terça-feira, 26 de agosto de 2014
Toque de Vida
- Mestre, que rosa é esta no meio do nosso sinal?
- Rosa? Querido Irmão já deverias saber que na simbólica da Ordem nada é o que parece.
- Perdoai-me Mestre mas a mim sempre me pareceu uma rosa. Que segredo encerra então?
- Nenhum.
- Então sempre é uma rosa.
- Abeira-te aqui do poço da cisterna.
Vês a água mais abaixo? Atira-lhe uma pedrinha.
Imagina que é uma gota cristalina que cai dos céus.
Captaste o instante seguinte?
Aí tens a tua rosa.
- Sim o ponto de contacto. As ondas de choque que se expandem.
Já estudámos isso, Mestre.
Mas, suspeito que o seu significado seja mais profundo.
O que representa na verdade?
- O toque divino na superfície do cálice...
Tema:
Memórias ocultas,
Símbolos
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Sinais perpétuos
Acerca-te Irmão...
Atenta no que foi a última morada do meu velho corpo.
E nela, a mensagem que dele a pedra guardou.
Vejo-a de novo através dos teus olhos, ao fim de tantos séculos...
Repara como apagaram as minhas marcas!
Andaram a apagá-las, de todos nós... por todo o lado...
Para que não houvesse mais ligação entre o monge e o guerreiro.
Eu fui um Cavaleiro do Templo!
Fui um Cavaleiro Templário...
Tolos!
Pensaram que estas cinzas seriam tudo o que restava de mim...
Pensaram que a verdade ficaria aqui esquecida para sempre.
Tontos! Grandes tontos!
Ignoram que o espírito é imortal.
Ele não morre!
Transmigra!
Sempre escolhe um novo lar!
Acerca-te, Irmão...
És agora o Templário que eu fui.
Na verdade, somos uma só alma.
Eu estou vivo em ti!
Encosta, por mim, a tua face na pedra.
Passa por ela os teus dedos, levemente...
Ah!... Deixa-me sentir-lhe a frescura...
Vês esta parte que apagaram?
Eram as minhas marcas de Cavaleiro!
As minhas marcas...
São os meus sinais, agora teus.
Encosta-lhes suavemente os teus dedos.
Diz-lhes que o espírito do Templo continua vivo.
Eles vão mostrar-te como antes eram...
Tema:
Memórias ocultas
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
sábado, 2 de agosto de 2014
D. Fr. Pedro Anes
9º Mestre em Portugal
Fevereiro 1222 - Julho 1224
Cavaleiro Português da Ordem do Templo no reinado de D. Sancho II
D. Fr. Pedro Anes foi eleito pelo Capítulo da Ordem a 12 de Fevereiro de 1222 sucedendo ao Mestre D. Fr. Pedro Alvares.

Neste curto e conturbado mestrado e aproveitando-se da renúncia de D. Fr. Pedro Alvares, os Templários de Leão e Castela recusaram reconhecer o mestrado de D. Fr. Pedro Anes, à revelia da autoridade do Mestre Geral da Ordem D. Fr. Pere de Montagut.
No entanto, a gestão dos destinos do Templo nos três Reinos de Portugal, Castela e Leão seria retomado no mestrado Português seguinte.
Conturbado seria também o reinado de El-Rei D. Sancho II vítima das maquinações dos senhores feudais e do clero que por força dos seus interesses tudo fizeram para o derrubar, arrastando o reino para uma acesa guerra civil, urdindo sangrentas e infinitas lutas internas, enquanto os esquadrões Templários combatiam em terras do Alentejo.
D. Sancho acabou morrendo no exílio a 4 de Janeiro de 1248 aos trinta e oito anos de idade, traído e mergulhado num atroz desgosto. Está sepultado em Toledo, Espanha.
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Nas crónicas da Ordem e a título de curiosidade, constatamos que no dia 28 de Fevereiro de 1222 (16 dias após a nomeação de Fr. Pedro Anes) abateu-se sobre a região de Thomar uma tremenda tempestade que provocou uma das maiores cheias do rio e muitos estragos no castelo e no povoado.
Transcrevemos de seguida parte da notícia (em português actual, para melhor compreensão) :
"... o rio transbordou e muito e, inundou até o cemitério da igreja de S. João derrubando-lhe um dos muros. Na dita igreja o forte vento derrubou o campanário que caiu do topo da frontaria para dentro da nave arrastando parte do telhado. A cobertura das galilés do adro, da igreja até à Torre foram totalmente arrancadas, tendo tombado algumas colunas (...). neste lugar tudo ficou submerso em mais de três palmos de água. No castelo a igreja de Sta Maria ficou sem a cobertura e a cripta alagada até ao cimo da entrada (...). Não fora o pronto acudir das Comendas da região de Alcobaça e de Castelo Branco e o povo de Thomar teria morrido à míngua nos tempos seguintes por falta de viveres, tal foi a destruição nas terras e engenhos. A tudo isto atendeu o Mestre e deu solução (...)."
D. Fr. Pedro Anes renuncia ao mestrado, por sua vez, a 8 de Julho de 1224.
Em 1229 ainda integra o grupo de Cavaleiros que testemunham e assinam a carta de doação de Asseiceira.
Morre a 10 de Novembro de 1231 e é sepultado na igreja de Santa Maria dos Olivais em Thomar.
Tema:
Mestrados
quarta-feira, 23 de julho de 2014
terça-feira, 15 de julho de 2014
umbilicus sanguine
"Quão fundo me deixarão penetrar nos segredos do Arquivo?
Poderei mergulhar no tempo até onde a memória se junta ao mito?
Talvez...
Cada palavra destes escritos é um fantasma do passado que me assalta a alma, criando ligações com outros escritos de outras eras.
Até onde poderei ir?
Vejamos este aqui...
Braga... a velha Braga dos Bragões celtas.
Não te bastou terra Lusa.
Tua gesta sedente de horizontes, partiu e fundou Bargónia.
Invisível, o cordão umbilical.
Braga-Borgonha.
Borgonha-Braga...
Diz-se que o bom filho à casa torna.
E este...
Afonso Henriques.
Filho de Henrique.
Vida efémera que a morte mascarou de ...Moniz.
Irmão que a Ordem fez proclamar Rei, do cimo do seu Signum.
Chamemos-lhe apenas de Afonso, o primeiro de Portugal.
Reino bastardo? Não. Henriques e Moniz são filhos da mesma gesta.
...
E este aqui, que nos concede a terça parte da conquista do Sul.
A terça parte duma grandeza que nos iria dispersar.
Recusámos.
E com El-Rei, em Nisa, fizemos nascer Avis, filha do Templo.
E com ela fizemos a ponte para o Reino do Sul.
Onde ainda somos.
Ah, o Arquivo do Templo...
Tão pouco partilhado e sempre, sempre oculto por necessário, pois quanta treva nos tem dado o mundo.
Luz e treva. Treva e Luz.
Quanta Luz nos deu Alexandre!
Quanta Luz lhe juntou a Lusitânia...
Unindo tudo, o invisível umbilicus sanguine.
Re-velando mistérios esquecidos."
Frei Manuel F.B.
Cronista da Ordem
Tema:
Desmitificar,
Memórias ocultas
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Tombo:XLIX
Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo.
12 de Março de 1211
Carta de doação feita por Fernando Sanches à Ordem do Templo,
de metade de Vila Franca da Cardosa (Castelo Branco)
e seus termos com todas as igrejas e direitos.
Tema:
Tombo
sábado, 28 de junho de 2014
Horizontes de tempo
"Quando estudava documentos antigos, tinha sempre a sensação de que tudo tinha acontecido há muito, muito tempo atrás.
Depois, com o passar do tempo, comecei a aperceber-me que o tempo tem sempre tendência para nos enganar.
Recebi os ensinamentos Templários directamente do meu avô antes de a Ordem me acolher.
Hoje, sou eu que entrego esses mesmos ensinamentos aos meus netos.
Assim é feita a transmissão.
Um dia irei partir mas a semente fica cá.
Do meu avô aos meus netos vai um espaço de cinco gerações.
Tive a fortuna de os conhecer a todos em vida.
A este "horizonte de tempo" chamamos nós de Elo Geracional.
Tendo em conta que as gerações são renovadas a cada 25 anos, do meu avô aos meus netos vai um período de 125 anos e eu sou o testemunho vivo deste horizonte temporal.
O elo que liga o passado ao futuro.
Com a idade apercebi-me que afinal, não passou assim tanto tempo desde a formação da Ordem.
Foi apenas há 7 destes horizontes de tempo."
Hoje, sou eu que entrego esses mesmos ensinamentos aos meus netos.
Assim é feita a transmissão.
Um dia irei partir mas a semente fica cá.
Do meu avô aos meus netos vai um espaço de cinco gerações.
Tive a fortuna de os conhecer a todos em vida.
A este "horizonte de tempo" chamamos nós de Elo Geracional.
Tendo em conta que as gerações são renovadas a cada 25 anos, do meu avô aos meus netos vai um período de 125 anos e eu sou o testemunho vivo deste horizonte temporal.
O elo que liga o passado ao futuro.
Com a idade apercebi-me que afinal, não passou assim tanto tempo desde a formação da Ordem.
Foi apenas há 7 destes horizontes de tempo."
Frei Martim Gomes
Cav. da OrCaTemPo
Tema:
Reflexos
Tombo:XLVIII
Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo
Outubro de 1210
Carta de doação feita por Gomes Pais à Ordem do Templo,
de quinze casais em Benavela.
Tema:
Tombo
quarta-feira, 25 de junho de 2014
A chave L
( PentaCripta pertencente ao espólio histórico da OrCaTemPo )
Desde sempre os Cavaleiros Templários Portugueses usaram formas de encriptar as mensagens de teor mais sensível a fim de proteger o seu conteúdo de olhares curiosos.
Já fizemos referência a duas dessas chaves e temos usado inclusive uma delas para codificar alguns dos nossos textos, embora o façamos com uma intenção puramente lúdica, utilizando uma versão adaptada à actualidade.
Falamos da PentaCripta.
Entre outros, este sistema criptográfico foi inventado e utilizado pelo círculo interno da Ordem de Christo no período entre 1324 e 1370 existindo em duas versões: a L e a P.
A primeira codificava uma linha inteira até ao ponto final e a segunda codificava-a palavra a palavra.
A mesma chave servia para ambas as versões e a indicação para a sua correcta utilização era dada no próprio texto cifrado.
Esta 'ferramenta' Templária era usada apenas por determinados Cavaleiros (os Falcões) que a guardavam bem dissimulada na bainha da espada, a sua inseparável companheira.
Mesmo que o desarmassem ou tivesse de entregar a espada por qualquer motivo, a 'chave' permaneceria escondida na sua bainha.
Mesmo que o desarmassem ou tivesse de entregar a espada por qualquer motivo, a 'chave' permaneceria escondida na sua bainha.
Que tenhamos conhecimento, apenas uma PentaCripta chegou aos nossos dias.
Tema:
PentaCripta
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Tombo:XLVII
Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo
Julho de 1210
Carta de doação feita por Fernando Anes e Godinho Pires
à Ordem do Templo, da igreja de Vilar de Cide
com todo o seu couto e pertenças.
Tema:
Tombo
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Umbrais de Luz
- Mestre, conforme indicaste achei o equilíbrio.
Mas como consigo finalmente encontrar-me?
- O teu equilíbrio era apenas uma passagem, Irmão.
Doravante acharás em tudo, só beleza e harmonia.
Bem-vindo ao Templo.
(Final de Iniciação)
Tema:
Reflexos
terça-feira, 17 de junho de 2014
Tombo:XLVI
Documentos dos Templários Portugueses
guardados na Torre do Tombo
Abril de 1209
Carta de doação feita por Pero Galego ao mosteiro de Tomar,
da Ordem do Templo, de metade de todos os seus bens.
Tema:
Tombo
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Turcopolos
Quem eram estes guerreiros e de onde provinham?
Qual o seu papel na defesa da terra santa ao lado da milícia cristã?
Devido à escassez de notícias da época, os historiadores têm sentido alguma dificuldade em os descrever.
Diz-se frequentemente que eram oriundos de famílias mistas turco-cristãs mas não será exactamente assim.
Segundo os nossos registos, os turcopolos eram tropas recrutadas pelos cristãos entre as populações locais, mas independentemente das suas características étnicas ou religiosas.
Eram seleccionados por os seus peões serem bons batedores e excelentes sapadores que levavam a cabo missões de infiltração nas linhas inimigas e acções de guerrilha em geral.
Em batalha, a sua cavalaria ligeira alinhava com as tropas cristãs, normalmente nas fileiras das Ordens militares, entre elas a do Hospital e do Templo. No entanto usavam de técnicas de luta próprias.
Mas o que melhor os caracterizava (e tinha um peso decisivo na sua escolha) era a sua honestidade, honradez e verticalidade, a par de uma disciplina militar e uma formação espiritual em tudo semelhante à da cavalaria Templária.
A sua reputação tornou-se quase lendária, não sendo por isso de admirar que o nosso querido Mestre Gualdim (que fez escola na terra santa) se fizesse acompanhar de três destes guerreiros no seu regresso a terras lusitanas.
Nos "Livros de Guerra" da Ordem constam inclusive os nomes portugueses que adoptaram quando passaram a fazer parte da nossa Irmandade, já como Cavaleiros Templários.
Eram eles Martim Preto, Novo Paio e Pedro Sirão.
Martim Preto, devido a um certo grau de conhecimento da arquitectura oriental teve um papel decisivo na recuperação do templo árabe, conhecido hoje por Charola do Convento de Tomar, que na fase de arranque da 'construção' do castelo Templário se situava fora dos muros da alcáçova mourisca, ambas (igreja e fortaleza) 'achadas' em ruínas pelos Templários Portugueses.
Os outros dois teriam instruído uma boa parte dos sargentos Templários Portugueses nas suas técnicas de guerrilha, tornando mais rico o valor destes em batalha.
"Livros de Guerra" IV-V
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Tema:
Memórias ocultas
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