quinta-feira, 15 de março de 2012

Fernando Sanches


1209Fernando Sanches doou aos Templários, sendo seu “Mestre em Portugal D. Gomes Ramires”, metade da herdade de Villa-franca da Cardosa, com toda a sua povoaçaõ, foros, e direitos, e metade das igrejas, que no seu termo tinha edificado, e edificasse para o futuro; metade de tudo isto em sua vida, e a outra metade por sua morte; protestando, que havendo elle de tomar estado religioso, tomaria o da Ordem do Templo, e que em todo o caso se lhe daria sepultura entre os Templários; e que nem elle, nem seus descendentes admittiriam em algum tempo outros religiosos em Villa-franca. Feita a carta E. M.CC.XL.VII, que he anno de Christo de 1209.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Memórias vivas


Os que nas grandes bibliotecas buscam tesouros filosofais, os que buscam a sabedoria ancestral nas grandes obras académicas, não se apercebem da ironia que é passar a toda a hora ao lado daquilo que procuram  sem darem por isso.
Não se apercebem que hoje, o anciaõ, ignorado e desprezado num banco de jardim, mais tarde abandonado num lar ou nos corredores de um qualquer hospital para morrer, pode ser uma memória viva, cheio de vivência e sabedoria.
Quantos estarão ainda capazes de transmitir parte dessa vivência, dessa sabedoria?
Tem sido neles que toda uma linha de antepassados têm vindo a depositar as tradições orais, autêntico repositório do conhecimento primordial que poderá vir a ser ainda, a chave da sobrevivência de todos.
Sàbiamente, dizia o nosso querido Irmão Bernardo: "Encontrareis mais ensinamento nas 'árvores da floresta' do que em todos os tratados das universidades".
Mas o elo está a quebrar-se.
A sabedoria não está a ser transmitida e a tradição está a morrer aos poucos.
Porque, numa cegueira irracional, já ninguém quer saber.
Quantos dos que nos lêm sabem plantar um cereal? Curar-se com as plantas do bosque?
Muito poucos.
Mas estes anciãos sabem.
E vão, no fim da sua vida, levar com eles essa sabedoria para o túmulo.

...e os outros, os cegos, irão continuar a procurar. Em vão.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Regra:cap.LV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

De que sorte haõ de ser recebidos os casados á Irmandade.

Capítulo LV

Permittimos, que recebaes no numero dos Religiosos aos casados, porém com estas condiçoens ; que se desejaõ ser participantes do beneficio de vossa Irmandade, e communicaçaõ, os dous offereçaõ depois da sua morte ao Capitulo parte da sua fazenda, e tudo o que adquirirem neste tempo.   Em quanto vivem, conservem honestidade de vida, e procurem o bem de seus Irmaõs ; mas naõ usem do vestido branco.   Se o marido morrer primeiro, deixe a sua parte aos Religiosos seus Irmaõs, e sua molher se sustente da outra.   Porém temos por inconveniente, que estes Irmaõs casados vivam em huma mesma casa, com os que tem feito Voto de Castidade.

Regra:cap.LIV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum provoque a ira do outro.

Capítulo LIV

Ha de haver grande cuidado, em que hum naõ dê a outro occasiaõ de sentimento ; porque a Summa Clemencia unio com vinculos de Irmandade, e amor igualmente aos ricos, e aos pobres.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O que está adormecido irá acordar






Mais brilhante que o Sol,
este lago a ferver como um grande caldeirão,
e apesar de nenhuma coisa viva suportar
esta caldeira ardente, num calor de fusão,
Peres do'Vale vislumbrava aqui criaturas
demasiado escuras e temíveis para contemplar.

Contorcendo-se abaixo da superfície a ferver,
em chamas escarlates, âmbar, douradas,
estavam seres com asas e presas e garras,
como saídas do abismo a rastejar.

Mas na margem estava um Cavaleiro
adornado com um manto de branco virginal,
com uma cruz vermelha gravada no peito
e uma luz sagrada à sua volta a brilhar.

Para Peres do'Vale este Cavaleiro se voltou,
Levantou o braço em direcção ao lago,
e num tom severo, de comando,
ordenou a Peres do'Vale que aí os tesouros lançasse.

Peres do'Vale ficou quieto como uma rocha,
o seu coração tornou-se frio, os seus dedos gelaram,
sentindo que não suportaria deitar fora
os tesouros preciosos que tinha nas mãos.

E então o Cavaleiro falou uma vez mais,
e a sua voz era uma seta que fundo o atingia :


"Nós somos Irmãos, Peres do'Vale,
e os teus Irmãos não te vão enganar.
Tudo o que for perdido será recuperado.
Tudo o que está adormecido irá acordar."


E Peres do'Vale, recuperada a sua fé,
inclinou-se e atirou os tesouros.

A cruz de ouro brilhante e puro,
amarelo como o Sol da manhã;

o castiçal de sete braços
de prata batida, reluzente;
por fim o crescente de chumbo martelado,
de superfície cinzelada, de tom sombrio.

De repente surgiu uma canção
de muitas vozes em uníssono,
transportadas pela brisa, doces e puras.
Elas encheram o céu como uma aurora matinal.

Agora o lago já não era de fogo
mas sim de águas tranquilas, azuis e transparentes,
e delas saiu uma figura dourada
com olhos de prata e cabelos de chumbo.

Peres do'Vale caiu de joelhos
e chorou de pura alegria.
Levantou a cabeça e três vezes clamou
Salvé! Salvé! Salvé!

"Livro do Graal"

Regra:cap.LIII

   
Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que se assista aos enfermos com todo o necessario.

Capitulo LIII

Mandamos encarecidamente aos Enfermeiros, que com toda a attençaõ dem o que for necessario para o serviço, e cura de qualquer enfermidade conforme a possibilidade da Casa, carne, aves, e o mais necessario.

 

Regra:cap.LII

  
Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que se cuide muito dos achacados.

Capitulo LII

Sobre tudo se ha de ter cuidado, e disvelo dos Religiosos achacados, e que se sirvaõ, como a Christo, tendo na memoria o Evangelho, que diz : Estive enfermo, e me visitaste.  Os enfermos pois se haõ de sofrer com tolerancia, e paciencia ; porque assim se logra abundante paga de Deos.
  

sábado, 21 de janeiro de 2012

Fragmentos de tempo


[ ...  vou todos os dias até ao castelo. Costumo subir à velha torre sineira da Porta do Sol. Da antiga e já desaparecida capela de Santa Maria. Guardo ainda um punhado de terra do adro, da época em que ela ainda existia  ... ]

[ ...  Ah... então o velho Frei Leote continua a tratar da horta do mocho! O velho matreiro que deixava entrar os miúdos na horta grande, quando a fome grassava pela cidade e que depois de o Prior descobrir e mandar tapar as passagens subterrâneas por onde eles entravam, atirava os "restos" dos produtos hortículas para o exterior da muralha para os pequenos fedelhos os recolherem enquanto o Prior fingia não ver. Eram os "ratos da horta".
Histórias com quase cinco séculos  ... ]

[ ...  os passeios ao bosque são sempre mágicos.
Mágico é o banho matinal no lago, onde mergulhado na água, vejo as andorinhas fazer voo rasante a poucos centímetros da minha cabeça, entretidas a refrescar-se  ... ]

[ ... o previlégio de se ser Templário. De poder pela manhã ter acesso aos velhos textos dos frades beneditinos da pré-Santa Maria do Olival, dos registos dos "Bezerros" e das memórias do velho castelo. Dezasseis volumes ignorados do mundo.
Como a História conhecida é tão diferente da verdadeira! Que previlégio poder olhar estes livros!
Memórias que um dia voltarão a Thomar ... ]

[ ... Que divina sensação cavalgar por estes bosques como o faziam os nossos irmãos há 800 anos atrás! É este o Graal que temos como missão, guardar ... ]

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Documento XXV


 Uma doaçaõ que fez o Senhor Rey Dom Sancho I.
Della consta ser Mestre do Templo Dom Lopo,
e por isso o 5. Mestre, he a Doaçaõ da Idanha a Velha.

Em nome de Deos. Amen. Como quer que o costume tenha força de ley, e por authoridade da ley, conhecemos que as obras dos Reys devem ficar gravadas em escripturas, porque desta sorte naõ possaõ perder se da memoria dos homens, e por ellas sejaõ presentes a todas as couzas que muitos annos passaraõ.  Por tanto, Eu Sancho por graça de Deos Rey de Portugal juntamente com minha Mulher a Rainha Dona Dulce, e com meos Filhos, e Filhas faso Carta de Doaçaõ, e perpetua firmeza a vós Mestre Dom Lopo, e a todos os Freires da Milicia do Templo assim presentes, como futuros, daquella Cidade que se chama Idanha, a qual meo Pay o Illustrissimo Rey Dom Affonso de boa memoria já em outro tempo tinha dado aos Freires vossos para a povoarem, a qual está situada entre a Covillam, e Monsanto, e o Rio Tejo, e a serra de Veleza.  Esta sobredita Cidade damos a Deos, ha caza da Milicia do Templo, para que a possuais, e tenhais para sempre por direito hereditario do mesmo modo que tendes, e possuis as outras terras da vossa Ordem em meo Reyno o qual está junto aos Reynos de Hespanha.  E concedemos a vós firmemente que a tinhaes, e possuaes para sempre com todos os seos termos, e demarcações novas, e velhas, assim como melhor as puderes achar, e ter, com toda a inteireza de direito que na tal Cidade nos podia pertencer.   E isto fazemos por Deos, e pelo bom serviço, que de vós, e dos Freires do Templo temos recebido, e cada dia recebemos ; e por dous Castellos que de vossa maõ temos, a saber Mogadouro, e Penas roxas.   Por tanto todo aquelle que vos guardar, e a vossos sucessores este meo feito inviolavelmente seja bendito do Senhor.  Amen.  E aquelle que presumir quebralo, ou diminuilo incorra na ira de Deos Omnipotente ; e o que elle fizer, seo sucessor o tenha por irrito, e de nenhum vigor.   Foi esta Carta feita em o Porto do Douro, aos vinte, e tres dias de Janeiro da Era de mil duzentos, e trinta e cinco* ; sendo passados onze annos do nosso reinado, e sendo o terceiro da povoaçaõ da dita Cidade.
Nós os Reys que esta Carta de perpetua Doaçaõ, e comcambio mandamos fazer em prezença dos abaxo assignados a roboramos, e puzemos nella os signais seguintes -)-)-)--.
Martinho Arcep. de Braga ..................................... conf.
Martinho Bisp. do Porto ...................................... conf.
Pedro Bisp. de Lamego ....................................... conf.
Niculao Bisp. de Vizeu ........................................ conf.
Pedro Bisp. de Coimbra .................................... conf.
Payo Bisp. de Evora ......................................... conf.
Sueiro Bisp. de Lisboa ....................................... conf.
Gonsalo Mendes Mordomo mór ....................... conf.
Rodrigo Mendes Alfers mór ............................. conf.
Gonsalo Valasques ......................................... conf.
Rodrigo Vasques ............................................. conf.
Rodrigo Suares .............................................. conf.
Raimundo Paes Senhor de Covelham ........... conf.
Joaõ Fernandes Trinchante mór .................. conf.
Martinho Fernandes .................................... conf.
Sueiro Soares .............................................. test.
Egas Paes ................................................... test.
Pedro Nunes ............................................... test.
Pedro Gomes ............................................. test.
Fernando Nunes ........................................ test.
Martim Nunes ........................................... test.
Juliano Notario da Corte.
Gonsalo Conigo do Porto a escreveo.
  _________________
* 1197
  

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Separando o trigo do joio



Iniciamos hoje, uma nova etiqueta com o nome "Desmitificar". Desfazer mitos.
Seremos duros e rigorosos, mesmo sabendo que iremos desiludir alguns.
Será uma matéria abrangente, por englobar a Ordem do Templo no seu todo histórico e esotérico.
E, por isso, não se restringir aos Templários Portugueses.

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Por ser, de momento "o assunto do dia", têm-nos sido colocadas algumas dúvidas (pertinentes) sobre a  ligação da  maçonaria aos Templários.
Queremos esclarecer esta espécie de mito, realçando em maiúsculas:

NUNCA A MAÇONARIA TEVE QUALQUER TIPO DE VÍNCULO HISTÓRICO OU RELAÇÃO - POR MAIS REMOTA QUE FOSSE - COM A ORDEM DOS TEMPLÁRIOS!

Existem sociedades secretas que se dizem herdeiras dos Templários e que usam abusivamente da sua História e Simbologia. Que fique aqui bem claro que, NÃO SÃO TEMPLÁRIOS!

Nós, Templários Portugueses, usamos critérios de recrutamento rigorosos, não admitindo no nosso seio elementos que professem militâncias alheias.
Cada Irmão adere de livre vontade à causa e ao Projecto Templário e só a eles se dedica.
A nossa Regra e os nossos Estatutos são bem claros quanto a isso.

Citando a introdução ao Guia do Templário, "Honor et Fortitudine" :

" Os Templários foram a mais extraordinária Ordem de Cavalaria da Idade Média.
Muitos tentaram recriá-la mas falharam.
O seu segredo continua guardado pelos que escreveram este Livro.
E pelos que o souberam ler."
    

domingo, 1 de janeiro de 2012

O poder do pensamento



  
" Tenta compreender que não há nada que possa circunscrever o incorpório, nada que seja mais veloz e mais potente, enquanto que, pelo contrário, é o incorpóreo que, de entre todos os seres, é o não circunscrito, o mais veloz, o mais potente.
Tenta compreender desta maneira, extraindo essa experiência de ti próprio.
Ordena à tua alma que se dirija à India, e ela será mais rápida do que a tua ordem; manda-a ainda passar no Oceano e mais uma vez ela ali estará rapidamente, não como se tivesse viajado de um lugar a outro, mas como se já ali estivesse.
Ordena-lhe que voe no céu e ela não terá necessidade de asas: nada lhe pode opor obstáculos, nem a chama do sol, nem o éter, nem a rotação do céu, nem os corpos dos astros, mas, sulcando todos os espaços, ela voará até ao último dos corpos celestes.
Se tu quisesses ainda irromper fora do próprio universo e contemplar aquilo que existe para além dele (se alguma coisa existe), também isso seria possível.

Hermes Trismegisto
Corpus Hermeticum

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Ao ser humano foi-lhe atribuído, entre outros dons, o da VONTADE.
Uma força que consegue mover montanhas.
No início deste novo ciclo solar que datamos de 2012, que a FORÇA DA VONTADE de cada um ajude a recuperar tudo o que perdemos no ciclo anterior.
Que haja a FORÇA DA VONTADE de conquistar novas dimensões para a nossa existência.
Que nunca se quebre a VONTADE de continuar a guardar e a transmitir a chama viva da sagrada memória.

Por PORTUGAL !

POR TU GRAAL !

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O outro Reino



Santa Maria dos Olivais ou Santa Maria do Selho (sinónimo de "tanque" escavado na rocha ou "baptistério"), foi o Panteão dos Mestres Templários.
Foi, não. Continua a ser.
Apesar dos túmulos dos Mestres terem sido profanados e mandados destruir pela sanha inquisidora do pérfido padre António de Lisboa, para nós eles continuam lá.
Porque o que destruíram foi apenas pedra.
Porque não puderam tocar na Memória.
No final deste ano de 2011, estamos presentes em Santa Maria, renovando nossos votos de fidelidade.
Inclinamo-nos perante vós queridos Mestres e perante os vossos túmulos invisíveis .
Porque o nosso e vosso Reino não é só deste mundo...
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Os Templários Portugueses desejam a todos um bom Ano de 2012
 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Quotidie Auxilium



O gesto que alguns fazem apenas pelo Natal deveria ser o gesto de todos os dias.
Estendermos a mão ao próximo que está necessitado.
Logo ali.
Ao nosso lado.
A começar pela família que tão desagregada está nos dias de hoje.
Ajudar um familiar que precisa, evita que um "estranho" tenha de o fazer.
Hoje, ajuda-se em abstrato. Dá-se para o "todo", porque todos estão a dar.
Porque é Natal.
Mas não deveria ser Natal todos os dias ?....

Boas Festas para todos.
Bom Yule e muita Luz.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Regra:cap.LI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que todos os Religiosos Militares possaõ ter terras, e vassallos.

Capitulo LI

Por Divina Providencia, como cremos, se começou por vós outros este novo genero de Religiaõ nestes Santos Lugares ; para que juntasseis com a Religiaõ a Milicia, e fique a Religiaõ fortificada com as armas, para fazer a guerra justa ao inimigo.  Com razaõ pois julgamos, que se vos chamaes Soldados do Templo, tenhaes, e possuaes [pelo insigne, e especial merecimento da Santidade] cazas, terras, vassallos, obreiros, e os governeis, e cobreis delles o tributo instituîdo, e determinado.

Regra:cap.L

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que esta Regra se observe em tudo o mais.

Capitulo L

Em todas as cousas, que injustamente vos tirarem, observay sempre esta Regra.