quarta-feira, 10 de julho de 2013

Valores humanos



" Um dia destes desloquei-me a um serviço público para resolver um assunto pendente.
Encontrei tudo calmo. Demasiado calmo.
Por entre seres humanos que se arrastavam languidamente numa tentativa de "mostrar serviço" e outros que desesperavam pela demora no atendimento, encontrei um ser bastante idoso que depois de algum tempo de manifesta paciência, começou a demonstrar alguma inquietação.
Olhei-o nos olhos e vi medo.
Era o olhar de uma criança assustada.
Acerquei-me dele e sem rodeios perguntei-lhe o que o angustiava.
Se lhe podia valer.
O ancião, contou-me com as lágrimas a aflorarem-lhe os olhos, que já tinha sido atendido  e feito o pagamento mas que continuava ali porque "as meninas" ainda não tinham o troco de 50 euros para lhe dar.
Disseram-lhe para esperar.
...Simplesmente.

" Já aqui estou há tanto tempo à espera do troco e tenho o remédio em casa para tomar".

Olhei em redor e inteirei-me do tipo de gente que ali estava.
Alguns dos presentes mostravam-se até divertidos com a situação, a julgar pelos comentários jocosos que faziam.
Fui ao café ali perto e pedi para me trocarem 50 euros.
Voltei e fomos ambos ao balcão refazer o pagamento.
Obtivemos apenas um comentário de alívio por parte da empregada por lhe termos fornecido mais algumas moedas "para os trocos".
Insensibilidade total.
O problema afinal resumia-se a uma falta de trocos!
Dei o braço ao meu amigo idoso e saímos dali tagarelando sobre o calor, praias e belas jovens.
Ajudei-o a entrar no autocarro e despediu-se de mim com um sorriso infantil.
Apertou-se-me o coração  ao sentir a solidão daquele ser indefeso.
O seu mal disfarçado desencanto pela vida.
Carreguei nos meus ombros o peso da sua humilhação.
Que mundo insensível e desumano!
Cada vez mais desumano... "
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Este episódio foi-nos contado por um dos Irmãos na nossa última reunião, o que provocou um longo e doloroso silêncio na Sala dos Cavaleiros.
Tanto que há ainda por fazer.
O Projecto Templário vai ser uma tarefa gigantesca.

Que Santa Maria nos ajude!

Tombo:XXIX


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


1202

Carta de Composição feita entre a Ordem do Templo e Luís Mendes
pela qual este deu à dita Ordem umas casas no lugar de Sisa
e uma almoinha no lugar do Paraíso.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Simplicidade



Já os velhos Sábios usavam dizer
Na Simplicidade que lhes era vulgar
Que o Homem para sobreviver
Precisava só de Terra, Fogo, Água e Ar.

Mais tarde vieram uns "iluminados"
Querendo a todos a Simplicidade ocultar
Escreveram dela imensos tratados
Dizendo-se donos de segredo milenar.

E tudo o que era Simples eles ocultaram
Querendo desses "segredos" riqueza ganhar
Ocultistas, filósofos, alquimistas se tornaram
Deixando a Verdade mais difícil de alcançar.

Mas a Verdade está ali mesmo à mão
Daquele que a Simplicidade sabe usar
Bastando para tanto abrir-se de coração
E ser sempre, sempre livre de pensar...
Frei João de São Lourenço
Cavaleiro da OrCa TemPo

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Tombo:XXVIII


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


1201

Carta de doação feita por Aires Dias e sua mulher, Maria Mendes
à Ordem do Templo, de Almourol e da terça parte de seus bens.

domingo, 23 de junho de 2013

A Fonte da Lua



No outro lado do Tempo,
Os homens velhos
Bebiam a Eterna Juventude
Todas as noites na Fonte da Lua
No alto do Monte Sagrado
Onde as Grandes Pedras
Falavam a Língua dos Deuses.

Para a Deusa da Noite
Os homens velhos
Construíram um Templo
No coração de cada um.
E ali beberam o conhecimento
E a sabedoria da Fonte da Lua.
Nela deixaram escrito
Os mais secretos poderes
Nas folhas do Livro de Prata.

Depois, os homens velhos partiram.


Junto das Grandes Pedras
Da Fonte do Monte Sagrado
Os novos homens velhos
Encontraram o Livro de Prata
E leram-no à sua maneira.
E fizeram sobre a Fonte da Lua
Um Templo de adoração
A um Deus que não entendiam.
E encheram o Templo de luzes.
E beberam avidamente da Fonte.
Mas os novos homens velhos
Não ficavam mais jovens.

Então os novos homens velhos
Julgaram que aquela
Não era a Fonte verdadeira
Nem a Luz apropriada.
E pensaram ir procurá-las
Lá onde a Luz nascia, a Oriente.
Ali iriam construir um novo Templo
Ao Deus que lhes daria a Juventude.

E os novos homens velhos
Esqueceram a Fonte da Lua
O Monte Sagrado e as Pedras
Que falavam a língua dos Deuses
Que não conseguiam ouvir.
Pegaram no Livro de Prata e...

Os novos homens velhos partiram.


No lado de cá do Tempo
Os velhos homens novos
Souberam das Grandes Pedras
Que falavam a Língua dos Deuses
E do Templo que lá longe
Guardava o Livro de Prata
E o poder da Fonte da Lua
Onde os que bebiam dela
Achavam a Eterna Juventude.
Criaram o seu próprio Templo
E foram então procurá-la...

E os velhos homens novos partiram.


Não acharam a Fonte da Lua
Nem a Eterna Juventude.
Mas acharam o Livro de Prata
Que lhes revelou o Segredo.

"No centro da Terra da Luz nocturna
Onde o Grande Mar começa
E se extingue a Luz do Dia
Existe um Monte Sagrado.
Nele, por entre as Grandes Pedras
Que falam a Língua dos Deuses
Está a Fonte da Lua.
Constrói-lhe no teu peito um Templo
E à noite, bebe a Luz do Universo
Que nela se reflecte.
Ela te mostrará a ciência de tudo."

Agora, os velhos homens novos vão partir.
Têm a esperança que os novos homens
Saibam achar a velha Fonte da Lua
Derrubar o falso Templo que a oculta
E devolver-lhe a Luz do Grande Universo.
Para continuarem a beber dela as Estrelas
E a conquistarem a Eterna Juventude.

Até lá, seremos os seus dedicados Guardiões.

Extraído de: "O Livro de Prata".
(O mais antigo Codex Templário)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Tombo:XXVII


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


Novembro de 1200

Carta de Doação feita por Pedro Gonçalves e Dona Godinha, sua mulher, à Ordem do Templo de quanto possuíssem à hora da sua morte. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O primeiro mosteiro


Têm-nos perguntado como teria sido a primeira Casa da Ordem do Templo em Jerusalém.
Temos a descrição pormenorizada numa das mais antigas crónicas do nosso arquivo mas seria fastidioso publicá-la aqui na íntegra.
Costuma-se dizer que uma imagem vale por mil palavras. Por isso optámos por uma imagem que mostra alguns vestígios da parte do palácio que o rei Balduíno cedeu aos Templários e que foi a primeira Sede da Ordem.

(clique na imagem para ampliar)


" Jerusalem - Os muros de suporte da mesquita de Aksa dando sobre o fundo vale de Josaphat. Junto da palmeira, jazem as ruínas acasteladas do antigo mosteiro da Ordem dos Templários, fundado em 1118/9 por Hugo de Payens e seus oito companheiros. À direita vê-se a encosta ocidental do monte das Oliveiras."

(A seta indica as ruínas mencionadas na primeira foto)


"...a mesquita de Aksa, passando para o domínio dos christãos, durante o reino latino, foi transformada em residência real e ocupada por Balduino I que a designou pelo nome de Palácio de Salomão. 
Por esta época foi creada a Ordem simultaneamente religiosa e militar dos Templários que, ao lado do palacio real, edificaram o seu mosteiro de que ainda restam ruinas grandiosas na vertente do Cedron.   [...] esta grande sala abobadada, é chamada ainda hoje a Sala d'Armas dos Templários. A eles pertencia. 
Das colunas e muros dela, como na Torre de David, estavam pendentes as armaduras dos combatentes e a sala servia-lhes de campo de torneio para os exercícios de guerra. 
Receberam o nome de Templários por terem a sua séde, ou casa-mater, junto do antigo templo de Salomão."

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Templários Portugueses

Tombo:XXVI


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


Agosto de 1200

Carta de doação, feita por Teresa Mendes à Ordem do Templo de uma herdade em Penafiel.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Agradecimento



A todos os que nos têm contactado:

Ainda bem que a nossa mensagem está a chegar aos vossos corações.
Honra-nos e orgulha-nos muito que o nosso trabalho não seja  em vão.
A nossa missão é transmitir a todos a perspectiva do livre pensador.
Ajudar a libertar o ser humano de todas as amarras que o limitam.
Os nossos velhos Irmãos de há nove séculos atrás já tinham na altura conhecimentos de tal ordem avançados que ainda hoje nos faz estar muito à frente do nosso tempo.
Mesmo comungando de um projecto com 900 anos.

Porque o conhecimento e a sabedoria ancestral são intemporais.
O tempo faz-se de ciclos que se repetem apenas em dimensões diferentes...

Abraço fraterno.
____________________
Templários Portugueses

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Velada de Armas




Irmão
Esta noite ficarás só.
... será a última vez.

Prepara-te.

Agora que as duas cores do Balsão
são para ti uma só,
o símbolo da Ordem
já não representa um enigma.

Prepara-te.

( ... )

Agora que sentes a seiva letal da serpente
misturada no teu sangue...
coloca sem medo a mão
no bafo ardente do Dragão.

Veste a tua alma de branco,
desce ao mais negro de ti.
Traça o círculo sagrado ao teu redor
e inscreve nele o teu sinal.

Deixa o mal do lado de fora.
Do lado de dentro, purifica-te.
Fecha os olhos e adormece...
sonha o 'não sonho'
e eleva-te numa espiral de Luz.

Acorda,
e escuta o silêncio.
Tens de escutar o silêncio...

Ouves o pulsar do Templo?
Prepara-te.

Dentro em breve serás um de nós.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Tombo:XXV


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo.


Julho de 1199

Carta pela qual a Ordem do Templo deu a Pedro Garcia a Albergaria de Ourém

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Castelo Templário de Punhete




Na confluência do rio Zêzere com o Tejo, na vila que hoje se chama Constância, existiu até princípios do século passado uma grande torre, sobrevivente do desaparecido castelo Templário de Punhete.
Os textos mais antigos que possuímos falam de uma torre primitiva, possivelmente de construção romana, edificada sobre um ilhéu rochoso, junto à margem, tal como o de Almourol mas mais pequeno.
Há quem afirme que aqui existiu a Pugna Tagi romana.
Documentos da Ordem do Templo descrevem-nos a tomada pacífica do castelo mouro de al-Mutriqah, neste local, pelas forças de el-Rei Dom Afonso I, no mesmo ano da conquista da praça forte de Santarém, em 1147.

"...o castelo de Al-Mutrica é mais pequeno que o da Cardica e tem a sua torre principal fora dele numa ilhota junto à margem e unida a este por uma forte e alta ponte suspensa de madeira. Serve esta torre de atalaia para vigiar quem passa no Tejo e quem quer entrar as águas rebeldes do Zezere. Por ter este singelo aspecto já os arabes lhe chamavam o "Pequeno Martelo" ou Al-Mutrica e por isso se determinou chamar-lhe de Punhete que é o nome que damos a esses instrumentos de ferreiro. Na margem do Tejo e virado a nascente tem um pequeno porto natural de resguardo com um bom embarcadouro todo em estacas e tabuado. É deste lado do castelo e fora dele que a pequena aldeia arabe se fixou. O primeiro grupo que aqui ficou destinado a montar guarda foi dos nossos Irmãos do Templo."
(Pergaminho da Ordem do Templo datado de 1150)
(Transcrição nossa)                     .

Segundo os nossos arquivos, o Comandante do destacamento Templário, Fr. Dom Miguel Paes recuperou o castelo, adossou um contraforte na torre e aumentou-a em altura.
Alguns anos mais tarde, em 1152, a torre já se encontrava unida ao castelo através de uma ponte em pedra à maneira das torres albarrans.
Sabe-se que numa enxurrada de proporções bíblicas, o Tejo provocou entre outras destruições, a derrocada desta ponte ou passadiço. Depois disso, optou-se por criar um aterro que uniu definitivamente o ilhéu à margem e o castelo ficou ligado à torre por uma muralha forte do tipo couraça com arcadas.

Em 1169, el-Rei Dom Afonso I faz doação oficial do castelo de Punhete à Ordem do Templo.
D. Dinis confirma-a à Ordem de Cristo.
Nos princípios do século XVI o castelo ainda estava na posse dos Sande, senhores de Punhete, na pessoa de Dom João de Sande, que lhe fez obras de vulto, introduzindo-lhe profundas alterações.
Foi aqui que el-Rei Dom Sebastião, então com 15 anos, se acoitou fugindo à peste que grassava em Lisboa e foi também aqui que Luis de Camões se apaixonou pela bela Isabel Freire, irmã do mesmo Dom João de Sande.


Na foto de cima ainda se pode ver o que restava da velha torre.
Em baixo, a torre já estava demolida, restando apenas as fundações.

Hoje nada resta desta primitiva estrutura defensiva nem do palácio seiscentista que aqui existiu depois.
A velha torre, que resistiu heroicamente até inícios do século XX, desapareceu para sempre, mandada derrubar pela autarquia em 1905.

Tombo:XXIV


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo




Fevereiro de 1194

Carta de Doação feita por Maria Mendes à Ordem do Templo,
de toda a sua herdade, de uma vinha e todos os bens que tivesse
à hora da morte.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vasos Sagrados


A Regra geral da Ordem previa que todos os Cavaleiros Templários observassem, entre outros votos, o da castidade.
Sabe-se, no entanto, que não o respeitavam.
E tinham as suas razões.

Muito menos o respeitavam os membros do clero, de onde este preceito provinha.
São conhecidos os incontáveis casos de padres, bispos e até sumo-Pontífices que à margem da lei canónica espalhavam a sua descendência clandestina.
Desta prole, uns poucos eram mantidos discretamente sob sua protecção e até constituídos mais tarde, herdeiros e sucessores de seus cargos ou direitos.
Muitos outros porém, eram gerados para logo serem rejeitados e abandonados à sua sorte juntamente com as progenitoras, num mundo impiedoso e cruel.
Outros ainda (infelizmente a maioria), diga-se com pesar, eram mortos logo à nascença.

Esta situação era vista pelos nossos antigos Irmãos como desumana.
E como gentis homens, os Cavaleiros Templários contornaram o problema.

A autonomia do Templo em Portugal a par do seu extraordinário poder de inovação - resultado da liberdade de pensamento que sempre foi um incentivo secreto dentro da Ordem - permitiu que se tomassem certas resoluções,  avançadas demais para a época (daí terem sido executadas num ambiente de secretismo) e difíceis até de compreender actualmente, no sentido de ultrapassar o problema da transmissão segura dos seus ideais e, principalmente, aquilo que era um dos pilares do Projecto Português; gerar uma corrente de transmissão hereditária.

Assim, em determinadas Comendas, eram criados pequenos conventus femininos, conhecidos por prestarem auxílio humanitário e darem principalmente, apoio aos enjeitados acima mencionados.
Chamávam-lhes irmãs Tempreiras (Templárias) por afinidade.
Nunca foram oficialmente reconhecidas como tal.
Assim como nunca foi publicamente conhecido o seu papel fundamental no Projecto Templário.
Porque eram elas que em segredo, geravam e criavam os descendentes dos Cavaleiros do Templo.
Esta linhagem, que a Ordem protegia e ajudava a instruir, era posteriormente integrada no seu seio assegurando a sucessão hereditária de muitos dos seus Cavaleiros.

A todas essas mães e companheiras Templárias secretas, verdadeiras heroínas, a nossa homenagem e veneração.

Por vós, Santa Maria!

Tombo:XXIII


Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo


Dezembro de 1184

Carta de Aforamento de uma herdade junto de Tomar feita pela Ordem do Templo a Salvador Penício e Pelágio Mouro.