domingo, 6 de maio de 2012

Regra:cap.LVIII



Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Como se haõ de receber os Soldados seculares.

Capítulo LVIII

Se algum Soldado de vida perdida, e estragada, ou outro qualquer secular, quizer deixar o Mundo, e as suas vaidades, desejando ser recebido na vossa companhia, naõ se diffira logo à sua petiçaõ ; senaõ, conforme ensina S. Paulo : Examine-se o espirito, se he de Deos, e deste modo seja recebido na Ordem.   Lea-se a Regra na sua presença, e offerecendo-se a obedecer com cuidado aos preceitos da Regra, que se lhe mostrou, entaõ [se ao Mestre, e Religiosos parecer bem recebello] convocados, e juntos os Irmaõs descubralhes a sua petiçaõ, e desejo.   Depois fique no arbitrio, e execuçaõ do Mestre o tempo da approvaçaõ, que houver de ter, como pedir a correspondencia da vida, do que pertender ser recebido.

domingo, 29 de abril de 2012

Um sonho dourado



O tesouro Templário existente na sede da Ordem em França, à data da conspiração de Filipe IV, era realmente considerável.
Na verdade existiam dois tesouros; o que estava confiado à guarda  da Ordem e o que era propriedade integral desta.
Vamos focar-nos no segundo; o que era seu património, parte dele trazido de Jerusalém nos primeiros tempos da Ordem e que era mantido em rigoroso segredo.

Muito se tem especulado sobre a natureza desse tesouro. Os pormenores dessa especulação são já, por demais, conhecidos de todos os que se têm debruçado sobre o assunto.
A ficção acabou por criar o mito.

Certo é que em Outubro de 1307, o ganancioso rei francês vasculha a sede da Ordem e encontra apenas migalhas.
Os bens existentes na sede dos Templários tinham desaparecido.
Certo é que a frota Templária baseada no porto de La Rochelle tinha zarpada para nunca mais ser vista.
Tinha-se esfumado!

Em Portugal reinava El-Rei D. Diniz e, pelas crónicas da Ordem, sabemos que recebeu parte dessa  frota no porto que erradamente chamam de El-Rey, mas que na época era conhecido por Salir.
Sabemos também que de bom grado permitiu que aí fosse descarregada parte da importante carga Templária que foi a guardar em Thomar.
Depois ordena misteriosamente aos Templários Portugueses:

"Ide, retirai-vos para as vossas ilhas, levai vossos segredos e esperai um sinal meu."

Quanta cumplicidade implícita nesta declaração!
D. Diniz sabia que os Templários utilizavam ilhas que ninguém mais conhecia e ordenou-lhes que se refugiassem nelas por algum tempo até que os episódios de perseguição e as acusações feitas à Ordem do Templo se resolvessem e as coisas acalmassem.

A esta altura já muitos perguntam:
Que segredos levavam os Templários, que eram do conhecimento do Rei? Que estratégia estava já deliniada na mente do soberano para que os Templários só precisassem de aguardar um sinal seu?
Que ilhas eram essas que ninguém mais conhecia?

Podemos dizer-lhes que os segredos continuaram a ser segredos da Ordem e que a quase totalidade do tesouro guardado em Thomar foi usado para financiar um dos maiores feitos da nação Portuguesa; a epopeia marítima que deu novos mundos ao mundo.

Mas isso, já vocês sabiam...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Balada de um condenado



" A nós,
Cavaleiros do Branco Manto
Roubaram a pureza da alva cor.
Pela tortura, nos reduziram a farrapos.
Como trapos, nos jogaram neste antro
Ensanguentados, a agonizar nesta dor.
                             ...
Do esplendor do Balsão de guerra
Roubaram a pureza da alva cor
Depois atiraram-no por terra
Em farrapos, como trapos...
Que visão dilacerante!
Pior que a morte, Senhor!
                             ...
Os Irmãos o ergueram e beijaram
E sobre ele juraram
Que da cor que todos temem e que sobrou
Faríam renascer a Ordem Sagrada
E nela, com o vermelho do nosso sangue marcaram
A rubra Cruz Templária, sobre o negro que restou.
                               ...
Sabemos que nosso sacrifício não é vão
Somos inocentes! Inocentes! Inocentes!
E do que nos acusam, nada se provará.
Das riquezas espera-os sonhos vazios, ilusão
Apenas nossos corpos flagelados levarão
Pois o Espírito Templário, indomável, esse perdurará.
                              ...
Para sempre... "
aos mártires de Chinon, França
_________________________________
Segundo o pergaminho de Chinon a Ordem do Templo foi suspensa, e não extinta.
Em França, a ignomínia do rei Filipe e do papa Clemente levou muitos Templários à fogueira.
Num canto de uma masmorra, um prisioneiro Templário gravou na parede fria e húmida esta mensagem:

"Não nos querem Cavaleiros Brancos, pois Cavaleiros Negros nos terão!"

Comenda de S. Miguel da Cardiga


" El Rey Dom Affonso de Portugal nosso Senhor, e Irmaõ, fez Carta de doaçaõ do territorio da Cardica à Ordem do Templo, em 11 de outubro de 1169. "

O castelo árabe de Ayun al-M'hiah já havia sido ocupado pelos Templários por via de uma doação de El-Rei de 1148. Ficou nos registos da Ordem como castelo da Cardica.

Constituído por fortes muralhas de taipa militar e rematado por quatro enormes torreões circulares, era defendido por um fosso que o rodeava, alimentado pelas águas do Tejo.
No interior, sobressaía de todo o conjunto, a torre do Alcaide.
Segundo consta dos arquivos da Ordem, foi o único castelo que teve uma nascente de água doce, do tipo a que se costumava dar o nome de "olhos de água" e que brotava copiosamente do chão por uma abertura na rocha, no interior das suas muralhas.

"... desde a tomada de Santarem que nos haviamos instalado na fortaleza muçulmana de Ayun al-M'hiah, famosa por possuir dentro uma abundante fonte de ágoa purissima que saía a jorros à flor-do-chaõ... "

Tomadas Santarém e Lisboa, todos os restantes baluartes mouriscos ao longo do baixo Tejo capitularam, mais ou menos de forma pacífica, ficando a constituir para os cristãos, uma linha raiana de defesa vital.

Após a doação oficial, aqui foi criada a Comenda Templária de São Miguel da Cardica, cujo vasto território de terrenos férteis, foi mais tarde uma importante fonte de fornecimento de produtos agrícolas aos freires de Thomar da Ordem de Christo.

Regra:cap.LVII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que os Religiosos Templarios naõ tratem com excommungados.

Capitulo LVII

Irmaõs, temey muito, e adverti, que nenhum dos Soldados de Christo communique com os excommungados, assim em publico, como em particular, nem trate suas cousas ; porque o naõ comprehenda a mesma excommunhaõ.   Porém se estiver sómente suspenso, bem poderá communicallo, e favorecer seus negocios.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Irmãos de Armas



AQIM
Cavalo de guerra Templário !

Um Amigo. Um Irmão !

Não te eram precisas palavras. Bastava-te um olhar. Um afago.

Meu AQIM ...
Parte de mim partiu contigo...

Um dia, fiel Companheiro, voltaremos a desafiar o vento.
Tu e eu. Outra vez, juntos !

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O soldado Milhais


Batalha de La Lys

A Batalha de La Lys, deu-se entre 9 e 29 de Abril de 1918, no vale da ribeira de La Lys, sector de Ypres, na região da Flandres, Bélgica.

"... Nesta batalha, que marcou a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, os exércitos alemães provocaram uma dolorosa derrota às tropas portuguesas, constituindo a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.

A frente de combate distribuía-se numa extensa linha de 55 quilómetros, entre as localidades de Gravelle e de Armentières, guarnecida pelo 11° Corpo Britânico, com cerca de 84 000 homens, entre os quais se compreendia a 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP), constituída por cerca de 20 000 homens, dos quais somente pouco mais de 15 000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo general Gomes da Costa. Esta linha viu-se impotente para sustentar o embate de oito divisões do 6º Exército Alemão, com cerca de 55 000 homens comandados pelo general Ferdinand von Quast (1850-1934). Essa ofensiva alemã, montada por Erich Ludendorff, ficou conhecida como ofensiva "Georgette" e visava à tomada de Calais e Boulogne-sur-Mer. As tropas portuguesas, em apenas quatro horas de batalha, perderam cerca de 7500 homens entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros, ou seja, mais de um terço dos efectivos, entre os quais 327 oficiais.

Entre as diversas razões para esta derrota tão evidente têm sido citadas, por diversos historiadores, as seguintes:
- A revolução havida no mês de Dezembro de 1915, em Lisboa, que colocou na Presidência da República o Major Doutor Sidónio Pais, o qual alterou profundamente a política de beligerância prosseguida antes pelo Partido Democrático;
- A chamada a Lisboa, por ordem de Sidónio Pais, de muitos oficiais com experiência de guerra ou por razões de perseguição política ou de favor político;
- Devido à falta de barcos, as tropas portuguesas não foram rendidas pelas britânicas, o que provocou um grande desânimo nos soldados. Além disso, alguns oficiais, com maior poder económico e influência, conseguiram regressar a Portugal, mas não voltaram para ocupar os seus postos;
- O armamento alemão era muito melhor em qualidade e quantidade do que o usado pelas tropas portuguesas o qual, no entanto, era igual ao das tropas britânicas;
- O ataque alemão deu-se no dia em que as tropas lusas tinham recebido ordens para, finalmente, serem deslocadas para posições mais à rectaguarda;
- As tropas britânicas recuaram em suas posições, deixando expostos os flancos do CEP, facilitando o seu envolvimento e aniquilação.

O resultado da batalha já era esperado por oficiais responsáveis dentro do CEP, Gomes da Costa e Sinel de Cordes, que por diversas vezes tinham comunicado ao governo português o estado calamitoso das tropas.

Nesta batalha a 2ª Divisão do CEP foi completamente desbaratada, sacrificando-se nela muitas vidas, entre os mortos, feridos, desaparecidos e capturados como prisioneiros de guerra. No meio do caos, distinguiram-se vários homens, anónimos na sua maior parte. Porém, um nome ficou para a História, deturpado, mas sempiterno: o soldado Milhões.

De seu verdadeiro nome Aníbal Milhais, natural de Valongo, em Murça, viu-se sozinho na sua trincheira, apenas munido da sua menina, uma metralhadora Lewis, conhecida entre os lusos como a Luísa. Munido da coragem que só no campo de batalha é possível, enfrentou sozinho as colunas alemãs que se atravessaram no seu caminho, o que em último caso permitiu a retirada de vários soldados portugueses e britânicos para as posições defensivas da rectaguarda. Vagueando pelas trincheiras e campos, ora de ninguém ora ocupados pelos alemães, o soldado Milhões continuou ainda a fazer fogo esporádico, para o qual se valeu de cunhetes de balas que foi encontrando pelo caminho. Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um major escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano. Foi este médico, para sempre agradecido, que deu conta ao exército aliado dos feitos do soldado transmontano.

Regressado a um acampamento português, um comandante saudou-o, dizendo o que ficaria para a História de Portugal, "Tu és Milhais, mas vales Milhões!". Foi o único soldado raso português da Primeira Guerra a ser condecorado com o Colar da Ordem da Torre e Espada, a mais alta condecoração existente no país."


Presentes nas tropas portugueses estiveram sempre as insígnias, pendões e estandartes, com o símbolo da Ordem de Cristo, sucessora dos Templários Portugueses.
Os portadores de tais símbolos, mais uma vez deram prova de valentia e heroísmo extremo.
Com o sangue do seu sacrifício reavivaram o vermelho da Cruz Templária.
Nunca os esqueceremos!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Santa Maria de Azinhoso

A 25 de Maio do ano de 1297 El-Rei D. Diniz com a Rainha Santa Isabel e seus filhos os infantes D. Afonso e D. Constança, fazem em Coimbra Carta de doação "aos Templarios do padroado das igrejas de S. Mamede de Mogadouro e de Santa Maria de Pena-Royas", com todas as suas capelas e ermidas, direitos e pertenças. Isto com o consentimento de D. Martinho, arcebispo de Braga.

" ... E nem alguem se persuada, que n'esta doaçaõ amplissima se incluio a ermida do Azinhoso, e que entaõ foi quando os Templarios fizeram levantar este vasto edificio, que ainda hoje se faz distinguir ; porquanto a Real Coroa naõ dimittio senaõ o que lhe pertencia, e naõ o que era de tempos immemoraveis dos Arcebispos de Braga.
Isto se evidencia da composiçaõ, que D. Vasco Fernandes, Mestre da Ordem do Templo em Portugal, fez com o mesmo arcebispo sobre a terça pontificial, que as igrejas de Mogadouro, e Pena-Royas deviam pagar à mitra ; assentando, que pela terça, e direitos pontificaes, ou episcopaes, houvesse o Arcebispo a quinta parte dos dizimos : que houvesse a preocupaçaõ de cada huma das ditas igrejas, quando as fosse visitar : que instituisse os apresentados ás ditas igrejas pela Ordem, ora fossem freires, ora seculares, sendo idoneos, os quaes prestariam obediencia, e iriam aos synodos dos arcebispos de Braga.  Reserva com tudo o arcebispo D. Martinho para si a cera, e os votos, que das ditas igrejas se lhe costumavam pagar, acrescentando :
" Heremitagium tamen nostrum, quod vocatur Sancta Maria de Azinoso, cum omnibus juribus, et pertinentiis suis, nobis nichilominùs reservamus."
Feito o instrumento em Santarem a 16 de Outubro, e novamente approvado, e se'lado em Braga pello mesmo Arcebispo a 11 de Dezembro, se acha original no archivo de Thomar."

No ano de 1301, era já conhecido por Santuário do Azinhoso.
Camara dos arcebispos de Braga, cujas casas de residência ficavam ao lado da Igreja, no sítio que ainda hoje se chama o Curral do Bispo.

Estava longe o tempo glório da Ordem, adivinhando-se já o que por aí vinha...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Regra:cap.LVI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que fóra deste caso daqui em diante naõ hajaõ outras Irmãas.

Capítulo LVI

He muy perigoso, fóra deste caso, unir com vós outros algumas Irmãas ; porque o inimigo commum derribou a muitos do caminho do Ceo, pela conversaçaõ das mulheres.   E assim, Irmaõs carissimos, para guardar em flor a pureza, naõ se permitta daqui em diante tal trato, e communicaçaõ.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Fernando Sanches


1209Fernando Sanches doou aos Templários, sendo seu “Mestre em Portugal D. Gomes Ramires”, metade da herdade de Villa-franca da Cardosa, com toda a sua povoaçaõ, foros, e direitos, e metade das igrejas, que no seu termo tinha edificado, e edificasse para o futuro; metade de tudo isto em sua vida, e a outra metade por sua morte; protestando, que havendo elle de tomar estado religioso, tomaria o da Ordem do Templo, e que em todo o caso se lhe daria sepultura entre os Templários; e que nem elle, nem seus descendentes admittiriam em algum tempo outros religiosos em Villa-franca. Feita a carta E. M.CC.XL.VII, que he anno de Christo de 1209.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Memórias vivas


Os que nas grandes bibliotecas buscam tesouros filosofais, os que buscam a sabedoria ancestral nas grandes obras académicas, não se apercebem da ironia que é passar a toda a hora ao lado daquilo que procuram  sem darem por isso.
Não se apercebem que hoje, o anciaõ, ignorado e desprezado num banco de jardim, mais tarde abandonado num lar ou nos corredores de um qualquer hospital para morrer, pode ser uma memória viva, cheio de vivência e sabedoria.
Quantos estarão ainda capazes de transmitir parte dessa vivência, dessa sabedoria?
Tem sido neles que toda uma linha de antepassados têm vindo a depositar as tradições orais, autêntico repositório do conhecimento primordial que poderá vir a ser ainda, a chave da sobrevivência de todos.
Sàbiamente, dizia o nosso querido Irmão Bernardo: "Encontrareis mais ensinamento nas 'árvores da floresta' do que em todos os tratados das universidades".
Mas o elo está a quebrar-se.
A sabedoria não está a ser transmitida e a tradição está a morrer aos poucos.
Porque, numa cegueira irracional, já ninguém quer saber.
Quantos dos que nos lêm sabem plantar um cereal? Curar-se com as plantas do bosque?
Muito poucos.
Mas estes anciãos sabem.
E vão, no fim da sua vida, levar com eles essa sabedoria para o túmulo.

...e os outros, os cegos, irão continuar a procurar. Em vão.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Regra:cap.LV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

De que sorte haõ de ser recebidos os casados á Irmandade.

Capítulo LV

Permittimos, que recebaes no numero dos Religiosos aos casados, porém com estas condiçoens ; que se desejaõ ser participantes do beneficio de vossa Irmandade, e communicaçaõ, os dous offereçaõ depois da sua morte ao Capitulo parte da sua fazenda, e tudo o que adquirirem neste tempo.   Em quanto vivem, conservem honestidade de vida, e procurem o bem de seus Irmaõs ; mas naõ usem do vestido branco.   Se o marido morrer primeiro, deixe a sua parte aos Religiosos seus Irmaõs, e sua molher se sustente da outra.   Porém temos por inconveniente, que estes Irmaõs casados vivam em huma mesma casa, com os que tem feito Voto de Castidade.

Regra:cap.LIV

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que nenhum provoque a ira do outro.

Capítulo LIV

Ha de haver grande cuidado, em que hum naõ dê a outro occasiaõ de sentimento ; porque a Summa Clemencia unio com vinculos de Irmandade, e amor igualmente aos ricos, e aos pobres.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O que está adormecido irá acordar






Mais brilhante que o Sol,
este lago a ferver como um grande caldeirão,
e apesar de nenhuma coisa viva suportar
esta caldeira ardente, num calor de fusão,
Peres do'Vale vislumbrava aqui criaturas
demasiado escuras e temíveis para contemplar.

Contorcendo-se abaixo da superfície a ferver,
em chamas escarlates, âmbar, douradas,
estavam seres com asas e presas e garras,
como saídas do abismo a rastejar.

Mas na margem estava um Cavaleiro
adornado com um manto de branco virginal,
com uma cruz vermelha gravada no peito
e uma luz sagrada à sua volta a brilhar.

Para Peres do'Vale este Cavaleiro se voltou,
Levantou o braço em direcção ao lago,
e num tom severo, de comando,
ordenou a Peres do'Vale que aí os tesouros lançasse.

Peres do'Vale ficou quieto como uma rocha,
o seu coração tornou-se frio, os seus dedos gelaram,
sentindo que não suportaria deitar fora
os tesouros preciosos que tinha nas mãos.

E então o Cavaleiro falou uma vez mais,
e a sua voz era uma seta que fundo o atingia :


"Nós somos Irmãos, Peres do'Vale,
e os teus Irmãos não te vão enganar.
Tudo o que for perdido será recuperado.
Tudo o que está adormecido irá acordar."


E Peres do'Vale, recuperada a sua fé,
inclinou-se e atirou os tesouros.

A cruz de ouro brilhante e puro,
amarelo como o Sol da manhã;

o castiçal de sete braços
de prata batida, reluzente;
por fim o crescente de chumbo martelado,
de superfície cinzelada, de tom sombrio.

De repente surgiu uma canção
de muitas vozes em uníssono,
transportadas pela brisa, doces e puras.
Elas encheram o céu como uma aurora matinal.

Agora o lago já não era de fogo
mas sim de águas tranquilas, azuis e transparentes,
e delas saiu uma figura dourada
com olhos de prata e cabelos de chumbo.

Peres do'Vale caiu de joelhos
e chorou de pura alegria.
Levantou a cabeça e três vezes clamou
Salvé! Salvé! Salvé!

"Livro do Graal"

Regra:cap.LIII

   
Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que se assista aos enfermos com todo o necessario.

Capitulo LIII

Mandamos encarecidamente aos Enfermeiros, que com toda a attençaõ dem o que for necessario para o serviço, e cura de qualquer enfermidade conforme a possibilidade da Casa, carne, aves, e o mais necessario.