos quatro vasos funerários contendo os restos mortais do velho Mestre Dom Gualdim.
Umas e outras, ambas as relíquias foram resgatadas e descansam hoje sob a protecção atenta dos velhos Guardiães da Ordem…

(3 imagens exclusivas do nosso arquivo)


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pêro Baragaõ e Sancha Soares


1177Pêro Baragaõ, e sua molher Sancha Soares, venderam aos Freires de Thomar, e ao seu Commendador Joaõ Domingues, a quinta parte, que tinhaõ no “Poço, e Salinas de Rio mayor.” O qual Poço partia pelo Oriente com albergaria do Rey, pelo Occidente com D. Pardo, e o Hospital, do Norte tinha Marinas de Espitalle, e do Sul Marinas de D. Pardo. “…E. M.CC.XV.”

Regra:cap.XXXVI


Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum busque singularmente o que lhe for neccessario.

Capitulo XXXVI

Mandamos, que entre os mais se observe este costume, por evitar o vicio de cada hum diligenciar para si as suas conveniencias.  Nenhum pois dos Militares perpetuos busque para si cavallos, ou armas.  Como pois se ha de portar?  Se os seus achaques, ou as poucas forças do cavallo, ou o pezo das armas, he de tal sorte, que o ir com ellas será damno commum; represente-o ao Mestre, ou ao que tiver o seu lugar, e proponha-lhe com synceridade o inconveniente.  E assim fique à disposiçaõ do Mestre, e na sua falta, do Mordomo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia de PORTUGAL


... do nada construímos um País
e fizemos dEle o nosso Templo.

900 anos depois...
velhos e esfarrapados, continuamos por cá.

Cavaleiros Templários Portugueses

terça-feira, 7 de junho de 2011

Almourol



Se nos perguntassem, a nós Templários Portugueses, se existe no Reino um Castelo do Graal, de pronto responderíamos: Almourol

Terra de Moron.

Edificado sobre uma pequena ilha de rocha granítica em pleno curso do Tejo, Almourol é um dos nove Selos que encerram a Mística Templária de Portugal. ...Por Tu Graal.

Originalmente um pequeno castro Lusitano, evoluiu em época romana para uma torre fortificada cujo subterrâneo escavado na rocha serviu de masmorra ou prisão.
Sob ocupação árabe foi usada como atalaia, altura em que se construíu o primeiro perímetro de muralhas.
Já como castelo e perante as conquistas cristãs das fortalezas principais do Tejo, foi entregue intacto, devido à rendição amigável do seu Alcaide, o que levou o nosso Rei D. Afonso I a permitir a permanência de toda a população moura que aí habitava e tratava as terras envolventes.

Doado a Dom Gualdim Pais, foi por este adaptado à arquitectura militar Templária que com poucas diferenças se pode ver hoje, apesar dos restauros que sofreu em diversas épocas.
Não foi, no entanto, com intuitos defensivos que o velho Mestre lhe imprimiu a forma bélica. Digamos que os motivos foram mais... espirituais.

Quem o visita, não deixa de sentir aquela sensação esquisita de forte ligação ao local.
Quem percorre as suas muralhas e sobe ao cimo da torre de menagem, olhando para baixo e ao seu redor, perceberá a magia. O encantamento.
E se escutar com atenção o ruído rouco do que parece ser o suave deslizar do Tejo na base das suas pedras, conseguirá ouvir o velho Espírito Templário murmurar:

"Bem vindo, Irmão, ao Reino do Graal.
Contempla estas pedras que pisas.
Vê para além delas.
Aí estará o que procuras..."




Sobre a porta da torre de menagem, mandaram os Templários lavrar e colocar uma lápide, que evocava a construção de várias fortalezas pelo Mestre Gualdim, entre elas a de Almourol:

"...feito Procurador da caza do Templo em Portugal edificou este Castello, Pombal, Thomar, Zezere, e este que se chama Almeirol, e Monte Sancto."

Esta lápide foi dalí arrancada e levada para Thomar em época posterior apenas porque nela se mencionava também o castelo desta cidade.
Quem olhar com atenção, verificará que a porta da torre de menagem não é a original e que por cima dela se vê o remendo que fizeram de pedras toscas, depois de retirada a referida inscrição.

O castelo de Almourol aguarda que este erro histórico seja reparado.

A inscrição pertencente a Almourol e que está presentemente em Thomar

Uma outra inscrição que se encontrava colocada na entrada da pequena igreja de Santa Maria, que existiu no exterior do castelo, foi dali igualmente levada, tendo entretanto desaparecido.
...assim como fizeram desaparecer a dita igreja

sábado, 4 de junho de 2011

Moinhos do Alviela


1167Em Julho de 1167, he feita ao Mestre Gualdim Paes e á sua Ordem a doaçaõ regia, de oito moinhos na ribeira do Alviela; declarando-se que metade do seu rendimento seria para a Coroa.

Documento XX


Huma doaçaõ do Castello do Zezere e suas confrontaçoës; por onde se mostra, que o nome de Thomar era o proprio Ryo antes de edificada a Villa de Thomar, que fes o Snõr Rey D. Affonso I a D. Gualdim e a Ordem do Templo.

Em nome da Santissima Trindade Padre, Filho, e Spiritu Sancto. Amen.  Por quanto por antigua instituiçaõ do tempo, e por divida de direito entre todos os homës nasceo o racional costume de se deixarem escriptas a ordem dos factos, e as acçoës illustres, o numero dos successos, as disposiçoës das furtunas, para que ficando em lembrança se naõ apartem nunca da memoria dos homës, e a todos se mostrem presentes as couzas passadas.  Por esta razaõ, Eu Affonso Rey de Portugal juntamente com meos Filhos, faço Carta de Doaçaõ, e firmeza a Deos, e aos soldados de Salomaõ, assim presentes como futuros; e a vos Fr. Gaufrido Fulcherio discreto Procurador de toda a sobredita Milicia do Templo a quem Mar; e a vos Fr. Garcia Romeu Ministro dos sobreditos Cavalleiros em Campos, e Castella; e a vos Fr. Gualdino Procurador das couzas do Templo em Portugal, e a vossos successores que pelo tempo adiante houverem de ser promovidos a tal dignidade, convem a saber daquelle Castello do Zezere, e assim como se divide pellos termos seguintes.  Primeiramente, pella foz de Beselga, e dahi pella estrada que se chama de Penella athe Afeigedaõ; dahi pello meyo da altura do monte Tancos, agoas vertentes contra o Zezere, e dahi como fere no pego de Almourol, e dahi pello meyo do Tejo a foz do Zezere, e pello meyo do Zezere athe a foz de Thomar, e dahi por Thomar da sorte que vay a foz de Beselga aonde fizemos o primeiro repartimento.  Douvos juntamente o Castello da Cardiga com todas as herdades que ahi fizestes, e rompestes.  Douvos tambem a vinha que fizestes álem do Tejo junto do Castello da foz do Zezere pello modo que está fechada com o seu Valado.  E ainda vos dou mais aquelle Castello de Thomar com os mesmos termos, e demarcaçoës que se contem na Carta de Ceras que primeiro vos tinha dado.  Assim que logreis os ditos Castellos assim como assima ficaõ demarcados por direito hereditario.  Foi a Carta de doaçaõ, e firmeza, em o mez de Outubro da era de mil duzentos e sete.(*)
Eu sobredito Rey Affonso juntamente com
meo Filho El-Rey D. Sancho, e minhas Fi-
lhas a Rainha D. Hurraca, e a Rainha D. Ta-
reja esta Carta roboramos com nossas pro-
prias maons.
Pedro Bispo do Porto ..................... Conf.
Gonsalo Bispo de Viseu .................. Conf.
Pedro Faziao Notario real ............. Conf.
Joaõ Arcebispo de Braga ................ Conf.
O Conde Valasco Trinchante mor .. Conf.
Fernando Affonso Alvers ............... Conf.
Pedro Fernandes Trinchante de El-Rey Sancho ........ Conf.
Foy feita em Alafoës
______________________________
(*) 1169

terça-feira, 3 de maio de 2011

MOMENTVM





(*) “ […] foi quando no final de sua vida, no ano do Senhor de 1193, o Mestre D. Gualdim mandou criar a Comenda de Santo Isidoro, em cujas casas alguns de nossos irmãos saidos de Thomar se estabeleceram, e pouco depois desbravaram terra junto à costa oceanica, desde Santa Susana a norte, até aos limites da póvoa da Eyricea no sul, nos quais limites os nossos religiosos criaram a abadia de Santa Maria d’Ilhas e plantaram pinhal e vinhas.
[...] meu avô foi um desses fundadores.
Esta Comenda já existe há 117 anos mas não consta dos registos da Ordem, e por isso aqui deixo o meu testemunho para os presentes e os futuros, de que esta Comenda existiu e da qual meu avô fez parte da sua fundação como Cavaleiro do Templo.
Agora no fim de meus dias, [mais] deixo junto para os meus descendentes alguns de meus simples pertences , com a súplica de que estas palavras que escrevo nunca deles se apartem, para que tenha lembrança perpétua a grandeza da nossa Ordem, que ora destroem e se acaba.
Eu, Martim Coello esta carta fiz no ano da Encarnação do Nosso Senhor de 1309.”
__________________________
* - Transcripção do manuscripto.
(Segundo o Livro de Assentos "VITULUM BINARIUM" ainda na época esta Comenda ficou registada como Comenda de S. Lourenço de Ilhas, no termo norte da Vila da Ericeira.)


" [...] não pára a vaga de roubos e vandalismo de que sofre o nosso Convento de Thomar por parte da urbe ensandecida. De temerosos a Deus e à Ordem de Christo, de um dia para o outro, passaram a temerários profanadores. [...] do pouco que salvei, conto esta caixa que contem as reliquias de meu antepassado, D. Martim Coelho e o livro da nossa linhagem e vidas dedicadas ao Templo. Bens que me vejo forçado a esconder na nossa casa da rua da Periguilha (*) [...]
     Aos 14 de Maio de 1835.
       Fr. Lourenço Coelho
Cavaleiro da Ordem de Christo. "
______________________
* - ou Rua de Peralves Seco, depois chamada Rua da Capela.


" Cidade de Tomar, 25 de Agosto de 1989
     Caríssimos Amigos

[...] esta casa que herdei de meu saudoso pai, falecido em 1962, e sita na Rua da Capela, tem uma história que vos quero deixar. [...] este velho edifício de dois pisos, há muito na posse da nossa família, respira memórias e transmite vida. Por isso, ainda consegue surpreender até, os que o querem ver por terra.
[...] quando herdei a casa decidi avaliar as condições em que esta se encontrava. Nessa altura e talvez prevendo uma decisão precipitada, um tio meu veio ter comigo, entregou-me um pequeno caderno de capa preta que tinha pertencido ao meu avô e disse-me : " Se estás a pensar deitá-la abaixo, lembra-te que ela ainda tem uma história para contar. Lê este caderno com atenção e depois decide o que deves fazer."
Li o seu conteúdo e segui com cuidado as instruções nele contidas. Descobri por debaixo do soalho da sala, o acesso à cave que tinha sido usada como adega, arrombei o reboco da parede do lado do castelo e do nicho ali dissimulado retirei o livro de linhagem da nossa família e a caixa que continha o pergaminho de 1309, o anel de Cavaleiro templário e a ampola de vidro selada que guardava a madeixa de cabelo do meu antepassado D. Martim Coelho.
700 anos de memória!
[...] deixo assim à vossa guarda, meus amigos, estas relíquias, rogando a vossa promessa de que um dia se dignem testemunhar o que aqui vos descrevo.
Do vosso amigo
Domingos Neves Coelho

O prometido foi cumprido.
_________________________________
Domingos Neves Coelho faleceu a 3 de Janeiro de 2002 sem deixar descendência.
Partiu em paz e convicto de que certas coisas não acontecem por acaso...

Regra:cap.XXXV


Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Se podem ir sós.

Capítulo XXXV

Os que sahirem desta maneira, nem de dia, nem de noite vaõ sem companhia, isto he sem Cavalleiro, ou Religioso, depois que estiverem aquartelados, nenhum Soldado, ou escudeiro ande pelos quarteis dos mais, para ver, ou fallar com algum, se naõ he com licença, como está dito;  e assim de commum consentimento ordenamos, que nenhum Soldado desta Ordem milite a seu arbitrio, mas se sogeite inteiramente ao que o seu Mestre lhe ordenar, seguindo o conselho do Senhor, que diz: "Naõ vim a fazer o meu gosto, mas o de quem me mandou."

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Egas Soares


1155Em Agosto de 1155 se vendeo uma herdade na terra da Feira á Ordem do Templo, sendo Mestre D. Ugo.  Na Carta se diz assim no seu original:
“In Christi Nomine. Haec est Carta venditionis, et firmitudinis, quam ego Egeas Suariz facio vobis Magister Domino Ugo, et Fratres vestros de illo Templo, per Bona pacis, et voluntas, de Haereditate mea propria, quam habeo in Villa Laurosa, in loco noncupato Baocho, Subtus mons Sauto Rotundo, discurrente Rioulo Maior, Castello Santae Marix, Território Portugal,etc.” 
O preço foram 23 maravadis d’ouro.