segunda-feira, 25 de junho de 2012

Elos quebrados



É comum dizer-se que uma vez dissolvida a Ordem do Templo por Clemente V, no século XIV, só o actual Papa a poderia reabilitar.
Isto não passa de uma falácia que convém desmitificar.

A Ordem do Templo não foi criada pela igreja. Foi sim aprovada por ela quase dez anos após ter sido criada oficialmente em 1118.
O acto de aprovação em 1128 por parte da igreja, não terá tido para os Templários um significado diferente do reconhecer de uma assinatura num cartório notarial nos nossos dias.

Poder-se-á argumentar que o Papa na altura tomou a Ordem sob a sua protecção e que esta só ao próprio pontífice prestava contas. Que a igreja era o poder absoluto e que sem a aprovação dela os Templários não existiriam como Ordem...

A verdade é que na época a igreja não o fez de ânimo leve.
Fê-lo porque a tal se viu obrigada.
Por motivos que ainda são um segredo Templário.

A Ordem, presentemente e ao contrário do que se diz, não precisaria da bênção da igreja para ressurgir. Se decidisse fazê-lo.
A igreja desistiu dos Templários quando os suspendeu. Lembram-se?
E nem por isso os Templários se esfumaram no tempo...

domingo, 20 de maio de 2012

Documento XXVI


Doaçaõ da Azafa hoje vulgo Rodaõ
que fes o Senhor Rey D. Sancho I.
ao Mestre D. Lopo Fernandes.

Em nome de Deos. Como na verdade o costume tenha força de ley, e por authoridade da ley conhecemos as acções dos Reys, e Principes se devem perpetuar as escripturas porque assim perpetuadas naõ se perdem da memoria dos homens, e estejam presentes a todas as couzas que muitos annos antes passaraõ.   Por tanto, Eu D. Sancho pella graça de Deos Rey de Portugal juntamente com meo Filho El-Rey D. Affonso, e com os outros meos Filhos, e Filhas, faço carta a vós D. Lopo Fernandes Mestre da Milicia do Templo em nosso Reyno, e a vossos Freires assim prezentes como futuros de Azafa, o qual logar vos damos, e a todos vossos successores por direito hereditario para sempre ; e isto faso por Deos, e pello bom serviço, que temos recebido de vós, e de todos os Cavalleiros da Milicia do Templo, e cada dia recebemos ; e pellas Igrejas do Mugadouro, e Peñas roxas, as quaes nos destes bem paramentadas de tudo quanto pertence ao culto Ecclesiastico.   Cujos termos da Azafa saõ estes.   Parte com Berver como entra a agoa de Velleza no Tejo, e como ou donde entra a agoa de Paracana na Velleza, e dahi como vay a agoa de Paracana o caminho de Agitana a cabeça de Saxo, e dahi aonde entra a agoa do Saxo no Bostelin, daqui a fonte do Carvalho, dahi ao Recefe Mourisco como entra na corrente do Isna, dahi a cabeça que está entre o Isna, e o Tamoliam aos Pardineiros velhos, dahi pella grande serra que está entre o Isna, e o Tamoliam ; dahi desce a foz de Oleiros, e da foz de Oleiros á estrada de Covilham a foz do Cambas, dahi a cabeça de Moncaval ; dahi a cabeça de Asina como vay para Alpreada que he termo de Agitana.   Parte tambem com Agitana o Tejo athe o Ryo de Ponsul ; dahi á cabeça de M'cores como vay a cabeça de Cardoza.   Parte taõbem alem do Tejo pella foz de Frieiro como entra no Tejo dahi defronte de M'lica, e corre a Mongare, dahi as simalhas da agoa do Vidula, dahi ao Castello de Ferron como caminha ao Mosteiro de Alpalandro, e dahi ao Semedeiro de Bemfayam, dahi ao porto de Moha de Salor como correm as agoas para o Tejo.   Damos por isso a vós, e á vossa Ordem o sobredito logar por direito hereditario pello amor de Deos, e pellas sobreditas Igrejas que asima nomeamos, e a vós concedemos que povoeis o tal logar do melhor modo que poderes ; e termos por firme, e valiozo que se governem os moradores delle livremente pello Foral, que por vós lhe for dado ; e aquelles que herdares no tal logar fiquem herdados.   Vós porem sereis obrigados a nos receber em o tal logar, e a todos os que de nossa geraçaõ nos succederem como Reys, e Senhores vossos todas as vezes, que a elles quizermos hir.   Por tanto todo aquelle, que esta nossa Carta vos guardar inteiramente, e a todos os vossos successores seja bemdito do Senhor.   Amen.   E aquelle que presumir, ou intentar quebrantalo, ou diminuilo seja maldito, e tudo o que fizer seja irrito, e de nenhum vigor.   Foy esta Carta feita em Covilham, no quinto dia do mes de Julho da Era de mil duzentos trinta e sette.
Nós os Reys que esta Carta mandamos fazer a roboramos em prezença dos abaxo asignados nella, e fizemos estes signais -----I-----I-----I-----
Os que presentes se acharaõ &c.
D. Gonsalo Mendo Mordomo da Curia ........... Conf.
D. Paio Monis Alfers Mor .................................. Conf.
D. Raimundo Paio Governador de Covilham ..... Conf.
Martim Lopes Trancozo ................................... Conf.
D. Lourenço Soares Lamego ........................... Conf.
Egas Affonso Alafone ................................. Conf.
D. Joaõ Fernandes Trinchante mor ........... Conf.
Martim Arcebispo de Braga .................... Conf.
Martins Bispo do Porto .......................... Conf.
Pedro Bispo de Lamego ........................ Conf.
Nicolau Bispo de Vizeu ......................... Conf.
Pedro Bispo de Coimbra .................... Conf.
Soares Bispo de Lisboa ..................... Conf.
Paio Bispo de Ebora ...................... Conf.
D. Osorio ......................................test.
Rodrigues Pedro ......................test.
Pedro Nunes ......................... test.
Soeiro soares ....................... test.
Fernando Nunes.............. test.

sábado, 19 de maio de 2012

Um tesouro de pérolas


Irmão,
Apelo à tua tolerância.
Não rejeites as minhas crenças.
Convive antes comigo.
Aceita-me como eu sou.
A amizade está acima da divergência.
Vem...
Vamos falar do melhor que há em nós.
Não estamos ambos sob o mesmo Sol?
__________________________
(Parte de uma mensagem trocada entre um Templário e um Sufi, num apelo à convivência pacífica. Escrita em pleno século XII, um pouco antes da conquista da fortaleza árabe de Juromenha, Alandroal (Ribat de Julumanyia). Documento do nosso espólio e um dos que guardamos com mais carinho.)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Regra:cap.LIX


Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que se naõ chamem todos os Religiosos para as Juntas secretas.

Capitulo LIX

Mandamos, que naõ chamem todos os Freires a Consulta ; mas sòmente aquelles, que ao Mestre parecerem de juizo, e prudencia.   Mas quando se tratarem cousas mayores, como dar huma Commenda, disputar sobre cousas da Ordem, ou receber algum Religioso ; entaõ chame o Mestre toda a Congregaçaõ, parecendolhe conveniente, e ouvido o parecer de todos, siga-se o que o Mestre julgar melhor.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O:nono:Mestre

U ququ Piwvri i ekiqew ap Piwvri. Ap guw uovu Baergouiw.
Pa Tefe fot Wenqmariot Qorwuhuetet dafa un fot oiwo Netwret huarfa pa tua danara qettoam una arda temafa.
Tewe femat etwao xaziat.
E uoveye fuqvip elaonu lai iwve e baerge gu ququ Piwvri i lai hez gini u Piwvri Kropfokeni.
Xe uqu xogu niu u e lele Diorbaoe merniu qfe cea yrolxkayabe muqe olyuraer.
Ap goe vepdip ini ore iwfuncir iqvri uw uavruw wivi, elaini lai u ore wafigir.
Luxxo oqyiro, u xuk o mruxulho bex eiyrex, aro niugror yebex ex xuqex box orhox u yrolxcuraro moro iko buqox e xui qudobe.
Gikuow wine:new:e e vugew quyepiqvi.
Dbanara a qarwe wofot ot ouwrot Netwret e tehrefar:mbet:a kue a wrapnittao goi egedwuafa.
To un femet tacera kue goi o etdombifo e kue a tua arda pao etwa xazia.
Etwa qrexitwo un nedapitno fe redurto qara o dato fo Qripdiqame pao qofer gazer a wraptnittao en xifa.
O yrolkaxxoe xuro cuayo oyrotux buxxu baye kuholaxke.

domingo, 6 de maio de 2012

O nono Mestre



" No Reyno de PortoGraal,
a Tavola na sala dos Cavalleiros
naõ he exactamente redonda... "

Tem oito lados.
Tantos quantos os Guardiões da Ordem que a ela se sentam.
Um deles é o nono Mestre.
Nenhum dos outros sabe qual deles é.
Sabem apenas que é o portador do Bastão que guarda e transmite o tesouro Templário.
O conhecimento oculto.

Regra:cap.LVIII



Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Como se haõ de receber os Soldados seculares.

Capítulo LVIII

Se algum Soldado de vida perdida, e estragada, ou outro qualquer secular, quizer deixar o Mundo, e as suas vaidades, desejando ser recebido na vossa companhia, naõ se diffira logo à sua petiçaõ ; senaõ, conforme ensina S. Paulo : Examine-se o espirito, se he de Deos, e deste modo seja recebido na Ordem.   Lea-se a Regra na sua presença, e offerecendo-se a obedecer com cuidado aos preceitos da Regra, que se lhe mostrou, entaõ [se ao Mestre, e Religiosos parecer bem recebello] convocados, e juntos os Irmaõs descubralhes a sua petiçaõ, e desejo.   Depois fique no arbitrio, e execuçaõ do Mestre o tempo da approvaçaõ, que houver de ter, como pedir a correspondencia da vida, do que pertender ser recebido.

domingo, 29 de abril de 2012

Um sonho dourado



O tesouro Templário existente na sede da Ordem em França, à data da conspiração de Filipe IV, era realmente considerável.
Na verdade existiam dois tesouros; o que estava confiado à guarda  da Ordem e o que era propriedade integral desta.
Vamos focar-nos no segundo; o que era seu património, parte dele trazido de Jerusalém nos primeiros tempos da Ordem e que era mantido em rigoroso segredo.

Muito se tem especulado sobre a natureza desse tesouro. Os pormenores dessa especulação são já, por demais, conhecidos de todos os que se têm debruçado sobre o assunto.
A ficção acabou por criar o mito.

Certo é que em Outubro de 1307, o ganancioso rei francês vasculha a sede da Ordem e encontra apenas migalhas.
Os bens existentes na sede dos Templários tinham desaparecido.
Certo é que a frota Templária baseada no porto de La Rochelle tinha zarpada para nunca mais ser vista.
Tinha-se esfumado!

Em Portugal reinava El-Rei D. Diniz e, pelas crónicas da Ordem, sabemos que recebeu parte dessa  frota no porto que erradamente chamam de El-Rey, mas que na época era conhecido por Salir.
Sabemos também que de bom grado permitiu que aí fosse descarregada parte da importante carga Templária que foi a guardar em Thomar.
Depois ordena misteriosamente aos Templários Portugueses:

"Ide, retirai-vos para as vossas ilhas, levai vossos segredos e esperai um sinal meu."

Quanta cumplicidade implícita nesta declaração!
D. Diniz sabia que os Templários utilizavam ilhas que ninguém mais conhecia e ordenou-lhes que se refugiassem nelas por algum tempo até que os episódios de perseguição e as acusações feitas à Ordem do Templo se resolvessem e as coisas acalmassem.

A esta altura já muitos perguntam:
Que segredos levavam os Templários, que eram do conhecimento do Rei? Que estratégia estava já deliniada na mente do soberano para que os Templários só precisassem de aguardar um sinal seu?
Que ilhas eram essas que ninguém mais conhecia?

Podemos dizer-lhes que os segredos continuaram a ser segredos da Ordem e que a quase totalidade do tesouro guardado em Thomar foi usado para financiar um dos maiores feitos da nação Portuguesa; a epopeia marítima que deu novos mundos ao mundo.

Mas isso, já vocês sabiam...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Balada de um condenado



" A nós,
Cavaleiros do Branco Manto
Roubaram a pureza da alva cor.
Pela tortura, nos reduziram a farrapos.
Como trapos, nos jogaram neste antro
Ensanguentados, a agonizar nesta dor.
                             ...
Do esplendor do Balsão de guerra
Roubaram a pureza da alva cor
Depois atiraram-no por terra
Em farrapos, como trapos...
Que visão dilacerante!
Pior que a morte, Senhor!
                             ...
Os Irmãos o ergueram e beijaram
E sobre ele juraram
Que da cor que todos temem e que sobrou
Faríam renascer a Ordem Sagrada
E nela, com o vermelho do nosso sangue marcaram
A rubra Cruz Templária, sobre o negro que restou.
                               ...
Sabemos que nosso sacrifício não é vão
Somos inocentes! Inocentes! Inocentes!
E do que nos acusam, nada se provará.
Das riquezas espera-os sonhos vazios, ilusão
Apenas nossos corpos flagelados levarão
Pois o Espírito Templário, indomável, esse perdurará.
                              ...
Para sempre... "
aos mártires de Chinon, França
_________________________________
Segundo o pergaminho de Chinon a Ordem do Templo foi suspensa, e não extinta.
Em França, a ignomínia do rei Filipe e do papa Clemente levou muitos Templários à fogueira.
Num canto de uma masmorra, um prisioneiro Templário gravou na parede fria e húmida esta mensagem:

"Não nos querem Cavaleiros Brancos, pois Cavaleiros Negros nos terão!"

Comenda de S. Miguel da Cardiga


" El Rey Dom Affonso de Portugal nosso Senhor, e Irmaõ, fez Carta de doaçaõ do territorio da Cardica à Ordem do Templo, em 11 de outubro de 1169. "

O castelo árabe de Ayun al-M'hiah já havia sido ocupado pelos Templários por via de uma doação de El-Rei de 1148. Ficou nos registos da Ordem como castelo da Cardica.

Constituído por fortes muralhas de taipa militar e rematado por quatro enormes torreões circulares, era defendido por um fosso que o rodeava, alimentado pelas águas do Tejo.
No interior, sobressaía de todo o conjunto, a torre do Alcaide.
Segundo consta dos arquivos da Ordem, foi o único castelo que teve uma nascente de água doce, do tipo a que se costumava dar o nome de "olhos de água" e que brotava copiosamente do chão por uma abertura na rocha, no interior das suas muralhas.

"... desde a tomada de Santarem que nos haviamos instalado na fortaleza muçulmana de Ayun al-M'hiah, famosa por possuir dentro uma abundante fonte de ágoa purissima que saía a jorros à flor-do-chaõ... "

Tomadas Santarém e Lisboa, todos os restantes baluartes mouriscos ao longo do baixo Tejo capitularam, mais ou menos de forma pacífica, ficando a constituir para os cristãos, uma linha raiana de defesa vital.

Após a doação oficial, aqui foi criada a Comenda Templária de São Miguel da Cardica, cujo vasto território de terrenos férteis, foi mais tarde uma importante fonte de fornecimento de produtos agrícolas aos freires de Thomar da Ordem de Christo.

Regra:cap.LVII

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que os Religiosos Templarios naõ tratem com excommungados.

Capitulo LVII

Irmaõs, temey muito, e adverti, que nenhum dos Soldados de Christo communique com os excommungados, assim em publico, como em particular, nem trate suas cousas ; porque o naõ comprehenda a mesma excommunhaõ.   Porém se estiver sómente suspenso, bem poderá communicallo, e favorecer seus negocios.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Irmãos de Armas



AQIM
Cavalo de guerra Templário !

Um Amigo. Um Irmão !

Não te eram precisas palavras. Bastava-te um olhar. Um afago.

Meu AQIM ...
Parte de mim partiu contigo...

Um dia, fiel Companheiro, voltaremos a desafiar o vento.
Tu e eu. Outra vez, juntos !

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O soldado Milhais


Batalha de La Lys

A Batalha de La Lys, deu-se entre 9 e 29 de Abril de 1918, no vale da ribeira de La Lys, sector de Ypres, na região da Flandres, Bélgica.

"... Nesta batalha, que marcou a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, os exércitos alemães provocaram uma dolorosa derrota às tropas portuguesas, constituindo a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.

A frente de combate distribuía-se numa extensa linha de 55 quilómetros, entre as localidades de Gravelle e de Armentières, guarnecida pelo 11° Corpo Britânico, com cerca de 84 000 homens, entre os quais se compreendia a 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP), constituída por cerca de 20 000 homens, dos quais somente pouco mais de 15 000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo general Gomes da Costa. Esta linha viu-se impotente para sustentar o embate de oito divisões do 6º Exército Alemão, com cerca de 55 000 homens comandados pelo general Ferdinand von Quast (1850-1934). Essa ofensiva alemã, montada por Erich Ludendorff, ficou conhecida como ofensiva "Georgette" e visava à tomada de Calais e Boulogne-sur-Mer. As tropas portuguesas, em apenas quatro horas de batalha, perderam cerca de 7500 homens entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros, ou seja, mais de um terço dos efectivos, entre os quais 327 oficiais.

Entre as diversas razões para esta derrota tão evidente têm sido citadas, por diversos historiadores, as seguintes:
- A revolução havida no mês de Dezembro de 1915, em Lisboa, que colocou na Presidência da República o Major Doutor Sidónio Pais, o qual alterou profundamente a política de beligerância prosseguida antes pelo Partido Democrático;
- A chamada a Lisboa, por ordem de Sidónio Pais, de muitos oficiais com experiência de guerra ou por razões de perseguição política ou de favor político;
- Devido à falta de barcos, as tropas portuguesas não foram rendidas pelas britânicas, o que provocou um grande desânimo nos soldados. Além disso, alguns oficiais, com maior poder económico e influência, conseguiram regressar a Portugal, mas não voltaram para ocupar os seus postos;
- O armamento alemão era muito melhor em qualidade e quantidade do que o usado pelas tropas portuguesas o qual, no entanto, era igual ao das tropas britânicas;
- O ataque alemão deu-se no dia em que as tropas lusas tinham recebido ordens para, finalmente, serem deslocadas para posições mais à rectaguarda;
- As tropas britânicas recuaram em suas posições, deixando expostos os flancos do CEP, facilitando o seu envolvimento e aniquilação.

O resultado da batalha já era esperado por oficiais responsáveis dentro do CEP, Gomes da Costa e Sinel de Cordes, que por diversas vezes tinham comunicado ao governo português o estado calamitoso das tropas.

Nesta batalha a 2ª Divisão do CEP foi completamente desbaratada, sacrificando-se nela muitas vidas, entre os mortos, feridos, desaparecidos e capturados como prisioneiros de guerra. No meio do caos, distinguiram-se vários homens, anónimos na sua maior parte. Porém, um nome ficou para a História, deturpado, mas sempiterno: o soldado Milhões.

De seu verdadeiro nome Aníbal Milhais, natural de Valongo, em Murça, viu-se sozinho na sua trincheira, apenas munido da sua menina, uma metralhadora Lewis, conhecida entre os lusos como a Luísa. Munido da coragem que só no campo de batalha é possível, enfrentou sozinho as colunas alemãs que se atravessaram no seu caminho, o que em último caso permitiu a retirada de vários soldados portugueses e britânicos para as posições defensivas da rectaguarda. Vagueando pelas trincheiras e campos, ora de ninguém ora ocupados pelos alemães, o soldado Milhões continuou ainda a fazer fogo esporádico, para o qual se valeu de cunhetes de balas que foi encontrando pelo caminho. Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um major escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano. Foi este médico, para sempre agradecido, que deu conta ao exército aliado dos feitos do soldado transmontano.

Regressado a um acampamento português, um comandante saudou-o, dizendo o que ficaria para a História de Portugal, "Tu és Milhais, mas vales Milhões!". Foi o único soldado raso português da Primeira Guerra a ser condecorado com o Colar da Ordem da Torre e Espada, a mais alta condecoração existente no país."


Presentes nas tropas portugueses estiveram sempre as insígnias, pendões e estandartes, com o símbolo da Ordem de Cristo, sucessora dos Templários Portugueses.
Os portadores de tais símbolos, mais uma vez deram prova de valentia e heroísmo extremo.
Com o sangue do seu sacrifício reavivaram o vermelho da Cruz Templária.
Nunca os esqueceremos!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Santa Maria de Azinhoso

A 25 de Maio do ano de 1297 El-Rei D. Diniz com a Rainha Santa Isabel e seus filhos os infantes D. Afonso e D. Constança, fazem em Coimbra Carta de doação "aos Templarios do padroado das igrejas de S. Mamede de Mogadouro e de Santa Maria de Pena-Royas", com todas as suas capelas e ermidas, direitos e pertenças. Isto com o consentimento de D. Martinho, arcebispo de Braga.

" ... E nem alguem se persuada, que n'esta doaçaõ amplissima se incluio a ermida do Azinhoso, e que entaõ foi quando os Templarios fizeram levantar este vasto edificio, que ainda hoje se faz distinguir ; porquanto a Real Coroa naõ dimittio senaõ o que lhe pertencia, e naõ o que era de tempos immemoraveis dos Arcebispos de Braga.
Isto se evidencia da composiçaõ, que D. Vasco Fernandes, Mestre da Ordem do Templo em Portugal, fez com o mesmo arcebispo sobre a terça pontificial, que as igrejas de Mogadouro, e Pena-Royas deviam pagar à mitra ; assentando, que pela terça, e direitos pontificaes, ou episcopaes, houvesse o Arcebispo a quinta parte dos dizimos : que houvesse a preocupaçaõ de cada huma das ditas igrejas, quando as fosse visitar : que instituisse os apresentados ás ditas igrejas pela Ordem, ora fossem freires, ora seculares, sendo idoneos, os quaes prestariam obediencia, e iriam aos synodos dos arcebispos de Braga.  Reserva com tudo o arcebispo D. Martinho para si a cera, e os votos, que das ditas igrejas se lhe costumavam pagar, acrescentando :
" Heremitagium tamen nostrum, quod vocatur Sancta Maria de Azinoso, cum omnibus juribus, et pertinentiis suis, nobis nichilominùs reservamus."
Feito o instrumento em Santarem a 16 de Outubro, e novamente approvado, e se'lado em Braga pello mesmo Arcebispo a 11 de Dezembro, se acha original no archivo de Thomar."

No ano de 1301, era já conhecido por Santuário do Azinhoso.
Camara dos arcebispos de Braga, cujas casas de residência ficavam ao lado da Igreja, no sítio que ainda hoje se chama o Curral do Bispo.

Estava longe o tempo glório da Ordem, adivinhando-se já o que por aí vinha...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Regra:cap.LVI

Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Que fóra deste caso daqui em diante naõ hajaõ outras Irmãas.

Capítulo LVI

He muy perigoso, fóra deste caso, unir com vós outros algumas Irmãas ; porque o inimigo commum derribou a muitos do caminho do Ceo, pela conversaçaõ das mulheres.   E assim, Irmaõs carissimos, para guardar em flor a pureza, naõ se permitta daqui em diante tal trato, e communicaçaõ.