sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Tombo:XIV


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


Agosto de 1145

Carta pela qual o Arcebispo de Braga confirmou uma doação do seu antecessor, em que fora feita mercê à Ordem do Templo de umas casas, e acrescentou mais metade dos dízimos das feiras da mesma cidade de Braga.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Invenções tardias



A tendência para mistificar os Cavaleiros Templários levou a que, ao longo do tempo, se criassem autênticas fraudes históricas.

O selo do Mestre Geral da Ordem, Pedro de Montagudo, não apresenta dois cavaleiros na mesma montada mas sim lado a lado. O segundo cavalo não foi incluído, para simplificar o desenho.

É este o verdadeiro símbolo.

Nenhum Templário se deslocava sozinho a pé ou a cavalo, quando em serviço. Andava sempre acompanhado de um Irmão por razões que a Regra de Cavalaria especifica.
Contudo, nunca foi norma andarem dois cavaleiros num mesmo cavalo.
Como a Regra de Cavalaria Templária nunca foi do conhecimento público, inventaram (principalmente a partir do século XVIII) a história dos dois cavaleiros na mesma montada e deram-lhe todo o tipo de interpretações esotéricas. Atribuíram-na inclusive aos selos de outros Mestres Gerais, falsificando-os.

Uma das explicações mais comuns que hoje lhe dão é a de que, como os Templários foram conhecidos   por "pobres Cavaleiros de Cristo", eram obrigados a andar dois numa só montada, por falta de cavalos.
Nada mais falso.
A verdade é que o Cavaleiro Templário tinha normalmente à sua disposição nunca menos de três montadas.
O selo do Mestre nada tem, assim, de esotérico.
Também é uma verdade, que a simbologia oculta dos Templários, era e é, precisamente isso: OCULTA.

Regra:cap.LXXII


Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem.

Que se fujaõ os abraços, e osculos de qualquer mulher.

Capítulo LXXII

He muy perigoso, e arriscado attender com curiosidade, e cuidado ao rosto das mulheres.   E assim nenhum se streva a dar osculo a viuva, nem donzela, nem a mulher alguma, ainda que muy chegada em parentesco, como mãy, irmãa, ou tia.   Fuja o Cavalleiro de Christo dos affagos da mulher, que poem ao homem no ultimo risco ; para que com pura vida, e segura consciencia chegue a gozar de Deos para sempre.   Amen.

Fim da Regra.
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Termina aqui a Regra dos pobres Cavaleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalém, constituída por 72 capítulos.
Esta foi a Regra escrita para encobrir o falso vínculo dos Templários à igreja católica.
Os Soldados do Templo regeram-se no passado (e ainda se regem) não por uma regra monástica mas por uma Regra de Cavalaria Espiritual muito diferente.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Pequenos e Grandes




A  arrogância terá sempre dificuldade
 em alcançar o batente da nossa porta.

A humildade não precisará de o fazer.
Para ela a porta está sempre aberta.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tombo:XIII


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo



Agosto de 1145

Carta de Doação feita por D. Joaõ, Arcebispo de Braga,
à Ordem do Templo de um Hospital que o seu antecessor tinha feito na mesma Cidade.

Regra:cap.LXXI


Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem.

De evitar a murmuraçaõ

Capítulo LXXI

Mandamos, que fujaes da emulaçaõ, invejas, e murmuraçoens, como de perniciosissima peste.   Cuide muito cada hum naõ culpar, nem murmurar de seu Irmaõ, nem em ausencia, conforme o conselho do Apostolo : Naõ sejas acriminador, nem murmurador no povo ; quando souberes claramente, que teu Irmaõ tem cahido em alguma falta, reprehende-o particularmente com caridade fraternal, e pacificamente, para cumprires com o preceito Evangelico do Senhor.   Senaõ fizer caso, chama a outro Irmaõ para o mesmo effeito.   Se desprezar o aviso de ambos ; fazeyo publico diante de toda a Communidade ; porque sem duvida estaõ muy cegos, os que murmuraõ de outrem, e muy desgraçados, os que saõ invejosos, e vem a cahir nos laços do nosso antigo, e enganador inimigo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Haja El-Rey




Outrora disseste:
Que haja El-Rey
E haverá Gran-Mestre

Se houver El-Rey
Teremos Gran-Mestre
Com a benção Celeste
E a união da Grei

Esquecei vã ilusão
O inútil da guerra
Ouvi o apelo da Terra
Tomai-a por vossa mão

Os campos repovoai
São de vossa Herança
Dos idos a esperança
Sua memória honrai

João, Maria, Miguel
Protegei com vossas asas
Comendas, gentes e casas
Todo um Reino que é fiel.

Somos teu potencial
Gente Lusa que te amamos
Todos juntos, ordenamos
Que te cumpras, Portugal!

...um dia ainda direi:
Haja Gran-Mestre
Que chegou El-Rey

( a todos os que mantêm acesa a Chama )

Templários Portugueses
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Hoje, muitos estão a voltar aos campos.
O Projecto Templário cumpre-se per si.
Não por nós, mas pela Alma Lusitana.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dar a mão




O Novo Ano de 2013 vai ser de grandes dificuldades para muitos.
Para quem mais precisa, que haja uma mão amiga pronta a ajudar.
Que ninguém se sinta abandonado. Estaremos sempre por perto.
Coragem, esperança e muita solidariedade.
Abraço fraterno para todos.
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Templários Portugueses

domingo, 23 de dezembro de 2012

Repartir o Pão



Apesar de considerarmos que o espírito natalício não deve estar confinado apenas ao dia 25 de Dezembro mas a todos os dias do ano, reconhecemos que pelo menos nesta data as famílias se aproximam mais, os amigos tornam-se mais visíveis e os distraídos reparam mais naqueles que estendem a mão em busca de um pouco de caridade.

Este ano, mais uma vez, vamos sentar à nossa mesa caras novas por entre as velhas caras já nossas conhecidas, para todos comungarmos o espírito Templário de entre-ajuda, sem olhar a credos ou condição social.

Sabemos que à nossa mesa estarão também presentes, em espírito, os que sob a bandeira do Templo  não esquecerão o gesto fraterno da repartição do pão.

A Irmandade Templária
deseja a todos um Feliz Natal.

Que uma onda de calor humano se espalhe pelo mundo na noite de Consoada e que, para futuro, todos mantenham nos seus corações a chama que o alimenta.

Ordem dos Cavaleiros Templários Portugueses
Fr. +++ - Principalis

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Gestos

Vós que usais o símbolo da Ordem como simples adorno
lembrai-vos que o Templário antes de o usar executa o ritual,
elevando-o à fronte, aos lábios e ao peito, em sinal de respeito.

"Irmãos,
Estais sempre no meu pensamento, honro o vosso ideal,
Sempre na minha palavra, honro a vossa memória,
Sempre no meu coração, até à última batida."

sábado, 15 de dezembro de 2012

Tombo:XII


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo



Junho de 1145

Testamento feito por Mem Vermudes
pelo qual deixava à Ordem do Templo
toda a sua parte na herdade de São Pedro de Sindianes.

Regra:cap.LXX


Regra dos pobres Cavalleiros do Templo na Cidade Santa de Jerusalem

Qual seja o necessario para as camas.

Capitulo LXX

De commum parecer mandamos, que naõ sendo com grave occasiaõ, durma cada hum em cama à parte.  Tenha cada hum seu leito decente, conforme a disposiçaõ do Mestre.  Parece-nos, que basta a cada hum hum colchaõ, almofada, e manta.  A quem faltar alguma destas tres cousas, de-selhe hum cobertor, ou sobre-cama, e em todo o tempo se lhe permite hum lançol de linho.  Naõ durmaõ sem camiza, nem seroulas : e naõ falte luz toda a noite no dormitorio dos Irmaõs.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A lenda de Alconchel



De Alconchel, conta-se uma lenda Templária que o mundo apagou da memória mas que os Cavaleiros do Templo Português guardaram carinhosamente.
A história é-nos contada num velho pergaminho árabe, escrito por um ermitão 'morabito' (homem santo muçulmano), coevo dos acontecimentos.

" Havia tempo que o castelo de Alcoucel fora tomado aos muçulmanos pelos Templários, tornando-se o seu Castelo de Ferro, num enclave permanentemente em guerra.
A Ordem do Templo tinha tomado sob sua protecção a população moçárabe mesmo sabendo que entre ela havia os que espiavam e conspiravam contra a presença cristã.

Entre os conspiradores havia um jovem moçárabe por quem uma bela moura se havia apaixonado.
Este mantinha o seu amor por ela em segredo para não a comprometer se algo corresse mal e fosse apanhado.
Sem o saber, há algum tempo que o jovem era alvo da atenção de um Cavaleiro Templário que sabia do seu amor pela linda moura e que estava também ele, por ela secretamente apaixonado.
Ao Cavaleiro restava-lhe calar fundo a dor daquele amor impossível, pois era-lhe vedado pela Regra exteriorizar a sua paixão.

Todos os dias o jovem ia trabalhar às escondidas, na minagem de uma das muralhas do castelo, sabendo que se preparava um ataque muçulmano para breve.

Nas vésperas desse ataque caiu uma tempestade medonha e o jovem conspirador empenhou-se afincadamente na sua missão de sabotagem ao coberto dos enormes aguaceiros que naquela noite se abatiam sobre a região.

Dentro da mina, o destino jogava um drama.
Vindo, não se sabe de onde, uma torrente de lama acumulava-se por detrás do tabique que protegia o trabalho do jovem. Este ao aperceber-se do perigo jogou as costas de encontro às tábuas para tentar conter   a barreira que começava a ceder.
Devia ter fugido e não o fez.
Depressa entendeu que aquele acto irreflectido o levara a uma armadilha mortal. Se tentasse agora fugir seria apanhado pelo desmoronamento imediato. Se ficasse, aguentaria até mais não poder, mas acabaria por morrer subterrado.
Em pânico, começou a gritar por ajuda.
Já sem forças, despedindo-se da vida num adeus desesperado, gritou o nome da bela moura.

Por entre a lama que lhe toldava a vista, descortinou a figura altiva do guerreiro Templário.
- Ajuda-me, por favor...

Sentindo ao seu lado a força das robustas costas do Cavaleiro abrandar a pressão da barreira, o jovem gritou aliviado:
- Juntos vamos conseguir!

Mas o Templário sabia que não havia saída daquela armadilha para os dois e gritou para o jovem:
Vai-te sem demora! Salva-te!

O jovem moçárabe tentando retribuir algum altruísmo, ainda contestou a decisão do Cavaleiro:
- Então morreremos aqui os dois! Não te abandono! A culpa disto é minha, não é justo que te arrisques por um sabotador!

Com a dureza do aço na voz e um gelo intenso no olhar, o Templário encarou o jovem e ordenou-lhe:
- Vai! Um grande amor espera-te lá fora! Volta para a tua moura!
Depois, murmurando baixinho, acrescentou.
- Não suportaria vê-la infeliz por ti...


Na manhã do dia seguinte, enquanto os sinos de alarme batiam a rebate perante a eminência do ataque e a população se refugiava no castelo, um velho ermitão que ali também procurava protecção encontra o jovem que escavava desesperadamente com as mãos um monte de lama e destroços que tinham deslizado monte abaixo naquela noite.
- O que fazes, jovem louco? Isso é hora de escavar na lama? Vamos ser atacados!
Mas o jovem parecia não o ouvir e só dizia:
- Tenho de lhe dar digna sepultura! Tenho de lhe dar digna...

Durante o ataque, os muçulmanos passaram pelo jovem moçárabe que, ignorando-os, continuou, com as mãos já ensanguentadas, a escavar no local como um louco. E, tomado por louco, também foi ignorado pelas tropas árabes.
O corpo do Templário foi encontrado muitas horas depois e resgatado pelos Irmãos da Ordem.
 O velho ermitão, comovido por este acto de amor e abnegação, registou mais tarde a história do que aconteceu."

O Cavaleiro Templário de Alconchel foi sepultado com toda a dignidade no seu Castelo de Ferro enquanto que a Lenda da sua coragem ficou viva para sempre na memória do Templo.

Documento XXVII


Uma Doaçaõ que fez o Senhor Rey D. Sancho I. à
Ordem do Templo ; e he da Idanha a nova ; e
se prova ser Mestre do Templo a quem a
fez, D. Fernando Dias.

Em nome de Deos. Eu D. Sancho por graça de Deos Rey de Portugal, juntamente com minha mulher a Rainha D. Dulce, e com meos Filhos, e Filhas, faso Carta de doaçaõ, e concepçaõ, e perpetua firmeza a vós Mestre D. Fernando Dias, e a todos os Freires da Milicia do Templo presentes, e futuros daquella Cidade, que se chama Idanha, a qual meu Pay o Illustrissimo Rey D. Affonso de boa memoria tinha dado antigamente a vossos Freires para a povoarem : a qual está cituada junto a Monsanto, e entre a Covilham, e o rio Elgia, e entre a serra de Veloza, e o Tejo.   Esta dicta Cidade damos a Deos, e a caza da Milicia do Templo, e a vós Mestre D. Fernando Dias, e aos Freires do Templo por direito hereditario, para que a tenhais, e possuais para sempre com seus termos novos, e velhos assim, e da maneira que melhor os possais ter, e haver com toda a inteireza, e direito que na tal terra nos pertencia.   Alem disto damos a vós Mestre D. Fernando Dias, e aos vossos Freires do Templo assim presentes, como futuros pelo amor de Deos, e remiçaõ dos nossos peccados, e de nossos Pays, e pelo bom serviço, que de vós temos recebido, huma Villa, que se chama Idanha a nova, que a possuais com seus termos novos, e antigos, assim como melhor os possais achar, e ter ; e em todo o direito que em ella nos podia pertencer.   Por tanto todo aquelle, que vos guardar inteiramente, e a todos os vossos successores esta nossa confirmaçaõ, e doaçaõ seja bendito do Senhor.   Amen.   E aquelle que intentar quebrala, ou diminuila, incorra na ira de Deos Omnipotente, e assim elle como toda a sua geraçaõ, que sejaõ malditos de Deos.  Amen.   Foi esta Carta feita em Coimbra aos vinte e hum de Janeiro da Era de mil duzentos e quarenta e quatro.   Em o vigecimo anno do nosso Reinado.   Nós os Reis acima nomeados, que mandamos fazer esta Carta de perpetua doaçaõ, e confirmaçaõ em prezença dos abaxo asignados a roboramos, e fizemos em ella estes signais. ).).).).).).).).).).
Os que prezentes foraõ
D. João Mendes Mordomo mór .................. conf.
D. Martinho Alfers mór .............................. conf.
D. Lourenço Suares ..................................... conf.
D. João Fernandes ..................................... conf.
D. Fernando Fernandes ............................ conf.
D. Nuno Sanches ...................................... conf.
D. Martinho Pires .................................... conf.
D. Rodrigo Mendes ................................. conf.
Martinho Arcebispo de Braga ................ conf.
Martinho Bispo do Porto ...................... conf.
Pedro Bispo de Coimbra ....................... conf.
Niculao Bispo de Vizeo .......................... conf.
Sueiro Bispo de Lisboa ......................... conf.
Pedro Bispo de Lamego ...................... conf.
Martinho Bispo da Guarda ................. conf.
Sueiro Bispo de Evora ........................ conf.
D. Lourenço Egas .............................. conf.
Pedro Gomes ..................................... test.
Soeiro Suares ..................................... test.
Pedro Monis ....................................... test.
Pedro Mendes .................................... test.
João Raymud ..................................... test.
João Notario da Carta

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Alconchel




O "Castelo de Ferro" dos Templários.


Quando se estudam os castelos Templários Portugueses, há a tendência para esquecer os fronteiriços, que estão actualmente em território espanhol.
Devemos esclarecer que tanto este que aqui hoje abordamos como o que iremos publicar proximamente, são casos especiais, uma vez que continuam portugueses, em território ocupado ilegalmente por Espanha.

Assim, vamos encontrar a sul de Olivença, o castelo Templário de Miraflores, na localidade de Alconchel.





No século XI os muçulmanos aqui reedificaram, sobre as ruínas de uma velha fortaleza, o hisn al-Hadid. O "Castelo de Ferro".

É conquistado em 1166 por el-Rei D. Afonso I de Portugal com a ajuda dos Templários Portugueses aos quais é confiada a sua defesa, assim como a protecção da população moçarabe.
Nesse mesmo ano o soberano faz dele doação à Ordem do Templo, tendo o Mestre D. Gualdim Pais mandado "recompor" o castelo, a que passa a chamar de Alconchel. Diz-se que tal nome se deve às características do terreno envolvente, onde as colinas faziam lembrar conchas do mar mas, na verdade deriva do arábico Alcoucel que significa "cúpula" ou "coruchéu", tal é a forma do monte onde o castelo se situa.




Em 1264 passou para a Coroa de Castela embora continuasse sob o controle dos Templários Portugueses cujos Mestres o foram dos três reinos (Portugal, Castela e Leão), assim permanecendo até 1312.

Ao cabo de século e meio de permanência no território os Comendadores Templários deixaram-nos, nos seus Livros de Guerra, uma vasta e riquíssima memória narrativa plena de casos de luta, disciplina, heroísmo, sacrifício, abnegação, convivência e benevolência.

Mas nem tudo ficou registado nesses diários militares da Ordem.
Existe uma curiosa lenda Templária, relatada num pergaminho datado do século XII por um velho morabito árabe (homem pio, rodeado de uma certa áurea de santidade) que habitava uma colina vizinha.
Uma lenda que publicaremos proximamente.