sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Documento XXIV


Huma Doaçaõ, que fes o Senhor Rey D. Affonso a D. Gualdim, e à Ordem do Templo, a mais magnifica, de tudo, ou de toda a 3. parte de quanto o dito Senhor podece adquirir, e povoar, álem do Tejo, assim do que lhe dá, como de quanto lhe der.

Em nome do Padre, do Filho, e do Spirito Sancto. Amen. Fiel guarda da memoria he a Escriptura, porque esta renova as couzas antigas, confirma as novas, concerva as confirmadas, e representa as concervadas para que as noticias dellas se naõ entreguem ao esquecimento dos vindouros. Pela qual razaõ Eu Affonso Rey de Portugal faço Escriptura de doaçaõ, e firmeza a Deos e aos Cavalleiros chamados do Templo de Salomaõ assim presentes como futuros, e a vós Fr. Gaufrido Fulcon discreto Procurador de toda a predicta Milicia aquem mar ; e a vós Fr. Gracia Romeu Ministro dos sobreditos Cavalleiros nos Campos, e em Castella, e a vós Fr. Gualdim Procurador das couzas do Templo em Portugal, e a vossos sucessores que houverem de ser promovidos em o tempo futuro, de toda a terceira parte que pella graça de Deos, poder adquirir, e povoar, desde o Ryo Tejo pordeante ; a saber, com tal condiçaõ, que tudo aquilo, que agora vos dou, e ao diante vos der, gasteis em o serviço de Deos, e meo, e de meo Filho, e de toda a minha geraçaõ, em quanto durar a guerra dos Sarracenos com os Christaõs ; e com condiçaõ, que das couzas que já vos tenho dado, se naõ gaste couza alguma superfluamente, mas se guarde, e concerve para proveito, e utilidade do Templo de Jerusalem ; e as couzas que agora vos dou, e vos der pello tempo adiante, quero que se gaste em o serviço de Deos, e meo, e de meos Filhos, em este Reino de Portugal em quanto durar a guerra dos Sarracenos. E alem de todas estas couzas vos dou tambem a caza de Evora de que já em outra ocaziaõ tinha feito mercê ao Mestre Gualdim. Foy feita esta escriptura em o Mes de Setembro da Era de mil duzentos, e sette em Alafões.
Eu sobredito Rey D. Affonso juntamente com meos Filhos El-Rey D. Sancho, e minhas Filhas a Rainha D. Urraca, e a Rainha D. Thereza roboramos esta carta com nossas proprias maons.
Pedro Facion Notario do Rey ...................... Conf.
Pedro Salvador ....................................... Conf.
Pedro Fernandes Trinchante del Rey D. Sancho ... Conf.
O Conde Valasco Trinchante mor .................. Conf.
Fernando Affonso Alfers ............................ Conf.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eterna saudade

Rei de um sonho tornado País
Dele fizésteis o nosso Templo
Fosteis dele o nosso primeiro e
Até hoje o único Grande Mestre
Do sagrado Porto do Graal

Continuamos protectores
Do ancestral círculo vermelho
Nele colocamos nossos 4 escudos
Nele renovamo-vos nossa fidelidade
Para que os cinco sonhos sagrados
Possam e continuem a ser sonhados.

Os que se apresentam perante vós,
Cavaleiros da Ordem do Templo
Nestes 826 anos de eterna saudade


TEMPLUM IN AETERNUM
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Ao nosso Rei-Templário, Perº Afonso Moniz
28 de Setembro de 1110 - 6 de Dezembro de 1185

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Egrégora Lusa


Tarde chuvosa. O monte esconde-se na neblina fria.
Subimos determinados, ultrapassando o temor mundano da lenda e do mito.
Aos poucos entramos neste reino de Deuses, envoltos na sua atmosfera irreal.

Por entre os fantasmagóricos gigantes de pedra, procuramos vislumbrar a Corça Sagrada.
Sabemos que está presente. Sentimo-la!
Fazemos-lhe as perguntas de sempre. Que sempre nos trazem de volta.
Fechamos os olhos. Esperamos.
E é o próprio Wamba quem nos sussurra as respostas...

Está tudo no lugar.
Os segredos de Monsanto continuam guardados.

A chuva miudinha e persistente molha-nos até aos ossos.
O vento sopra frio, mas não nos importamos.
Sabemos que só nestas condições o Portal se abre.
Entrámos noutra dimensão. Noutra realidade.

Estamos em comunhão...






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Dedicado aos Guardiões da memória de Monsanto da Beira.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1º de Dezembro, sempre.




Foi decidido recentemente a supressão da comemoração do Dia da Independência de Portugal.
1º de Dezembro de 1640.

Negociata típica destas "democracias".
Com a benção da "igreja". Claro está.

Podem suprimi-lo ou mudá-lo para dia mais "conveniente", que nós, TEMPLÁRIOS PORTUGUESES, comemorá-lo-emos sempre no dia 1 de Dezembro de cada ano!
Todos os anos!

Como todo o verdadeiro português deve fazer.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Regra:cap.XLIX

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que ouçaõ a sentença de qualquer queixa, que contra elle se der.

Capítulo XLIX

Sabemos, que saõ innumeraveis os inimigos de nossa Santa Fé, e que procuraõ embaraçar com pleitos, aos que mais fogem delles.   Seja pois nesta materia o parecer do Concilio com acertada resoluçaõ ; que se algum nas partes Orientaes, ou em qualquer outra, ouçaes a sentença, que vos derem os Juizes ajustados, e amigos da verdade ; e mandamos, que sem escusa alguma façaes o que for justo.

Aires Dias


1201 -  [...] em todas estas cazas tinham seu oratorio, e capellaõ, e tomavam por seus familiares os que faziam alguma doaçaõ, ou beneficio à Ordem. Tal foi, por exemplo, Aires Dias, e sua molher Maria Mendes que no anno de 1201 fizeram uma grande doaçaõ a Fr. Joaõ Domingues, que com quatro frades mais residia no castello de Almoriol, os quaes os receberam por seus familiares: "Et siut nobiscum in nostra Oratione, et in Domibus Templi."

terça-feira, 25 de outubro de 2011

D. Fr. Lopo Fernandes


5º Mestre em Portugal
1193-1199

Cavaleiro Português da Ordem do Templo, no reinado de D. Sancho I.


Eleito pelo Capítulo reunido em 8 Outubro de 1193, D. Fr. Lopo obtém confirmação régia como sucessor do mestrado de D. Fr. Gualdim Pais.
Cavaleiro Templário favorito e protegido de Mestre Gualdim, foi seu Lugar-Tenente e Comendador de Thomar, tendo administrado a Ordem, entre Abril e Outubro, período em que foi intitulado Mestre de Thomar.

"...vobis D. Gualdino, & Lupo Praeceptori de Thomar Fratribus Templi &c.   Facta Carta in mense Januarii Era M.CCXXV."

Em 1197, el-Rei D. Sancho I. faz escriptura de doação da Idanha-a-Velha (doada pela segunda vez, pois já tinha pertencido à Ordem) ao Mestre D. Lopo, quase quatro anos após a morte de Mestre Gualdim.

" Ego, Sancius Dei gratia Portugallentium Rex &c. facio Cartam donationis, & perpetuae firmitudinis vobis Magistro D. Lupo, & universis Fratibus Militiae Templi presentibus, & futuris de Civitate illa vocatur Egitania &c. Facta fuit Carta haec apud Portum Dorii X. Calendis Februarii E. M.CCXXXV."

Dois anos depois, em 1199, o mesmo Rei faz a Mestre Lopo doação da região da Açafa (hoje Rodão), vasto território ao longo de ambas as margens do Rio Tejo.

"Ego Sancius Dei gratia Portug. Rex una cum Filio meo Rege D. Alfonso &c. facio Cartam vobis D. Lupo Fernandi Magistro Militiae Templi in Regno nostro, & Fratribus vestris tam presentibus, quam futuris de Asafa &c. Facta fuit haec Carta apud Covelia nam V. die Julii Era M.CCXXXVII."

Foi efémero o Mestrado de D. Lopo Fernandes.
De Outubro de 1193 a Agosto de 1199.
Ao serviço de D. Sancho I. e quase seis anos após ter sido eleito Mestre dos Templários Portugueses, morre em combate contra as forças leonesas durante o cerco de Ciudade Rodrigo. A seu lado toma a morte também outro famoso Cavaleiro; Nuno Fafes.
Contava a Ordem oitenta anos de existência oficial.

É sepultado na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Thomar, com a presença de el-Rei D. Sancho I. que depois lhe manda fazer um magnífico túmulo em pedra ricamente lavrada com a imagem de Cavaleiro, onde se podia ler no friso:

"É neste túmulo Frei Lopo Fernandes, Mestre da Ordem do Templo de Salomão neste Reino, morto em Castela ao serviço de Deus e de El-Rei D. Sancho I de Portugal. Descanse em Paz. E.M.CCXXXVII."

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Mais tarde, no reinado de D. João III, e sem respeito pelos ilustres mortos, foi construída uma sacristia no lugar da capela funerária e a bela sepultura de D. Fr. Lopo Fernandes (como as da grande maioria dos Mestres Templários) foi destruída e desapareceu, salvando-se apenas o registo escrito (Vitulum Binarium) onde consta a magnífica ilustração do seu túmulo.
Foi este o mandado oficial do famigerado reformador geral e inquisidor fr. António de Lisboa.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Regra:cap.XLVIII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que matem sempre os leoens.

Capítulo XLVIII

Porque he sem duvida tersevos fiado, e viveis com a obrigaçaõ de arriscares a vossa vida pelos proximos, e lançar fóra os infieis, que perseguem ao Filho da Virgem : sabey, que o Leaõ busca rodeando a quem tragar, e que as suas maõs saõ contra todos, e as de todos sejaõ contra elle.

Renascer

Das dezenas de sementes lançadas à terra apenas vingou aquela que nunca duvidou do carinho e do amparo das suas Irmãs.
Foram semeadas todas juntas e todas juntas nasceram.
Não se sabe como nem porquê mas de repente murcharam e secaram.
Todas foram dadas como perdidas.
Mas eis que do nada uma delas renasce, forte, viçosa.
Num plano oculto, todas as raizes se ligaram e, num último esforço, realizaram o supremo sacrifício para que uma delas pudesse crescer.

Que belas lições a Mãe Natureza nos dá!
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           Fr. Bernardo  Vasques
Cavaleiro Português da Ordem do Templo
                    1248 - 1315
                   "Analogias"

Regra:cap.XLVII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum mate as féras com arco, ou bésta.

Capítulo XLVII

Convem andar com toda a modestia religiosa, e sem rizadas, e com humildade, fallando pouco, e a seu tempo, e sem levantar muito a voz.   Especialmente mandamos, que nenhum Religioso professo intente nos bosques perseguir féras com bésta, ou arco, nem vá a esse fim com quem caçar, senaõ para guardallo dos perfidos Gentios : naõ incite os caens, nem pique o cavallo com intento de caçar alguma féra.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pedro Cativo


1190Em Setembro de 1190 Pedro Cativo, e seus filhos venderam por quatro maravedis uma caza, que tinham “in Castello Thomar, extra murum, in loco, qui dicitur Varsena. … vobis D. Martino Fromarici, et omnibus Fratribus Templi, sub potestate Domni Magistri Galdini.”

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Tudo se repete

13 de Outubro de 1307
É uma data que não gostamos de comemorar.
A data da traição que levou à suspensão da Ordem.
A noite mais negra na história da irmandade Templária.

Sim. Traição.
O rei Filipe de França nunca teria conseguido os seus intentos se não contasse com a mais vil fraqueza humana. A traição.

Escrevemos estas linhas para fazer lembrar a quem nos lê, que tudo se repete na História e no tempo.
Desta vez não se trata da Ordem mas do Reino.
Uma vez mais a traição vem de dentro.

Portugal vai precisar de todos os bons homens nesta batalha sem tréguas.
Mais do que nunca!

Estaremos presentes.
Cerrando fileiras.
Empunhando as lanças.
Aguardando o toque de guerra.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Um Reino por cumprir

Comemora-se hoje, 5 de Outubro, o nascimento de um Reino.
Contra tudo. Contra todos. Contra todas as possibilidades.
Nasceu um Reino no longínquo ano de 1143.
Um reino que ainda se não cumpriu.

868 anos de sacrifício, pagos à História com sangue. Muito sangue.
Sangue que todos nós derramámos com deterninação. Com amor. Sem hesitar.
Para que todos vós pudésseis hoje ter um lar a que chamais...

Portugal.

Tende sempre orgulho nEle. Defendei-o sempre pois é solo sagrado.


"...e se longe no futuro, o Reyno sofrer perda de soberania esperamos, nós os primeiros de Portugal, que a vontade férrea de a manter, chegue intacta aos portuguezes de então, para prontamente a reaverem!"

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O visível e o invisível



Os quatro Irmãos da Ordem cruzaram-se num passeio da rua com uma menina que não teria mais de quatro ou cinco anos de idade.
Vinha compenetrada nos seus pensamentos e, mal reparou neles, parou esboçando-lhes um sorriso lindíssimo...

"Ao cruzar-se connosco saudou-nos educada e firmente:

- Boa tarde!

Um pouco surpreendidos e meio atrapalhados respondemos-lhe quase que automaticamente também:

- Boa tarde!

Só no momento seguinte reparámos, que havia algo de singular naquele quadro.
Os miúdos hoje em dia já não são assim.
Aproveitando o momento e antes que a magia se desvanecesse, baixei-me e ficando à mesma altura da pequenita, meti conversa:

- Olá, como te chamas?
- Joana!
- És muito simpática! Quem te educou tão bem assim?
- Os meus pais e a minha professora!
- Diz-me Joana, e cumprimentas assim toda a gente que encontras?
- Só os meus familiares, as pessoas conhecidas e os Anjos-da-Guarda!

Notei algo nos olhos daquela pequenita que me começou a inquietar.
Algo de familiar que não consegui entender logo.
Sem resistir ao impulso, perguntei-lhe:

- E a qual deles acabas de dar as boas tardes, Joaninha?
- Aos Anjos-da-Guarda!

Assim... Sem hesitações!
Olhei-a nos olhos com ternura e naquele vasto universo, espelho da alma humana, só vi amor. E muita alegria.
Sem tirar os seus olhitos dos meus e esboçando novamente aquele sorriso puro e inocente, acrescentou baixinho em tom de confidência:

- Eu sabia que vocês existiam...

Aturdido e sem perceber logo o sentido do que acabara de ouvir, levantei-me, e com um sorriso possível, dexei-a ir.
Adivinhando o meu embaraço, a pequenita voltou-se para trás com um ar sério mas fingido e arrematou:

- Esqueceu-se de esconder as asas..

Regra:cap.XLVI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum vá à caça com falcoens, e outras aves.

Capítulo XLVI

Sentimos todos, que algum vá à caça de volateria, porque naõ está bem hum Religioso viver taõ prezo aos deleites mundanos, se naõ ouvir a Divina palavra, estar frequentemente na Oraçaõ, e nella confessar a Deos com gemidos, e lagrimas cada dia os seus pecados.  Nenhum pois vá com homem, que caça com falcoens, ou outras aves pela causa, que se ha dito.